Por que os Quasares piscam?

Crédito da ilustração: M. Walker/ CSIRO/ Manly Astrophysics.

Desde a década de 1980, quando os astrônomos começaram a observar os quasares com mais carinho, eles notaram que alguns apresentavam uma cintilação: pareciam piscar como as estrelas quando observadas da Terra.

No caso das estrelas nós sabemos o motivo: é a nossa atmosfera, as camadas atmosféricas e o gradiente de temperatura, que faz com que a luz das estrelas seja desviada e isso nos dá a impressão que ela está piscando.

Mas e no caso dos quasares? Que tipo de fenômeno seria responsável por fazer eles piscarem?

Recentemente, um grupo de astrônomos australianos parece ter matado essa charada.

O grupo estava estudando o quasar chamado PKS 1322-110 usando um rádio telescópio, quando notou que o objeto apresentava uma diminuição de brilho e depois voltava a brilhar, no intervalo de algumas horas.
Os pesquisadores perceberam que esse quasar estava perto da estrela Spica, uma estrela quente e massiva.

Isso despertou a curiosidade neles: será que o facto do quasar estar perto da estrela faz com que ele pisque?

O grupo investigou mais dois quasares:
– o J1819+3845, que no céu fica perto da estrela Vega, outra estrela quente;
– e o quasar PKS 1257-326, que no céu fica perto da estrela Alhakim, também quente e massiva.

Nos 3 casos, a luz dos quasares piscava!
Tudo isso não poderia ser coincidência.
E realmente não era!

Com análises mais detalhadas e observações mais cuidadosas, os astrônomos descobriram que os quasares piscam devido a longas e finas estruturas presentes ao redor dessas estrelas.
Essas estruturas são filamentos de gás quente que circundam as estrelas quentes como Spica, Vega e Alhakim.
A luz do quasar, ao passar por esses filamentos, é desviada. E para nós, que estamos aqui observando, parece que o quasar está piscando no céu.

Para confirmar sua hipótese, o grupo agora pretende observar mais quasares próximos de outras estrelas quentes, e assim poder bater o martelo e responder de uma vez por todas a essa pergunta que intriga os astrônomos há pelo menos uns 30 anos.

Fontes: Manly Astrophysics, EarthSky, Artigo Científico

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