Nov 01

Lucy, assim a ficção científica não vai lá

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Adoro Ficção Científica – é o meu género literário preferido e não quero saber que intelectuais da treta a considerem um género literário menor.

Para além do valor das obras em si, tenho algumas razões egoístas.

Quero acompanhar os resultados de uma missão humana a Marte. Quero a exploração robótica do oceano subterrâneo na lua Europa. As fotografias de exoplanetas semelhantes à Terra. Exoplanetas completamente diferentes da Terra. A ficção científica ajuda-me a superar a frustração de saber que algumas dessas conquistas ou descobertas poderão não acontecer no meu tempo de vida.

Mas vivo em Portugal.

E essa circunstância implica aceitar que as melhores e mais recentes obras de FC dificilmente serão editadas e traduzidas para português, é preciso mandá-las vir do estrangeiro.

A última vez que consegui comprar Ficção Científica em Portugal foi quando descobri na estante da FNAC um livro do Philip K. Dick que há muito tempo queria ler: «O Homem do Castelo Alto».

O pobre Philip K. Dick estava entalado entre vampiros metrossexuais com sangue na guelra e pitas futuristas num cenário distópico qualquer onde inevitavelmente existe um príncipe encantado à espera. Em Portugal, os géneros da Ficção Científica e do Fantástico que mais se vendem são dirigidos a fãs das fotonovelas da Corin Tellado demasiado novos para saber o que foi a Corin Tellado.

Clifford D. Simak

Clifford D. Simak

Estações de trânsito

A paixão pela ficção científica começou em miúdo com «Estação de Trânsito», de Clifford D. Simak. Era uma edição dupla comemorativa dos 200 volumes da coleção Vampiro da Livros do Brasil: de um lado, um romance policial com um caso do advogado Perry Mason; do outro, o livrinho do Clifford D. Simak.

Este número especial fora emprestado por um amigo que queria converter-me ao género policial, mas nem cheguei a ler o «lado a» todo – tentei interessar-me, mas não consegui. O «lado b», o da ficção científica, arrebatou-me: li-o duas vezes.

O personagem principal vive numa quinta isolada nos Estados Unidos, transformada em estação de trânsito secreta de uma rede alienígena de teletransportes. É ele o responsável pela estação. Dentro de casa, o tempo não passa e o nosso «herói» só envelhece quando sai para dar um passeio.

A premissa deste romance é simbólica e deve ser entendida, se possível, em noites quentes de verão com o céu coberto de estrelas: o autor de ficção científica e a sua extensão mecânica, a máquina de escrever, são a solitária estação de trânsito por onde viajam todo o tipo de criações da imaginação humana, desta ou de outras terras, deste ou de outros tempos.

Durante esse período inicial devo ter lido dezenas de livros – ou estações de trânsito.

Quando cheguei ao fim de «Solaris», de Stanislaw Lem, sabia que aquela era uma relação que iria durar toda a vida. Lem e, mais tarde, Asimov, mostraram-me que o melhor deste género – pelo menos o que mais me arrebata – é ser capaz de conciliar imaginação e fantasia com plausibilidade científica.

Ficção Científica é Ciência, quando sonha.

«Interstellar», de Christopher Nolan

«Interstellar», de Christopher Nolan

Com o cinema de ficção científica a relação tende a ser mais complicada e frustrante.

«2001: Odisseia no Espaço», realizado há mais de 45 anos por Stanley Kubrick, continua a ser o melhor que vi até hoje. Se já viram algum que lhe seja superior em qualidade, por favor, partilhem o vosso conhecimento na caixa de comentários.

Tem sido uma longa espera e fico imediatamente interessado quando algum filme é apontado como merecedor do estatuto de obra-prima da FC.

É o caso do próximo de Christopher Nolan – realizador dos Batman ou de «Inception» –, a estrear em novembro deste ano. Os elogios promocionais a «Interstellar» percorrem a Web, mas eu já começo a ficar cético.

Claro que acabarei por vê-lo, pois não resisto ao género, mas só os trailers me deixam desconfiado.

O filme parte da premissa de que a Humanidade tem de procurar uma segunda Terra por não haver comida nesta. Isto implica ter de aceitar como plausível que a mesma civilização incapaz de solucionar tecnologicamente este problema consegue construir uma nave que atravessa distâncias interestelares através de um buraco de verme.

