Homeopatia das Falácias

Crédito: 1023portugal

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Não sei se o objetivo dos promotores da homeopatia é, em defesa da homeopatia, incluírem tantas falácias que faça a homeopatia diluir tanto que se torne verdade… mas é a impressão com que fico após estas contribuições:

O “nosso” David Marçal, doutorado em bioquímica, esteve na televisão a discutir com o homeopata (não é necessária formação académica) José Lopes sobre homeopatia. Vejam o segmento, aqui.

Além de me parecer que o doutorado em bioquímica sabia mais de homeopatia que o auto-intitulado homeopata, o que me “saltou mais à vista” é que o homeopata só soube destilar falácias.
Aliás, até vos proponho este exercício: leiam este artigo com 24 falácias lógicas, e tentem relacionar as falácias com o discurso do homeopata.
Falácia da autoridade, apelo à antiguidade, apelo à popularidade, inversão do ónus da prova, etc, etc, etc, não faltam falácias para se “divertirem”.
Na verdade, parece-me que as duas falácias mais prementes eram mesmo: “Se o sr. X disse A, só pode ser assim” e “se os antigos usavam, então é bom para nós”.

Também achei outra coisa bastante curiosa: o homeopata concorda com o David Marçal no ponto essencial: homeopatia não é ciência (ou seja, não é o estudo da natureza), mas é somente uma crença milenar.
E como qualquer crença milenar, baseia-se naquilo que alguns “iluminados” atuais imaginam que os antigos usavam. E os antigos, como se sabe, continuam vivos após centenas (e milhares) de anos e não morriam bastante novos. Por exemplo, a chamada Idade das Trevas, é assim chamada, não por causa do incremento da crença irracional nestas tretas ter consequências bastante negativas, mas sim porque na altura a homeopatia fez com que toda a gente vivesse 3.000 anos. (nota: sarcasmo!)

David Marçal recentemente também publicou, em co-autoria com o físico Carlos Fiolhais, um artigo no jornal Público sobre esta temática. Leia aqui.

Destaco estes segmentos:

“Em defesa da homeopatia faz mais do mesmo, ou seja, usa argumentos de autoridade e todo um jargão que aparenta ser científico, mas que não tem qualquer significado.”
“Tudo argumentos de autoridade puros e duros, (…) devemos acreditar na homeopatia porque há pessoas dignas e importantes que acreditam, e porque as que se opõem não são “cientistas a sério”. Toda a sua argumentação passa pela enumeração de figuras de autoridade (…)”
“(…) mais uma marca da pseudociência: escolher acriticamente algo que favoreça o seu ponto de vista e deitar fora tudo o que não convenha.”
“Por muito divertido que seja este desfile de títulos nobiliários, a ciência não se baseia neles. Baseia-se em provas experimentais, que possam ser confirmadas por grupos de investigação.”
“(…) nem tudo está em pé de igualdade. Ninguém espera que se demonstre que a Terra seja plana. Com a homeopatia passa-se o mesmo: não são necessários mais estudos. Como tão bem disse Carl Sagan, devemos ter o cérebro aberto a todas as ideias, mas não tão aberto que os miolos nos caiam da cabeça.”
“A homeopatia não funciona, porque não há maneira nenhuma de poder funcionar.”
“Se a homeopatia quer ser uma ciência alternativa, então deve tratar doenças alternativas em pacientes alternativos e cobrar dinheiro alternativo.”
“O advogado da homeopatia insurge-se contra a medicina molecular. Se lhe for dado escolher entre o Prof. Mambo, que promete curar tudo, e Schrödinger (o Prof. não é preciso), o físico austríaco que descobriu a equação com base na qual se modelam as moléculas e se desenvolvem novos medicamentos, escolheria o Prof. Mambo. É livre de o fazer. Mas, se não se importa, nós preferimos Schrödinger, cuja equação tem funcionado comprovadamente para descrever as moléculas de que somos feitos.”

Pelo meio do artigo, os autores referem o artigo de Jacques Benveniste em defesa da “memória da água”, desmascarado como sendo uma fraude.

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