Cientistas brasileiros participam de experimento que confirma simetria fundamental na natureza

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As medições têm sido baseadas na capacidade do ALICE de rastrear e identificar partículas produzidas em colisões de alta energia entre íons pesados no LHC. Crédito: CERN

Cientistas trabalhando com o ALICE (A Large Ion Collider Experiment), um detector de íons pesados no Grande Colisor de Hádrons (Large Hadron Collider – LHC), realizaram medições precisas de massa e carga elétrica de partículas que confirmaram a existência de uma simetria fundamental da natureza.

A iniciativa contou com a participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Os resultados, publicados no dia 17 de agosto de 2015, na Nature Physics, levaram os pesquisadores a verificar uma simetria fundamental CPT (Carga, Paridade e Tempo) entre os núcleos das partículas e de suas antipartículas.

As medições são baseadas na capacidade do ALICE de rastrear e identificar partículas produzidas em colisões de alta energia entre íons pesados no LHC, da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), investigando a possibilidade da existência de diferenças sutis entre a maneira como prótons e nêutrons se unem em núcleos e a forma como as suas antipartículas correspondentes formam antinúcleos.

Marcelo Gameiro Munhoz, professor do Instituto de Física (IF) da USP e integrante da equipe brasileira no ALICE, afirmou:

Após o Big Bang, para cada partícula de matéria foi criada uma antipartícula. Na física de partículas, uma questão de extrema importância é saber se todas as leis da física exibem um tipo específico de simetria, a CPT, e as medições sugerem que há, sim, uma simetria fundamental entre os núcleos e antinúcleos.

Munhoz é o principal investigador do projeto de pesquisa de Física nuclear de altas energias no RHIC e LHC, realizada com o apoio da FAPESP, colaborando com atividades experimentais relacionadas ao estudo de colisões entre íons pesados relativísticos no ALICE e no Relativistic Heavy Ion Collider (RHIC), do Brookhaven National Laboratory, nos Estados Unidos.

Entre os trabalhos do grupo brasileiro envolvido com o ALICE está a produção de quarks pesados, chamados de charm e bottom, a partir da medida de elétrons com um calorímetro eletromagnético e, mais recentemente, o desenvolvimento do microchip Sampa, que será utilizado no LHC em estudos de fenômenos mais raros a partir de partículas produzidas em colisões de íons pesados (leia detalhes em Pesquisadores brasileiros desenvolvem microchip para o LHC).

O experimento

De acordo com Munhoz, as medições de massa e carga elétrica realizadas no experimento sobre simetria, combinadas com outros estudos, ajudarão os físicos a determinar quais das muitas teorias sobre as leis fundamentais do Universo são mais prováveis. Ele disse:

Essas leis descrevem a natureza de todas as interações entre a matéria, por isso é importante saber que as interações físicas não se alteram ao se inverter a carga das partículas, mudar sua paridade, invertendo suas coordenadas no espaço, e reverter o tempo. As leis da física permaneceriam as mesmas nessas condições.

Foram medidas especificamente as diferenças entre razões de massa e carga de dêuterons, formados por um próton e um nêutron, e antidêuterons e núcleos de hélio-3, formados por dois prótons e um nêutron, e anti-hélio-3. Medições recentes no CERN compararam as mesmas propriedades entre prótons e antiprótons com alta precisão.

O ALICE registra colisões de alta energia entre íons de chumbo no LHC, o que permite o estudo da matéria em condições extremas de densidade e temperatura.

As colisões entre íons de chumbo fornecem uma fonte abundante de partículas e antipartículas, e os núcleos e antinúcleos correspondentes são produzidos a taxas aproximadamente iguais, possibilitando que se façam comparações detalhadas das propriedades daqueles produzidos em maior abundância.

O experimento realiza medições precisas da curvatura das trajetórias dessas partículas no campo magnético do detector e também do seu tempo de voo, utilizando as informações para determinar as relações entre massa e carga em núcleos e antinúcleos.

A alta precisão do detector de tempo de voo, que determina o tempo de chegada de partículas e antipartículas com uma resolução de 80 picossegundos, associada à medição de perda de energia fornecida na câmara de projeção de tempo, permite medir um sinal claro para dêuterons, antidêuterons, hélio-3 e anti-hélio-3 – as partículas estudadas no experimento sobre similaridade.

Os resultados do experimento foram relatados no artigo intitulado “Precision measurement of the mass difference between light nuclei and anti-nuclei(DOI: 10.1038/nphys3432), publicado em Nature Physics.

Fontes

Phys.org: Experiment confirms fundamental symmetry in nature

FAPESP: Brasileiros integram experimento que confirma simetria fundamental na natureza

Artigo Científico

Precision measurement of the mass difference between light nuclei and anti-nuclei

._._.

3 comentários

  1. A pergunta é se já foi comprovada que a cada partícula de matéria produzida após o bigbang foi produzida necessariamente a mesma quantidade de anti matéria (igual o cientista acima mencionou), pois se for igual, ou seja, se a quantidade de matéria não for maior,para mim, o nosso universo não existiria!

  2. “Após o Big Bang, para cada partícula de matéria foi criada uma antipartícula.” Isto já está confirmado?
    Se sim , aonde estão as antipartículas na natureza, ou no universo?
    Já foi provado a existência de um anti universo, sem contato com o nosso? Pois se existisse e tivesse contato , um universo anularia o outro e só existiria atualmente energia e não matéria!

    1. Não cheguei a perceber a pergunta.

      A antimatéria é algo que existe na natureza e ensina-se nas aulas de escola 😉
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Antimat%C3%A9ria

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