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Lucy in the sky with tranquilizantes

Seria estúpido criticar um filme que não vi. Já «Lucy», de Luc Besson, posso zurzir à vontade porque perdi 90 preciosos minutos da minha vida a vê-lo.

Besson é um francês convencido de que é capaz de fazer filmes na Europa tão estupidificantes como os que são produzidos nos EUA e este «Lucy» prova que o homem tem carradas de razão.

Bem sei que sou um bocado picuinhas, mas ver Morgan Freeman no papel de um neurologista explicando patacoadas científicas como se estivesse a repetir o seu papel de apresentador do programa «Grandes Mistérios do Universo» é suficiente para me deixar inquieto.

«Lucy» parte de uma premissa completamente falsa e idiota, perpetuando um mito centenário que já nem devia existir: o de que o ser humano só utiliza 10 por cento da capacidade do cérebro. Este mito da psicologia popular tem barbas tão grandes que ninguém sabe muito bem quando nasceu. Besson sabia disto, claro, mas ignorou a enorme pedra na engrenagem em nome do espetáculo de efeitos visuais que quis montar.

Outro dos insultos à inteligência dos fãs de cinema e de ficção científica acontece quando o professor interpretado por Morgan Freeman nos quer convencer de que a eco-localização nos golfinhos é sinónimo de uma inteligência superior. Nesta parte até me arrepiei.

Não é preciso ser biólogo para entender o disparate: alguém pensa no morcego como um Einstein do mundo animal? Não? Pois segundo a lógica do «professor», o morcego é uma inteligência superior porque possui também um sistema de eco-localização sofisticado.

Nada tenho contra a fantasia – gostei de «Star Wars» como quase toda a gente, passei várias noites a devorar os livros de «O Senhor dos Anéis» –, mas irritam-me que aldrabices pseudo-científicas passem como ficção científica.

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Rebéu-béu-béu, bebés ao ninho

Lucy é Scarlett Johansson, uma rapariga simpática mas leviana, demasiado dada a festas inconsequentes e pouco feliz na escolha de namorados.

Feita refém por um poderoso grupo de narcotraficantes chineses (ou serão coreanos?), é forçada a trabalhar para o grupo como correio. A nova droga, CPH4 – substância capaz de estimular exponencialmente a divisão de células e que pelos vistos também dá uma moca inacreditável -, é-lhe cirurgicamente implantada .

Infelizmente, os capangas que trabalham para este requintado grupo não são muito bons gestores de produto: em vez de se certificarem de que Lucy está em perfeitas condições para a entrega, assediam-na e agridem-na, pontapeando-a, rasgando por acidente a embalagem que transporta dentro do corpo, fazendo com que a droga se espalhe.

Popeye tinha os espinafres, Scarlett Johansson a droga dos gambozinos. À medida que vai tendo acesso aos 90 por cento da capacidade cerebral que nos escapa, Lucy transforma-se em super-heroína dotada de inúmeros poderes.

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E os diálogos? Um exemplo: Lucy telefona à mãe, antes de perder a pouca humanidade que lhe resta. Agradece-lhe os beijos e o carinho, porque a espantosa memória dela a faz recordar acontecimentos de quando ainda era bebé. «Lembro-me do sabor do teu leite na minha boca», diz ela.

Bilhaque! Nem um filme porno alguma vez foi capaz de tamanha poesia.

Bem, suspeito que qualquer mãe deste mundo haveria de, no mínimo, reagir perguntando à filha que raio de porcaria tinha andado ela a fumar, mas não em «Lucy»: o diálogo estilo casual-sentimentalista regado a violinos melosos de outros filmes é mantido neste até ao fim, gloriosamente imune à idiotice. Por trás de cada super-heroína movida a super-ganza há uma super-mãe igualmente super-alucinada, certo?

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Super-poderes!

Lucy consegue mover objetos com a mente, ler pensamentos, aprender chinês (ou será coreano?) em poucos minutos, guiar um carro como um Lewis Hamilton com peruca loura, ganha a força de um Hulk e a agilidade de um Homem-Aranha, a rapidez do Flash, não sente medo ou ansiedade ou seja o que for, interfere com as comunicações eletrónicas, consegue transformar a matéria, incluindo o próprio corpo

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tiros e pancadaria e personagens que abrem e fecham a boca para admirar as proezas pirotécnicas e telecinéticas, até Lucy chegar aos 100 por cento de capacidade cerebral (finalmente!) e parecer uma deusa, pois já é capaz de controlar o próprio Tempo e viajar milhões de anos para trás

(como se a Scarlett precisasse dessas porcarias para ser uma deusa – francamente, ó Besson.)

