Impacto Profundo

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Deep Impact (Impacto Profundo) é um filme de 1998.

Naquela altura, Hollywood apostava neste tipo de histórias, porque “vendiam bem”.
Afinal, o fim do milénio estava perto, e não faltavam profecias dos vigaristas do costume a dizer que o mundo ia acabar.

Pessoalmente, gostei bastante do filme quando o fui ver nessa altura, e tenho gostado de o ver mais vezes.

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Um cometa é descoberto por um jovem astrónomo amador. É chamado de Wolf-Beiderman (em honra dos seus descobridores).
O cometa tem cerca de 11 quilómetros de diâmetro e está em rota de colisão com a Terra. A colisão dar-se-à cerca de 2 anos após a sua descoberta.

Já que este cometa é um pouco maior que o cometa que “extinguiu” os dinossauros, então o impacto deste cometa trará certamente consequências terríveis para a Humanidade, provavelmente extinguindo-a.

O potencial desastre natural é mantido em segredo durante um ano. Afinal, não serve de nada alarmar a população.
Enquanto mantém o segredo, o governo americano cria um plano para tentar destruir o cometa.
Entretanto, uma repórter da MSNBC dá-se conta da conspiração para manter essa notícia em segredo, e decide “apertar” com a administração americana, fazendo com que revele o segredo – a repórter pensa que o segredo é um escândalo sexual com uma mulher chamada Ellie, mas afinal era o cataclismo iminente (E.L.E. = Extinction-Level Event = Evento que provoca a extinção da humanidade).

Uma equipa de astronautas é enviada para o cometa, de modo a colocarem-lhe bombas nucleares e fazê-lo explodir em pequenos pedaços. No entanto, o processo corre mal e só conseguem dividi-lo em dois enormes pedaços, um com 2 km e outro com 9 km de diâmetro, ambos na direção da Terra.
Entretanto, a estratégia de enviar misseis nucleares também falha.

O Presidente anuncia à população o falhanço da missão, ao mesmo tempo que revela que o Governo Americano tem andado a construir um enorme abrigo subterrâneo que terá capacidade para 1 milhão de pessoas (200 mil cientistas, médicos, políticos, professores, artistas, engenheiros, soldados e outras pessoas que poderão ser úteis para refazer a Humanidade + 800 mil pessoas comuns que serão selecionadas numa lotaria).

O pedaço mais pequeno, de 2 km, atinge o Oceano Atlântico, criando ondas enormes (1 km de altura) e o maior tsunami de que há memória.
América do Norte, Central e do Sul, todas as ilhas no mundo, grande parte da Europa, e uma enorme parte de África ficam debaixo de água.
Milhões de pessoas morrem, incluindo a repórter que descobriu a história.

Antes do pedaço maior do cometa colidir com a Terra na zona do Canadá e criar uma nuvem de poeira que esconderá o Sol durante mais de 2 anos (o que certamente levará a extinções em massa da vida na Terra), a equipa de astronautas que tinha falhado a missão e que ainda estava no espaço, decide sacrificar-se e detonar as bombas nucleares existentes na sua nave (chamada Messias) numa fenda existente no pedaço maior do cometa.
O cometa explode, e o que se vê no céu é uma bela chuva de meteoros.

A Humanidade sobrevive e o Presidente dos EUA profere um discurso de esperança para os sobreviventes.

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Deep Impact é um filme muito bom.

Infelizmente, quando saiu para os cinemas, competiu com outro filme com o mesmo tema: Armageddon. Deep Impact é mais científico, mais intelectual e tem uma história melhor que Armageddon, por isso Armageddon foi mais popular…

Gostei:

– no anúncio do cometa na televisão, o Presidente dá uma verdadeira lição de astronomia.

– o filme mostra um presidente Americano que é negro. Em 1998, o presidente Americano era Bill Clinton. De seguida, durante quase uma década, George W. Bush comandou os EUA. 10 anos após o filme estrear nos cinemas tomava posse Obama como presidente dos EUA. O filme foi “profético” neste aspeto.

– a parte de existir um segredo, enquanto se pensava num plano para solucionar o problema parece-me bastante realista (não com o cometa tão perto que qualquer astrónomo amador o pudesse ver no céu, mas assumindo que o cometa está muito mais longe).

