O Enigma da Rosa Vermelha

Nebulosa da Roseta. Imagem processada em banda estreita (SHO), com remoção de estrelas.
Créditos: Irving Pieters / Ruben Barbosa.

“Sonhei-te pura e límpida como uma deusa, porque acendeste em mim aquela chama que todos os poetas hesitam em nomear;

em ti julguei vislumbrar, difusa e distintamente, o infinito reflexo de todas as coisas existentes, o Alpha e o Ómega de todo o passado e de todo o futuro;

a ti prestei culto, como só os loucos ou os fanáticos o conseguem, louca e fanaticamente;

por ti renovei, pleno de temor e esperança, aquela busca de um tempo há muito perdido e esquecido, de um espaço há muito fechado e selado, neste coração de trevas feito;

por ti milagrosamente renasci da miséria e da ruína a que, implacável, a vida me conduziu;

contigo me curei da cegueira que me afligia;
contigo me libertei das correntes que me prendiam;
contigo despertei do pesadelo em que vivia;
contigo passei a sonhar a vida e a viver o sonho;
como convém a todos os que aspiram à divindade.

Por tudo isso eu te digo: Já não estou morto, estou apaixonado,
amo-te sem qualquer razão, adoro-te sem porquê, porque és, simplesmente, ou porque, sublime, não longínqua e misteriosa, guardas o silêncio vivo que há na rosa.”

© João Carlos Silva em Astronomia com Poesia.

Nebulosa da Roseta. Imagem processada em banda estreita (SHO).
Créditos: Irving Pieters / Ruben Barbosa.

A Nebulosa da Roseta é uma das mais maravilhosas nuvens de gás que podemos contemplar e a sua localização é propícia a observações a partir dos dois hemisférios, bastando uns binóculos ou telescópio de pequeno porte; como tal, é um dos alvos mais apreciados pelos astrofotografos.

Na direção da constelação de Monoceros, braço de Perseus, podemos encontrar esta nuvem molecular esférica com 130 anos-luz de diâmetro, à distância de 5.000 anos-luz.

Trata-se de uma região HII com massa estimada em 10.000 massas solares, onde novas estrelas estão constantemente a ser formadas.

Nebulosa da Roseta. Imagem processada em H-alpha com cores RGB.
Créditos: Maicon Germiniani  / Leandro Fornazieiro  / Irving Pieters / Ruben Barbosa.

Na zona central localiza-se o aglomerado aberto NGC 2244 constituído por estrelas quentes, maciças, formadas recentemente a partir da matéria da nebulosa. Destacam-se duas estrelas, com cerca de 55 massas solares (cada uma) e cerca de 450.000 vezes mais brilhantes que o nosso Sol.

A poderosa radiação das estrelas quentes excita os átomos da nebulosa provocando o brilho que observamos; os fortes ventos solares das estrelas centrais estão a limpa a área envolvente, empurrando o gás e poeira para a periferia, contribuindo para a forma esférica da nebulosa, bem como para a formação de novas estrelas (devido à compressão do gás).

Nebulosa da Roseta. Imagem processada em H-alpha com cores RGB.
Créditos: Maicon Germiniani  / Leandro Fornazieiro  / Irving Pieters / Ruben Barbosa.

Seguidamente, um retrato da família resultante do Workshop de Processamento de Imagem de Céu Profundo realizado no Observatório Astronómico e Geofísico da Universidade de Coimbra em 2 de março de 2019.

Nebulosa da Roseta. Aquisição de dados: Irving Pieters.

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