Jun 09

Teoria Geral da Relatividade confirmada mais uma vez

Créditos: NASA, ESA, e A. Feild (STScI)

Em 1915, a Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein descreveu como objetos massivos acabavam distorcendo ou curvando o espaço, o que conhecemos como gravidade.

A teoria foi experimentalmente verificada no eclipse total do Sol no ano de 1919.
O Brasil foi importante nisso, pois o eclipse foi observado em Sobral e também ajudou nos dados para a confirmação da teoria.

Durante o eclipse foi possível medir quanto a gravidade do Sol distorce ou deflete a imagem de uma estrela de fundo, num efeito conhecido como microlente gravitacional.

Nós já conhecemos bem esse efeito, em que a lente gravitacional é usada para estudar galáxias distantes, entre outras aplicações.

Os astrônomos pensaram então que esse efeito poderia ser usado, por exemplo, para medir a massa de uma estrela.

Créditos: NASA, ESA, e K. Sahu (STScI)

Com a ajuda do Hubble, os astrônomos observaram a estrela anã branca próxima chamada Stein 2051 B enquanto ela passava na frente de uma estrela de fundo.

Ela recebeu o seu nome em homenagem ao seu descobridor, o padre católico romano alemão e astrônomo Johan Stein.

A estrela está localizada a 17 anos-luz de distância da Terra, e tem cerca de 2.7 bilhões de anos de vida.
A estrela de fundo está localizada 5000 anos-luz mais distante.

Durante a maior aproximação entre as estrelas, a gravidade da anã branca distorceu a luz proveniente da estrela de fundo, fazendo com que ela aparecesse cerca de 2 mili-arcos de segundo afastada da sua posição verdadeira.

Usando essa medida de deflexão, os astrônomos calcularam que a massa da anã branca é equivalente a 68% da massa do Sol, o que confirma os cálculos teóricos que foram feitos.

Essa técnica abre uma nova janela na determinação da massa de estrelas, uma propriedade muito importante de ser definida e muito difícil de ser medida.

As análises feitas com o Hubble também ajudaram os astrônomos numa outra medida: como determinar o raio da estrela a partir da sua massa, algo proposto por Chandrasekhar em 1935.

Os astrônomos identificaram a Stein 2051 B e a sua estrela de fundo após combinar dados de mais de 5000 estrelas num catálogo de estrelas próximas.

Eles procuraram estrelas com movimento aparente, pois essas teriam maior chance de passar em frente a uma estrela de fundo onde a deflexão da luz poderia ser identificada.

Os pesquisadores então usaram a Wide Field Camera 3 do Hubble para observar a anã branca por sete vezes num período de dois anos, enquanto ela se movia pela estrela de fundo selecionada.

As observações não foram fáceis.
Os pesquisadores analisaram a velocidade da anã branca e a direção do seu movimento para prever quando ela chegaria na posição exata para distorcer a luz da estrela de fundo.

Com o sucesso do experimento, e com a metodologia já bem definida, os astrônomos pretendem aplicar essa técnica da microlente gravitacional a estudos de Proxima Centauri, a estrela mais próxima do nosso Sistema Solar.

Fontes: Hubblesite, Artigo Científico

1 comentário

  1. Prova mais uma vez que a luz tem massa, mas a alteração nos relógios pode ter outra explicação..

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