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Jun 18

Choro de uma estrela bebê gigante

Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)

Em termos básicos, as estrelas se formam da poeira e do gás que estão flutuando no espaço interestelar. Esses dois ingredientes se unem, começam a agregar cada vez mais e mais massa, até que o processo de fusão nuclear tem seu início e a estrela se forma.

Porém, quando falamos de estrelas muito massivas, os astrônomos ainda não entendem completamente esse processo.

Uma questão fundamental é a rotação do gás. A nuvem parental gira vagarosamente nos seus estágios iniciais, e à medida que essa nuvem começa a colapsar devido à sua própria gravidade, a sua rotação torna-se mais veloz.

As estrelas formadas nesse processo deveriam então apresentar uma rotação rápida, mas não é isso que é observado: as estrelas apresentam uma rotação lenta.

E aí vem a grande questão: onde foi parar esse momento de rotação? Como ele foi dissipado?

Uma hipótese é que se as estrelas recém nascidas começarem a emanar esse gás e se esse fluxo de gás for expelido com rotação, ele poderia muito bem carregar esse momento para fora do sistema.

Para confirmar isso, basta observar esse gás sendo expelido em rotação de estrelas recém nascidas massivas.
Mas esse é o problema: essa observação não é tão fácil de ser feita.

Os astrônomos utilizaram o ALMA para fazerem essas observações e matar mais essa questão em relação à formação das estrelas.

Os astrônomos observaram uma estrela massiva recém formada chamada de Orion KL Source I, localizada na famosa e no melhor laboratório para isso, que é a Nebulosa de Orion, localizada a cerca de 1400 anos-luz de distância da Terra.

Com o incrível poder do ALMA, os astrônomos conseguiram observar a rotação do fluxo de gás expelido pela estrela de maneira clara.

O ALMA mostrou que a rotação do fluxo de gás ocorre na mesma direção que o disco de gás ao redor da estrela, uma observação que suporta fortemente a ideia de que o fluxo tem um papel importante em dissipar a energia de rotação da estrela recém formada.

O ALMA também mostrou claramente que esse fluxo de gás é lançado, não da vizinhança da estrela recém nascida, mas da borda externa do disco.

Essa morfologia concorda com o modelo de que o gás em rotação se move para fora devido à força centrífuga e então se move para cima ao longo das linhas de campo magnético para formar o fluxo.
Isso é uma característica de estrelas massivas em nascimento.

Esse fluxo de gás expelido pela estrela massiva recém-nascida foi apelidado pelos astrônomos de “choro da estrela bebê”.

O ALMA mais uma vez ajuda os astrônomos a resolver uma questão importante da astrofísica, e os próprios astrônomos já esperam as atualizações que serão feitas no ALMA no futuro, melhorando a sua sensibilidade e fornecendo dados cada vez mais valiosos para resolver as grandes questões do universo.

Fonte: ALMA Observatory

Acerca do autor(a)

Sérgio Sancevero

Formado em Geofísica pela Universidade de São Paulo (USP), Mestre em Engenharia do Petróleo pela Universidade de Campinas (UNICAMP), e Doutor em Geociências também pela Universidade de Campinas (UNICAMP).
Divulgador de Astronomia no SpaceToday.

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