Cosmos – décimo-segundo episódio

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12 – O Mundo Livre (The World Set Free)

Este episódio centra-se no problema das alterações climáticas/aquecimento global, discutindo o quanto os humanos afetam o aquecimento global, se podemos resolver o problema, e se poderemos ter energias alternativas.

Devido ao problema em questão, o episódio também fala de Vénus e do seu efeito-estufa.

O título do episódio deve-se ao livro de H.G. Wells, The World Set Free, publicado em 1914, em que Wells previu o desenvolvimento de armas nucleares, numa guerra global.

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Em 1896, Svante Arrhenius publicou um artigo científico sobre a emissão de dióxido de carbono pelos humanos, prevendo um efeito estufa.
Na década de 1930, E.O. Hulburt e Guy Callendar concordaram cientificamente que o aquecimento global era um problema.

Tyson explica que o planeta Vénus já teve oceanos e uma atmosfera moderada, mas devido a um efeito estufa descontrolado é hoje um local infernal, em que os oceanos evaporaram, tendo perdido as condições de habitabilidade à superfície.

Em seguida, Tyson refere que também na Terra existe um equilíbrio precário no clima, e que este equilíbrio está a ser colocado em causa pela quantidade de dióxido de carbono que os humanos colocam na atmosfera.
Atualmente temos um aquecimento na temperatura global do planeta, devido aos níveis de dióxido de carbono na atmosfera.

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Tyson defende que temos que passar a utilizar mais a energia solar e a energia eólica (energias renováveis), e não os convencionais combustíveis fósseis.
Tyson diz mesmo que temos que abordar este problema como na Corrida Espacial, tendo um país inteiro a trabalhar para atingirmos a meta de 100% de energias renováveis. Se assim o fizermos, o nosso futuro pode ser magnífico.

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Este é um bom episódio.

Percebe-se o porquê do tema deste episódio, tendo em conta a negação das Alterações Climáticas nos EUA.

No entanto, não gostei do tom “preachy” (sermão) que o episódio denotou. Parece que Tyson optou por “lições de moral”.

Não seria mais fácil mostrar o documentário apresentado por Al Gore? A diferença não é muito grande entre os dois…

Não entendo porque Tyson referiu várias vezes o Aquecimento Global, quando atualmente a expressão consensual é Alterações Climáticas.
Aliás, este é um dos problemas do episódio: falar mais em aquecimento, e praticamente não referir os extremos em termos de tempo.

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Tyson esclarece algumas das causas do aquecimento global.
Tyson explica que não pode ser devido a atividade vulcânica: responsável por 500 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera por ano, mas o Homem coloca 30.000 milhões de toneladas todos os anos – e com uma assinatura química diferente.
Tyson também refere que o Sol não é o responsável, já que durante décadas o Sol muda pouco, além de que o aquecimento global parece ser mais notado à noite e no inverno.
Convenceu-me ao falar da atividade vulcânica, mas não quando falou do Sol.

No entanto, Tyson não falou das fracas medições. Pelo contrário, disse que os registos eram fiáveis desde 1880.

Tyson não referiu o facto de aparentemente a temperatura aumentar antes do dióxido de carbono aumentar na atmosfera (ou seja, o aumento de dióxido de carbono ser uma consequência e não uma causa).

Também não entendo a obsessão com o dióxido de carbono, esquecendo outros gases de estufa mais importantes como o vapor de água e o metano.

O facto de Tyson nem sequer ter referido que no passado a Terra já teve ciclos em que as temperaturas estavam mais altas e não se devia aos humanos, foi para mim uma evidência que na verdade Tyson só estava a “olhar para um dos lados” e que o episódio era tendencioso.

Na verdade, Tyson refere que os níveis de dióxido de carbono são os mais altos dos últimos 800 mil anos. Isto é menos que 1 milhão de anos em 4500 milhões de anos. Ou seja, é menos de 0,02%.
Como é que se podem tirar conclusões fidedignas baseadas em 0,02% de uma amostra?

