Um Haltere de Algodão Leve ao Vento

Nebulosa do Haltere. Créditos: LTA/Ruben Barbosa.

No crepúsculo do verão, um paraíso de lírios cobre a paisagem azul e violeta, sinos ao vento, e pensamentos silenciosos escapam por entre as árvores, ecoando distantes como o som de um moinho rodando distante ao vento.

Imagino um mundo num espelho mágico em forma de concha, refletindo vida e sentimentos de quem o abraçou. Algodão leve ao vento, esculpindo poderosos laços celestiais com o olhar.

Tu és meu colibri. É assim que te vejo, não importa para onde eu olhe ou te procure! E a magia acontece, tu devolves-me o reflexo da tua alma moldado na minha, um quadro sobrenatural respirando palavras de amor.

Almas gémeas, formosa silhueta no estrelato exalando perfume inebriante, flor de Amarílis, despertando sentimentos de imortalidade e pureza eterna.

E qualquer que seja o mundo avistado, um colibri e sua alma gémea continuarão brilhando envolvidos no seu esplendor, uma só alma, vibrante, fervorosa, romântica, para sempre intensa, sem que a distância esmoreça a sua misteriosa existência.

@ Ruben Barbosa, in Astronomia com Poesia.

Um amigo costuma dizer-me que o encanto de um poema pode ser medido pelo número de vezes que sentimos vontade de o ler novamente. Se for esse o caso, fica aqui uma sugestão musical para acompanhamento: Piece for solo flute, Dead Can Dance, Toward the Within (1994).

Messier 27 (também conhecida como a Nebulosa do Haltere ou NGC 6953), é uma nebulosa planetária na constelação da Raposa, localizada à distância de 1.360 anos-luz da Terra e com um raio de 1,4 anos-luz.

A sua idade foi estimada em menos de 14.600 anos e a taxa de expansão até 2,3 segundos de arco por século.

Messier 27 é a segunda nebulosa planetária mais brilhante no céu, logo atrás da Nebulosa da Hélice, e a mais fácil de se observar por possuir um brilho mais elevado, tornando-a deste modo mais fácil de localizar.

O nome Haltere teve origem no astrónomo inglês John Herschel, que observou a nebulosa em 1828 e comparou sua forma com a de um haltere.

Este objeto é grande em tamanho e bastante brilhante, o que a torna popular entre os astrónomos amadores, podendo ser observado em binóculos ou através de pequenos telescópios. A nebulosa tem uma forma esférica e surge ao longo do plano do equador quando vista da Terra.

Nebulosas planetárias correspondem a um estado de evolução estelar que pensamos ser semelhante ao destino do nosso Sol quando estiver próximo do fim da vida (fim das reações nucleares). Nessa altura, a estrela ejetará as suas camadas externas, expondo o seu núcleo quente que então ionizará a nuvem circundante de material expelido com luz ultravioleta, fazendo-a brilhar.

Estima-se que a estrela central, uma anã branca, tenha um raio de cerca de 0,055 raio solar, conferindo-lhe um tamanho maior que a maioria das outras anãs brancas conhecidas. É uma estrela azulada extremamente quente com uma temperatura estimada de 85.000 K. Pensa-se que tenha uma companheira pouco brilhante (magnitude 17).

A Nebulosa do Haltere é mais de 100 vezes mais luminosa do que o nosso Sol. Isto deve-se ao facto da estrela central emitir radiação em regiões do espectro fora do visível, que é absorvida pelas nuvens de gás e reemitida na região do visível.

Como muitas nebulosas planetárias, o haltere contém pistas de poeira, evidenciadas por padrões de nós brilhantes e caudas escurecidas.

* Plataforma “O Universo em Fotografia”.

2 comentários

  1. Ruben,

    ” Um amigo costuma dizer-me que o encanto de um poema pode ser medido pelo número de vezes que sentimos vontade de o ler novamente.”

    Este é de facto o caso que acontece com o teu texto!
    Muitos Parabéns. Ainda não ouvi a musica mas vou ouvir…Gosto muito desse grupo, mas não estou a reconhecer esta música…

    Como já te disse noutra publicação, tu tens um Dom e estás a fazer uso dele, e isso é magia!

    Tudo de Bom para ti e para os teus!

    Dilma

    1. Dilma, fico muito grato pelas tuas palavras que se percebe serem muito sentidas e generosas. Até breve 🙂

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