Regresso dos Arcaicos II – E Criou Deus um Big Bang

God_Believes_in_Big_Bang_by_AndreicuKappNeste post vou continuar uma trilogia que iniciei há uns meses, quando fui abordado por duas senhoras que me quiseram salvar, não sei bem do quê, e que acabaram por me oferecer a versão mais recente da sua visão do Génesis. Confesso que nunca guardei tanto tempo uma brochura sobre o tema, mas outros interesses terrenos instalaram-se entre mim e a brochura. Agora sós, eu à frente da brocura e ela amachucada depois de alguns meses numa mochila que já viajou por vários sítios, vou dissecá-la mais um pouco. Podem ler a primeira parte já que não vou fazer nenhum resumo da matéria anterior.

Uma evolução face ao criacionismo tradicional é que a revista diz que os 6 dias criativos foram, na verdade, longos períodos de tempo em que deus preparou a Terra. Daqui a pouco estamos a ler que deus preparou o Big Bang e promoveu uma inflação do espaço-tempo. Esta dissecação é do 2º ponto, de uma série de 4 pontos, que tem como título “quanto tempo deus levou para criar o universo”. Acreditem que fiquei empolgado e curioso para saber exatamente quando foi. Para mim terá sido há ?i-1><!+kml/t4 anos, ou seja, nada. Inventei este tempo porque nas estórias de ficção podemos inventar o que quisermos. No último parágrafo deste ponto é, finalmente revelado. Atenção, muita atenção… Estão preparados?

“O relato bíblico […] não contradiz as conclusões dos cientistas quanto à idade do universo”!! Tcharam!! Cá está a resposta por que toda a gente anseia. Qualquer pergunta num exame pode ser respondida com “o resultado não contradiz a ciência” mas não diz qual é. Até agora esta revista deixou-me deveras desolado.

Há pouco tempo tivemos a oportunidade de divulgar uma das grandes descobertas do século, a inflação do tecido do cosmos. Não sei o que dirá a revista mas parece-me que o livro do deus dos cristãos não contradiz a inflação da teoria do big bang assim como não contradiz que a água ferve a 60º ou que o gelo pode arder. São acontecimentos possíveis e não os referir não quer dizer que seja a favor só porque não sou contra.

Na próxima parte vamos abordar a forma como deus faz os seres vivos, como poseidon faz crepes, como zeus monta uma prateleira e como alá muda um pneu.

5 comentários

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    • Leonardo Collins on 29/10/2014 at 20:06
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    Ora aqui está aquilo que eu temia que acontecesse mais uma vez:
    http://www.publico.pt/ciencia/noticia/o-big-bang-exige-um-criador-diz-o-papa-francisco-1674433
    Quando se necessita de demonstrar através da razão algo que é do foro intimo da fé, é porque a fé que se tem não é suficientemente forte para a tornar inabalável tal como deveria ser, na minha opinião, a fé que o representante máximo da Igreja Católica deveria ter na sua Religião.
    Já em 1951 o Papa Pio XII também tinha declarado que a teoria de Lemaître providenciava provas científicas para a existência de Deus e para o catolicismo. Nessa altura Lemaître era vivo e, honra lhe seja feita, com a ajuda de Daniel O’Connell assessor científico do Papa, conseguiu convencê-lo a nunca mais se pronunciar publicamente sobre o creacionismo nem nunca mais fazer declarações sobre assuntos de cosmologia. Ele era frontalmente contra a mistura da Ciência com a Religião, apesar de ser um devoto seguidor da Religião Católica. Nele sim, a Fé era inabalável.

    • Leonardo Collins on 27/10/2014 at 16:29
    • Responder

    Meu caro Dário,
    Desde o momento em que um físico e astrónomo católico belga que por acaso também era padre, veio, em 1927, com a teoria do “The Primeval Atom” ou “The Cosmic Egg” que mais tarde e graças a Fred Hoyle ficou a ser conhecida pela teoria do Big Bang, a qual, posteriormente e apesar dos seus problemas fundamentais que são:
    1 – O problema do horizonte
    2 – O problema da planaridade
    3 – O problema da inexistência dos monopolos magnéticos
    continua a ser a teoria cosmológica de maior consenso científico, para mim, tudo é possível e pode muito bem deus, sem qualquer problema, ter preparado com alguma antecedência a fase micro-nano temporal da inflação do tecido cósmico. Olhe que não é coisa que me aflija grandemente. A mim angustia-me muito mais saber que o dogma científico/teológico do ΛCDM continua a ser a teoria cosmológica de maior consenso científico, isso sim é confrangedor.
    É pena é que a tão propalada grande descoberta do século tenha de esperar por melhores dias para que possa haver, pelo menos, uma evidência directa que prove que a hipótese da inflação cósmica de Alan Guth tenha sido um acontecimento real e que o tal inflaton ande por aí e seja rapidamente encontrado.
    http://www.bbc.com/news/science-environment-27935479
    http://www.astropt.org/2014/03/17/inflacao-cosmica-descoberta-espetacular-confirma-teoria-do-big-bang/ nos posts de 23/9 e 29/9/2014 do Carlos Oliveira.
    Já agora, se isso acontecesse, pelo menos os três problemas fundamentais do dogma ficariam resolvidos e o dogma deixaria de ser dogma, embora se tivessem de resolver ainda mais alguns problemazitos, tais como as malfadadas matéria e energia negras que ainda ninguém sabe o que é e que tentam, actualmente, ser explicadas através do gás de Chaplygin que ainda é mais exótico do que o éter de Lorentz e Poincaré.
    Enfim, vejamos onde é que isto vai parar.

  1. Essa tática é perfeitamente aplicável a quaisquer mitos de criação de Universo, saca só:

    *No grego*: Urano (o céu, equivalente ao Universo), tem um filho, Cronus (o tempo, tal qual o tempo é originado do Universo), que devora seus próprios filhos – assim com o tempo devora tudo que existe;

    *No Hinduísmo*: A palavra raiz “brih” significa crescer, aumentar ou expandir e “an” significa produzir: então Brahman é o começo que expande e se torna o universo inteiro. Isso é muitíssimo mais compatível com o Big Bang do que qualquer descrição bíblica – mas não faz do hinduísmo uma verdade.

    Até os mulçumanos, apresentam trechos do corão que “mostram” que eles “já sabiam” do bigbang. Em fim, isso é tudo uma grande besteira, mas é até divertido. :p

    • Graciete Virgínia Rietsch Monteiro Fernanbdes on 22/08/2014 at 20:39
    • Responder

    Gostei de ler!!! E não é que a água até pode ferver a 60 graus celsius? Depende da pressão. Agora o gelo arder,não sei se há deus que o consiga.
    Um abraço.

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