Quando Tyson fala do facto das temperaturas globais estarem a aumentar, porque não coloca a hipótese de ser devido a ciclos naturais na Terra?

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Tyson reitera que a ciência baseia-se em evidências, não opiniões.
Porque então não deu evidências sobre vapor de água, metano, passado quente da Terra, etc?
Novamente, o episódio pareceu-me tendencioso.

Como já disse em vários artigos, discordo totalmente da posição antropocêntrica defendida por aqueles que colocam (quase) toda a culpa do problema nos Humanos, esquecendo todos os outros gases e todos os outros fatores (incluindo externos).

Detestei o facto do episódio não distinguir aqueles que negam as alterações climáticas daqueles que aceitam as evidências, mas negam que se possa afirmar que o homem é o principal responsável.
Não se nega as conclusões tiradas por equipas de cientistas, mas não se percebe porque colocam de parte as críticas de vários cientistas às limitações existentes nas interpretações.
Não quer dizer que o Homem não influencie nem contribua para o aquecimento global. Isso ninguém nega. O que é discutível é a percentagem dessa ajuda humana.
O episódio foi assim tendencioso.

Não percebi porque foi dedicado um episódio inteiro a este tema, tendo em conta que já foi referido esporadicamente em episódios anteriores.
Sobretudo tendo em conta que existem centenas de outros temas mais interessantes que poderiam ser abordados, como a relatividade, a diversidade de planetas extrasolares, a física quântica, o bosão de Higgs, a probabilidade de vida no sistema solar (ex: Europa), etc, não entendo porque se perdeu tanto tempo neste tema.

É importante realçar que Salvar Humanos e Salvar a Terra, são conceitos bastante diferentes.

Não percebi porque Tyson, com excelentes efeitos especiais, não mostrou quais as consequências de não fazermos nada para resolver este problema. Parece-me que 1 imagem valeria mais que 1000 palavras.

Não entendi o titulo deste episódio. Não percebo o que a guerra nuclear tem a ver com o episódio.
Compreendo que o objetivo é dizer que o Mundo Pode Ficar Livre da sua dependência de combustíveis fósseis.
No entanto, pareceu-me desajustada a ligação à guerra nuclear.

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Adorei a distinção entre clima e tempo (com o exemplo de uma pessoa a passear um cão com trela).
O clima é de longo prazo (anos), estável (mudanças graduais) e previsível.
O tempo é de curto prazo (dias) e caótico (demasiadas variáveis).

Adorei a crítica a quem, após alguns dias frios numa determinada região, imediatamente tira a conclusão que o aquecimento global não existe.

Adorei a promoção das energias renováveis, especialmente a energia solar e a energia eólica.
O Sol e o vento dão-nos mais energia do que alguma vez iremos precisar.
O obstáculo à mudança não é científico nem tecnológico, mas sim político.
Adorei esta parte, em que Tyson aponta o dedo a quem de direito. São os políticos que têm que liderar – tal como fez JFK.

Adorei o segmento com Augustin Mouchot e Frank Shuman, que nos mostra que podíamos ser uma civilização movida a energia solar há mais de 100 anos. Mas condicionalismos conjunturais fizeram com que a história tomasse outro rumo.

Adorei a comparação com as Missões Apollo, pela inspiração que proporciona.

Adorei a parte final, com o que a Terra pode ser, se optarmos pelas energias renováveis. Visualmente, foi um segmento fabuloso.

Adorei o segmento sobre o planeta Vénus.

Adorei a parte em que Tyson diz: “A natureza pode destruir o ambiente sem precisar da ajuda de humanos”.
Ele disse isto quando se estava a referir a Vénus.
Também podia ter dito isto se se referisse a inúmeras épocas terrestres.
Só não entendo, porque ele não aproveitou este conhecimento para colocar um travão mental e colocar a hipótese: será que atualmente poderemos estar na presença de causas naturais?

