Eclipse Solar
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"I look up. Incredible! It is the eye of God. A perfectly black disk, ringed with bright spiky streamers that stretch out in all directions." Jack B. Zircker (1984)
"[...] A luz, (como descrevê-la?) era como se a maior tempestade já vista fosse desabar; no entanto havia Sol no horizonte. [...] Saímos das trevas e retornámos à luz, à vida. Não consegui pensar em nada além mais de nascimento, sim, era isso, nascera, estava vivo e transmudado.[...]" José Carlos Diniz (1994)
"Era irreal, sim, uma experiência surreal. O nosso cérebro busca algo, uma explicação! Remexe nos mais recônditos locais, confuso com o que observa. Ficamos momentaneamente integrados como um todo na Natureza. Senti-me tão encantado pela coroa solar que a olhei durante 2 longos minutos sem desviar o olhar." Jorge Mota Almeida (2006)
Na verdade, o eclipse solar total é uma designação errónea, mas mantém-se por tradição. Um eclipse implica sempre a projecção de uma sombra de um corpo sobre um outro corpo. No caso do "eclipse do Sol", não há nenhum corpo que projecte sombra sobre o Sol. O que sucede é que a Lua oculta, passa defronte do disco do Sol tapando-o, ocultando-o, assim sendo, o fenómeno deveria ser chamado ocultação da Lua ao Sol.
Contudo, existe um eclipse parcial da Terra numa situação de "eclipse solar total", uma pequena porção da Terra vai sendo oculta - para quem estivesse teoricamente na superfície da Lua - pela sombra projectada pela Lua na superfície daquela.
Entre os eclipses solares, poderão surgir situações várias, (....) entre as quais: eclipse solar total; eclipse solar parcial; eclipse anular e eclipse híbrido.
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[editar] Eclipse solar total
É IMPORTANTE que leia o "Manual de segurança da observação do eclipse solar total" antes de continuar.
Em Portugal Continental, o próximo eclipse solar total terá lugar apenas a 12 de Agosto de 2026 por terras transmontanas, e será o único eclipse solar total neste século, até ser visível novamente no Algarve a 17 de Julho de 2205. Por curiosidade, no Brasil, o próximo eclipse solar total terá lugar apenas a 12 de Agosto de 2045, no Norte do país; passado quase um ano, decorrerá a 2 de Agosto 2046. Haverá um curto interregno e a 11 de Maio de 2059 e finalmente a 30 de Abril de 2060 (este passará quase a rente à costa) ocorrerão mais dois eclipses.
A totalidade corresponde ao intervalo de tempo que decorre desde o início do contacto II até ao contacto III. A duração máxima teórica de um eclipse solar total na totalidade é de 7 min 31 s. Um acontecimento muito curioso, que ocorre alguns minutos antes do contacto II e após o contacto III, reside na formação de bandas de sombra. Notam-se bandas alternadas de luz difusa com zonas mais sombrias em superfícies claras e planas. Daí aconselha-se o uso de folhas ou de toalhas brancas estendidas ou então a observação de paredes alvas. De notar que estas bandas, numa fase inicial, manifestam-se de forma aleatória as quais, à medida que se aproxima o segundo contacto, se vão organizando e tornando lineares bem como devidamente alinhadas. Acompanhando estas mudanças, à medida que o segundo contacto se avizinha, nota-se invariavelmente um incremento de contraste, ao contrário do espaçamento entre as bandas que vai decrescendo. As bandas de sombra são a expressão da cintilação do Sol, que não são vistas no dia-a-dia dado o considerável diâmetro aparente da estrela Sol assim como o intenso brilho que emana. Ao contrário do que se vê em muitos livros, as bandas de sombra ainda carecem de um modelo científico que as explique satisfatoriamente, embora já se saiba que são afectadas pela turbulência da atmosfera, entre outros factores. Também é falso afirmar que um céu limpo é sinónimo de garantia de visibilidade destas bandas. Uma boa estabilidade atmosférica, a inexistência de ventos até 2 km de altura bem como ventos fortes impossibilita ou, pelo menos, dificulta sobremaneira a visualização de bandas de sombra.
Como nota curiosa, a formação destas bandas é mais favorável em eclipses longos relativamente a eclipses de curta duração temporal. Adicionalmente à formação destas bandas de sombra, aquando a aproximação do eclipse solar total é impressionante a quebra de luminosidade que também se traduz por um decréscimo considerável de temperatura podendo chegar até aos 20 °C ou apenas descer cerca de 2 °C, ou seja, há grande variação de eclipse para eclipse. A par destes parâmetros, também a humidade relativa sofre perturbação, e normalmente o seu valor incrementa durante a totalidade, dado que a temperatura baixa; no entanto, a humidade atmosférica não é afectada. Até quinze minutos antes do segundo contacto é possível notar algo de especial que é a percepção do movimento da umbra lunar. Durante este movimento também se aconselha a apreciação da mudança gradual de cores desde o horizonte até ao zénite à medida que a totalidade se vai aproximando.
