Cosmos – nono episódio

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9 – Os Mundos Perdidos do Planeta Terra (The Lost Worlds of Planet Earth)

Este episódio explica a história da Terra.

Tyson começa há 4 mil milhões de anos atrás, durante o Período do Bombardeamento Intenso Tardio.
Seguidamente, Tyson mostra a biografia da Terra, com continentes, oceanos e vida completamente diferente da atual.
Tyson também explica como as placas tectónicas moldaram a Terra durante milhões de anos.

O passado é um planeta diferente… Na verdade, o passado são muitos planetas diferentes do atual… Será que reconheceríamos a Terra, quando ela tinha oceanos roxos e céus verdes?

Basicamente, o episódio explica a paleogeografia da Terra durante milhões de anos, e o seu impacto no desenvolvimento da vida na Terra.
O episódio foca especialmente os momentos das extinções em massa e as consequências para o desenvolvimento da vida.

Cosmos Pangea

Tyson começa por explicar a altura em que as primeiras árvores se desenvolveram. Não existiam aves nem flores. A Terra passou a ser o Planeta das Árvores!
Há 350 milhões de anos, as árvores de lignina não eram benéficas para os animais e quando caíam/morriam ficavam enterradas (carvão). Isto levou a uma abundância de oxigénio na atmosfera que era bastante benéfica para vários animais, como por exemplo os insetos. Há 300 milhões de anos, temos a chamada Era dos Insetos Gigantes!
50 milhões de anos mais tarde, a atividade vulcânica na atual Sibéria durou centenas de milhares de anos e queimou (lava) todo o planeta, libertando dióxido de carbono e ácido sulfúrico para a atmosfera. Isso levou a um aquecimento global, que aqueceu os oceanos e libertou o metano lá contido. Tudo isto teve um resultado: a pior extinção da história, a extinção massiva do Permiano-Triássico, há 252 milhões de anos, que exterminou mais de 90% de todas as espécies terrestres. Esta foi a Grande Morte: o mais perto que a vida na Terra já esteve da aniquilação.

Seguidamente, Tyson explica o fenómeno das placas tectónicas (deriva continental).
Tyson explica como alguns cientistas, como Abraham Ortelius, colocaram a hipótese de que os continentes estiveram ligados no passado, sendo que Alfred Wegener colocou a hipótese de um super-continente chamado Pangeia (hipótese pela qual foi ridicularizado), e Bruce C. Heezen e Marie Tharp descobriram a crista oceânica do Atlântico / Dorsal Meso-Atlântica (evidência para a deriva continental).

Tyson conclui esta parte indo para o fundo dos oceanos e vendo a imensa vida que existe por lá, muito diferente da superfície, sem luz solar, onde a noite é permanente, mas onde o ecossistema assenta na quimiossíntese, baseada no sulfeto de hidrogénio que sai das chaminés negras.

Depois, Tyson explica como o impacto de um asteroide iniciou a extinção do Cretáceo-Paleógeno que levou a que pequenos mamíferos se tornassem a espécie dominante na Terra. A Terra tornou-se no Planeta dos Mamíferos.

De seguida, Tyson explica eventos geológicos mais recentes, como a formação do Mar Mediterrâneo, e a formação do Istmo do Panamá que quebrou a ligação entre o Atlântico e o Pacífico, o que levou a mudanças climáticas globais, que tiveram como resultado transformar África de um terreno fértil para desertos.
Estas mudanças climáticas em África fizeram com que alguns mamíferos descessem das árvores e passassem a andar em pé.

Tyson explica como os outros planetas têm influenciado a órbita e a inclinação do eixo de rotação da Terra, e como isso levou a algumas idades do gelo. Essas idades do gelo, por sua vez, influenciaram o comportamento nómada dos humanos primitivos.

No final, Tyson explica que os continentes continuarão a mudar e existirão outras extinções em massa no futuro.

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Este é mais um episódio brilhante.

A grande mensagem do episódio parece ser: a estabilidade é uma ilusão.

A única constante no Universo, na Terra e na nossa vida, é a mudança.

