Aniquilação

Vi o filme Annihilation. E recomendo-o!

Uma redoma muito estranha aparece num certo local junto ao mar, isolado da civilização.
As paredes dessa redoma/bolha são fluidas, transparentes e coloridas.

Várias expedições são enviadas para dentro da redoma, mas nunca ninguém sai de lá.
Nem sequer comunicações são possíveis através das “paredes” da redoma.

A redoma vai crescendo, englobando uma área cada vez maior.

5 mulheres cientistas são enviadas para dentro da redoma.
Uma equipa totalmente feminina e científica.

Algumas citações do filme são fantásticas.
O diálogo entre elas, sobretudo em termos de tentativa de análise científica/racional, é muito bom.

Dentro da redoma, elas sentem o fenómeno de tempo perdido (missing time).

Veem mutações estranhas na fauna e flora.
Por exemplo, existe cruzamento de espécies que não devia existir, o que levou a espécies “impossíveis”.
Ou seja, elas observam uma biologia com leis desreguladas.

Elas têm alucinações, veem animais incríveis que as caçam, uma delas transforma-se em árvore e até existem algumas cópias/duplicados das pessoas que entram dentro da redoma.

Chega-se ao final, e algumas perguntas continuam sem resposta…

É um filme de mistério…
Mas é um filme muito estranho.

Achei o filme demasiado parado.
Também é bastante intelectual e complexo.

A organização colocada para estudar a anomalia pareceu-me demasiado amadora.
Até a equipa feminina é gerida de forma amadora: a personagem da Natalie Portman é que decide que faz parte da equipa, a chefe entra com elas em vez de ficar a gerir do exterior, não existem militares a guardar as cientistas, não há um plano estipulado, etc.

A personagem da Natalie Portman é uma bióloga.
Quase no final, o facto de ter decidido matar um ser novo, diferente, consciente e inteligente, em vez de o estudar ou tentar comunicar com ele, é uma péssima escolha para essa personagem.
Nesse final, o facto dela o destruir com uma bomba, quando tudo parece mostrar que o ser é muito mais evoluído para morrer dessa forma, é burrice.

Matar o ser equivaler a destruir tudo da redoma, não faz qualquer sentido. A não ser que o ser alienígena seja tudo, seja toda a redoma, e não somente quando duplica outros seres. Daí se explicar o porquê das características de cada ser se imiscuirem com todos os outros, seja fauna seja flora. E daí se explicar o porquê das personagens que entram na redoma se misturarem com o que já existe lá.
Neste caso, a mensagem é que cada um de nós está ligado a tudo o resto.

O fenómeno da redoma (que parece inter-dimensional) é fantástico.

Os efeitos especiais são muito bons.
Aliás, visualmente o filme é excelente.

Adorei ver um halo solar, em que “a luz é refletida e refratada pelos cristais de gelo e pode dividir-se em cores por causa da dispersão, semelhante ao arco-íris.
Ora, isto é precisamente o que acontece à luz, aos seres, e às ondas eletromagnéticas dentro da redoma.

A relação dos humanos com o seu ambiente é explorada de forma soberba no filme.

O filme desenvolve algumas reflexões existenciais.
Por exemplo, fazendo-nos obcecar com os erros cometidos ao longo da vida, e as consequências que advém desses erros.
Outro exemplo, é o eliminar das divisões materiais entre a vida e a morte.

Próximo do final, ficamos a saber que o ser é alienígena.
O ser não veio cá para destruir, mas sim para mudar as coisas. E provavelmente nem notava que nós existíamos. Basicamente, para os alienígenas somos totalmente irrelevantes/insignificantes.

O final do filme, com a pergunta final e a íris dos olhos, é espetacular!

2 comentários

  1. Três notas:
    – no final não sabemos se foi a personagem da Natalie que matou o duplicado, ou se foi o duplicado!! No final, parece que foi o duplicado que sobreviveu, aliás o marido também é o ‘duplicado’!!!
    – Existem muitas referências ao Cancro, começa logo a cena inicial na aula… a personagem da ‘chefe’ estava numa fase terminal de Cancro…!
    – O filme é uma adaptação de um livro.

    https://www.youtube.com/watch?v=vdAfah15V-Y

    Abraços

    1. Eu não quis colocar o final no post 😉

      Mas sim, quem sobrevive é o duplicado da Natalie.

      Aliás, eu acho – não sei se o abidos também pensa assim – que mal eles/as entram na bolha, automaticamente transformam-se em duplicados. Daí sofrerem aquilo que pensam ser missing time, e daí terem sangue e células já do resto que existe dentro da bolha.

      As inúmeras referências ao cancro penso que é a forma do argumentista criticar os humanos, que são um cancro na Terra. É uma crítica muito utilizada na ficção científica.

      Se bem que o vídeo que enviou diz que o Shimmer é que é um tumor cancerígeno que vai crescendo…

      Sim, já tenho a trilogia de livros no meu “wish list” 😉
      https://en.wikipedia.org/wiki/Annihilation_(VanderMeer_novel)

      abraços!

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