Descobertas Cinco Gémeas da Estrela mais Luminosa da Via Láctea

Cinco milhões de vezes mais luminosa do que o Sol, Eta Carinae é uma das estrelas mais extraordinárias da Via Láctea. Trata-se de um sistema binário em que as componentes são ambas supergigantes azuis com 90 e 30 massas solares. O sistema situa-se no centro de uma enorme maternidade estelar designada, naturalmente, por Nebulosa da Eta Carinae, a cerca de 7500 anos-luz. A componente mais maciça do sistema teve uma erupção enorme no século XIX e foi, durante alguns anos, a segunda estrela com maior brilho aparente do céu, só superada por Sirius. As duas estrelas estão rodeadas por um casulo bipolar de gás e poeira com cerca de 10 massas solares, resultado das erupções ocasionais da estrela primária.

Eta Carinae (região brilhante no centro), e o casulo bipolar de gás e poeira que a rodeia, fotografada pelo telescópio espacial Hubble. Crédito: NASA/ESA.

Eta Carinae (região brilhante no centro), e o casulo bipolar de gás e poeira que a rodeia, fotografada pelo telescópio espacial Hubble. Crédito: NASA/ESA.

Estrelas tão maciças e luminosas são instáveis pois a pressão da radiação que produzem é próxima do valor máximo teórico a partir do qual a estrela se dispersa completamente para o espaço — o Limite de Eddington. Eta Carinae luta desesperadamente por manter a sua estabilidade e para isso tem de “fazer dieta”, perdendo massa em erupções gigantescas. [Nota: podem ler mais sobre Eta Carinae e a sua erupção no século XIX neste artigo.]

A posição das 5 Eta-Twins nas galáxias M51, M101, NGC6946 e M83. Crédito: NASA, ESA, and R. Khan (GSFC and ORAU).

A posição das 5 Eta-Twins nas galáxias M51, M101, NGC6946 e M83. Crédito: NASA, ESA, and R. Khan (GSFC and ORAU).

Estrelas como Eta Carinae são raríssimas. Na nossa galáxia contam-se pelos dedos de uma mão as estrelas com características comparáveis. Para estudar a evolução destas estrelas fascinantes e superlativas os astrónomos precisam de uma amostra mais alargada e por isso tentam identificar estrelas semelhantes em galáxias vizinhas. Foi isso que fez uma equipa liderada por Rubab Khan, do Goddard Space Flight Center da NASA. Rubab e os colegas utilizaram os telescópios espaciais Hubble e Spitzer para observar várias galáxias vizinhas em comprimentos de onda do visível/infravermelho próximo (Hubble, 814 nanometros) e infravermelho (Spitzer, dos 3 aos 24 micrometros).

As imagens das 5 Eta-Twins descobertas por Rubab e colegas. Cada estrela é fotografada pelo Spitzer (em cima) e pelo Hubble (em baixo). Note-se a resolução muito superior do Hubble e o brilho intenso no infravermelho destas fontes indicando a presença de um casulo de material. Crédito: NASA, ESA, and R. Khan (GSFC and ORAU).

As imagens das 5 Eta-Twins descobertas por Rubab e colegas. Cada estrela é fotografada pelo Spitzer (em cima) e pelo Hubble (em baixo). Note-se a resolução muito superior do Hubble e o brilho intenso no infravermelho destas fontes indicando a presença de um casulo de material. Crédito: NASA, ESA, and R. Khan (GSFC and ORAU).

A comparação das imagens das galáxias em diferentes comprimentos de onda permitiria, em princípio, encontrar estrelas semelhantes a Eta Carinae — Eta-Twins foi o termo adoptado pela equipa — , i.e., com luminosidades comparáveis e envoltas num casulo de material proveniente de erupções. A equipa tinha já tentado encontrar Eta-Twins em 2012 e 2014, mas sem sucesso. O problema não era a falta de sensibilidade dos telescópios, pois nessa altura foi identificada uma classe de estrelas super-gigantes menos luminosas e bastantes interessantes por si só. A falta de resultados nestas primeiras tentativas demonstrava claramente a extrema raridade de estrelas como Eta Carinae. A verdade é que à terceira foi de vez, e Rubab e os colegas identificaram 5 estrelas nas bem conhecidas galáxias Messier 51, Messier 101, Messier 83 e NGC 6946, situadas entre 18 e 26 milhões de anos-luz.

(Fonte: NASA/Hubble)

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