Via Láctea está a ser puxada e empurrada pelo espaço

Crédito da ilustração: Daniel Pomarède

Tudo se move no Universo. Nós movemo-nos na superfície da Terra. A Terra roda sobre o seu eixo (dia) a cerca de 1.600 km/h e orbita o Sol (ano) a 100 mil km/h. O Sol orbita a Via Láctea a 850 mil km/h. E a Via Láctea (e a galáxia de Andrómeda) move-se a cerca de 2 milhões km/h pelo Universo.

Pensava-se que o movimento da Via Láctea (e de todo o Grupo Local de galáxias) era somente devido à atração gravitacional. O suspeito era o Grande Atractor, uma região densa do espaço, com 6 aglomerados de galáxias a cerca de 150 milhões de anos-luz de distância. Posteriormente, “por trás”, para lá do Grande Atractor, encontrou-se a Concentração Shapley com mais de 25 aglomerados de galáxias, que se encontra a 600 milhões de anos-luz de distância.

Agora, descobriu-se que além de ser puxada gravitacionalmente, a Via Láctea também é repelida/empurrada gravitacionalmente.

Em termos de distribuição de matéria, a matéria tende a “fugir” de regiões vazias, com pouca massa, para se encontrar em regiões com uma larga concentração de massa – as regiões mais densas atraem gravitacionalmente mais massa, enquanto as regiões pouco densas “repelem” essa matéria.

Uma equipa de astrónomos descobriu uma grande região praticamente sem galáxias (ou seja, de baixa densidade) que exerce uma força repelente sobre o Grupo Local de galáxias. Foi denominado de “Dipole Repeller” (Dipolo Repelente). O Grupo Local está a ser “empurrado” para longe desta região.

Fontes: Comunicado de Imprensa, Artigo Científico

6 comentários

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    • Reinaldo da Silva on 24/02/2017 at 19:52
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    Professor no texto não menciona galáxias anãs, porque?

    1. Porque não se fala de galáxias individuais e sim de aglomerados enormes de Galáxias 😉

    • Nillo Gallindo on 22/02/2017 at 23:23
    • Responder

    Não parece ser que as regiões menos densas ou vazias que causam o repelir e sim que as mais densas ou “cheias” causam a atração. Se for pelo raciocínio do espaço-tempo curvo de Einstein, pode ser que as regiões menos densas e vazias tem menos massa, portanto, não curvam ali o espaço para provocar “atração (a falta de atração pode ser interpretada como repelimento. Já as regiões mais densas ou cheias curvam mais o espaço e por isso provocam a “atração”. Talvez…não é?

    1. Sinceramente, concordo inteiramente consigo.

      No entanto, quer no comunicado de imprensa quer no Artigo Científico focam o repelir…

      abraços

      1. Vejo isso representado como uma colina, onde o Dipole Repeller se encontra no topo e o Shapley Attactor em sua base. O motivo pelo movimento (atração) claro que é o Shapley, porém é necessário que exista, ou não exista um ponto gravitacional contrário, existindo assim uma diferença de potencial, portanto, como focado no artigo e partindo deste ponto de vista acredito eu que pode-se sim dizer que o Dipole Repeller é um ponto que “repele gravitacionalmente” o grupo local.

      2. Interessante a analogia.

        Não estava a ver o problema dessa forma, mas realmente é uma excelente forma de explicar 😉

        abraços!

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