Dupla de radiotelescópios capta espetaculares imagens do asteroide 2014 HQ124

2014_HQ124_Goldstone_Arecibo_080614Asteróide 2014 HQ124 numa sequência de 20 imagens de radar obtidas a 08 de junho de 2014, pelos radiotelescópios de Goldstone e de Arecibo. A resolução na direção vertical é de cerca de 3,75 metros por pixel.
Crédito: Marina Brozović e Joseph Jao (Jet Propulsion Laboratory)/Caltech/NASA/USRA/Arecibo Observatory/NSF.

No passado domingo, o asteroide 2014 HQ124 realizou uma passagem a apenas 1,3 milhões de quilómetros da Terra (o equivalente a cerca de 3,2 vezes a distância média entre a Lua e o nosso planeta). Trabalhando em conjunto, os cientistas dos observatórios de Arecibo, em Porto Rico, e de Goldstone, nos Estados Unidos, aproveitaram a oportunidade para produzirem algumas das mais detalhadas imagens de radar de um objeto próximo da Terra. As imagens foram obtidas cerca de 9 horas após a maior aproximação do asteroide à Terra, e revelam um objeto com uma complexa estrutura em forma de amendoim, com cerca de 370 metros de comprimento, e com um período de rotação de 20 horas.

Descoberto no passado dia 23 de abril pelo observatório espacial WISE, 2014 HQ124 foi apelidado de “A Besta” em alguns blogues americanos. “Estas observações de radar mostram que o asteroide não é uma besta, mas sim uma beldade”, afirmou Alessondra Springmann, analista de dados do Observatório de Arecibo.

A maioria das observações de radar envolvem apenas um radiotelescópio, que transmite o sinal para o asteroide e recebe as ondas de rádio refletidas pela sua superfície. Nesta sessão, os cientistas testaram uma configuração bistática, com a antena de 70 metros de Goldstone a transmitir o sinal e a antena de 305 metros de Arecibo a receber as ondas de rádio refletidas. “Usámos dois telescópios porque essa combinação permitiu-nos obter imagens com um detalhe duas vezes superior ao que Arecibo teria alcançado só por si”, disse Lance Benner, o cientista do Laboratório de Propulsão a Jato que liderou as operações em Goldstone.

Esta configuração permitiu combinar a máxima resolução de 3,75 metros por pixel de Goldstone com a sensibilidade ímpar da antena de Arecibo, providenciando as primeiras imagens de alta resolução de um asteroide com o mínimo de ruído possível. Os cientistas esperam adotar este novo sistema com maior regularidade no estudo de asteroides com órbitas próximas da órbita da Terra.

Além de receber o sinal de Goldstone, o observatório de Arecibo também transmitiu, tendo o sinal de retorno sido recebido por quatro radiotelescópios do sistema Very Long Baseline Array. “Usando múltiplos telescópios para seguir o movimento do eco de radar de um asteroide através da Terra, podemos determinar a sua rotação de forma independente das imagens de radar”, disse Michael Busch, um astrónomo que esteve envolvido nas observações no Instituto SETI, nos Estados Unidos. “Isto resolve ambiguidades nas imagens de radar e é essencialmente para as previsões da trajetória a longo termo.”

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