Sol promoveu a diminuição da atmosfera marciana

Crédito: M. Weiss/CfA

Crédito: M. Weiss/CfA

Um novo estudo mostrou aquilo que já se sabia: a nossa estrela, o Sol, quando era jovem, influenciou significativamente a atmosfera marciana, quase acabando com ela (Marte ainda tem atmosfera, mas muito mais rarefeita que na Terra).

A nova evidência não veio de observações de Marte ou do Sol, mas sim do estudo da estrela Kappa Ceti, que se encontra a cerca 30 anos-luz de distância, na direção da constelação de Cetus (Baleia).

A equipa de astrónomos, liderada pelo brasileiro José Dias do Nascimento, mediu a intensidade do campo magnético e do vento estelar dessa estrela.
Kappa Ceti é importante porque é similar ao Sol quando este era jovem, tendo massa, raio e composição equivalentes. Kappa Ceti tem a tenra idade de cerca de 500 milhões de anos (o Sol é já de meia-idade, tendo cerca de 4,6 mil milhões de anos).

Como é uma estrela jovem, gira bastante rápido, tendo enorme atividade magnética e vento estelar 50 vezes mais intenso que o Sol. Levando a erupções solares também muito mais fortes: superflares (10 a 100 milhões de vezes mais energéticas do que o Sol atual). O Sol também deveria ser assim, quando era somente uma “criança”.

Os cientistas teorizaram interações desta estrela com potenciais planetas que possam existir em órbitas similares às da Terra e de Marte.

As simulações mostraram que um planeta como Marte, mais pequeno, com um campo magnético mais fraco, deveria perder a sua atmosfera, mesmo sendo ela substancial.
Já um planeta como a Terra, que tivesse um forte campo magnético (mesmo sendo metade do atual), deveria estar mais protegido. Este escudo protetor evitou a destruição da atmosfera terrestre e permitiu o desenvolvimento da vida na Terra (ao contrário do que aconteceu em Marte).

É necessário, no entanto, não ficarmos demasiadamente entusiasmados com este estudo.
Algum pensamento crítico que não leem na comunicação social e naqueles que só copiam notícias:

– O interesse principal deste estudo – a parte mais científica – são as medições da jovem estrela Kappa Ceti.
– O estudo é construído com base num modelo que tem várias assumptions (suposições, pressupostos), que obviamente não são factuais.
– A extrapolação para o nosso sistema solar pode, no máximo, ser referido como evidências indiretas (e estou a ser generoso).
– Quando se fala em vida na Terra, em Marte ou em qualquer outro lugar no Universo, “esquecemo-nos” que há vida que se pode desenvolver adaptada a utilizar essa forte radiação em seu proveito. Este é um dos cenários em planetas ao redor de anãs vermelhas. O facto dessa forte radiação ser nociva para nós, não quer dizer que seja nociva para vida adaptada a isso (incluindo no passado da Terra).

Leiam o comunicado de imprensa, aqui, e o artigo científico, aqui.

Modelo de computador mostra as linhas de campo magnético da jovem estrela Kappa Ceti. Crédito: CfA / Do Nascimento et. al. & TCD / A. Vidotto

Modelo de computador mostra as linhas de campo magnético da jovem estrela Kappa Ceti.
Crédito: CfA / Do Nascimento et. al. & TCD / A. Vidotto

10 comentários

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  1. Muito Obrigado.

    Por esses esclarecimentos, vão fazer parte de meus esclarecimentos, como me vejo no contexto.

    Mais uma vez, parabéns pelo seu trabalho, saúde e felicidade!

    Um querido abraço.

    1. Obrigado!

      Igualmente!

  2. “Todos os Planetas movem-se em elipses, com o Sol em um dos focos — A primeira lei de Kepler do movimento planetário.

    Seria o fim deste Sol atual e o começo dessa nova estrela?