- A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DE UM ECLIPSE SOLAR TOTAL:
O eclipse solar total além de ter suscitado muitos sentimentos de medo e admiração ao longo da História, serviu como meio de estudos científicos. Eclipses solares totais já foram e ainda estão a ser usados em várias pesquisas científicas, além da monitorização das vizinhanças do Sol, aproveitando o contraste gerado pela umbra lunar. Através do eclipse solar total foi possível comprovar um dos aspectos da teoria da relatividade de Einstein em que corpos de grande massa como o Sol podem deflectir a luz dado que o Sol cria uma deformação na teia espaço-tempo. A Relatividade Geral de Einstein liga a presença de massa à geometria local do espaço-tempo. Não se diz que a massa "exerce força gravitacional", tal como defendia Newton, mas que as partículas, ou mesmo a luz, se deslocam livremente pelo espaço-tempo, segundo geodésicas (isto é, linhas segundo as quais a distância entre dois dados pontos é mínima). O espaço-tempo (que é quadridimensional) sofre uma curvatura, devido à presença da massa, por exemplo, do Sol. Nas proximidades dele, a curvatura é mais acentuada. Isso faz com que a luz das estrelas, ao percorrer a geodésica, se desvie da recta. Devido a este fenómeno, as posições aparentes das estrelas, vistas por um observador na superfície terrestre, são significativamente modificadas, quando estas se encontram próximas do disco solar no céu. Como o brilho excessivo do céu próximo do Sol dificulta a observação dessas estrelas, a situação ideal para fotografá-las é a de um eclipse solar total. Comparando as suas posições com as que já se conhecem (ou seja, quando estão longe do disco solar), calcula-se um desvio que concorda excepcionalmente com as previsões teóricas da Relatividade Geral. Actualmente, imagens em vários comprimentos de onda das coroas internas e externas têm sido usadas para se compreender melhor os complexos processos magneto-hidrodinâmicos que contribuem para o aquecimento do plasma da coroa solar a temperaturas até 1 ou 2 milhões de graus Celsius. Por sua vez, registos espectroscópicos têm informado os cientistas sobre a composição e temperatura das regiões mais externas do Sol. O "flash spectrum", por exemplo, obtido quando a fotosfera já está totalmente ocultada pelo disco lunar, mostra a composição da cromosfera. Alguns pesquisadores têm usado mapas da actividade da fotosfera para prever qual o aspecto da coroa solar durante eclipses. Tais correlações são importantes para determinação dos efeitos dos buracos coronais, helmet streamers, flares, proeminências, manchas solares entre outros, sobre as características observadas da coroa solar. Há um fenómeno muito curioso conhecido como efeito de Allais no qual se verifica supostamente uma oscilação anómal num pêndulo aquando o decorrer de um eclipse solar total, cujas causas não estão devidamente esclarecidas. Outro aspecto importante e que despertará o interesse neste eclipse solar total serão os hipotéticos... vulcanóides. Segundo artigo veiculado na Sky & Telescope de Janeiro 2006, o que se passa é que nos próximos eclipses solares totais vai haver busca por vulcanóides - possíveis asteróides residentes entre a órbita de Mercúrio e a estrela Sol. Recentes modelos elaborados por Neil Evans (Universidade de Oxford) e Serge Tabachnik (do Observatório da Universidade de Princeton) sugerem que os asteróides vulcanóides, se de facto existirem, residirão numa banda estreita e estável entre os 0,08 UA e 0,18 UA. A menos de 0,08 UA estariam sujeitos a maior força gravitacional, além do aquecimento extremo do Sol, a mais de 0,18 UA seriam ejectados... Vistos da Terrra, eles não deverão ter mais de 10,5º de separação angular em relação ao Sol. Suspeitas incidem na maior probabilidade de residirem a 0,08 UA o que torna ainda mais difícil a busca, além do mais a interacção da gravidade de Mercúrio e mesmo de outros planetas poderão deslocar estes asteróides a pouco mais de 10º em relação ao plano da eclíptica. Já se tentou procurar os vulcanóides em 2000 (a busca é mais precoce ainda... Suspeitas dos asteróides em questão já tiveram início em 1859 por Le Verrier.. que mais pensava, na verdade, de um planeta Vulcano que poderia explicar eventualmente o movimento anómalo de Mercúrio.) Daí, que a partir de agora, os eclipses solares totais servirão para ir em busca desses vulcanóides. É preciso uma câmara CCD e registar por alguns intervalos de tempo a zona em redor do Sol aquando a totalidade. Convém usar filtros Wratten para filtrar o comprimento de onda verde da coroa, isto porque se suspeita que os vulcanóides sejam um pouco em termos de cor tal qual o planeta Mercúrio... o uso de filtros é com objectivo de aumentar o contraste e facilitar a busca dos asteróides vulcanóides. Além desta importância, registos históricos de eclipses solares totais têm sido usados para a determinação de variações na velocidade de rotação da Terra e cálculo da diferença ΔT, entre o Tempo Uniforme (TDT) e o tempo baseado na rotação da Terra (TU ou TU1). Os eclipses solares já foram usados (e ainda continuam a sê-lo) para a determinação de alguns parâmetros astrométricos, como o raio lunar médio (principalmente durante eclipses onde os raios aparentes do Sol e da Lua praticamente coincidem ou nas áreas onde o eclipse é visto como rasante) e também como teste de programas de previsão desses eventos. Outras pesquisas focam as mudanças atmosféricas e meteorológicas, incluindo o interessante fenómeno das bandas de sombra e a difusão da luz residual do Sol, e a visibilidade de astros. Biólogos têm estudado o comportamento dos animais e plantas durante a passagem da umbra lunar. E, naturalmente, existem muitos outros estudos mais complexos, relativos a pesquisas de Astrofísica.
Eclipses solares do passado
* 29 de Março de 2006 - não visível em Portugal Continental como total, apenas como
parcial na zona Sul
Eclipses solares actuais
* 1 de Agosto de 2008 - não visível em Portugal Continental nem como total nem como parcial.
Eclipses solares do futuro
* 12 de Agosto de 2026 - visível em Trás-os-Montes com período inferior a 20 s de totalidade.
[editar] Eclipse solar parcial
[editar] Eclipse anular
[editar] Eclipe híbrido
[editar] Eclipses anulares
[editar] Eclipses mistos
[editar] Eclipses lunares
[editar] Total lunar
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