Inaugurada estação geodésica e espacial da RAEGE nos Açores

Os Açores dispõem já da Estação de Rastreio de Satélites da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Estação Galileo Sensor Station (GSS), ambas em Santa Maria, e acolhem ainda o projeto ARM Climate Research Facility e a Estação de Infra-sons IS42, localizadas na ilha Graciosa.

Os Açores dispõem já da Estação de Rastreio de Satélites da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Estação Galileo Sensor Station (GSS), ambas em Santa Maria, e acolhem ainda o projeto ARM Climate Research Facility e a Estação de Infra-sons IS42, localizadas na ilha Graciosa.

O arquipélago português dos Açores continua a marcar pontos no desenvolvimento de tecnologias espaciais e, após já deterem uma  Estação de Rastreio de Satélites da Agência Espacial Europeia (ESA) e de uma Estação Galileo Sensor Station (GSS), ambas na ilha de Santa Maria, foi oficialmente inaugurada, ontem dia 20 de maio, a “estação geodésica fundamental”, também em Santa Maria: uma das quatro infraestruturas que integram a Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais (RAEGE) e a segunda que estará em funcionamento, depois de ter sido já inaugurada a de Yebes, Guadalajara, Espanha.

A estação de Santa Maria, equipada com tecnologia de ponta, única no país, inclui um radiotelescópio VLBI (interferometria de base muito longa) de 13 metros de diâmetro capaz de receber um conjunto vasto de dados que outros equipamentos, que integram também a estação, irão processar, tendo aplicações em áreas como a proteção civil, alerta de riscos naturais ou a indústria espacial, entre outros.

Conforme explicou Luís Santos, director adjunto da RAEGE, os dados que serão recebidos e processados por esta estação terão várias utilidades, entre elas a georeferenciação terrestre que será de alto interesse para os Açores. “Grandes catástrofes, principalmente a nível de sismos, e que se relacionam com a actividade vulcânica, têm associados deslocamentos das massas terrestres”, permitindo a antena instalada em Santa Maria detectar “a partir de medidas com um décimo de milímetro” as movimentações da placa terrestre onde estão situados os Açores, lembrou Luís Santos.

Estação RAEGE de Santa Maria, Açores ainda em construção. (Crédito: Luís Ramalhais dos Santos | RAEGE)

No entanto, esta estação e os seus dados “tem muito mais utilidades” como, por exemplo, para estudos de medida do eixo da terra, de variação do tempo ou de medida de rotação da terra ou ainda para fazer medições da camada de plasma na alta atmosfera. “Podem ainda ser pedidos estudos pelas empresas de telecomunicações para fazermos a aferição do posicionamento de satélites”, acrescentou, podendo esta estação ter um possível retorno económico.

A RAEGE é um projeto do Governo Regional dos Açores e do Governo de Espanha, orçado em 25 milhões de euros, cofinanciados com verbas europeias, e que prevê a construção de quatro estações deste tipo, duas em Espanha e duas no arquipélago açoriano. Além das duas já inauguradas, está em construção uma outra nas Canárias e está prevista uma quarta, em 2017, para a ilha das Flores.

Segundo Luís Santos, uma vez cumprido o projecto, e com os quatro radiotelescópios operacionais, estes funcionarão, na prática, como “um parabolóide” de 3.500 quilómetros, segundo Luís Santos.

Inauguração da Estação RAEGE em Santa Maria, Açores (Crédito: CaGS)No mundo, há actualmente nove estações deste tipo, por quem uma entidade mundial (IVS) distribui os trabalhos que são pedidos nas áreas da radioastronomia, geodesia e geofísica. Além do radiotelescópio VLBI, a estação está equipada, por exemplo, com um relógio atómico e um sismógrafo.

Durante a inauguração, Vasco Cordeiro, Presidente do Governo Regional dos Açores, defendeu que a Estação Geodésica e Espacial de Santa Maria da Rede Atlântica RAEGE vem confirmar a projecção que os Açores dão ao país, desde logo pela posição geográfica que apresentam, não só na área espacial mas também ao “mar e ao potencial imenso que, pela sua localização, os Açores garantem para a projecção do nosso país, do qual o exemplo mais palpável será o processo de extensão da plataforma continental”.

Fonte: GaCS/PC
Fonte: Açoriano Oriental

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