Terá sido detectado o objecto mais distante no sistema solar? Provavelmente não!

Através de observações do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) foram feitas interessantes investigações, que culminaram na publicação de 2 artigos científicos (aqui e aqui), que apontam para a descoberta de novos objectos no sistema solar exterior. Ou não.

Os artigos ainda não foram avaliados (peer-review)… estando somente no arXiv.

Ilustração artística.

Ilustração artística.

Um dos artigos fala do objecto apelidado Gna, que foi observado por duas vezes mas não “apareceu” da terceira vez.
O objecto deverá estar a uma distância entre 12 e 25 UA do Sol, ou seja, a sua órbita será mais próxima do Sol que Neptuno.

Provavelmente será um Centauro, um planeta menor, ou um grande asteróide, com um tamanho entre 220 e 800 quilómetros de diâmetro e com uma órbita retrógrada.
Não terá sido detectado antes devido a estar localizado na direcção do plano galáctico, nomeadamente na direcção da estrela W Aquilae.

Mas o Gna poderá ser um planeta maior e mais massivo, muito para lá da órbita de Neptuno, perto da Nuvem de Oort.
E ainda há outra possibilidade: poderá até ser uma anã castanha, ainda mais longe.

No entanto, o mais provável é que Gna seja um Centauro, como referido.
Ou então, não existir.

Ilustração artística.

Ilustração artística.

Num outro artigo, também com observações do ALMA, foi detectado um objecto na direcção de Alpha Centauri que aparentemente tinha o mesmo movimento próprio de Alpha Centauri A e B. Seria Alpha Centauri D? Provavelmente não, já que as medições corresponderiam a uma estrela anã de classe M2. Se assim fosse, a estrela seria brilhante o suficiente para já ter sido vista.

Provavelmente será um Objecto Trans-Neptuniano (TNO) – ou seja, um objecto no nosso sistema solar, para lá da órbita de Neptuno. (como comparação, Sedna está a cerca de 86 UA, mas tem um afélio de 937 UA)
Poderá ser um objecto menor a pouco mais de 100 UA ou então uma super-Terra a cerca de 300 UA ou até quiçá uma anã castanha a cerca de 20.000 UA (sendo estes últimos menos prováveis).
Mas até poderá nem existir! Poderá ter sido somente “ruído” nas observações.

A incerteza é enorme. São precisas muitas mais observações.

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A comunicação social e os sensacionalistas da internet irão provavelmente dizer que os objectos são grandes TNOs, objectos para lá da órbita de Neptuno.

No entanto, como Mike Brown diz, se por acaso o ALMA, ao observar uma minúscula porção do espaço, descobriu planetas massivos no sistema solar exterior, isso quereria dizer que poderão existir 200.000 planetas como a Terra no sistema solar exterior. O que é… demasiado improvável. Ou melhor, impossível. Porque se existissem, já teriam destabilizado todo o sistema solar, e nós estaríamos mortos.

E não é só Mike Brown que está pessimista.
Na verdade, como podem ler nos locais sérios de divulgação de notícias astronómicas, praticamente toda a comunidade astronómica está céptica após rever os referidos artigos científicos, apontando algumas inconsistências das investigações e referindo “ruído” nas observações para as prováveis não-descobertas das equipas da Suécia e do México.

Leia mais sobre estas descobertas, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

2 comentários

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  1. “A comunicação social e os sensacionalistas da internet irão provavelmente dizer que os objectos são grandes TNOs…” O que seriam TNOs?

    1. Na frase anterior a essa, é dito: “Objecto Trans-Neptuniano (TNO) – ou seja, um objecto no nosso sistema solar, para lá da órbita de Neptuno” 😉

  1. […] Em 2014, por exemplo, descobriu-se um planeta-anão (2012 VP113) e inferiu-se a provável existência de um enorme planeta, talvez 10 vezes maior que a Terra, perto do 2012 VP113. Podem ler, aqui. Há 2 meses, em 2015, observações do ALMA apontavam para um novo objecto Trans-Neptuniano, quiçá com a mesma massa e tamanho da Terra. Podem ler, aqui. […]

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