Dust Angel

Sh2-160 (bicolor). Créditos: HST / Ruben Barbosa

“A chuva despertou-o perto da meia-noite, trazendo uma melodia celestial que percorria todo o seu corpo, um encantamento anunciado.

Abriu os olhos, um Anjo, azul celestial, intenso, fascinado pela diferença do que existia mas não se podia ver, um sonho de um reflexo interior, delirantemente conduzindo a sua inquietação e uma dúvida: já se haviam conhecido?

Abrigados numa árvore, o ar fresco espalhava harmonia, um perfume de rosa com jasmim, generosidade, sentimentos puros permitindo o essencial à vida, inesquecível recordação.

Ao fundo, luzes da cidade em estradas sinuosas cintilavam como estrelas no céu, e o ET recordava em segredo como um dos dias mais memoráveis da sua existência.

Passaram-se anos e conta a lenda que essa árvore jamais perdeu folhas… um querer tudo, uma magia secreta do coração, extraterrestre, sonhando com radiogaláxias, universo, big bang, espectros e nebulosas”.

Sara Mclachlan, Angel, uma fantástica melodia para acompanhar esta leitura.


Sharpless 2-106 (Sh2-106) é uma nebulosa de emissão e uma região HII (berçário estelar) na constelação de Cisne, com 2 anos-luz de comprimento e a 2.000 anos-luz de distância da Terra.

Num rápido olhar, Sh2 pode parecer uma nebulosa planetária devido ao seu aspeto algo simétrico mas na realidade trata-se de uma nuvem molecular gigante onde novas estrelas estão constantemente a ser formadas.

Então porque apresenta esta nuvem uma semelhança grande com uma nebulosa planetária?

A resposta reside na estrela central, bastante massiva (com 15 massas solares), que emite jatos de gás quente (cerca de 10.000°) pelos pólos, esculpindo o gás e originando a estrutura bipolar que observamos.

O gás envolvente é então ionizado pela estrela dando origem às estruturas azuis, que vão apresentando ondulação à medida que interagem com o gás presente no meio interestelar, em virtude de este se encontrar a temperaturas inferiores.

Estamos perante uma nebulosa de emissão, na qual os átomos da nuvem molecular são excitados pela radiação da estrela e quando decaem para níveis de energia mais baixos emitem a luz azul que visualizamos na imagem.

Por outro lado, o exterior do objeto, consiste numa nebulosa de reflexão, caracterizada nesta imagem por tons avermelhados que resultam da colisão da luz produzida pela estrela com pequenas partículas de poeira que acabam por não ser ionizadas.

Por norma, as nebulosas de emissão apresentam-se em tons avermelhados e as de reflexão em tons azulados devido ao espalhamento da luz; porém, nesta imagem as cores surgem trocadas porque foram utilizados apenas dois filtros na banda do infravermelho.

Uma visão aproximada em RGB, mostra as cores em conformidade com a descrição anterior:

Sh2-160 (RGB). Créditos: HST / Ruben Barbosa

Esta e outras imagens podem ser vistas na minha galeria!

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