“As redes sociais deram voz aos imbecis”

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O AstroPT tem, na minha opinião, feito um excelente trabalho a “desmascarar” vigaristas e mentiras que andam pela Internet e redes sociais a enganar pessoas. Na semana passada circulou (mais uma) mentira sobre um possível fim do mundo em Setembro. Jornais, com titulos mais ou menos sensionalistas, espalharam a palavra sem se darem ao trabalho de verificar as fontes. O comum dos mortais, partilhou a notícia, provavelmente sem abrir e ler o texto. O título era apelativo, gerava o pânico, o temor, e tudo o que é fundamentalista e tudo o que é vigarista esfregou as mãos de contentamento, feliz da vida com a oportunidade de negócio que se lhe afigurava.

 

Nem de propósito, este fim de semana tropecei nesta notícia, em que dava conta que Umberto Eco, um famoso escritor italiano (autor por exemplo do livro que deu origem ao filme O Nome da Rosa), no discurso de aceitação de um Doutoramento Honoris Causa referiu-se aos malefícios da internet e redes sociais. O título deste post, foi uma das afirmações de Eco. Umberto Eco explicou de uma forma tão simples e clara o fenómeno das redes sociais e da Internet:

“Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora têm o mesmo direito à palavra que um Prémio Nobel”

 

Claramente se percebe porque motivo Umberto Eco é um escritor reconhecido e eu não. 😛

 

O escritor italiano, conhecido por criticar o papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação, é da opinião que as redes sociais dão o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que, antes destas plataformas, apenas falavam nos bares, depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a colectividade.

“O drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a detentor da verdade”

 

No final, Umberto Eco deixou ainda um conselho aos jornalistas para que estes filtrem, com uma ‘equipa de especialistas’, as informações que constam na Internet pois parece que já ninguém é capaz de determinar se um site é confiável ou não.

6 comentários

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  1. Falta de informação sempre houve, mas a internet veio dar visibilidade a esse fenómeno. São raros os sites ou blogues que não sejam inundados por especialistas de tudo e teóricos da conspiração.

    Sinais dos tempos…

    • Betinhofloripa on 24/06/2015 at 11:58
    • Responder

    A mentira que vivemos

    https://www.youtube.com/watch?v=ipe6CMvW0Dg

    • Dinis Ribeiro on 17/06/2015 at 03:03
    • Responder

    A estupidez é contagiosa… e por isso é importante evitar uma “exposição excessiva”… https://en.wikipedia.org/wiki/Exposure_assessment / https://en.wikipedia.org/wiki/Dosimeter

    Estive a dar uma vista de olhos nisto:

    https://en.wikipedia.org/wiki/Stupidity / https://pt.wikipedia.org/wiki/Estupidez

    In Understanding Stupidity, James F. Welles defines stupidity this way: “The term may be used to designate a mentality which is considered to be informed, deliberate and maladaptive.”

    Welles distinguishes stupidity from ignorance; one must know they are acting in their own worst interest.

    Secondly, it must be a choice, not a forced act or accident. Lastly, it requires the activity to be maladaptive, in that it is in the worst interest of the actor, and specifically done to prevent adaption to new data or existing circumstances.”

    These are Cipolla’s five fundamental laws of stupidity:

    1) Always and inevitably each of us underestimates the number of stupid individuals in circulation.

    2) The probability that a given person is stupid is independent of any other characteristic possessed by that person.

    3) A person is stupid if they cause damage to another person or group of people without experiencing personal gain, or even worse causing damage to themselves in the process.

    4) Non-stupid people always underestimate the harmful potential of stupid people; they constantly forget that at any time anywhere, and in any circumstance, dealing with or associating themselves with stupid individuals invariably constitutes a costly error. <—————————————–

    5) A stupid person is the most dangerous type of person there is.

    Uma primeira sugestão:

    Anti-intellectualism is hostility towards and mistrust of intellect, intellectuals, and intellectual pursuits, usually expressed as the derision of education, philosophy, literature, art, and science, as impractical and contemptible.

    Alternatively, self-described intellectuals who are alleged to fail to adhere to rigorous standards of scholarship may be described as anti-intellectuals although pseudo-intellectualism is a more commonly, and perhaps more accurately, used description for this phenomenon.

    https://en.wikipedia.org/wiki/Anti-intellectualism & em Português: https://pt.wikipedia.org/wiki/Anti-intelectualismo

    Uma segunda sugestão:

    Dumbing down is a deliberate diminution of the intellectual level of education, literature, cinema, news, and culture. The term "dumbing down" originated in 1933 as movie-business slang, used by motion picture screenplay writers, meaning: "[to] revise so as to appeal to those of little education or intelligence".

