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Dez 19

Um breve olhar pelo aglomerado de galáxias da Fornalha

Aglomerado da Fornalha. Imagem HD. Aquisição: iTelescope – Portugal. Processamento: Ruben Barbosa.

O aglomerado de galáxias da Fornalha foi o destino escolhido pelo Grupo iTelescope – Portugal para o seu 4º trabalho. Localiza-se a cerca de 65 milhões de anos-luz, no Hemisfério Sul e é o segundo enxame galático mais próximo da Terra. Devido a essa proximidade, é aqui que os astrónomos têm procurado respostas quanto à formação e evolução dos enxames galáticos.

Estruturas como esta são bastante comuns no Universo e ilustram bem a influência poderosa que a gravidade exerce ao longo de grandes distâncias, provocando a junção de massas enormes de galáxias numa só região.

Os aglomerados de galáxia possuem caracteristicamente as seguintes propriedades: entre 50 a 1 000 galáxias, massa total de 1014 a 1015 massas solares, diâmetro típico de 2 a 10 Mpc e os seus componentes principais são: 1% de galáxias, 9% de gás e poeira e 90% de matéria escura.

O enxame da Fornalha contém cerca de 60 galáxias, representadas na imagem por manchas amareladas, a que acrescem outras tantas de muito menor dimensão. Destacam-se os seguintes objetos:

  • NGC 1399, localiza-se no seu centro (no meio dos três glóbulos difusos brilhantes que podem ser vistos à esquerda da imagem). Admite-se que aqui seja um local de canibalismo galático, sendo a evidência mais forte atribuída a uma ponte azul, não visível nesta imagem, possivelmente formada por estrelas jovens, que a liga à NGC 1387;
  • NGC 1404 é uma galáxia elítica com magnitude aparente de 10.3;
  • NGC 1427 também é elítica, possui magnitude de 12,6, está a aproximadamente 71 milhões de anos luz de distância e move-se no sentido do aglomerado; e
  • NGC 1365, uma majestosa galáxia espiral barrada, com cerca de 200.000 anos luz de diâmetro, visível no canto inferior direito. Um olhar mais pormenorizado sobre a NGC 1365 revela regiões de intensa formação de estrelas nas extremidades da proeminente barra,  ao longo dos braços espirais e nuvens de poeira que atravessam o seu núcleo brilhante. Dado tratar-se de um objeto relativamente próximo à escala astronómica, a medição da sua velocidade e distância ajudam os cientistas a estimar a velocidade de expansão do Universo. Já foram observadas 3 supernovas: SN 1957C em 1957, SN 1983V em 1983 e SN 2001du em 2001.

 

Seguem-se os processamentos efetuados por membros do grupo iTelescope-Portugal:

Telescópio – Takahashi FSQ 106ED
Montagem – Paramount ME
Camara – FLI Microline 16803

20 x Luminância 300s Bin 1×1
15 x canal R G B 180s Bin 2×2

Imagem HD obtida pelo grupo iTelescope – Portugal. Processamento Carlos Soares.

Imagem HD obtida pelo grupo iTelescope – Portugal. Processamento Carlos Soares.

Imagem obtida pelo grupo iTelescope – Portugal. Processamento Cédric Pereira.

Imagem HD obtida pelo grupo iTelescope – Portugal. Processamento Cédric Pereira.

O grupo iTelescope – Portugal é constituído por mais de uma dezena de astrónomos amadores e tem como objetivo aprofundar as competências adquiridas, a partilha de conhecimentos, promover a cultura científica através da astronomia e contribuir para uma melhor compreensão dos fenómenos astronómicos.

Artigos anteriores do grupo iTelescope – Portugal:

  1. Centaurus A: a radiogaláxia mais próxima da Terra
  2. A nebulosa da Lagosta: um berçário estelar
  1. Supernova AT2016gkg: um pormenor de requinte na NGC 613

Acerca do autor(a)

Ruben Barbosa

• É licenciado em Engenharia de Sistemas e Informática na Universidade do Minho e mestre em Desenvolvimento curricular pela Astronomia na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

• É astrónomo amador desde 2000 e gosta de divulgar astronomia,

• As áreas de Astronomia com maior interesse são a Exoplanetologia, a Radioastronomia e a Cosmologia.

• É o autor do Projeto ART, que tem como objetivo a construção de um rádio-telescópio semi-profissional. http://www.radioastrolab.com/pdf/ART_ENG.pdf.

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