Jo Cameron tem super-poderes?

Crédito: Peter Jolly / REX / Shutterstock

Tenho escrito sobre filmes com super-heróis. Os super-heróis têm super-poderes.

Jo Cameron é uma cidadã escocesa com 71 anos.
Jo tem o que muitos considerariam ser super-poderes.

Os seus 4 super-poderes são:
1 – é insensível à dor. Ela pode se queimar, cortar ou até cair e partir ossos, que não sente qualquer dor. Quando se queima, por exemplo, só se apercebe disso quando sente o cheiro a carne queimada.
2 – as suas feridas regeneram-se rapidamente, sem deixar quaisquer cicatrizes.
3 – os seus níveis de ansiedade são sempre muito baixos. Não stressa com nada. Não tem medo de nada. Nem entra em pânico.
4 – tem uma atitude super-positiva perante os desafios da vida. Este poder está relacionado com o anterior.

O facto de ser otimista, parece-me uma característica de personalidade que muitos têm.
O facto de ter os níveis de ansiedade bastante baixos, pode ser positivo (por exemplo, quando ela teve o acidente de viação manteve-se calma), mas também pode ser negativo (porque ter medo é uma vantagem evolutiva).
O facto das feridas cicatrizarem bastante bem é claramente uma vantagem.

O facto principal – não ter dôr – pode também ser vantajoso e desvantajoso.
Dispensar anestesia nos dentistas (e similares) é uma enorme vantagem.
Mas a dôr é importante como alerta de que algo está mal. Se o nosso corpo não nos consegue transmitir estes avisos, então, como compreendem, poderemos ter problemas bastante graves dos quais nem nos damos conta.

Curioso que estes poderes trazem outros problemas, como falhas de memória.

Conclusão: estes não são verdadeiros super-poderes…

A causa destas diferenças em Jo está na genética.
Jo Cameron tem duas mutações genéticas. Em todo o mundo, só se conhecem duas pessoas com ambas as mutações.

Uma das mutações controla uma enzima chamada FAAH.
Ela desempenha um papel importante na sinalização da dor, no humor (estado de ânimo) e na memória.
Por isso é que Jo não sente dor, não sofre de ansiedade, é bastante otimista, e tem falhas de memória.

A segunda mutação na verdade é a falta de um gene, que os cientistas chamaram de FAAH-OUT.

Estes podem não ser verdadeiros super-poderes.
Mas estas mutações nos genes podem ser muito valiosas para a Humanidade.
Os cientistas estão a investigar cientificamente estas mutações.
Estas investigações podem levar a que no futuro existam analgésicos muito mais eficazes que os atuais, sejam desenvolvidos melhores medicamentos contra as dores crónicas, sejam otimizados tratamentos para feridas ou úlceras, sejam avançadas formas mais rápidas de cicatrização, e sejam melhor tratadas as perturbações de ansiedade.

Fontes: artigo científico, artigo científico, comunicado de imprensa, Science Alert, ABC, BBC, Público, Observador.

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