Gostei bastante de Tyson ter referido que a maior parte do aquecimento global dá-se nos oceanos.

Gostei bastante do segmento sobre o climatólogo e oceanógrafo Charles David Keeling.
No entanto, quando Tyson comparou a Terra a um organismo vivo, uma esfera que respira, não foi de Keeling que me lembrei mas sim de James Lovelock com a hipótese Gaia. Infelizmente, Tyson nem sequer referiu Gaia, que me parecia mais interessante.

Gostei de Tyson ter referido que há pessoas que negam o aquecimento global, porque é um fenómeno muito gradual, que as pessoas não veem com os seus olhos, e por isso é difícil de aceitarem.

Foi bastante curioso que, imediatamente após este episódio passar na televisão americana pela primeira vez, nas notícias passou a informação que a Administração Obama (através da EPA) vai limitar as emissões de CO2.

Gostei bastante da pergunta final: mesmo que estejamos errados quanto ao aquecimento global, não faz mais sentido passar a utilizar energias renováveis? Claro que sim!

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24 comentários

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  1. “Our analysis – as well as the work of many others – shows beyond reasonable doubt that humans are contributing to significant changes in our climate.”

    Eu penso que isto ninguém nega…

    Ou seja, é certo que contribui.
    Mas será que é o principal factor?

    1. Tem também esse ‘documentário’ feito pelo Pirulla, que é doutor em biologia e famoso por seus vídeos no youtube entrevistando professores e especialistas.

      https://www.youtube.com/watch?v=qAc5d_8MpTc

      Abraço!

  2. Lembrei da discussão desse tópico esses dias e também lembrei dessa notícia:
    http://theconversation.com/99-999-certainty-humans-are-driving-global-warming-new-study-29911

    O que acham?

  3. Bom dia!
    Estou fazendo como me orientou, lendo os posts. Mas, não consigo acompanhar muito toda esse conhecimento com os dados, pois não entendo do assunto, mesmo gostando de ler sobre eles, e peço desculpas pela minha ignorância.
    Então, gostaria de perguntar para aprender mais com vocês, se puderem responder, por gentileza, até mesmo para se entender do que as pessoas falam, para ter o senso crítico de saber analisar o que é verdade ou não.

    – Dúvidas como, o Sol, influências externas podem refletirem fortemente as alterações climáticas, e/ou o aquecimento global? E o que pode ocorrer em curto prazo?

    No parágrafo do texto:

    “A natureza pode destruir o ambiente sem precisar da ajuda de humanos”.
    Ele disse isto quando se estava a referir a Vénus.

    – O que Vênus pode fazer quanto á natureza poder destruir o ambiente?

    – Mesmo sem ter certeza se estamos em uma mudança natural, caso estejamos, o que esse aquecimento global natural pode nos trazer, destruição, extinção, e seria gradual?
    O mesmo pergunto, quanto a Terra estar á aquecer, se está mesmo, e se seria algo muito ruim e gradual esse aquecimento.

    – E havendo mudanças por parte do Homem, o clima melhora para o futuro?

    Bom, independente do que seja, pela Ciência, sabe-se se vai haver algo que possa extinguir o Homem, de causas naturais ou pelo homem mesmo? A situação vai ficar mais difícil?
    Poderia ocorrer algo de causas naturais por agora, catástrofes?

    Obrigado!

    1. 1- Sugiro que leia no artigo (e sobretudo que veja no episódio) as diferenças entre clima e tempo, ou seja, as diferenças entre longo prazo e curto prazo. Quando se fala em Alterações Climáticas é sobre Longo Prazo.

      2 – Vénus nada pode fazer ao ambiente da Terra. Simplesmente fez ao seu próprio planeta durante bilhões de anos. Podemos aprender com isso.

