[ET #12 ] – Quantos anos serão necessários para detetarmos uma civilização ET?

Software Radio-Eyes, uma importante aplicação para a Radioastronomia.

Se só muito recentemente começámos a procurar vida ET, fará sentido falar em Paradoxo de Fermi? No artigo anterior abordámos a perspetiva teórica mas agora perguntamos: o que nos dizem os cálculos?

Consideremos um cenário hipotético de uma civilização ET equipada com um radiotelescópio semelhante ao de Arecibo (Potência: 2 MW; frequência 1.420 MHz; diâmetro da antena: 300 m; eficiência: 0,7; largura de banda: 1 Hz) e aqui na Terra uma antena com o mesmo diâmetro (recetor com temperatura de sistema de 26K; tempo de integração: 2 minutos). Estabelecendo uma relação sinal/ruído de 10, a comunicação teria um alcance máximo na ordem dos 1.970 pc (~6.400 anos-luz).

Esta distância corresponde a um volume sensitivo de:

Se utilizarmos uma densidade estelar de 0,05 pc^-3, vamos obter um resultado de  estrelas ao nosso alcance. Recordo que as estimativas da massa da Galáxia apontam para a existência de cerca de 200.000.000.000 de estrelas. A expressão seguinte é válida para distâncias inferiores a 300 pc (aproximadamente a altura do disco galático na zona onde se encontra o Sol):

Ora, dessas estrelas, o nosso radiotelescópio apenas consegue visualizar 110 de cada vez:

o que significa que necessitamos de 53 anos para rastrear todas as estrelas dentro do nosso alcance:

Note-se que os cálculos estão feitos apenas para uma frequência. Isto significa que se pretendermos fazer deteções em 10 frequências diferentes, o tempo de rastreio passará para 530 anos.

Talvez seja este o motivo pelo qual ainda não detetamos sinais extraterrestres, e a ser assim, então não existe paradoxo nenhum.

Mas um dia, num futuro breve, seremos capazes de perscrutar a galáxia a velocidades muito mais elevadas e a distâncias cada vez mais longínquas. E se aí também não tivermos encontrado sinais extraterrestres? Talvez a resposta esteja no último fator da Equação de Drake, a curta existência da vida (L).

A vida na Terra começou há 3,8 mil milhões de anos; o Homo Sapiens Sapiens tem somente 125.000 anos; a civilização tem 10.000 anos e a tecnologia para comunicação existe há menos de 100 anos. Se pudéssemos encurtar o tempo do Universo em apenas 1 ano, o homem moderno teria surgido no dia 31 de dezembro pelas 23:55 e a escrita teria sido inventada 15 segundos antes do final do ano.

A matemática mostra-nos que quanto mais tempo a nossa civilização existir, mais distante conseguirá comunicar (com receção de resposta), aumentando a probabilidade de encontrarmos civilizações alienígenas. O mínimo terá de ser 30.000 anos (equivalente a uma distância de 15.000 anos-luz em qualquer direção) mas isso pressupõe que existam mais 10 civilizações (uniformemente distribuídas) na Via Láctea, cujo desenvolvimento tecnológico seja quase igual ao nosso, o que atualmente pode ser visto como um cenário demasiado otimista. Podemos fazer algumas comparações rápidas:

  • a mensagem de Arecibo foi enviada para o enxame de Hércules a 25.000 anos-luz de distância, pelo que a resposta nunca chegará no prazo de 50.000 anos;
  • o telescópio espacial Kepler tem um alcance de 6.000 anos-luz na procura de exoplanetas;
  • as primeiras mensagens de rádio produzidas na Terra, encontram-se à distância de 100 anos luz.

Novamente um dia, num futuro próximo, seremos capazes de viver até aos 1.000 anos. Teremos novos conhecimentos e um melhor enquadramento do Universo e da nossa existência. E se nessa altura também não tivermos encontrado sinais extraterrestres?

“Qual é a ideia mais assustadora, sabermos que estamos sós no Universo ou que existem outras civilizações inteligentes?” Aqui na Terra temos sido a espécie dominante. E se isso mudasse de repente e fossemos submetidos à vontade de outra civilização mais avançada?

2 comentários

    1. Obrigado João Carlos por partilhares connosco a tua visão :), tornando este contributo bastante mais enriquecedor.

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