[ET #11] – Por que motivo ainda não encontramos ETi? Paradoxo de Fermi

Allen Telescope Array (ATA) do SETI, à procura de sinais provenientes do espaço. Crédito: SETI

O tamanho conhecido do Universo e a sua idade de 13,7 mil milhões de anos, sugerem que muitas civilizações ET com capacidade tecnológica deveriam existir. Contudo, esta hipótese parece inconsistente com a falta de evidência observacional para suportá-la.

Este conflito entre o argumento de probabilidade/escala versus evidências é conhecido por Paradoxo de Fermi.

Para tentar discutir esta questão, vamos assumir 2 cenários: no primeiro, partiremos do pressuposto que não existem civilizações mais avançadas do que nós e no segundo imaginaremos o contrário. Vamos também definir o conceito da Hipótese do Grande Filtro de forma simplificada, como um acontecimento ainda não descoberto que ocorre durante o processo evolucionário, que vai do início da vida (unicelular) até à maior inteligência do Universo, no qual existe algures no tempo uma barreira que é impossível ou improvável de ser atravessada pela vida e a que damos o nome de Grande Filtro (por exemplo: o salto de inteligência do chimpanzé para o homem).

1º cenário (pressupõe que não há sinais de civilizações ET mais avançadas que nós, porque elas não existem):

  • Somos raros. Isto significa que conseguimos ultrapassar o Grande Filtro. Dito de outra forma, é extremamente improvável chegar a este nível evolutivo, logo não será de estranhar a ausência de civilizações mais avançadas;
  • Somos os únicos. As condições do Universo têm sido favoráveis à nossa espécie de modo a alcançarmos um nível de inteligência elevado; ou
  • Estamos condenados. Se não somos raros, então o Grande Filtro poderá estar no futuro. A vida poderá evoluir com facilidade até ao nosso nível mas depois algo acontecerá e seremos extintos.

2º cenário (pressupõe que existem civilizações ET mais avançadas que nós mas há razões para que nunca as tenhamos detetado):

  • Civilizações mais avançadas podem ter estado na Terra no passado, antes da nossa espécie ter surgido, e não existir atualmente qualquer vestígio dessa passagem;
  • Civilizações mais avançadas podem ter colonizado a Galáxia e nós habitamos uma zona despovoada. Poderão existir locais melhores na Galáxia para estabelecer comunicações interestelares;
  • As civilizações estão separadas por enormes distâncias, o que dificulta imenso escutar os sinais vindos de todas as direções;
  • Existem civilizações predatórias e a vida inteligente já aprendeu que não deve transmitir sinais que identifiquem a sua localização;
  • Existe uma civilização muito avançada que impõe restrições de existência às restantes, ou seja, se alguma atingir um determinado nível de evolução, é imediatamente extinta pela civilização dominante;
  • Existem muitos sinais ET no Universo, mas a nossa tecnologia não permite a sua deteção. Talvez ainda precisemos de evoluir mais tecnologicamente e procurar outros meios de transmitir mensagens interestelares;
  • Civilizações mais avançadas observam-nos como se fossemos um jardim zoológico. Protegem a nossa evolução, não interferindo, não interagindo connosco;
  • A colonização física é um conceito atrasado, isto é, uma civilização avançada poderá ter capacidade de transferir o seu cérebro para uma realidade virtual e viver num paraíso eterno, sem necessidades físicas e biológicas;
  • Estamos completamente errados quanto ao conceito de realidade e não fazemos a mínima ideia do que nos rodeia, onde vivemos e o que somos: se reais, se produto da imaginação de outros, se simulação computorizada; ou
  • A procura de ETi começou a ser feita muito recentemente (note-se que esta deteção de sinais eletromagnéticos no espaço é feita a 9 dimensões: 3 de espaço, 1 de tempo, 2 de polarização, 1 de modelação, 1 de frequência, 1 de sensitividade; algumas destas são muito extensas quando comparadas com as ferramentas tecnológicas de que dispomos para as explorar).

Ora, este último argumento faz-me pensar que, a ser assim, então não existe paradoxo nenhum. Se começámos agora a procurar então não podemos esperar resultados imediatos. No próximo artigo, iremos fazer esta análise na versão matemática.

2 comentários

  1. Adoro esse tema! Muito obrigado pelo conteúdo!
    Fiquei bem curioso sobre essas 9 dimensões da procura por ETi pela radioastronomia. Poderia me sugerir algum artigo sobre o assunto?
    Obrigado!

    1. Eu também agradeço a participação.
      As 9 dimensões a que me refiro, ou variáveis, são aquelas que me fui lembrando enquanto escrevia o artigo. Por exemplo, para sintonizarmos o rádio do nosso carro numa determinada estação de rádio (ou TV sem cabo), temos de considerar essas variáveis: de onde vem o sinal (3 coordenadas de espaciais, sendo que neste caso o tempo não é importante), a frequência (há muitas estações a transmitir em FM, cada uma na sua frequência, ou em AM, que corresponde à modelação da amplitude).

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