Fev 21

Vamos observar um Buraco Negro

A equipa do EHT produziu simulações do que as teorias de Einstein prevêem que um buraco negro se parece.
Créditos: Hotaka Shiokawa / CFA / HARVARD

É possível fotografar um buraco negro?
Óbvio que fotografar o interior de um buraco negro, ou o que acontece além do horizonte de eventos, é impossível, pois a partir do horizonte de eventos, nada consegue escapar, nem mesmo a luz.
Mas fotografar até ao horizonte de eventos é possível. Porém, para realizar esse feito, seria necessário um telescópio gigantesco. Para se ter uma ideia, para fotografar o horizonte de eventos do buraco negro no centro da Via Láctea, seria necessário um telescópio que tivesse virtualmente o diâmetro do planeta Terra!

Será que isso é possível?
Não só é possível, como está pronto para operar.

A iniciativa se chama Event Horizon Telescope (EHT), ou Telescópio do Horizonte de Eventos.

O objetivo é integrar os grandes radiotelescópios do mundo, e através de uma técnica chamada de interferometria, conseguir observar o horizonte de eventos do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea.

O buraco negro central da Via Láctea se chama Sagitarius A* , está localizado a cerca de 26 mil anos-luz de distância da Terra, e obviamente nunca foi observado.

O que se tem são indícios da sua existência devido à observação das estrelas ao redor se movimentando de forma muito rápida, o que sugere um objeto “invisível” extremamente denso no centro.

O seu horizonte de eventos tem cerca de 20 milhões de km.
Parece muito, mas na distância a que ele está não é nada. Um telescópio do tamanho da Terra é capaz de o observar.

Crédito: BBC

O EHT usa uma técnica chamada de VLBI (Very Long Baseline array Interferometry).
A técnica consiste em combinar o poder das maiores antenas de rádio-telescópios do mundo, todos olhando para um mesmo alvo ao mesmo tempo.
Com a recente adição do ALMA ao EHT, a sua sensibilidade foi extremamente melhorada.

Além dos instrumentos, o local onde ficarão armazenados os dados já está pronto, esperando a quantidade enorme de informação.
A capacidade de armazenamento é equivalente a de 10 mil laptops tradicionais.

Além de tudo isso, obviamente o algoritmo que irá fazer a análise dos dados já está bem desenvolvido.

Para se ter certeza do sucesso do experimento, simulações já foram rodadas levando em consideração as equações de Einstein.

O efeito que os astrônomos esperam observar é a sombra do buraco negro na matéria subjacente.
Quando essa sombra acontecer, o horizonte de eventos se tornará proeminente.

Quando teremos essa imagem?
Os astrônomos pretendem fazer a campanha de observação entre 5 e 14 de Abril de 2017, mas devido à complexidade das análises, provavelmente a primeira imagem só ficará pronta em 2018.

Além de fazer a imagem do horizonte de eventos, que será algo extraordinário, esse experimento poderá provar mais uma vez a teoria da relatividade de Albert Einstein.
Muitos efeitos, só provados teoricamente, poderão ser testados nessa observação.
E não existe melhor lugar para testar a teoria da relatividade do que o ambiente extremo nas vizinhanças de um buraco negro.

Fonte: BBC

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