Carl Sagan (9 de Novembro de 1934 – 20 de Dezembro de 1996)

Passam hoje 20 anos sobre a morte de Carl Sagan.

 

Provavelmente Carl Sagan dispensa apresentações. Para além de cientista, astrónomo, astrofísico e escritor, foi também um grande comunicador de ciência e talvez a pessoa que no século XX mais contribuiu para a difusão do conhecimento científico, desconstruindo a, por vezes complexa, linguagem científica e levando a ciência, principalmente a Astronomia e a Física, ao público em geral.

 

Foi talvez o cientista que mais me inspirou durante a minha adolescência, nos anos 80, especialmente quando a RTP transmitiu os 13 episódios da série Cosmos. Esta série chegou a centenas de milhões de espectadores em 60 países de todo o mundo, deu origem a colecções das agora obsoletas cassetes vídeo, com os 13 episódios e também ao livro com o mesmo nome. O sucesso da série ainda persiste, levando a que, na sua continuação, recentemente tenha sido gravada uma nova série de episódios, desta vez apresentada pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson.

 

Uma reflexão da sua autoria, acerca de uma fotografia tirada pela sonda Voyager, a mais de 6.000 milhões de quilómetros da Terra, em que o nosso planeta surge como um pequeno ponto azul claro, é inspiradora e está ilustrada neste vídeo:

Carl Sagan esteve também envolvido na exploração espacial e no programa SETI . O seu envolvimento na missão das sondas Voyager, levou-o a chefiar um comité que seleccionou um conjunto de símbolos a ser impresso em dois discos de ouro, bem como sons que foram gravados nesses discos, bem como instruções para a sua reprodução, no caso de as sondas virem a ser recuperadas por uma eventual civilização alienígena… possibilidade altamente improvável, naturalmente.

 

Dos muitos livros que escreveu, recomendo um que define bem o seu pensamento e a sua vontade de contribuir para um mundo mais iluminado pelo conhecimento e pelo espírito crítico: Um Mundo Infestado de Demónios, com o subtítulo “A ciência como uma luz na escuridão”, deveria fazer parte dos livros recomendados no Plano Nacional de Leitura para o 3º ciclo. Estar-se-ia a contribuir para uma sociedade mais esclarecida.

Muito mais se poderia escrever acerca de Carl Sagan e do seu contributo para a divulgação da ciência e para o incremento de uma cultura científica. Contudo, no Astropt já há diversas publicações sobre Carl Sagan, aqui, aqui, e aqui, e também aqui, e mais aqui. De qualquer modo, nesta altura em que passam 20 anos sobre o seu desaparecimento, achei justa esta breve homenagem.

15 comentários

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  1. Por que a hipótese de uma civilização alienígena é altamente improvável naturalmente? Não deveria ter tanta certeza assim, por acaso já visitou todos os planetas? Todos os sistemas? Toda a galáxia? Todo o universo?

    1. Sugiro que leia livros de matemática e aprenda o que são probabilidades.

      Também sugiro que em estatística, leia a definição de amostra.

      abraços

        • Paulo on 20/12/2016 at 18:13

        Essa é a sua resposta? Mandar eu ler livros de matemática? Confesso que estou decepcionado! Eu gosto quando falam do universo em geral, mas por favor não afirmem nada como se fossem donos da verdade!

      1. Falar em probabilidades é o oposto de ser “dono da verdade”.

        Mas como não leu livros de matemática, não sabe o que diz.

        Enfim… porque em vez de perder tempo a escrever comentários, não aproveita esse tempo para ler sobre probabilidades? Não gostaria de ter conhecimento?

        Como já expliquei em diversos artigos (mais uma sugestão: leia os nossos artigo sobre literacia científica, de modo a passar a possuí-la), cada vez que uma pessoa (por exemplo, o Paulo), se levanta de manhã e coloca os pés no chão, o seu cérebro está a pensar de forma probabilística. Será que o Paulo é o “dono da verdade” por achar que a gravidade vai funcionar e os seus pés vão para o chão? NÃO! Simplesmente, o seu cérebro inconscientemente pensa de forma probabilística e diz-lhe que o mais provável é que a gravidade funcione da mesma forma que no dia anterior… apesar de não haver qualquer prova disso, nem o Paulo visitar todo o Universo para saber se a gravidade está a funcionar dessa forma.

        Todos os dias – repito, todos os dias – temos centenas destes exemplos.
        E, muito importante: sempre com 100% de sucesso. Ou seja, é uma forma de pensar que funciona!

        Mas como eu disse, tudo isto já está explicado nos nossos artigos, com muitos mais detalhes e exemplos.
        As pessoas que querem ter conhecimento, leem os nossos artigos.

  2. Paulo, peço-lhe que preste atenção à frase que eu escrevi e reflita um pouco: «no caso de as sondas virem a ser recuperadas por uma eventual civilização alienígena… possibilidade altamente improvável, naturalmente».