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É também interessante perceber que o passado são muitos planetas diferentes do atual, e o futuro são também muitos planetas diferentes do atual: constelações diferentes no céu, atmosfera muito diferente, continentes diferentes, cores do céu e dos oceanos diferentes, fauna e flora diferentes, etc.

Em termos de educação científica, não me parece que foi correto somente referir que Alfred Wegener foi ridicularizado, sem existir um contexto educacional que explique aos pseudos que nem toda a gente que faz afirmações extraordinárias vai no futuro ver as suas ideias vingadas.

Tyson conclui o episódio com uma mensagem para os (sobretudo) americanos que negam as mudanças climáticas.
Tyson mostra que as mudanças climáticas são uma constante. E que atualmente estamos a acelerar essas mudanças.
Para a Terra é indiferente, porque o planeta vai continuar. No entanto, estamos a potencializar a nossa extinção: estamos a tornar o planeta pouco habitável para os humanos.
Se continuarmos a fazer o mesmo, proximamente vamo-nos juntar aos dinossauros, trilobites, e inúmeras outras espécies extintas.
Tyson pede que lutemos contra isso: deixemos a nossa obsessão por combustíveis fósseis e mudemos para a energia solar.

No final, Tyson deixa uma mensagem mais positiva: todas as criaturas que estão vivas hoje são descendentes dos sobreviventes das diversas extinções em massa. Nós somos sobreviventes na “corrida” da evolução.
A vida é incrivelmente resistente.
Certamente que existirão extinções em massa no futuro. Estaremos entre os sobreviventes?

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4 comentários

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  1. Este assunto extremamente agradável à leitura, a Deriva Continental, foi abordado neste sítio, a título de curiosidade dos leitores.

    Grazie.

    • Graciete Virgínia Rietsch Monteiro Fernandes on 22/08/2014 at 13:39
    • Responder

    Esqueci-me de me referir à frase que também acho extraordinária- “A única constante no Universo, na terra e na nossa vida é a mudança”.

    • Graciete Virgínia Rietsch Monteiro Fernandes on 22/08/2014 at 13:30
    • Responder

    Também gostei muito deste episódio. Não foi totalmente novo para mim porque eu tenho lá na UPP um ótimo professor de uma disciplina que intitula Percursos na Natureza onde nos fala de todos estas transformações e evolução. Eu acho que a melhor coisa que fiz quando me aposentei foi passar a frequentar a UPP e aprender a mexer no computador.
    Neste episódio uma frase que me marcou muito foi a seguinte-“Nós somos sobreviventes na corrida da evolução.A vida é incrivelmente resistente”.
    Só desejo que o ser humano não acelere uma próxima extinção em massa por causas naturais.
    Um abraço.

    • Samuel Junior on 21/08/2014 at 22:42
    • Responder

    Acredito que mesmo em um evento de proporções catastrófica na proporção dos dinoussauros não extinguiria HOJE toda a raça humana devido a tecnologica que desenvolvemos. Alguns filmes já retrataram isto, onde diante de um potencial desastre natural governos criam instalações subterrâneas e alguns poucos “escolhidos” ficariam nelas até uma melhor “normalização” do planeta, acredito que países mais avançados tenham alguma coisa do tipo. Aliás sobre isto parece que existe um “depósito” de sementes úteis a humanidade em um país nórdico, não lembro qual, em uma montanha gelada, para eventual “restauração” do planeta.

    Já indo pra seleção natural em si, o ser humano é extremamente adaptado a sobreviver em vários tipos de climas no planeta com a ajuda da natureza e da sua inteligência. Até mesmo um fumante pode estar pondo a prova sua resistência em respirar um ar contaminado, dizendo a seleção natural selecionar aqueles que conseguem sobreviver a isto a vida toda sem desenvolver problemas graves de saúde daqueles que adoeçem com 10 anos de uso do fumo.

  1. […] – Os Mundos Perdidos do Planeta Terra (The Lost Worlds of Planet […]

  2. […] piores, mas no geral, a série é excelente! Para mim, os melhores episódios foram: 2º, 3º, 8º, 9º, e […]

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