      3 – O Clima influi no Tempo, provocando mudanças mais extremas.
      Além disso, ao aumentar a temperatura, derrete mais gelo nos polos, aumenta o nivel dos mares e acaba com as areas costeiras. Se Nova Iorque, São Paulo, Rio de Janeiro, Portugal inteiro, ficarem debaixo de água, obviamente que compreenderá que morre muita gente e muita gente perderá os seus locais onde atualmente vive.

      4 – Não se sabe. O problema da palavra “melhora” é que se assume que o clima tem que ser bom para os humanos.

      5 – A qualquer momento pode cair um asteroide na Terra e todas estas discussões se tornariam reais e de curto prazo.

      abraços

  4. Se não o Homem, quais as possíveis maiores influências?

    1. É dificil saber isso…

      Se falarmos de metano, por exemplo, temos outras razões que não o Homem 😉

    • Manel Rosa Martins on 30/08/2014 at 12:29
    • Responder

    Junto aqui os mitos usualmente utilizados para negar o aquecimento global, à cabeça vem “o clima já se alterou anteriormente”, que é o argumento falacioso usado pelo Cavalcanti neste debate.

    http://www.skepticalscience.com/translation.php?a=15&l=10

    http://www.skepticalscience.com/climate-change-little-ice-age-medieval-warm-period.htm

    Espero que a leitura desta listagem ajude a verificar a quantidade enorme de mitos que afecta os argumentos.

    E bom fim de semana, com continuação de boas férias. 🙂

    1. Ou seja, estás a dar razão ao Cavalcanti, porque o clima realmente já se alterou no passado e a Terra continuou a existir 😉

    • Manel Rosa Martins on 30/08/2014 at 12:21
    • Responder

    “Há duas grandes perguntas quando se elabora um modelo climático – eles podem reproduzir com precisão o passado, e podem com sucesso predizer o futuro? Para responder à primeira pergunta, aqui está um resumo dos resultados dos modelos do IPCC para temperaturas de superfície desde o século XIX – com e sem as forçantes de origem humana. Nenhum dos modelos consegue reproduzir o aquecimento recente sem levar em conta os níveis crescentes de CO2. Ninguém conseguiu criar um modelo de circulação global (MCG) que possa explicar o comportamento do clima do século XX sem o aquecimento por CO2.”

    Se a recolha de dados é arrogância, então todo o trabalho das ciências é arrogância.

    Talvez seja, arrogare significa na raiz da palavra o direito de expressar uma perspectiva baseado na evidência, não significa apenas a ideia recente de “eu é que sei e os outros são tolos.” 🙂

    Em lado algum disse que o Planeta Terra sofreria, nem sequer a vida.

    Agora o aquecimento global está a extinguir muitas formas de vida (por exemplo 19 espécies de estrelas do mar) e a beneficiar outras (por exemplo as medusas).

    Não estou a criticar essa facete dos teus comentários caro Cavalcanti, estou a criticar que atacas a forma de transmitir a mensagem (a ONU, como se apresentar nesta org. um relatório fosse por si um erro) e estou a referir a dificuldade tremenda de se encointrar um consenso ou acordo internacional sobre as medidas de amenização a tomar, como o testemunha o último acordo, que é um compromisso ineficaz.

    Quanto aos modelos, claro que estes são continuamente melhorados, como em todas as ciências. e a sua qualidade actual é assombrosa, dada frota de satélites e os milahres de investigações são realizadas e em realização.

    Folgo em verificar que duma atitude negacionista já evoluíste, caro Cavalcanti, para um atitude salutarmente céptica mas muito mais centrada nos dados.

    E isso é francamente difícil e de louvar. Confesso sem qualquer problema que também entrei em negação quando ouvi plea primeira vez falar do aquecimento global provocado pelo homem (e 1998) até verificar os dados recolhidos na Antárctida por um grupo de investigadores da minha universidade a The Open University).