Lucy viaja no Tempo e vê dinossauros e aprende coisas e chega a tocar no dedo da outra Lucy desta história, a fêmea Australopithecus afarensis (obrigado, Wikipédia), até há pouco tempo o mais antigo elo de ligação entre macacos e humanos que se conhecia: três milhões e meio de anos. Será a Scarlett a versão sexy do monolito de Kubrick?

Não interessa, porque a nossa super-heroína tem uma mensagem a dizer ao mundo: é inútil possuir a inteligência e o conhecimento de um deus se não soubermos como utilizá-los. A sério, Besson? Se observares o mundo em redor, verás muitos exemplos em como não sabemos utilizar até os míseros 10 por cento de cérebro que o mito nos atribui.

Assim de repente – e não querendo pensar em casos mais sérios e sanguinários – estou a lembrar-me do exemplo de um certo realizador francês com a mania que descobriu um glitch in the Matrix.

Não, obrigado, Besson, prefiro as rústicas estações de trânsito dos criadores de sonhos científicos.

23 comentários

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  1. Algumas considerações 😛

    Acho verdadeiramente inacreditável que critiques um filme com a Scarlett 😛

    Disseste várias vezes que ela era uma super-heroína… o duplo sentido foi propositado? 😛 eheheheh 😛

    Filmes melhores que 2001:
    – Gattaca
    – K-Pax
    – Relatório de Europa
    – Moon, está ao mesmo nível que 2001: cientificamente é muito bom, mas em termos de ação é super-chato 😛

    Por falar em Luc Besson e ficção científica, viste o 5º Elemento?
    Não me digas que vais criticar o “perfect being”!!!! 😛
    http://hobbyandinterest.files.wordpress.com/2013/11/fifth1.jpg
    Que homem és tu?
    😛 😛 😛

      • Pedro Seixas on 01/11/2014 at 21:19
      • Responder

      Lá estás tu!.. Vê lá se percebes os dois axiomas da FC:

      1 – Nenhum filme é melhor que 2001!
      2 – Nenhum livro de FC é melhor que 2001!

      😛

      1. O 2002 é melhor que o 2001… por motivos óbvios 😛
        E o 2003 ainda é melhor 😛

        • Ricardo André on 02/11/2014 at 12:22

        Nunca li o 2001, mas o Cosmos de Carl Sagan é a Holy Bible da ciência 😛

      • Pedro Rodrigues on 02/11/2014 at 01:16
      • Responder

      Isso mesmo que ia dizer.
      Quem fez 5º elemento tem direito a fazer porcaria. :p

      • Ricardo André on 02/11/2014 at 12:20
      • Responder

      O meu top 6 de Sy-Fy é

      – 2001 A Space Odissey
      – 2010 The Year We Made Contact
      – Terminator 2: Judgement Day
      – Moon
      – Gattaca
      – Equilibrium

      Depois há um filme em BD ao estilo Anime, mas americano, que é bastante interessante, com a voz do Matt Damon e d Drew Barrymore, que é o Titan AE [http://www.youtube.com/watch?v=inGUZEDJllY] que apesar de ter alguns erros científicos, está bastante bom!

    • Matheus Pimentel on 01/11/2014 at 20:53
    • Responder

    Acho que não conseguiu enxergar o verdadeiro objetivo do filme (Lucy): mostrar que o que faz de nós “importantes” é apenas uma questão de tempo, ou seja, que não passamos de um breve momento da história do Universo, mas que por questões temporais nos tornamos relativamente existentes. Mostrar também que o ser humano se preocupa muito mais em ter, do que ser e que isso nos torna fracos.

  2. Simak e Asimov são dois dos meus favoritos mas acho que Estação de Trânsito só é importante pelo destaque que lhe foi dado nas colecções Vampiro e Argonauta.
    Quero dizer, é um bom livro mas não o considero entre os melhores de Simak.

