Doutor Estranho

Vi, finalmente, o filme do super-herói da Marvel chamado Doctor Strange.

Após perder a sensibilidade das mãos num acidente de carro, o neurocirurgião Stephen Strange deixa a sua carreira, para passar a defender o mundo de ameaças místicas, incluindo noutras dimensões.

Este é um filme que proporciona um bom entretenimento.
O filme é visualmente muito bom, sendo que fica a ganhar com os elementos cómicos/humorísticos que apresenta.

Durante várias cenas de ação, existe uma “mudança de gravidade” – em que eles estão no chão, normalmente, e a seguir colocam-se nas paredes dos edifícios, como se fosse o chão, já que a realidade muda de percepção.
Existe igualmente a criação e a manipulação de uma nova realidade física (prédios) à volta das personagens.
Neste aspeto, fez-me lembrar o filme Matrix. Mas sobretudo fez-me recordar o filme Inception.

Como é costume, gostei de ver o cameo de Stan Lee: a ler The Doors of Perception, de Aldous Huxley, onde o autor pormenoriza as suas experiências alucinatórias quando tomou mescalina.

No final do filme, percebe-se que irá haver uma sequela, onde o feiticeiro Mordor será o vilão.

Não consigo entender: se ele tem o dispositivo de voltar atrás no tempo, porque não faz a Anciã voltar a viver? Ou melhor, porque não volta ele ao tempo em que tinha mãos funcionais?

Este é um filme que definitivamente promove as ideias pseudo.

O filme reivindica a existência de “energias místicas“.

Logo no início, o feiticeiro no Nepal diz ao Dr. Strange: “Esquece todo o conhecimento que tens”.
Ou seja, é um filme que promove a ignorância sobre o mundo.

O filme também promove a treta de que cada pessoa se pode curar a si própria: cura pela crença.

Por fim, o filme promove o absurdo de que as almas das pessoas podem sair do seu corpo, e andam “por aí” a viajar na suposta dimensão astral…

Quando o Dr. Strange viaja pela dimensão astral, a Anciã pergunta-lhe: “O que é real?” – fez-me lembrar o documentário pseudo-religioso “What the Bleep do We Know?

O filme mistura multiverso com outras dimensões, o que não faz qualquer sentido: OU estão a falar de outras dimensões dentro de um mesmo Universo OU estão a falar de outros universos naquilo que se convencionou chamar de Multiverso.

No filme, percebe-se que os feiticeiros viajam por outras dimensões, não por outros Universos.
Mas, segundo dizem, os feiticeiros retiram energia de outros universos… sem explicarem como o fazem e sem necessidade de o fazerem, pelos vistos.

Este é mais um filme que promove a ideia de que a Terra é o local mais importante do Universo, e que os seres humanos são os seres mais poderosos do Universo.
Assim, é mais um filme a promover o geocentrismo psicológico.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.