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Jun 17

VST captura três em um

O VST captura três nebulosas numa só imagem.
Crédito: ESO

Dois dos residentes mais famosos do céu partilham as luzes da ribalta com um vizinho menos conhecido, nesta enorme imagem de 3 mil milhões de pixels obtida pelo Telescópio de Rastreio do VLT do ESO (VST).

À direita vemos a ténue nuvem de gás brilhante conhecida por Sharpless 2-54, no centro temos a icónica Nebulosa da Águia e à esquerda encontra-se a Nebulosa Ómega.

Este trio cósmico constitui apenas uma parte do vasto complexo de gás e poeira no seio do qual se estão a formar novas estrelas, as quais iluminam os seus arredores.

O VST captura três nebulosas numa só imagem (anotada).
Crédito: ESO

As Sharpless 2-54, Nebulosa da Águia e Nebulosa Ómega situam-se a cerca de 7000 anos-luz de distância — as duas primeiras encontram-se na constelação da Serpente, enquanto a última se situa no Sagitário. Esta região da Via Láctea alberga uma enorme nuvem de material pronto a formar estrelas. Estas três nebulosas indicam onde é que regiões desta nuvem se compactaram e colapsaram para formar novas estrelas; a radiação energética emitida pelas estrelas recém formadas dá origem à emissão de radiação por parte do gás ambiente, o qual apresenta o característico tom rosado das regiões ricas em hidrogénio.

Dois dos objetos da imagem foram descobertos de forma semelhante. Os astrónomos descobriram primeiro enxames de estrelas brilhantes tanto em Sharpless 2-54 como na Nebulosa da Águia, identificando posteriormente as enormes e comparativamente ténues nuvens de gás em redor dos enxames.

No caso da Sharpless 2-54, o astrónomo britânico William Herschel notou inicialmente o seu brilhante enxame estelar em 1784. Este enxame, catalogado como NGC 6604 aparece nesta imagem à esquerda do objeto. A nuvem de gás ténue associada permaneceu desconhecida até aos anos 1950, quando o astrónomo americano Steward Sharpless a descobriu em fotografias do Atlas do Céu National Geographic-Palomar.

A Nebulosa da Águia não teve que esperar tanto tempo para ser reconhecida em toda a sua glória. O astrónomo suíço Philippe Loys de Chéseaux descobriu inicialmente o seu enxame estelar brilhante, NGC 6611, em 1745 ou 1746. Algumas décadas mais tarde, o astrónomo francês Charles Messier observou esta região do céu e documentou igualmente a nebulosidade aí presente, registando o objeto no seu famoso catálogo com o número 16 — Messier 16.

Relativamente à Nebulosa Ómega, de Chéseaux conseguiu observar o seu brilho mais proeminente, tendo identificado o objeto como uma nebulosa em 1745. No entanto, como o catálogo do astrónomo suíço nunca atingiu grande notoriedade, a redescoberta da Nebulosa Ómega por Messier em 1764 levou a que o objeto ficasse conhecido por Messier 17, o número 17 do popular catálogo do astrónomo francês.

Detalhes da enorme imagem VST que capturou três nebulosas.
Crédito: ESO

As observações que deram origem a esta imagem foram obtidas pelo Telescópio de Rastreio do VLT do ESO (VST), instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile. A enorme imagem final foi criada a partir de dezenas de imagens — cada uma com 256 milhões de pixels — capturadas pela OmegaCAM, a câmara de grande formato do telescópio. O resultado final, após um longo processamento, totaliza 3,3 mil milhões de pixels, uma das maiores imagens alguma vez divulgadas pelo ESO.

Fonte (transcrição): ESO

Acerca do autor(a)

Carlos Oliveira

Carlos F. Oliveira é astrónomo e educador científico.
Licenciatura em Gestão de Empresas.
Licenciatura em Astronomia, Ficção Científica e Comunicação Científica.
Doutoramento em Educação Científica com especialização em Astrobiologia, na Universidade do Texas.
Criou e leccionou durante vários anos um inovador curso de Astrobiologia na Universidade do Texas.
Foi Research Affiliate-Fellow em Astrobiology Education na Universidade do Texas em Austin, EUA.
Trabalhou no Maryland Science Center, EUA, e no Astronomy Outreach Project, UK, recebeu dois prémios da ESA, e realizou várias palestras e entrevistas nos media.

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