    1. Carlos Oliveira:
      Gattaca – bom filme, sem dúvida, mas não chega aos calcanhares do 2001;
      K-Pax – Intrigante, vive da ambiguidade da personagem principal e do talento do Kevin Spacey, mas não se compara ao 2001;
      Relatório Europa – Excelente filme! O melhor que vi de FC nos últimos tempos.
      Moon – Outro excelente filme! Ao nível do 2001? Hum… Não.

      O 5º elemento é giro, mas assim que o acabei de ver esqueci-me logo dele.
      A rapariga com os trapos de múmia é gira que se farta, mas é demasiado magricela, eu gosto de mulheres mais rechonchudas.

      Se queres ver um filme de FC interessante com a Scarlett, experimenta o Under the Skin, quase todo ele feito com atores amadores da zona de Glasgow. E não o digo só por ela aparecer nua nesse filme.

      1. http://www.astropt.org/2014/07/22/sob-a-pele/
        😛 😛 😛

      2. Mesmo assim é melhor que o Lucy. 😉

    2. Jaculina, tem razão. O meu preferido é o City.

    • Pedro Rodrigues on 02/11/2014 at 01:22
    • Responder

    Também adoro livros de ficção cientifica.
    Imperdoável é o que Robert Zemeckis fez ao Contacto de Carl Sagan.

    Todos os pontos de interesse do livro foram eliminados, ficando só belas imagens de sistemas solares durante a sequência da viagem.

    1. Vá… não digam mal do Contacto, senão vou ter que chamar os meus amigos ETs… 😛

        • José Colarejo on 02/11/2014 at 13:22

        É verdade! O filme é agradável de se ver, mas deturpou completamente o livro.

    • Helder Geraldes on 02/11/2014 at 05:35
    • Responder

    Parece-me que se está a confundir ficção com antevisão. Todos esses 2001, guerra das estrelas, etc, não passam de antevisão, da mesma forma que foram confirmadas as antevisões de Julius verne,excepto a viagem aocentro da terra.
    O próprio Avatar, que ficou aqui no esquecimento, está mais perto da antevisão que da ficção. Lucy, apesar das falhas que todos as cometemos, é uma ficção bem imaginada e original. Nem toda a ciência está forçada ou limitada ao cosmos.

    Bom Domingo e vamos ver a Philae no cometa.

    • José Colarejo on 02/11/2014 at 13:20
    • Responder

    A “Estação de Trânsito”, de Clifford D. Simak também faz parte do meu imaginário, tal como a saga da “Fundação” de Isaac Asimov. E muitos outros!
    Infelizmente, a publicação de ficção científica em Portugal extinguiu-se. E sem lugar, prolifera a literatura fantástica que não faz o meu género!
    A última coisa que me lembro de ter lido em publicação portuguesa foi “Fragmento” de Warren Fahy, o qual, no seu género, considero muito bom!

    • Graciete Virgínia Rietsch Monteiro Fernanbdes on 03/11/2014 at 14:30
    • Responder

    O que eu sinto em relação a filmes de ficção científica é que andam muito próximos de Holliwood . Quanto à apreciação da Ciência envolvida tenho dificuldades porque sei muito pouco ou nada. Mas gostei do ET, por envolver crianças (o futuro deste planeta), amizade e luta por para que o ET pudesse voltar ao mundo em que era feliz, apesar de alguns rodriguinhos de que eu não gosto.
    Um abraço.

  3. Realmente o Luc “passou-se” com a “Lucy”. A ideia vai de encontro ao “Transcendence”. Ambos tem “inícios” opostos, mas convergem na omnisciência e omnipotência…o velho desejo de o homem se “deificar”.

    • Filipe Barroso on 08/11/2014 at 15:45
    • Responder

    Adorei a referência ao Homem do Castelo Alto. Fiquei na mesma situação quando fui comprá-lo (penso que foi na FNAC), mas gostei do livro. No entanto, gostei mais doutros como Fahrenheit 451, Admirável Mundo Novo e 1984.

