Primeira Estrela em que foi Descoberto um Exoplaneta Recebe Nome Oficial

No passado dia 24 de Novembro, a União Astronómica Internacional, através do seu “Grupo de Trabalho sobre Nomes de Estrelas” (Working Group on Star Names) publicou uma lista de nomes oficiais para parte das 9 mil estrelas visíveis a olho nu. Algumas destas estrelas, as mais brilhantes, têm nomes com raízes ancestrais na cultura europeia e do médio oriente. Para estes casos tratou-se simplesmente de consumar essa designação e, eventualmente, resolver alguns problemas relacionados com as respectivas grafias. Outras estrelas, no entanto, passaram de ilustres desconhecidas para a elite das estrelas com nome próprio. É o caso da 51 do Pégaso, uma estrela semelhante ao Sol visível debilmente na constelação homónima. O nome agora adoptado — Helvetios — é o de uma antiga tribo que viveu onde é hoje a Suíça. A escolha deste nome não pode deixar de ser interpretada como uma merecida homenagem aos dois astrónomos suíços responsáveis por uma das maiores descobertas astronómicas do século XX: a detecção do primeiro planeta em torno de uma estrela semelhante ao Sol. O planeta recebeu também a designação oficial de Dimidium (latim para “metade”) uma referência ao facto de ter aproximadamente metade da massa de Júpiter.

Michel Mayor (esquerda) e Didier Queloz (direita) descobriram o primeiro exoplaneta em 1995.

Michel Mayor (esquerda) e Didier Queloz (direita) descobriram o primeiro exoplaneta em 1995.

Há 20 anos atrás, o número de 6 de Outubro da revista Nature anunciava a descoberta do primeiro planeta orbitando uma estrela semelhante ao Sol. Os autores da descoberta, Michel Mayor e Didier Queloz, do Observatório de Genebra, detectaram o planeta medindo cuidadosamente o seu efeito gravitacional na estrela hospedeira, a estrela 51 do Pégaso, com um espectrógrafo muito preciso, o ELODIE. O 51 Peg b, como foi designado, não era nada do que se esperava: um gigante de gás semelhante a Júpiter orbitando a estrela em apenas 4.23 dias!

Menos de uma semana depois, Geoffrey Marcy e Paul Butler, uma outra equipa nos Estados Unidos, confirmou a descoberta com a detecção do sinal nos seus próprios dados. Para além de ter sido o primeiro exoplaneta descoberto foi também o primeiro de uma classe designada por “Júpiteres Quentes” — gigantes de gás semelhantes a Júpiter ou Saturno mas que orbitam as estrelas hospedeiras em órbitas de apenas alguns dias.

A localização da estrela 51 do Pégaso na constelação homónima. A estrela é visível a olho nu a partir de um local sem poluição luminosa. Crédito: Wikipedia.

A localização da estrela 51 do Pégaso na constelação homónima. A estrela é visível a olho nu a partir de um local sem poluição luminosa.
Crédito: Wikipedia.

Situada a apenas 51 anos-luz, a 51 do Pégaso é uma estrela de tipo espectral G2IV, semelhante ao Sol, mas aparentemente mais evoluída. A sua temperatura fotosférica é de 5790 Kelvin e é 26% maior e 4% mais maciça do que o Sol. É também mais rica em elementos mais pesados do que o hidrogénio e hélio que os astrónomos chamam de “metais”. As estimativas da sua idade, notoriamente difíceis de obter, variam entre os 6.1 e os 8.1 mil milhões de anos, comparados com os 4.6 mil milhões de anos do Sol.

A variação da velocidade radial da 51 do Pégaso provocada pelo movimento orbital do planeta. Os pontos vermelhos com barras verticais em forma de “I” representam observações com as respectivas margens de erro. A linha a negro é o gráfico da função que melhor se ajusta às observações. Crédito: Observatório de Genebra.

A variação da velocidade radial da 51 do Pégaso provocada pelo movimento orbital do planeta. Os pontos vermelhos com barras verticais em forma de “I” representam observações com as respectivas margens de erro. A linha a negro é o gráfico da função que melhor se ajusta às observações.
Crédito: Observatório de Genebra.

A massa estimada para o 51 Peg b pela observação da variação da velocidade radial da estrela é de, no mínimo, 0.45 vezes a massa de Júpiter. Com um período orbital de apenas 4.23 dias, o planeta orbita a estrela hospedeira a uma distância de apenas 7.8 milhões de quilómetros, mais de 7 vezes mais próximo do que Mercúrio em relação ao Sol. As forças de maré provocadas pela 51 do Pégaso forçaram-no, ao fim de muitos milhões de anos, a apresentar sempre a mesma face voltada para a estrela. Devido à forte irradiação a que está submetido, a sua atmosfera é extremamente quente, na ordem dos 1250 Kelvin, e mais dinâmica e exótica do que a de Júpiter, com ventos globais de milhares de km/h e com nuvens de rocha vaporizada.

Representação artística da atmosfera exótica de um Júpiter Quente como o 51 Peg b. As nuvens são formadas de materiais refractários como silicatos (rocha) e a atmosfera contém espécies químicas com pontos de sublimação elevados como o sódio, potássio e óxidos de titânio e vanádio. Fonte: http://www.misleddit.com/p/2wuici/.

Representação artística da atmosfera exótica de um Júpiter Quente como o 51 Peg b. As nuvens são formadas de materiais refractários como silicatos (rocha) e a atmosfera contém espécies químicas com pontos de sublimação elevados como o sódio, potássio, vanádio, e óxidos de titânio.
Fonte: http://www.misleddit.com/p/2wuici/.

Fonte: IAU

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