    Essa e outras investigações desaguaram nesta iniciativa da ciência britânica, que julgo terá interesse referir:

    http://www.antarctica.ac.uk/index.php

    Despeço-me com um abraço, pois não é a divergência que me faz deixar de gostar menos das pessoas, pelo contrário, da divergência nasce o debate. 🙂

    http://www.skepticalscience.com/translation.php?a=15&l=10

    1. Manel, onde leste tu a “atitude negacionista” em relação ao aquecimento global? 😉

    2. Lê por exemplo o último comentário do Cavalcanti:

      “Não estou a por em causa a contribuição do homem nas Mudanças Climáticas.

      Porém, tais atividades podem, sumariamente, acelerar fenômenos que, com a presença ou não das atividades industriais, ocorreriam no decorrer das várias gerações.”

      Onde vês aqui a “atitude negacionista” que referes? 😉

      abraços

    3. Signore Martins,

      Note que, de minha parte, essa pequena discussão, entre lados opostos, nutro admiração e respeito à vostra signoria. Entretanto, não me cheira agradável tais órgãos vinculados à governos. E conheço-os bem.

      Os meus mais valorosos cumprimentos,

      Cavalcanti.

  5. Note:

    Não estou a por em causa a contribuição do homem nas Mudanças Climáticas.

    Porém, tais atividades podem, sumariamente, acelerar fenômenos que, com a presença ou não das atividades industriais, ocorreriam no decorrer das várias gerações.

    Não deveríamos nos preocupar com o planeta. Estava aqui antes de existirmos e continuará a existir se não sobrevivermos. Isto é arrogância.

    Seria mais prudente e racional nos preocuparmos com nossa civilização – que, certamente, não será determinado pelo Aquecimento Global Antrópico.

  6. Penso que pode ser pacífico, saudável, respeitoso, um debate em sede de Ciência. Não em sede de política.

    Muito menos nem pacífico, nem atlântico, o “vilão” das atividades industriais…

    Como ítalo-brasileiro, tenho ao obrigação ao afirmar que não há qualquer sentimento de “feridas a sarar” entre países “em desenvolvimento” e “desenvolvidos”. A sociedade e o ensino da geografia é que os reconhecem. Desconheço tais características, com exceção de linha de raciocínio. Nossos ascendentes não possuem raízes com o Brasil, nem com os Estados Unidos. Ítalos-brasileiros ajudaram na construção da maior cidade brasileira. Ítalos-americanos ajudaram no desenvolvimento de New York, no qual muitos dos nossos compatriotas superaram a intragável vida nas ruas. Não temos tempo com lamentos para líderes do povo.

    Não sou um pazzo. Não aposto coisas que não me interessa.

    Mantenho a política de se ter conhecimento de causa antes de se lançar à qualquer tipo de crítica. Devido à questões pessoais, foi lido 75% do que foi publicado pelo IPCC, em seu mais recente Relatório “Managing the Risks of Extreme Events and Disasters to Advance Climate Change Adaptation “. O suficiente para perceber o quanto este Painel necessita revisar suas políticas. Não pulverizou “pré-conceitos”, não tornou-se um exercício difícil – difícil foi-me solicitar tempo para os ler, à beira da cama, no final das minhas obrigações diárias.

    Não compreendo a base do ninguém se deu ao trabalho de ler os relatórios. Particularmente, li, cavalheiro. Talvez a afirmativa com tamanha convicção dar-se-á pelo fato de continuar em discordância com os modelos propostos.

    O Aquecimento Global, de fato, está à vista de todos. As curvas de aquecimento (maiores até que os da Idade Contemporânea) de épocas passadas também. Mas são justamente estes que, talvez, “ninguém” quer ver.

    O aquecimento global provocado pelas “atividades industriais humanas” (pleonasmo) é discutível num assunto no qual somente pazzi possuem tamanha arrogância ao afirmarem que o CO2 antropogênico é o grande responsável pelo “Aquecimento Global”.

