Cosmos – oitavo episódio

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8 – Irmãs do Sol (Sisters of the Sun)

O título do episódio refere-se às contribuições científicas das astrónomas, que com as suas descobertas permitiram-nos avançar imenso no conhecimento das estrelas.

Este episódio celebra o trabalho e presta homenagem a 2 astrónomas: Cecilia Payne e Annie Jump Cannon.
Payne descobriu a composição química das estrelas: elas são constituídas maioritariamente por hidrogénio e hélio.
Cannon desenvolveu o primeiro catálogo com as caraterísticas espetrais das estrelas.

O episódio também explica em traços gerais a composição das estrelas e o seu destino após milhares de milhões (bilhões, no Brasil) de anos.
O episódio fala de supernovas, fenómenos violentos no Universo que ocorrem a uma média de 1 por galáxia em cada século.

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Tyson começa por explicar como o homem primitivo começou a identificar as estrelas (reconhecimento de padrões), ligando-as através de aparentes constelações às quais atribuiu certos mitos e crenças.
Um desses exemplos em que se criaram mitos são as Pleiades, que apesar dos mitos até foram essenciais no desenvolvimento da agricultura. Curioso que daqui a algumas centenas de milhões de anos, o aglomerado estelar chamado de Pleiades deixará de existir, já que as suas estrelas irão gradualmente dispersar-se pela Via Láctea.

Tyson descreve o trabalho de Edward Charles Pickering para capturar o espetro de múltiplas estrelas simultaneamente.
Tyson também explica o trabalho das “Harvard Computers” (Computadores de Harvard) ou “Pickering’s Harem” (Harém de Pickering) – uma equipa de mulheres investigadoras que trabalhavam sob a orientação de Pickering, de modo a catalogar o espetro das estrelas (ver as linhas de Fraunhofer, explicadas no episódio 5). Supostamente, elas tinham um trabalho menor, de contar estrelas. Esta equipa incluía Annie Jump Cannon, que desenvolveu um sistema de classificação das estrelas (“organizou as estrelas”), e Henrietta Swan Leavitt, que descobriu uma forma de medir a distância das estrelas à Terra através do espetro estelar (que mais tarde foi utilizada para identificar outras galáxias no Universo e assim perceber melhor o tamanho do Universo). Mais tarde, esta equipa incluiu Cecilia Payne, que determinou a composição e a temperatura das estrelas. A colaboração entre elas foi essencial para compreendermos melhor as estrelas e termos uma classificação estelar.
Como curiosidade: Cannon e Leavitt tinham deficiência auditiva. Isso não foi um impedimento para se tornarem duas “imortais” no panteão da astronomia.

Seguidamente, Tyson explica os vários tipos de estrelas e a sua evolução (como cada uma delas evolui ao longo da sua vida). Elas nascem em maternidades estelares, em nuvens interestelares.
Tyson também explica como as estrelas mantém o seu tamanho, devido às forças opostas que são exercidas sobre a estrela: a gravidade que puxa os gases para dentro e a expansão dos gases a partir das reações nucleares no centro da estrela.
À medida que o Sol vai envelhecendo, vai ficando mais quente e mais brilhante. Vai chegar a um ponto em que o equilíbrio de forças vai ceder, e o Sol vai-se expandir, tornando-se uma estrela gigante vermelha. Seguidamente, o seu núcleo irá colapsar e tornar-se uma anã branca. O colapso irá parar devido às forças atómicas (pressão dos eletrões).
Estrelas mais massivas e maiores veem o seu núcleo colapsar ainda mais, criando supernovas e resultando em pulsares.
Estrelas ainda mais massivas colapsam ainda mais até se tornarem buracos negros.
Tyson explica que existem limites para a massa e tamanho das estrelas, dando o exemplo de Eta Carinae que é tão instável que vai explodir como hipernova proximamente.

No final, Tyson explica que toda a matéria na Terra é constituída por elementos feitos nas estrelas (somos poeira estelar) e que sem a energia/luz solar não existiria vida na Terra.

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Este é um episódio excelente.

Adorei o final, com um grafismo incrível, em que estamos num planeta num aglomerado globular a ver uma galáxia (Via Láctea) “a nascer” no horizonte.
A manhã começa com a luz, não de um Sol, mas sim de 200.000.000.000 sois.

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Adorei a parte em que Tyson, sarcasticamente, diz não saber a razão (sexismo) para nunca se ouvir falar de Cannon, Leavitt ou Payne.
Em ciência, onde a autoridade pouco vale, estes preconceitos não deveriam existir. O que conta são as evidências que nos são dadas pela natureza e não as pessoas que nos mostram essas evidências.

Gostei bastante do segmento sobre Eta Carinae.

Curiosamente, eu não colocaria tanto ênfase na correlação entre vida e luz estelar.
É que existe vida na Terra que não precisa do Sol. Imagino que pelo Universo exista igual possibilidade, ou seja, poderá existir vida que não quer saber de estrelas para nada.

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1 comentário

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    • Graciete Virgínia Rietsch Monteiro Fernanbdes on 21/08/2014 at 19:52
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    Li a crítica que me agradou tanto como as outras e realmente existe vida na Terra sem a presença da luz solar, por exemplo nas profundezas oceânicas, nas fontes termais, etc, etc Eu nem nisso reparei quando vi a série. Mas, isto agora penso eu, bem lá no fundo deve estar a presença da luz solar não só da visível para nós como a de todas as radiações que inundam o Universo. Também achei importante o relevo dado às mulheres.
    Um abraço.

  1. […] O Céu da Semana traz dicas de observação astronómica para esta semana, e o professor Gustavo Rojas fala sobre as chamadas “Computadores de Harvard“, as mulheres que fizeram parte da equipa de Edward Charles Pickering, diretor do Observatório de Harvard (1877-1919), e que funcionaram como “computadores humanos” de modo a estudarem as estrelas (criaram a classificação espectral das estrelas). A nova série Cosmos dedicou o 8º episódio a estas mulheres que tanto fizeram pela astronomia. Leiam aqui. […]

  2. […] – Irmãs do Sol (Sisters of the […]

  3. […] piores, mas no geral, a série é excelente! Para mim, os melhores episódios foram: 2º, 3º, 8º, 9º, e […]

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