Oceano subsuperficial de Titã poderá ser tão salgado quanto o Mar Morto

modelo_interior_Tita_Mitri_et_al2014Representação artística da estrutura interna de Titã.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI/Univ. of Arizona/G. Mitri/University of Nantes.

Dados obtidos pela Cassini revelam que o oceano subsuperficial de Titã poderá ter uma salinidade comparável à do Mar Morto – um dos lagos mais salgados da Terra. A descoberta foi anunciada na semana passada, num artigo publicado na revista Icarus.

Estudos anteriores sugerem que a crusta gelada de Titã é uma estrutura rígida, num processo de completa solidificação. Dados topográficos e gravimétricos obtidos pela Cassini nos últimos 10 anos permitiram agora aos cientistas construir um modelo da atual estrutura interna de Titã, o que resultou numa melhor compreensão da estrutura e propriedades da camada mais exterior da maior lua de Saturno.

Os novos resultados mostram que é necessária uma densidade relativamente elevada no oceano subsuperficial de Titã para explicar as anomalias gravitacionais observadas pela Cassini. Isto indica que o oceano é provavelmente formado por uma solução extremamente concentrada de sais de enxofre, sódio e potássio, numa concentração total semelhante à dos lagos mais salgados da Terra.

“Este é um oceano extremamente salgado, tendo em conta os padrões da Terra”, afirmou Giuseppe Mitri, investigador da Universidade de Nantes, em França, e primeiro autor deste trabalho. “Este conhecimento poderá alterar o modo como vimos este oceano – como uma possível morada para a vida – no entanto, as condições poderiam ter sido bem diferentes no passado.”

A equipa liderada por Mitri descobriu ainda que a espessura da crusta titaniana varia de região para região, o que confirma que a lua de Saturno possui uma camada exterior rígida, como seria o caso se o oceano no seu interior estivesse lentamente a solidificar. Este processo limita a troca de materiais entre o oceano e a superfície, o que tem fortes implicações na sua habitabilidade.

Uma outra consequência deste modelo é que a libertação de metano na atmosfera de Titã deverá ocorrer na superfície, apenas em “pontos quentes” intermitentes e muito localizados. “O nosso trabalho sugere que vai ser difícil procurar sinais da libertação de metano usando a Cassini, e poderá requerer uma futura missão que possa encontrar fontes de metano localizadas”, disse Jonathan Lunine, investigador da missão na Universidade de Cornell, em Ithaca, nos Estados Unidos, e coautor deste trabalho. “Tal como em Marte, esta é uma tarefa complicada.”

Podem ler mais sobre este trabalho aqui.

1 comentário

  1. E pelo que sei a agua com grande salinidade resistem mais ao congelamento..
    Por isto que há regiões abaixo de icebergs, que são mais frias que os próprios, mas se mantém liquidas..

    E creio que não há reais impedimentos “poder” existir algum tipo de vida que resista a quantidades bem elevadas de sal e ainda sejam uma boa evolução(o suficiente para formar seres maiores doq protozoários..)

    Então parece que mais alguma coisa que nunca imaginamos, existe no universo, um astro com dois oceanos..
    Um de metano(ou outra octana) mais acima e um de agua salgada mais abaixo..

    Pode ser que existam astros com mais ainda, por exemplo mesmo Jupter e Saturno, devido a pressão podem ter regiões que oq são gazes aqui sejam líquidos lá e podem existir uma boa quantidade de camadas destas, e se não nestes que falei, pode existir em algum outro..

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