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Dez 31

NEOWISE deteta dois objetos peculiares nas proximidades da Terra

Representação artística de 2016 WF9 no ponto da sua órbita mais distante do Sol.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.

A missão NEOWISE descobriu recentemente dois novos objetos com características peculiares em órbitas próximas da órbita da Terra. O primeiro recebeu a designação provisória de 2016 WF9 e deverá aproximar-se do nosso planeta no dia 25 de fevereiro de 2017, a uma distância de 51 milhões de quilómetros. O segundo é o cometa C/2016 U1 NEOWISE, um pequeno objeto escuro que viaja numa trajetória hiperbólica, o que sugere que poderá estar numa primeira incursão através do Sistema Solar interior.

2016 WF9 foi descoberto a 27 de novembro de 2016 e tem aproximadamente 0,5 a 1,0 km de diâmetro. A sua órbita transporta-o através da Cintura de Asteroides, desde as proximidades da órbita de Júpiter até ao interior da órbita da Terra. A sua superfície é bastante escura, refletindo apenas uma pequena percentagem da luz solar incidente. Objetos com estas características poderão ter múltiplas origens. A maioria são antigos membros das populações de asteroides ricos em carbono que habitam as regiões mais exteriores da Cintura de Asteroides. Uma pequena fração são provavelmente antigos cometas que perderam a maioria dos compostos voláteis que originalmente se encontravam depositados junto à superfície.

Cometa C/2016 U1 NEOWISE numa imagem obtida a 23 de dezembro de 2016, a partir de Jauerling, na Áustria.
Crédito: Michael Jäger.

C/2016 U1 NEOWISE foi detetado a 21 de outubro de 2016 e, ao contrário de 2016 WF9, exibe uma cabeleira bem definida. Nas próximas duas semanas deverá aumentar consideravelmente o seu brilho, podendo tornar-se visível através de uns bons binóculos. Neste momento é possível observar C/2016 U1 NEOWISE pouco antes do nascer do Sol, na direção da constelação do Ofiúco. Nos próximos dias, o cometa irá mover-se cada vez mais para sul, alcançando o periélio da sua órbita no dia 14 de janeiro, altura em que o seu brilho deverá ultrapassar os 6,0 de magnitude.

As trajetórias dos dois objetos são já suficientemente bem conhecidas para excluir qualquer possibilidade de colisão com a Terra num futuro próximo.

Acerca do autor(a)

Sérgio Paulino

Sérgio Paulino licenciou-se em Análises Clínicas e Saúde Pública e fez o seu percurso profissional por algumas áreas do diagnóstico clínico laboratorial, incluindo o diagnóstico de anomalias cromossómicas. Actualmente realiza numa instituição pública o estudo e monitorização de Cianobactérias e toxinas associadas em albufeiras portuguesas. Interessa-se por diversas áreas da ciência, mas nutre uma paixão especial pela Astronomia. Tem um fascínio particular pela exploração do Sistema Solar, pela descoberta de outros sistemas planetários, e pela possibilidade de existência de vida extraterrestre.

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