Cometas e os segredos do Sistema Solar

Crédito da ilustração: NASA/JPL

Ao estudar os cometas, nós podemos entender a história do Sistema Solar: como se deu a sua formação e a sua evolução.

Os cometas residem numa parte do Sistema Solar que fica além do cinturão de Kuiper. É de lá que eles partem para a parte mais interna do Sistema Solar.
Nessa parte onde os cometas residem, boa parte do material ali existente se mantém inalterado desde a formação do sistema solar, que aconteceu há 4.6 bilhões de anos atrás.

É como numa construção: você faz o cimento, usa pedra, areia, água, e no final da construção sempre sobra um pouco de material, essa sobra você coloca num canto até limpar.
No sistema solar é a mesma coisa: essa região é como se fosse o cantinho da sobra do material que originou o nosso sistema com a vantagem nesse caso que ninguém foi ali limpar.
Ou seja, se tivermos a chance de investigarmos um cometa estamos vendo os materiais que deram origem ao nosso sistema.

Mas isso não é fácil, e é bem diferente dos asteroides.
No caso dos asteroides, temos os meteoritos aqui na Terra e temos as rochas lunares. Tudo isso ajuda e muito a entender a nossa história.

Em 2006, uma cápsula retornou para a Terra com amostras do cometa 81P/Wild. Esse cometa foi visitado pela sonda Stardust da NASA.
Com essas amostras, os pesquisadores puderam fazer vários tipos de análises. As principais são: procurar por sinais de água e por sinais de material orgânico, pois se diz que a água e a vida pode ter sido trazida para a Terra a bordo dos cometas que aqui se chocaram no início da formação do sistema solar.

No caso da água, análises feitas pela sonda Rosetta do cometa Chury, mostrou que a razão de Deutério para Hidrogênio do cometa era muito diferente daquela encontrada na Terra e isso indica que a água não foi trazida para nós pelos cometas.
Provavelmente então restaram os asteroides como fonte dessa água.

No caso das amostras do Wild, não foi possível identificar a razão de deutério/hidrogênio.
O material orgânico também não foi possível de ser identificado nas amostras do Wild e no Chury algum tipo desse material foi identificado.

Estudar e analisar os dados de cometas não é uma tarefa fácil e por isso se tem o desejo de voltar a estudá-los de perto e recuperar amostras deles.

A NASA planeia a missão CORSAIR que deve visitar o cometa 88P/Howell e retornar amostras para a Terra em 2030.
Quem sabe, nessa altura poderemos chegar a resultados mais conclusivos.

Esse tipo de estudo mostra o quanto é difícil realizar estudos com objetos distantes do Sistema Solar, e mostra também a importância dos cometas para entendermos como se deu a formação e evolução do nosso sistema.

Fontes: Phys.org, artigo científico

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