    Diante da estabilidade atual das temperaturas médias globais que estamos observando (é uma afronta ao que modelava os cientistas associados ao IPCC em seus relatórios) não parece ser contaminável afirmar que é necessário cautela em tal assunto.

    Entrarei, num momento oportuno, na questão do Climategate.

    Não mais se pronuncia Aquecimento Global.

    Em absolutamente nada recomendar tal ato prejudica a busca constante por energias alternativas, reduzindo seus custos onerosos.

    Em absolutamente nada recomendar tal ato prejudica a redução constante por menor índices de poluição nas metrópoles (no qual, que é do vosso conhecimento, causa diversos problemas de saúde), assim como nos recursos hídricos e ecossistemas.

    Energia alternativa não é sinônimo de energia limpa, sob ótica dos próprios ambientalistas! A julgar pela existência da mortandade de pássaros graças ao funcionamento de turbinas eólicas (mínima, por sinal), acarretando indenizações que ultrapassam os seis dígitos.

    A morte destes por turbinas eólicas cá nos Estados Unidos representam menos de 0,1% do total, sendo 30% acarretados por causas naturais.

    O que os defensores das aves de rapina não levaram em consideração: o péssimo projeto de uma única usina, dentre diversas outras: a de Altamont Pass, Califórnia.

    Naturalmente: 0,1% pode provocar a extinção destas espécies. Logo, aplicam-se pesadas multas à iniciativa privada. Talvez o que esteja em causa seriam chaminés das fábricas provocarem maiores taxas de mortalidade destes…

    Afirmar que pôr em causa tal “Aquecimento Global Antropogênico” como algo contaminável denota não-maturidade.

    É completamente irracional culpar o dióxido de carbono como o maior responsável pela elevação das temperaturas médias globais! É completamente inconsequente.

    Estamos a nos referir em 200 bilhões de toneladas/ano de CO2 resultantes das emissões pela natureza – fluxo natural de carbono entre oceanos, vulcões, vegetação e solo), e 6,5 bilhões de toneladas/ano resultantes das emissões provocadas pelas atividade humana!

    E ‘corretto cerca de 3,5% sobrepor às causas naturais….

    Ultrapassamos atualmente a barreira dos 400 ppm de CO2. Isso quando considera-se a Primeira Revolução Industrial. A natureza consegue ir mais longe: no final da Era Mesozoica, a concentração de CO2 ultrapassava a barreira dos 1600 ppm e as temperaturas médias globais superando 38 graus celcius. Doravante, este não era a responsável pelas temperaturas e sim extrema atividade solar – em média 6% maior que o atual.

    Isso, sem margem de dúvidas, é levado em consideração pelos nobres do IPCC…

    Exposto, caracteriza, surpreendentemente, geocentrismo psicológico.

    Existe atualmente bastante investimento na produção de energia graças aos combustíveis fósseis. Isso já se sabe em reuniões e projetos que não se lança a público. Ao cavalheiro em questão, e com respeito que me merece, passo com bom agrado o que a Organização das Nações Unidas parece-nos desprezar:

    http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/emissoes-de-carvao-e-gas-estao-subestimadas

    A busca por energias alternativas não são realizadas por ambientalistas.

    A busca por energias alternativas são realizadas por empresas, categoricamente pela iniciativa privada.

    Ambientalistas (que não são noticiados com bandeiras em punho) protestam ao chegar com seus sedãs ou carros com motores V12 a gasolina.

    ambientalistas (que servem como “chamadas” dentre os comerciais) pegam seus ônibus e retornam para o conforto dos seus aposentos.

    Por quê culpar ferozmente o lançamento antrópico de CO2 como principal responsável pela elevação das temperaturas e não colocar em causa os impactos ambientais que limitam as possibilidades de reposta dos
    ecossistemas?

    Por acaso se qualifica a morte provocada por chuvas torrenciais (se calhar, associa-se ao aquecimento antrópico relevante) ou o fruto da irresponsabilidade de se construir casas em encostas e morros?

