Chuva de meteoros das Perseidas

Quem vive em zonas rurais, certamente já reparou que, de vez em quando, o céu é “riscado” por uma ou outra estrela cadente. Também deve ter notado que em certas ocasiões se vêem mais estrelas cadentes que noutras.

As “estrelas cadentes”, na realidade não são estrelas. São meteoros e resultam, na sua esmagadora maioria, da entrada na atmosfera de partículas de pequenas dimensões, que podem ir do grão de pó até ao grão de areia (micrometeoróides e meteoróides). Estas partículas, vindas do espaço interplanetário, colidem com átomos e moléculas de ar a enormes velocidades (tipicamente da ordem das várias dezenas de quilómetros por segundo), provocando um rasto luminoso. Essa entrada na atmosfera normalmente termina com a vaporização do meteoróide, a uma altitude entre os 75 e os 100 km. Em casos muito raros, meteoróides maiores, podem resistir à passagem pela atmosfera, caindo na superfície terrestre, onde são designados meteoritos.

 

Todas as noites se podem observar alguns meteoros que seguem direções ao acaso e que, por isso, se chamam meteoros esporádicos. No entanto, em determinadas alturas do ano, a Terra, na sua órbita em redor do Sol, passa pelas zonas de detritos deixados por um cometa.
É precisamente isso que ocorre nesta altura do ano, em que a Terra se cruza com uma faixa de detritos deixada pelo cometa 109P/Swift-Tuttle, parecendo que os meteoros irradiam de um ponto no céu a que se chama radiante e que se situa na constelação de Perseu. A localização do radiante dá o nome à chuva de meteoros que é conhecida como Perseidas.

Cédito: Sky and Telescope

Cédito: Sky and Telescope

A poluição luminosa, sempre presente em todas as cidades, vilas e localidades, interfere fortemente com a observação de uma chuva de meteoros permitindo observar apenas os meteoros mais brilhantes. Pelo mesmo motivo, também a presença da Lua no céu acaba por ofuscar os meteoros mais ténues.

Este ano, em que a Lua está na fase de Quarto Minguante, é uma boa ocasião para se procurar um local afastado de fontes de iluminação artificial e se passar umas horas a olhar para o céu, de preferência durante a madrugada. O pico da chuva de meteoros ocorre na noite de 12 para 13 de Agosto. Mas algumas noites antes ou após o pico, também são visíveis alguns meteoros. Não é necessário telescópio nem material especializado; apenas uma cadeira ou uma manta para se estar confortavelmente a olhar para o céu, alguns agasalhos e uma boa dose de paciência.
 

Quem quiser fotografar o céu e eventualmente a passagem de um ou mais meteoros, pode seguir os conselhos do João Clérigo, no artigo relativo às Perseidas de 2011.

5 comentários

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    • Edson Soares fontes coelho on 13/08/2015 at 20:14
    • Responder

    Este Rui Costa é o cara
    Sabe tudo e explica de maneira fácil para nos os leigos
    Parabéns

  1. Me tirem uma dúvida.

    Essas pequenas partículas poderiam afetar a ISS? E se os astronautas estivessem fazendo uma EVA, correriam algum risco? Levando em consideração em que eles estão a mais de 20.000 Km/h.

    Abraços….

    1. Excelente questão!

      O problema de uma EVA não se põe. As actividades exteriores são programadas para evitar as chuvas de meteoros porque os fatos espaciais não oferecem proteção suficiente contra uma colisão com um meteoróide ou micrometeoróide.

      Quanto à própria ISS, há de facto o risco de colisão com um meteoróide, mas o risco é mínimo porque são muito raros os objectos com mais de 1mm. No entanto, os micrometeoróides já são muito mais frequentes e, por essa razão, tanto a ISS como os restantes satélites têm escudos exteriores que oferecem alguma proteção. Esse cuidado é maior com a ISS porque havendo ali seres humanos permanentemente, foi necessário reforçar os escudos exteriores.

      Se compreender inglês, há um pdf da NASA que explica quais são essas proteções: http://www.nasa.gov/externalflash/ISSRG/pdfs/mmod.pdf

      Num caso extremo, em que uma colisão com um meteoróide (ou lixo espacial…) de maiores dimensões coloque em perigo a tripulação ou a habitabilidade da ISS, os astronautas podem isolar o módulo afectado porque a ISS foi construída de forma modular, de modo a que se possa sempre isolar um ou mais módulos.

  2. Teremos chuva de meteoros das Perseidas no Hemisfério Sul? Em caso positivo que o melhor dia e horário?

    1. Olá Nordman,

      O radiante das Perseidas está situado a uma declinação de 58 graus Norte pelo que esta não será uma das chuvas de meteoros mais favoráveis para observar do hemisfério sul.

      De qualquer modo, de um local escuro, sem poluição luminosa e com um horizonte desimpedido para norte, poderá ver vários meteoros durante a madrugada do dia 13. A chuva de meteoros está ativa durante vários dias. O período de maior intensidade (o pico) compreende algumas horas centradas nas 08h UT do dia 13 (04h no fuso horário de S. Paulo e Rio).
      Na área de S. Paulo, a constelação de Perseu surge acima do horizonte pelas 02h00. Isto quer dizer que a probabilidade de se verem mais meteoros será na madrugada da noite de 12 para 13, após as 02h00…

  1. […] sabem, há cerca de um mês tivemos a Chuva de Meteoros, Perseidas. A revista Sábado mostra 34 imagens das estrelas cadentes, […]

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