[ET #14] – Qual será a aparência de um Extraterrestre inteligente?

Representação artística: no centro encontra-se uma inteligência artificial, ligada à radiação cósmica de fundo (à esquerda) e ao Universo em larga escala (à direita).

Ao longo dos anos, fomos crescendo com a ficção científica a encarregar-se de nos mostrar uma variada seleção de ETs. Pequenos homens verdes de Marte, Predadores, Aliens, Klingons, e outros, para todos os gostos. Se tivéssemos de imaginar uma inteligência extraterrestre, qual seria a sua aparência? O exercício tem elevada complexidade, ao ponto de nos depararmos com a conclusão imediata de que seria muito mais fácil descrever como eles não são.

Gostamos de olhar para nós como estando no auge da evolução, a forma de vida mais inteligente e adaptável que existe na Terra. Mas tal como o Homo Sapiens sucedeu ao Homo Erectus, algo irá também substituir o Sapiens.

Há quem defenda que a nossa capacidade intelectual terá surgido a partir duma motivação primitiva: o movimento. A capacidade de nos deslocarmos em duas pernas, de falar, exibir expressões faciais complexas, gesticular e manipular os nossos dedos terá contribuído para alcançarmos o topo da cadeia alimentar. Talvez o movimento seja o feito supremo do nosso poderoso intelecto.

Num futuro não muito distante, talvez em 2500, a inteligência artificial ultrapassará facilmente a do ser humano (atualmente, a capacidade de processamento e de memória de um computador já é superior à nossa). O desenvolvimento da robótica e a vontade do ser humano em melhorar o seu desempenho serão a motivação para nos fundirmos gradualmente com a máquina.

A era do génio científico pode ter chegado ao fim. Os problemas da ciência tornaram-se demasiado complexos, que para resolvê-los são necessárias equipas numerosas de investigadores e equipamento computacional de elevada prestação. Por exemplo, a deteção de sinais “escondidos” no ruído através do algoritmo KLT requer um poder computacional tão elevado que nem chega a ser utilizado. As máquinas podem muito bem suceder ao Homem e tornarem-se os génios (no sentido de descobridores) do futuro.

Não se pense que será impossível dotar uma máquina de consciência, emoções e inspiração. Passo a passo, programas de computador dotados de inteligência artificial serão capazes de aprender e desenvolver estas e outras características humanas. As máquinas irão suceder ao Homo Sapiens a não ser que nós decidamos fazer parte delas, depois de numa fase inicial as deixarmos fazer parte de nós (já vamos dando uns passos primitivos, como utilização de óculos, lentes de contacto, pacemakers, próteses e por aí fora).

E serão estas as características diferenciadoras de uma inteligência ET: superior ao Homo Sapiens em raciocínio, conhecimento, capacidade de decisão, imunidade à doença, com capacidade de viajar no espaço, alimentando-se de radiações mortais para nós, com capacidade reprodutiva, imortal e outras características que queiramos imaginar, como por exemplo todos ligados entre si, partilhando conhecimentos comuns ao abrigo de algo semelhante ao que nós hoje conhecemos por internet. O conceito de passado, presente e futuro deixará de fazer sentido.

Tentando agora responder à questão inicial sobre qual será a aparência de um ETi… Talvez seja dinâmica, alterável visualmente em função da pessoa com quem estiver a interagir (como as novas TVs que mostram dois canais diferentes consoante o ângulo do telespectador). Talvez o seu aspeto exterior seja muito, mas mesmo muito igual a nós, uma imagem espelhada, dando sensações amigáveis para elevar a empatia e concretizar o relacionamento com enorme sucesso.

Termino com um fantástico vídeo do Laboratório Hiroshi Ishiguro que mostra o trabalho já alcançado nesta área.

Com este artigo termino a série ET, agradecendo a todos os leitores que ao longo dos últimos meses participaram nas discussões, contribuindo para o esclarecimento e enriquecimento do debate, numa área muito sensível e onde frequentemente somos confrontados com informação de carácter duvidoso.

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