Primeira luz do caçador de planetas ExTrA instalado em La Silla

Uma nova infraestrutura nacional instalada no Observatório de La Silla do ESO acaba de executar as suas primeiras observações.

Os telescópios do ExTrA procurarão e estudarão planetas do tamanho da Terra que orbitam estrelas anãs vermelhas próximas de nós.

O design inovador do ExTrA permite uma sensibilidade bastante melhorada comparativamente a buscas anteriores.

Os astrónomos dispõem agora de uma nova ferramenta muito poderosa que ajudará na busca de mundos potencialmente habitáveis.

Os telescópios ExTrA em La Silla. Esta imagem noturna mostra as três cúpulas ExTrA em primeiro plano e muitos outros telescópios do Observatório de La Silla do ESO por detrás.
Crédito: ESO / Emmanuela Rimbaud

A mais recente adição ao observatório de La Silla do ESO, no norte do Chile, o ExTrA (Exoplanets in Transit and their Atmospheres), acaba de fazer as suas primeiras observações bem sucedidas. O ExTrA foi concebido para procurar exoplanetas que orbitam estrelas anãs vermelhas próximas e estudar as suas propriedades. Trata-se de um projeto francês financiado pelo Conselho Europeu de Investigação e pela Agence National de la Recherche francesa. Os telescópios serão operados remotamente a partir de Grenoble, em França.

Para detectar e estudar exoplanetas, os três telescópios do ExTrA, de 0,6 metros cada um, monitorizam regularmente a radiação recebida de muitas estrelas anãs vermelhas e procuram o ligeiro decréscimo em brilho que pode ser causado pela passagem de um planeta — um trânsito — em frente ao disco da estrela, bloqueando assim parte da luz estelar emitida.

“La Silla foi seleccionada para acolher estes telescópios devido às excelentes condições atmosféricas do local,” explica o investigador líder do projeto, Xavier Bonfils. “O tipo de radiação que observamos — o infravermelho próximo — é facilmente absorvida pela atmosfera terrestre, por isso precisamos das condições mais secas e escuras possíveis. La Silla é o local perfeito para as nossas necessidades.”

O método dos trânsitos envolve comparar o brilho da estrela que queremos estudar com outras estrelas de referência, de modo a encontrar variações minúsculas. No entanto, é difícil obter a partir do solo medições suficientemente precisas para detectar pequenos planetas do tamanho da Terra. Ao usar uma técnica inovadora que incorpora igualmente informação sobre o brilho das estrelas em muitas cores diferentes, o ExTrA consegue superar algumas destas limitações.

Os três telescópios do ExTrA colectam radiação da estrela alvo e de quatro estrelas de comparação, sendo esta radiação enviada seguidamente através de fibras ópticas para um espectrógrafo multi-objeto. Esta técnica inovadora de juntar informação espectroscópica à fotometria tradicional, ajuda a diminuir o efeito perturbador da atmosfera terrestre, assim como efeitos introduzidos pelos instrumentos e detectores — aumentando desde modo a precisão conseguida.

Uma vez que um planeta em trânsito bloqueará uma maior quantidade de luz emitida por uma estrela mais pequena, o ExTrA focar-se-á em exemplares próximos de um tipo específico de estrelas pequenas e brilhantes, conhecidas por anãs M e bastante comuns na Via Láctea. Pensa-se que tais estrelas albergam muitos planetas do tamanho da Terra, o que as torna por isso em alvos ideais para descobrir e estudar mundos distantes que possam suportar vida. A estrela mais próxima do Sol, a Proxima Centauri, é uma anã M e em sua órbita descobriu-se um planeta com a massa da Terra.

Descobrir estes mundos do tipo terrestre anteriormente indetectáveis é apenas um dos dois objetivos principais do ExTrA. O telescópio estudará ainda, com algum detalhe, os planetas que encontrar, analisando as suas propriedades e deduzindo as suas composições, no intuito de determinar quão semelhantes à Terra poderão ser.

“Com o ExTrA podemos também estudar algumas questões fundamentais relativas a planetas na nossa galáxia. Esperamos explorar o quão comuns são estes planetas, o comportamento de sistemas com planetas múltiplos e os tipo de meios que levam à sua formação,” acrescenta Jose-Manuel Almenara, um membro da equipa.

Bonfils encontra-se entusiasmado com o futuro: “Com a próxima geração de telescópios, tais como o Extremely Large Telescope do ESO, poderemos ser capazes de estudar as atmosferas de exoplanetas descobertos com o ExTrA, tentando assim analisar a viabilidade destes mundos em sustentar vida tal como a conhecemos. O estudo de exoplanetas está a trazer para o mundo da ciência o que antes era apenas ficção científica.”

Fonte (transcrição): ESO

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