    O espaço interestelar é extremamente vasto e, essencialmente vazio. A sonda é um corpo minúsculo. A separação média entre as estrelas na vizinhança do Sol é de 6,5 anos-luz.

    Perante estes dados, é suficientemente seguro afirmar que a probabilidade de a sonda passar perto de um planeta qualquer (quer seja habitado quer não) é muitíssimo reduzida.
    Mesmo que, por absurdo, todas as estrelas nesta parte da Galáxia tivessem um planeta habitado, continuaria a ser muitíssimo reduzida a possibilidade de a sonda passar suficientemente perto de um planeta habitado.

    Mesmo que isso por acaso acontecesse, seria também improvável que se desse uma outra coincidência: a de que esse planeta fosse habitado por uma civilização com capacidade para detectar a sonda (que não terá qualquer fonte de energia e, à distância, será indistínguivel de um pequeníssimo asteróide) e de ter um grau de desenvolvimento que lhes permitisse recuperar e estudar a sonda.

    No fundo, como refere o Carlos Oliveira, tudo se resume a cálculo de probabilidades…
    Espero que tenha sido sido clara esta breve explicação.
    Cumprimentos

    1. Sim, agora ficou claro! A explicação do outro rapaz ficou ambígua, me passou um certo ar de sabe-tudo! Mas agora entendi a posição de vocês! Obrigado, abraços!

      1. Paulo,

        O facto de ter expressões brasileiras (e nós sermos portugueses) pode levar a mal-entendidos.
        Por exemplo, o “outro” não é “rapaz”…
        Na página de “colaboradores” tem quem nós somos… e nenhum de nós é “rapaz”…
        http://www.astropt.org/colaboradores/

        No entanto, sem essas expressões, no seu primeiro comentário (e daí o “tom” da minha primeira resposta), o Paulo demonstrou falta de educação pelas pessoas e pelo conhecimento…

        É óbvio que pode, e deve, fazer perguntas.
        Mas se quisesse mesmo aprender, o seu comentário seria limitado a: “Por que a hipótese de uma civilização alienígena é altamente improvável naturalmente?”
        Demonstraria respeito, curiosidade e vontade de saber.
        Se o fizesse dessa forma, receberia uma resposta ao mesmo nível, cientificamente correta e respeitosa.
        Da forma como o fez, foi comentário ao estilo dos vigaristas dos programas do canal História: perguntas consecutivas, a levar para a falácia do Ad Absurdum, típico de quem não quer aprender, mas quer simplesmente gozar com o conhecimento.

        Eu tenho a certeza que o Paulo não fala assim para o (e do) seu pai.
        Também tenho a certeza que não é assim que trata os seus professores.
        E, por último, se entrar num museu e fizer o mesmo que fez aqui no seu primeiro comentário, seria “convidado” pela segurança a ausentar-se do recinto… precisamente porque demonstrou falta de educação… ou se preferir, falta de respeito pelo local onde se encontra.

        Se interpretei mal a intenção do seu primeiro comentário, peço desculpa.

        abraços

        • Paulo on 21/12/2016 at 08:02

        Eu que peço desculpas, talvez as diferenças de expressões entre as línguas me levou a ser mal interpretado também! Não quis ofender, abraços!

    • Manel Rosa Martins on 21/12/2016 at 19:07
    • Responder

    Excelente homenagem a Carl Sagan, Rui! Gostei em especial da inspiração da nossa adolescência que sugeres continue no Plano Nacional de Leitura, muito muito bem!

    No pálido ponto azul quando Carl Sagan sugeriu que a nave se votasse para a Terra para tirar uma das fotos mais importantes da História os engenheiros da missão temiam que se perdessem dados e que a nave tivesse problemas derivados da manobra.

    No meio da discussão, uma jovem cientista foi tão eloquente na defesa da ideia de Carl Sagan que esta foi aceite pela administração da NASA.

    Essa jovem é hoje a Cientista-Chefe da Missão Cassini a Saturno, e uma inspiração para que todas as mulheres participem na física, na astrofísica e na exploração espacial, sendo essa participação activa e em números significativos um dos objectivos principais do IOP – Institute of Physics do Reino Unido.

    O legado de Sagan passa através de gerações e ultrapassa preconceitos para toda a população da Terra se inspirar na Professora Doutora Caroline Porco.

    Excelente artigo. 🙂

  3. Obrigado pelo elogio. Ainda bem que gostaste, Manel. 🙂

  4. “Um Mundo Infestado de Demónios, com o subtítulo “A ciência como uma luz na escuridão”, deveria fazer parte dos livros recomendados no Plano Nacional de Leitura para o 3º ciclo.”

    Certa vez sugeriram a Feynman que um dos livros dele deveria ser obrigatório para estudantes do secundário. Ele ficou furioso e disse logo que, sendo obrigatório, todos os jovens passariam a detestar o livro.

