Juno envia imagens incríveis da Grande Mancha Vermelha de Júpiter

Às 3 horas da madrugada do passado dia 11 de Julho, a sonda Juno sobrevoou a “Grande Mancha Vermelha” (GMV) de Júpiter a uma distância de apenas 9 mil quilómetros. Trata-se de uma tempestade enorme na atmosfera joviana — 3 a 4 vezes maior do que a Terra — da qual existem registos contínuos desde 1830 e prováveis observações dispersas datadas dos séculos XVII e XVIII. Os cientistas não sabem ao certo como se formou e o porquê da sua longevidade extraordinária, daí o interesse suscitado por este vôo rasante da sonda Juno.

Desenhos de Júpiter da autoria do astrónomo franco-italiano Giovanni Domenico Cassini mostrando, possivelmente, a Grande Mancha Vermelha entre 1665 e 1677.
Gravura de “Le Ciel”, de Amédée Guillemin, 1877.

O tamanho da Grande Mancha Vermelha comparado com o da Terra.
A imagem da tempestade aqui usada foi obtida pela sonda Voyager 1 em 1979.
Crédito: absorbiter.com

A Grande Mancha Vermelha fotografada pela JunoCAM às 03h03m (Portugal continental) da madrugada do dia 11 de Julho.
Crédito: NASA / SwRI / MSSS, ligeiro processamento pelo autor.

A Grande Mancha Vermelha fotografada pela JunoCAM às 03h07m (Portugal continental) da madrugada do dia 11 de Julho.
Crédito: NASA / SwRI / MSSS, ligeiro processamento pelo autor.

A Grande Mancha Vermelha fotografada pela JunoCAM às 03h10m (Portugal continental) da madrugada do dia 11 de Julho.
Crédito: NASA / SwRI / MSSS, ligeiro processamento pelo autor.

Para além da JunoCAM, a câmara da sonda que captou as fotografias espectaculares que acompanham este texto, outros instrumentos a bordo observaram a GMV, mas a análise dos dados recolhidos demorará ainda alguns meses. O radiómetro de microondas, por exemplo, é capaz de observar a tempestade através das nuvens e pode ajudar a identificar as suas raízes em camadas mais profundas da atmosfera. As ondas de rádio emitidas por um outro instrumento permitem detectar irregularidades no campo gravitacional de Júpiter através do efeito de Doppler. A existência de anomalias na distribuição interna de massa do planeta provoca pequenas acelerações ou desacelerações momentâneas na sonda que alteram a sua velocidade e se manifestam em desvios na frequência de transmissão. Se tais anomalias forem detectadas por debaixo da GMV é possível que estejam na sua origem e expliquem a sua longevidade.

Referências: NASA e as fotos da JunoCAM.

3 comentários

1 ping

  1. A grande mancha vermelha, fica sempre na mesma longitude (latitude não podemos saber por falta de referência).
    E nunca ocorreu no nosso planeta um furacão que ficasse sempre na mesma latitude.

    O único evento parecido, é a emanação de um vulcão.
    Aí sim, o resultado ficaria na mesma latitude e também na mesma longitude e creio que seja este o caso.

    Creio que exista, abaixo da Grande Mancha Vermelha de Júpiter, um imenso vulcão.

    Seria como que o núcleo de Júpiter emanasse massa quentíssima. Como um limão sendo exprimido.
    Seria parecido como em Encelados onde temos emanações de jato de agua, a partir do astro.
    Só que em proporções muitíssimo maiores.

    Isto também explicaria sua longa durabilidade, afinal não é um furacão, mas sim o resultado de uma emanação vulcânica, que do nosso ponto de vista, se parece com um furacão.

    1. Qual a referência para saber a Longitude? A latitude não seria mais fácil?

      1. Não há referência, em relação a Mancha Vermelha que possa ser utilizada.

        A Mancha Vermelha ela é sim, uma referência, já que não se move, pelo menos quanto a sua Longitude.
        Mas não pode ser uma referência por completo, afinal não se pode ter certeza sobre a Latitude.

        Mas se for confirmado que é realmente fixa, vai ser uma grande sorte para todos os pesquisadores de Júpiter, pois teríamos uma referência geográfica.

  1. […] Podem ver mais imagens desta famosa mancha neste nosso artigo. […]

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