    Por acaso se qualifica a morte provocada por enchentes (se calhar, associa-se ao aquecimento antrópico relevante), ou a falta de consciência pública em não jogar lixo em locais inadequados, promovendo o entupimento de câmaras subterrâneas? Ou as irresponsáveis políticas públicas de seus governantes, que não oferecem serviços de escoamento de esgoto satisfatórios?

    Ou o Aquecimento Global Antropogênico aniquilará mais pessoas que a diarréia, que mata mais de 1,5 milhão de crianças no mundo?

    ______________________________

    Na juventude, na Sicília, recordo-me de um velho ditado:

    Silenzio non fa errori.

    1. Cavalcanti,

      Uma pergunta:

      “É completamente irracional culpar o dióxido de carbono como o maior responsável pela elevação das temperaturas médias globais! É completamente inconsequente.

      Estamos a nos referir em 200 bilhões de toneladas/ano de CO2 resultantes das emissões pela natureza (fluxo natural de carbono entre oceanos, vulcões, vegetação e solo), e 6,5 bilhões de toneladas/ano resultantes das emissões provocadas pelas atividade humana! (…) cerca de 3,5% (…)

      Ultrapassamos atualmente a barreira dos 400 ppm de CO2. Isso quando considera-se a Primeira Revolução Industrial. A natureza consegue ir mais longe: no final da Era Mesozoica, a concentração de CO2 ultrapassava a barreira dos 1600 ppm e as temperaturas médias globais superando 38 graus celcius. Doravante, este não era a responsável pelas temperaturas e sim extrema atividade solar – em média 6% maior que o atual.”

      Donde retirou estes dados? 😉

      abraços

        • Cavalcanti on 30/08/2014 at 06:03

        Referência Bibliográfica:

        Kump L.R., Pollard D. 2008. Amplification of Cretaceous warmth by biological cloud feedbacks. Science, vol. 320 (5873): 195 p.

      1. Obrigado 😉

    • Manel Rosa Martins on 29/08/2014 at 18:06
    • Responder

    O aquecimento global provocado pelas actividades industriais humanas é um facto bastante pacífico em sede de Ciência.

    O IPCC é um painel que apresenta os resultados de dezenas de anos de investigações à ONU, porventura porque os cientistas acharam, por bem, que não deveriam apresentar a verdadeira torrente de dados na tasca da esquina.

    Em sede de debate político é assombroso verificar como os mitos, os pre-conceitos ideológicos e as feridas por sarar entre os países desenvolvidos e os em via de desenvolvimento contaminam o debate.

    Em sede de economia também assisto a uma contaminação, como se as energia renováveis fossem promovidas por uma cambada de chulos que não querem trabalhar, quando na verdade promovem o emprego digno e bem pago, e exigente.

    Enfim, faço uma aposta, que infelizmente vou ganhar, como sempre.

    Ninguém se deu ao trabalho de ler os relatórios do IPCC.

    Dão muito trabalho, são muito extensos e pulverizam os nossos pre-conceitos, o que é sempre um exercício difícil.

    O conhecimento acumulado sobre climatologia é cruzado por todas as áreas da Ciência, mas é natural, pela psicologia e cultura humanas, que a verdade seja difícil de aceitar, como o foi na História com todas as grandes verdades e factos científicos.

    Concluo que vivemos na Idade da Pedra, e não é exagero ou figura de retórica.

    Vivemos na idade do petra-óleo e petra significa pedra, mineral.

    Enquanto isso o aquecimento global prossegue. E só o não vê quem não quer.

    Para finalizar, também é justo verificar que os cidadãos não estão muito interessados nos detalhes, mas que preferem, até por motivos óbvios de saúde, as energias renováveis.