    Em minha opinião, Um Mundo Infestado de Demónios é um grande livro, mas parece-me um pouco “pesado” para jovens de 12-14 anos. Uns capítulos de “Cosmos”, “As Ligações cósmicas” ou “O cérebro de Broca” talvez fossem mais eficazes.

    1. Por acaso também comecei por escrever que o livro “Um Mundo Infestado de Demónios” devia de leitura obrigatória, mas logo a seguir ocorreu-me que seria uma péssima ideia e que o próprio Carl Sagan não gostaria de impor uma obrigação a ninguém. Daí eu ter pensado no Plano Nacional de Leitura e sugerido a leitura recomendada 🙂
      Quanto à idade, eu recordo-me de aos 14 anos ter lido “Esteiros”, de Soeiro Pereira Gomes. Acho que é uma obra muito mais difícil de assimilar por um adolescente (por outros motivos, claro – pela rudeza dos cenários descritos e pela brutalidade da narrativa).
      Concordo que haja obras mais acessíveis de Carl Sagan, mas a que sugeri é particularmente interessante porque põe a nu a nossa falibilidade e a facilidade com que criamos crenças e mitos e os impomos as outros…

      Obrigado pelo comentário.

    • Reinaldo da Silva on 18/01/2017 at 00:32
    • Responder

    Digna homenagem a este grande ícone da ciência, sugiro ao blog se possível repassar a familia do Carl, esta linda homenagem e também todos os tributos prestados pelos leitores a este inesquecível cientista, genio, sobretudo grande homem.

    • Suzan Souza on 21/01/2017 at 02:09
    • Responder

    Mr Carlos Oliveira
    1° Parabéns pelo site, muito bom a galera do Brasil que gosta de ciências passa por aqui.
    2° Sempre que passo leio as matérias, não comento quase nunca, aliás esse é o segundo, mas sempre que posso leio.

    Observei um comentário do senhor acima: ” dos vigaristas dos programas do canal História”

    Senhor Carlos com o devido respeito:
    Informo que: NEM TUDO que passa no Canal História, (History Channel como é chamado aqui no Brasil), acredito que o senhor esteja falando do programa “Alienígenas do Passado”
    Senhor Carlos, NÃO espero que o Senhor acredite mas na década de 1970, mas meu avô (In Memorian) e meu pai sofreram com ataques com raios de luz, causadores de queimaduras, perfurações na pele, quase morreram, principalmente meu avô. O fenômeno ocorreu quando morávamos em Colares no Estado do Pará, tivemos de morar depois em Belém no mesmo Estado. O fenômeno foi chamado pela população da cidade de chupa-chupa, muitos da cidade foram atacados, a maior parte da população mudou-se com medo.
    As Forças Armadas Brasileiras foram chamadas para observar tudo aquilo que estava ocorrendo, e devido o que viram denominaram de “Operação Prato” pois os objetos eram semelhantes a pratos.

    Tudo bem que o Senhor não acredite (Viva a democracia!), mas o senhor acaba generalizando, e dessa forma (nesse caso infelizmente chega a ofender).
    Meu avô e meu pai são as pessoas mais de bem que o senhor pode imaginar, homens simples, mas trabalhadores honestos, nossa família sofreu muito com isso.
    Até hoje meu pai tem sequelas daquilo.
    Mas Senhor Carlos o referido é verdade e dou fé, meu pai e meu avô (In memorian) sofreram e não somente eles mas toda uma comunidade.

    1. Suzan,

      Obrigado pelo que afirma sobre o site.

      Quanto ao Canal História, falo obviamente desse programa, mas também de outros que por lá passam e que são totalmente mentira.
      Se ler os nossos posts, vai ler artigos sobre esse programa, mas também sobre outros programas mentirosos desse canal.

      Quanto ao caso que menciona, não é uma questão de eu acreditar ou não.
      Primeiro, porque o Universo não quer saber das minhas crenças para nada.
      Segundo, porque o conhecimento não se faz de acreditar. Como eu já referi neste blog centenas de vezes, parafraseando Dawkins, se a Suzan se atirar do topo de um prédio de 20 andares e achar que vai voar porque acredita nisso, vai ficar a perceber que o nosso conhecimento sobre a gravidade não depende de a Suzan acreditar ou não.
      O mesmo para este caso: o conhecimento faz-se de evidências, não de crenças.

      Não coloco em causa que o seu avô e o seu pai tiveram experiências, para eles, inexplicáveis.
      Mas só porque não sabiam explicar, concluir que é causa extraterrestre, isso sim é errado, de todos os pontos de vista, quer seja lógico quer seja de objetividade quer seja de conhecimento.
      Não saber o que é, ter 1001 potenciais explicações à frente, e concluir que era extraterrestre sem qualquer evidência para tal, tem um nome: crença religiosa.

      De um ponto de vista científico, posso assegurar-lhe que não era extraterrestre. Se ler alguns dos meus artigos sobre esses assuntos, percebe porquê.

      abraços

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