Observatório Gaia observa a Grande Nuvem de Magalhães

Quando se fala de galáxias espirais vizinhas, pensamos invariavelmente na Galáxia de Andromeda (Messier 31) ou na Galáxia do Triângulo (Messier 33). Poucos saberão, no entanto, que a maior galáxia satélite da Via Láctea, a Grande Nuvem de Magalhães, é também uma espiral, embora com uma estrutura bem mais subtil do que a dos dois exemplos que mencionei.

Situada a cerca de 165 mil anos-luz, a Grande Nuvem de Magalhães é uma galáxia pequena, com uma massa de apenas 10 mil milhões de sóis (1 décimo da massa da Via Láctea). Apesar disso, nela a formação de estrelas é 5 vezes mais vigorosa do que na nossa galáxia. Esta actividade frenética de formação estelar é denunciada pela presença de dezenas de super-enxames de estrelas e de nebulosas de emissão, incluindo a famosa Nebulosa da Tarântula, visível a olho nu a partir da Terra e a maior maternidade estelar no Grupo Local.

Duas vistas da Grande Nuvem de Magalhães sintetizadas a partir de dados recolhidos pelo observatório Gaia.
A posição da Nebulosa da Tarântula está assinalada pelas circunferências vermelhas.
Crédito: ESA.

A missão Gaia, da Agência Espacial Europeia, tem como objectivo produzir aquele que será o maior e mais preciso catálogo estelar da história. Enquanto parte da equipa se ocupa da tarefa hercúlea de armazenar e processar os 40 GBytes de dados gerados pelo observatório todos os dias, outros elementos procedem à análise da informação já arquivada. A imagem aqui apresentada mostra duas vistas da Grande Nuvem de Magalhães sintetizadas com dados provenientes dos primeiros 14 meses da missão. Nelas emerge a estrutura subtil de uma galáxia espiral barrada.

Na versão da esquerda, os astrónomos representaram com píxeis mais claros regiões com maior densidade de estrelas. A barra central da galáxia domina a imagem com braços espirais incipientes que partem das suas extremidades. São também visíveis inúmeros enxames de estrelas que parecem pequenas estrelas espalhadas na imagem. Os artefactos em forma de bandas verticais e diagonais na imagem devem-se à forma como o observatório varre o céu, dividindo-o em fatias que atravessará dezenas de vezes durante a duração da missão.

Na versão da direita, os astrónomos representaram com píxeis mais claros regiões com maior luminosidade, tornando mais visível a localização das inúmeras maternidades estelares e super-enxames de estrelas. É nestes locais que se concentram as estrelas mais luminosas da galáxia. A Nebulosa da Tarântula, já referida, situa-se no canto superior direito da barra central.

Fonte: ESA

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