– realista é também o facto de que todas as conspirações, segredos, acabam por ser descobertas, e que seja a comunicação social a fazer essas descobertas.

– o facto da jornalista ter errado naquilo que pensava ser o segredo também é capaz de ser mais comum do que normalmente pensamos. Quando se investiga algo, por vezes pensa-se que se está no encalço de X e encontra-se Y.

– o filme fala de E.L.E. (Extinction-Level Event). Em 2011, o grande evento astronómico era a passagem do cometa Elenin. Infelizmente, como vários outros cometas, o cometa Elenin desintegrou-se ao passar perto do Sol, não nos proporcionando o espetáculo que gostaríamos de ver nos nossos céus. O cometa chamava-se Elenin porque foi descoberto por um astrónomo russo chamado Leonid Elenin. Porque falo disto? Porque as primeiras letras de Elenin são: ELE; e por mais ridículo que seja este argumento, existiram inúmeros vigaristas a dizerem que o cometa Elenin era na verdade um E.L.E.

– no tsunami vê-se a água a retroceder antes de vir com toda a força sobre a praia.

– a nave Messias é construída no espaço, mais precisamente na Estação Espacial Internacional.

– a nave ter lançado ganchos para a superfície do cometa, antes de pousar nele.

– as fantásticas imagens dos astronautas a respirar dentro dos capacetes, enquanto andam pela superfície do cometa.

– o jato a emergir do cometa e que apanha o astronauta, enviando-o para o espaço. Esta parece-me uma ótima forma de morrer. Se eu puder escolher a forma de morrer, esta estará no meu Top 5.

Não gostei:

– a forma de desviar cometas em rota de colisão com a Terra não é enviando bombas nucleares. Existem formas mais eficazes e mais simples de desviar asteroides/cometas.

– não entendo como a explosão das primeiras bombas nucleares não desviou o cometa. Partiu-o em dois, mas manteve ambos os fragmentos na mesma rota. Não faz sentido. Deveria fazê-los mudar de trajetória.

– a entrada do bólide não corresponde à realidade. As pessoas na praia e nas ruas não iriam ver o primeiro fragmento a atravessar os céus daquela forma. O brilho do cometa iria cegá-las momentaneamente, enquanto a onda de choque iria esmagá-las contra o solo.

– eu percebo que a história de amor entre os jovens é necessária para dar um ponto de referência ao filme. No entanto, por mim, dispensava.

– estourar o cometa não provoca uma chuva de meteoros. A energia cinética do cometa continuaria a colidir com a atmosfera terrestre. Há quem defenda que até é melhor deixar o cometa bater inteiro (a energia seria absorvida pela terra) do que colidir com a atmosfera em pequenos pedaços todos ao mesmo tempo.

– detestei o final. Não deviam ter conseguido “estourar” o cometa. Ele devia ter batido e acabado com quase tudo. Seria mais realista.

6 comentários

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  1. Ja vi o filme antes. Acho meio estranho o jeito q a onda chega.

      • Deise T. Gomes on 30/12/2018 at 17:01
      • Responder

      Desculpe-me perguntar, mas o que você achou de estranho no jeito da onda chegar? Como você acha que um tsunami de 1.000 metros chegaria à praia? Se você assistiu o filme 2012, você sabe que esse é o jeito de um tsunami gigante atingir a praia…

  2. No livro “O homem” (1954) , Irving Wallace faz girar a história à volta de um negro na Casa Branca. Logo, o filme é profético mas não original.
    Já agora, parece-me que a competência de Obama está “a léguas” do presidente do filme (suponho que é Morgan Freeman).

    1. Sim, Morgan Freeman. 😉

      Sim, a “profecia” é mais ou menos normal 🙂

      Bem, o Obama lida com situações reais… 😛 Morgan Freeman foi melhor porque é uma situação inventada em que o papel dele é ser “perfeito” nas decisões 😛 ehehehehe 🙂

      abraços

    • José Simões on 01/07/2014 at 11:50
    • Responder

    “Existem formas mais eficazes e mais simples de desviar asteroides/cometas”

    E quais seriam essas formas quando o aviso é de 2 anos? Não conheço nenhuma minimamente credível.

    1. Favor ler o link nessa frase, e ler também o 3º ponto do “Gostei”.

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