Cosmos – quarto episódio

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4 – Um Céu Cheio de Fantasmas (A Sky Full of Ghosts)

Este episódio explica como a luz, o tempo, o espaço e a gravidade se combinam para distorcer a nossa perceção do universo.

O episódio divide-se basicamente em 2 partes: na primeira parte fala-se na velocidade da luz; na segunda parte do episódio explica-se vários conceitos relacionados com a gravidade.

Cosmos William and John Herschel

William Herschel explica ao seu filho, e a nós, que os telescópios são máquinas do tempo que nos permitem observar o passado.

Compreendemos que vivemos num poço gravitacional. A gravidade é uma distorção no tecido do espaço-tempo.
E percebemos os fenómenos estranhos que acontecem quando sofremos os efeitos relativistas.

De seguida, viajamos para a fronteira de um Buraco Negro. Tentamos espreitar para dentro dele. Mas a nossa curiosidade faz com que não consigamos escapar à sua “mão gravitacional”. Caímos nele. Vamos viajar por um Buraco Negro.

Por fim, viajamos para trás no tempo: até ao dia em que Tyson conhece Sagan.

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Este episódio é muito bom.

Adorei o título: um céu cheio de fantasmas. Isso refere-se ao facto de, como a velocidade da luz é finita, quando olhamos para uma estrela estamos a vê-la (a sua luz) como ela era no passado.
Por exemplo, quando olhamos para o Sol, vemos como o Sol era há cerca de 8 minutos atrás, já que a luz demora esse tempo a viajar do Sol até à Terra.
Assim, muitas das estrelas que vemos atualmente no nosso céu podem de facto já não existir (podem já ter morrido): estamos a ver “fantasmas” delas.

Assim, “Seeing is not believing”, ver/observar algo não leva a que possamos acreditar que esse algo existe.
Existem várias “ilusões ópticas” semelhantes e diferentes desta.
O que é importante, diz-nos Tyson, é que coloquemos as nossas ideias à experiência, ao “julgamento do Universo”. Isto é, obviamente, incrivelmente importante para se perceber a natureza da ciência.

Gosto especialmente de Tyson ensinar história através de histórias pessoais dos intervenientes.

Gosto que Tyson não “embeleza” a personalidade dos cientistas. Os cientistas são humanos, com as virtudes e as falhas comuns a todos os humanos.
Já no episódio anterior Tyson tinha enaltecido o brilhantismo de Hooke sem se esquivar à sua personalidade irascível.
O que é comum a todos os cientistas é a paixão por compreender o mundo que os rodeia.

Gostei do episódio ter falado em Galileu, Newton, Einstein, Faraday, Maxwell, William Herschel, John Herschel, e sobretudo John Michell (um dos grandes cientistas de quem ninguém ouve falar).
É importante que se fale também dos cientistas menos conhecidos, das centenas/milhares de cientistas pela história, que tanto contribuíram para a Humanidade, mas que foram sendo esquecidos…

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Para o público português ou brasileiro pode ser estranho Tyson ter realçado que o Universo não pode ter somente 6.500 anos. Mas Tyson está, naturalmente, a falar para o público americano. Quase metade dos americanos acredita nessa doutrina criacionista.
Tyson é claro: se o Universo fosse tão jovem, não poderíamos ver a luz de estrelas a, por exemplo, 10 mil anos-luz da Terra. Mas conseguimos ver essas estrelas, porque a luz dessas estrelas demorou esse tempo a chegar até nós, provando assim que o Universo não pode ser tão jovem como os criacionistas acreditam.
O Universo é muito maior, mais grandioso, e incrivelmente mais complexo do que os crentes fundamentalistas acreditam.
(claro que, os fundamentalistas vão continuar a acreditar no mesmo, criando explicações ad-hoc, como por exemplo: Deus fez o Universo assim, para nos enganar).

Compreendo a mensagem que Tyson quis transmitir sobre Buracos Negros: que neste momento nada sabemos sobre o que se passa dentro de buracos negros, mas tal como Einstein, Herschel, etc, temos agora algumas ideias, “thought experiments”, que se podem tornar verdadeiras ou não; só no futuro saberemos que ideias serão confirmadas.
No entanto, não gostei de ver as usuais especulações absurdas sobre este assunto: sobre buracos negros serem túneis no Universo, passagens entre universos, até podermos estar dentro de um buraco negro e não sabermos, ou até os buracos negros darem origem a outros universos. Isto é pura especulação sem sentido.
Tendo em conta que noutros episódios, Tyson separa a ciência das crenças religiosas, explicando claramente que a ciência se baseia em evidências, o facto de não existirem quaisquer evidências para estas especulações e mesmo assim Tyson as referir como se fossem ciência, é um tiro no pé dado por Tyson.
Se ele dissesse que os buracos negros são a porta do céu (heaven) onde vamos encontrar Deus… estaria ao mesmo nível das especulações que ele referiu…

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Gostei dele dizer que os buracos negros não são os aterradores comilões da ficção cientifica. Isso é uma conceção errada que é necessário erradicar.

Adorei a denominação “estrela negra”, dada por John Michell quando imaginou a existência do que hoje conhecemos por buracos negros.
Parece-me que “estrela negra” é um termo mais realista… e que iria prevenir conceções erradas que temos sobre os chamados buracos negros.

Não gostei da passagem entre observarmos o passado e vivermos em poços de gravidade. Mais uma vez, é uma transição sem sentido entre temas.

Foi pena o episódio não falar da astrónoma Caroline Herschel, irmã de William Herschel.

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4 comentários

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  1. O episódio é bom, mas de fato falha quando trata dos ‘buracos de minhoca’. Devia ter sido mais conservador ou ter enfatizado que se trata de pura especulação.

    Cadê a Carolina? http://eternosaprendizes.com/2014/03/16/16-de-marco-de-1750-caroline-lucretia-herschel/

    • Graciete Virgínia Rietsch Monteiro Fernandes on 20/08/2014 at 22:43
    • Responder

    Também considero que é pena não ter mencionado Carolina Herschel, que eu nem sequer conhecia. mas já temos uma mulher a receber um grande prémio em Matemática, o que ainda não tinha acontecido até hoje. Felizmente que tudo vai evoluindo graças à Ciência que destrói preconceitos.
    Um abraço e obrigada.

  2. Também não acho que Tyson poderia ser mais cauteloso na hora das especulações. Para mim, está claro que ele está extrapolando um pouco, mas para o público leigo (não digo que sou um grande especialista, mas sou um estudante de física) pode parecer que ele fala de ideias já testadas.
    No mais, uma produção fantástica!

  3. Luz e gravidade, são os grandes temas deste episódio.

    Frase fantástica: os telescópios são máquinas do tempo que nos permitem observar o passado.

  1. […] – Um Céu Cheio de Fantasmas (A Sky Full of […]

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