Opportunity atinge marco histórico na história da exploração espacial

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Lunokhod 2, uma pequena cratera situada a sul de Solander Point, na orla ocidental da cratera Endeavour. Imagem obtida pelo robot Opportunity a 24 de abril de 2014 (sol 3644 da missão).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Cornell/ASU.

O Opportunity detém agora oficialmente o recorde da maior distância percorrida por um rover numa superfície extraterrestre, depois de anteontem ter completado 40,25 quilómetros na paisagem poeirenta de Meridiani Planum, na superfície de Marte. O anterior recorde pertencia ao Lunokhod 2, um robot soviético que em janeiro de 1973 alunou na cratera Le Monnier, no extremo leste de Mare Serenitatis, na Lua.

“O Opportunity viajou mais longe do que qualquer outro veículo com rodas noutro mundo”, afirmou o responsável do projeto Mars Exploration Rover (MER), John Callas. “Isto é particularmente notável considerando que se pretendia que o Opportunity completasse cerca de um quilómetro, e que não foi desenhado para uma distância superior. Mas o que é realmente importante, não é quantos quilómetros o rover já acumulou, mas sim a quantidade de exploração e descoberta que concretizámos nessa distância.”

Se o robot da NASA se mantiver operacional nas próximas semanas, deverá conseguir alcançar a distância da maratona (cerca de 42,2 quilómetros) nas proximidades de Marathon Valley, o próximo grande objetivo científico da missão. Observações realizadas a partir da órbita marciana sugerem a presença de uma acumulação de diferentes minerais argilosos neste local. O vale encontra-se ladeado por encostas íngremes, onde a relação entre as diferentes camadas sedimentares poderá fornecer pistas fundamentais que possibilitem o enquadramento destes minerais na história geológica do planeta vermelho.

O Lunokhod 2 foi o sucessor da primeira missão Lunokhod, que poisou na Lua em 1970. Imagens recentemente obtidas pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter permitiram confirmar que o segundo rover soviético completou um total de 39 quilómetros nas 17 semanas de missão na superfície lunar.

“As missões Lunokhod permanecem ainda como dois grandes marcos do que eu penso ter sido a primeira era dourada da exploração espacial – os anos 1960 e 70”, disse Steve Squyres, cientista da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, e investigador principal da missão MER. “Estamos agora numa segunda era dourada, e o que tentámos fazer em Marte com o Spirit e o Opportunity foi em grande parte inspirado pelas conquistas da equipa da missão Lunokhod, há tantos anos na Lua. Foi uma verdadeira honra termos sucedido aos seus rastos históricos.” Recentemente, a equipa da missão MER homenageou o venerável robot soviético, atribuindo o nome Lunokhod 2 a uma pequena cratera com 6 metros de diâmetro fotografada em abril passado na vertente exterior da orla ocidental da cratera Endeavour.

1 comentário

  1. Aguardemos agora os analfabetos científicos, conspiraloucos, pseudos em geral desdenhar da grande façanha.

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