    • Daniela Lopes on 20/01/2015 at 18:58
    • Responder

    Ray Bradbury foi meu guia no mundo da ficção científica e, graças a ele, pude desenvolver meu gosto literário pelo fantástico ainda mais profundamente. Minhas exigências como leitora ainda não me impedem de ir ao cinema ver bons ou maus filmes, boas ou ruins adaptações literárias. Tento curtir o filme.
    O filme Lucy veio como diversão, mas pude ver nele algumas brincadeiras do Besson, começando pelo nome da protagonista, passando pela idéia de evolução, física quântica, filosofia e outras birutices, mas que no contexto ficou pura diversão. Posso não ser phd em coisas relacionadas, mas me diverti muito com a palestra de Morgan Freeman alternando com cenas da roubada em que se mete Scarlet Johansson. Diante da polêmica sobre 10% e 100%, o filme só provocou.
    Nossas funções cerebrais são usadas na medida que necessitamos, isso pode variar de 10 a 100%, mas nunca tudo ao mesmo tempo, porque o corpo humano não é burro, não desperdiça energia à toa.
    O desenvolvimento final é que me incomodou um pouco e eu faria diferente, dando um susto nos expectadores.
    Entre 0 a 10, dou nota 08.

    • Dinis Ribeiro on 21/01/2015 at 10:00
    • Responder

    Penso que neste filme se pode observar uma coisa que se denomina “a realizção alucinatória do desejo”…

    “Good girls to to haven, Bad girls go everywhere, Lucky girls accidentally evolve into a super intelligent being”

    Para mim o filme deveria chamar-se Lucky Lucy 😉

    …pois embora (não ultrapasse?) a velocidade da luz como este pistoleiro fruto da imaginação gaulêsa, http://pt.wikipedia.org/wiki/Lucky_Luke

    …para mim, o filme que ilustra o florescer duma omnipotência do “mesmo calibre”…

    De notar que esta banda desenhada do Lucky Luke “o cowboy que dispara mais rápido do que a própria sombra” tem várias personagens baseadas em casos reais do Far West: http://en.wikipedia.org/wiki/Lucky_Luke

    Também gosto muito do Ray Bradbury…

    Fiquei curioso com esta parte do comentário: …eu faria diferente, dando um susto nos expectadores…

    Como?

    Concordo também que a questão do 10% aos 100% se trata duma provocação tipo “mini-saia” para “apimentar” o filme. Uma ideia simples e bastante sedutora… “Se tem demasiada ciência, perde a piada toda e vai afastar muito público”

    No fundo trata-se dum: http://en.wikipedia.org/wiki/Plot_device

    Um aspecto associado: http://en.wikipedia.org/wiki/Suspension_of_disbelief

    Relativamente aos tiroteios e violência no filme: http://en.wikipedia.org/wiki/Aestheticization_of_violence

    Um quadro assustador: http://en.wikipedia.org/wiki/The_Triumph_of_Death

    Citando:

    The painting depicts people of different social backgrounds – from peasants and soldiers to nobles as well as a king and a cardinal – being taken by death indiscriminately.

    Este aspecto de uma pessoa “muito simples e banal” como Lucy ser (acidentalmente) a “eleita” para o avanço da humanidade, (veritablement la égalité) lembra-me a ideia de que se utilizar uma pessoa com “algumas limitações” (atraso mental) para o contacto com uma nuvem super-inteligente neste livro: http://en.wikipedia.org/wiki/The_Black_Cloud

    Talvez este aspecto justifique o êxito da bilheteira, pois, para mim, as pessoas identificam-se com a Lucy do mesmo modo que se identificaram com o electricista (Richard Dreyfuss – Roy Neary) que é escolhido para embarcar na nave neste filme:
    Contatos Imediatos de Terceiro Grau http://en.wikipedia.org/wiki/Close_Encounters_of_the_Third_Kind

    O quadro “assustador” lembra-me também um outro filme de que gostei muito em que nos é imposto um “upgrade” ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Upgrade / http://en.wikipedia.org/wiki/Upgrade) coercivo, em que numa das cenas finais, apenas os nossos cérebros se aproveitam e são re-implantados num “chassis” que é fisicamente mais forte e que é introduzido “sem cerimónias” no nosso planeta neste filme: http://en.wikipedia.org/wiki/Skyline_(film) / http://pt.wikipedia.org/wiki/Skyline_(filme)

    A possibilidade de haver justiça e igualdade entre todos os seres humanos…

    …quantas obras de ficção científica ousaram imaginar algo de tão (simples?) e (positivo?)…

    • Leonardo Collins on 05/07/2015 at 16:59
    • Responder

    Gosto da ficção científica um pouco mais aproximada da realidade.
    É por isso que, para mim, um dos melhores, se não o melhor filme de FC é o The Manchurian Candidate.

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