    In Distinction: A Social Critique of the Judgement of Taste (1979), the sociologist Pierre Bourdieu (1930–2002) proposed that, in a society in which the cultural practices of the ruling class are rendered and established as the legitimate culture of that society, that action then devalues the cultural capital of the subordinate social classes, and thus limits their social mobility within their own society.

    https://en.wikipedia.org/wiki/Dumbing_down

    Uma terceira sugestão:

    Tabloid journalism is a style of journalism that tends to emphasize topics such as sensational crime stories, astrology, gossip columns about the personal lives of celebrities and sports stars, and junk food news. Such journalism is commonly associated with tabloid sized newspapers like the National Enquirer, Globe, or The Sun and the former News of the World.

    https://en.wikipedia.org/wiki/Tabloid_journalism

    Uma quarta sugestão:

    Junk food news is a sardonic term for news stories that deliver "sensationalized, personalized, and homogenized inconsequential trivia",[1] especially when such stories appear at the expense of serious investigative journalism. It implies a criticism of the mass media for disseminating news that, while not very nourishing, is "cheap to produce and profitable for media proprietors.

    https://en.wikipedia.org/wiki/Junk_food_news

    Uma quinta sugestão:

    Critics have accused the larger conglomerates of dominating media, especially news, and refusing to publicize or deem "newsworthy" information that would be harmful to their other interests, and of contributing to the merging of entertainment and news (sensationalism) at the expense of tough coverage of serious issues. They are also accused of being a leading force for the standardization of culture (see globalization, Americanization), and they are a frequent target of criticism by various groups which often perceive the news organizations as being biased toward special interests.

    https://en.wikipedia.org/wiki/Media_conglomerate

    Uma sexta sugestão:

    Recomendo vivamente este filme:
    https://en.wikipedia.org/wiki/Network_(film)

    Um último conjunto de sugestões (bibliografia para ciência política):

    https://en.wikipedia.org/wiki/Astroturfing
    https://en.wikipedia.org/wiki/Internet_Water_Army
    https://en.wikipedia.org/wiki/Web_brigades
    https://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Mockingbird
    https://en.wikipedia.org/wiki/Propaganda:_The_Formation_of_Men%27s_Attitudes
    https://en.wikipedia.org/wiki/White_propaganda
    https://en.wikipedia.org/wiki/Black_propaganda
    https://en.wikipedia.org/wiki/Propaganda#grey
    https://en.wikipedia.org/wiki/Internet_troll
    https://en.wikipedia.org/wiki/Information_warfare

    Vi recentemente neste programa da TV:
    http://sicnoticias.sapo.pt/programas/sociedadedasnacoes

    Uma entrevista que foi interessante: "A demissão de Liz Wahl" em que ela falou de "troll farms"…

    From a nondescript office building in St. Petersburg, Russia, an army of well-paid “trolls” has tried to wreak havoc all around the Internet — and in real-life American communities.
    http://www.nytimes.com/2015/06/07/magazine/the-agency.html?_r=0

    Novaya Gazeta, Russia’s only independent investigative newspaper, infiltrated its “troll farm” of commenters on Russian blogs last September.
    http://www.buzzfeed.com/maxseddon/documents-show-how-russias-troll-army-hit-america#.usn13RO5A

  2. Boa tarde Vera.
    O que você diz está certo, mas querer calar a voz dos imbecis é muito ditatorial. Eles sempre tiveram voz e uma multidão de seguidores, com internet ou sem. Compete aos profissionais comprovar a veracidade da notícia que transmitem, mas também compete a quem lê imbelicidades na internet procurar se informar melhor, antes de acreditar cegamente em qualquer coisa.
    Se apenas os premiados com o Nobel tivessem direito à palavra continuaríamos a ouvir muita imbelicidade.

    1. Ola Lucia!
      Concordo com o que diz: os imbecis sempre tiveram voz e de facto compete aos profissionais comprovar a veracidade do que escrevem.
      As redes sociais tiveram um efeito lupa: deram uma audiencia ainda maior aos imbecis e, na minha opiniao, de certa forma diminuiram a capacidade critica de quem le.

  3. Ele está completamente certo.

  1. […] Tal como dizia Umberto Eco: as redes sociais deram voz aos imbecis. […]

  2. […] A fonte deste absurdo foi um canal de YouTube (como se sabe, é onde se procura notícias credíveis… NOT!) chamado, imagine-se, Paranormal Crucible (é necessário dizer mais alguma coisa sobre fantasias conspiratórias?). Sem surpresa, o vídeo com a imbecilidade já teve centenas de milhares de visualizações. E pronto, mais um vigarista fez dinheiro à custa da ignorância das pessoas, que se deixam levar por qualquer imbecil de internet. […]

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