    Vander

    1. Qual “essa nova estrela”? Onde viu escrito na lei de Kepler que existe uma “nova estrela”?

      O que tem a lei de Kepler a ver com o fim do Sol?

      As órbitas dos planetas são elipses. Isso é uma coisa.

      O futuro do Sol é outra: o Sol, sabe-se, ficará uma gigante vermelha nos próximos 5 bilhões de anos, e depois ficará uma anã branca rodeada por uma nebulosa planetária.

      abraços

        • Vander on 18/03/2016 at 05:25

        Só lembrando, Vander e Valdinei são uma só pessoa, o qual esta em dialogo.

        Bom, quando você trata no post da estrela Kappa Ceti, fiz uma dedução de que essa nova estrela seja a próxima do sistema solar, quando passar esses 5 bilhões de anos.

        Tenho dúvidas se chegaremos, a humanidade na Terra, de ver esse “esfriamento do Sol” na jornada de 5 Bilhões de anos. Tenho algumas analises que realizo por conta próprias, de que não chegaríamos a tempo de preparar uma nova morada em um outro local no sistema solar.

      1. Estão sempre a nascer estrelas. Não vem nem tem nada a ver com o sistema solar.

        A Terra já não terá vida à superfície dentro de 1 bilhão de anos. A evolução do Sol, como todas as evoluções, é gradual. Dentro de 1 bilhão de anos, já estará tão quente, que água ou vida à superfície já não será possível.

        abraços

  3. Boa noite,

    Qual a probabilidade de ocorrer, segundo Johannes Keple, sobre a teoria das colisões dos corpos Celestes, um evento sobre a Terra?

    Bom, sobre a resposta, fico no aguardo mas, o Êxitos têm que ter vários Seres envolvidos para uma finalidade de um Novo Firmamento.

    Att,

    Valdinei

    1. Esse seu comentário não tem qualquer lógica…

      O que é “segundo Kepler”?

      O que é a “teoria das colisões dos corpos Celestes”?

      O que é o “êxitos”?

      Que “seres envolvidos”?

      O que é um “novo firmamento”?

      Só por juntar letras e expressões, não faz com que as frases tenham consistência ou sequer alguma lógica…

      Por fim, o que tem isto a ver com o tema do post???

        • Vander on 18/03/2016 at 05:05

        Boa noite,
        Reverência: Muito Obrigado.

        Perdoe-me minhas observações, simpáticas, sobre o tema do seu nobre trabalho, Parabéns!
        Me esforcei para retribuir, nas suas perguntas, de forma humilde.

        O que é “segundo Kepler”? Refiro-me a sua teoria bibliográfica (Uma Nova Astronomia).

        O que é a “teoria das colisões dos corpos Celestes”? Periélio é o ponto mais próximo do Sol, onde o planeta orbita mais rapidamente. Afélio é o ponto mais afastado do Sol, onde o planeta move-se mais lentamente. Então, segundo Kepler, os Planetas podem se chocar em um certo tempo no espaço.

        O que é o “êxitos”? São esforços que a humanidade tem realizado desde seu começo na Terra.

        Que “seres envolvidos”? Cito os que, atualmente, trata deste assunto com à lógica da Paz e Harmonia em seus tratados continentais, sobre pós-Terra.

        O que é um “novo firmamento”? É o que precisa ser somado de todos os seres, para na Hora da Saída!

        Por fim, o que tem isto a ver com o tema do post??? Se está nascendo uma nova estrela com essas propriedades citada no post, logo penso que a atual estrela de quinta grandeza do sistema sola, (deve morrer).

      1. Afélio e Periélio não têm nada a ver com colisões.

        Os crocodilos têm estado na Terra há muito mais tempo, logo por essa ordem de ideias, têm tido mais êxito.

        Não existe pós-Terra nem seres envolvidos nisso.

        Não existe qualquer Hora de Saída.

        Estão sempre a nascer estrelas. Esta é só mais uma. Não tem nada a ver com a atual estrela do sistema solar.

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