    Ou seja, por muito que estejam desinformados pela verdadeira barragem de desinformação dos interesses vestais, o seu bom senso e o seu bom carácter, fazem com que a larga maioria das pessoas estejam deveras interessadas em promover soluções, mesmo desconhecendo as causas e os corpos de conhecimento associados à Climatologia.

    Isso importa reter.

    Não coloco links com os dados porque não acho isso simpático nem eficaz. Ninguém os vai ler.

    1. Manel, tu tás ciente que o post não nega o Aquecimento Global / Alterações Climáticas, nem nega os relatórios do IPCC, certo? 😉
      Aliás, a não-negação disso é literalmente referida no post (e coloco links para isso) 😉

      Mas não se pode fechar os olhos às limitações que os próprios especialistas assumem….
      Por exemplo, as piores medições atuais, ou o facto do dióxido de carbono não ser o gás-estuda mais importante…
      Ou essas críticas, científicas, para ti não são importantes? 😉

      abraços

  7. Miei complimenti

    Nos debates deste controverso assunto, com o Prof. Carlos Oliveira, concluo que chegamos ao senso comum de que é necessário o prosseguimento dos estudos sobre o clima e sua dinâmica.

    Para analisar o futuro é preciso compreender o passado: necessita-se das evidências que o clima aponta em outras eras, no qual a concentração de CO2, principalmente, encontrava-se um tanto menor que os valores atuais; compilação de dados; criação de simuladores mais confiáveis sobre as estimativas da elevação das temperaturas e o peso exato das atividades industriais.

    Um dos fatores-chave: este órgão, o IPCC, que tanto é alardeado pelos ambientalistas promotores-de-emprego e jovenzinhos “papagaios-de-pirata”, possui caráter governamental e suas relações escusas com tais.

    Conferências e acordos governamentais atrasando o desenvolvimento de nossas indústrias, de posse de dados falseáveis, estes são verdadeiros absurdos.

    Quem não está imerso em políticas jamais aceitará isto. Não percebe que, mesmo em seu pequeno convívio, suas relações sociais já são uma forma de fazer política.

    Seus modelos falharam miseravelmente em 95% das previsões – sobretudo tratando-se com variações das temperaturas oceânicas.

    Não está em causa:

    – A participação da atividade humana;
    – A elevação das temperaturas nos oceanos e superfície até a década anterior;
    – A atual estabilização da temperatura média global frente ao lançamento recorde antropogênico de CO2;
    – A busca por energias alternativas e, a bem da verdade, com menor poder de emissão de poluentes.

    Em causa:

    – A exata contribuição da atividade humana no Aquecimento Global;
    – Aquecimento Global Antropogênico >>> Aquecimento Global Natural;
    – Uma melhor compreensão acerca do clima global e a resiliência terrestre.

    Um abraço.

  8. Este é um bom episódio, com várias caraterísticas bastante positivas, mas pessoalmente penso que este foi o episódio mais fraco de toda a série.

    Foi o episódio que menos gostei 🙁

    • Graciete Virgínia Rietsch Monteiro Fernandes on 28/08/2014 at 22:36
    • Responder

    Gostei desta crítica. Sem de modo algum negar a influência do ser humano nas alterações climáticas, eu também pensava que os ciclos naturais por que o Universo passa e, neste caso particular o nosso Planeta, bastante influência teriam nas alterações que estamos a sofrer. Alguma razão tinha. Um abraço.

    • Euclécio Josias Rodrigues on 28/08/2014 at 20:55
    • Responder

    Depois de ler sua análise, admito que fiquei em dúvida quanto as causas antropogênicas no Aquecimento Global, mas, em todo o caso, as dúvidas são boas, pois nos estimula a achar as repostas. Preciso estudar mais a fundo sobre o tema.

  1. […] As únicas discussões existentes são sobre detalhes concretos desse assunto (que explanei aqui e aqui), e que não colocam em causa as conclusões no seu todo. Por exemplo, não se saber o valor […]

  2. […] – O Mundo Livre (The World Set […]

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