Programa Encontros Imediatos

A 6 de Abril de 2008 começou no Canal 2 da RTP o documentário “Encontros Imediatos“.
Foram 13 episódios (sempre aos domingos) que deram a conhecer os casos OVNI mais significativos ocorridos em território nacional nos últimos 50 anos, estudados pelas organizações CEAFI e CNIFO principalmente (agora CTEC e PUFOI).
Cada programa versou um caso, com entrevistas às testemunhas, aos inquiridores envolvidos e a comentários sobre o acontecimento.
Esperava-se que o programa lançasse luz sobre o que foi/é a investigação séria em Portugal sobre o fenómeno OVNI, longe do folclore ET.

1º Episódio – Alfena
“Neste programa revisita-se o caso ocorrido em Alfena em 1990 em que dezenas de habitantes de diferentes idades observaram um estranho objecto durante cerca de 50 minutos. Um fotógrafo local conseguiu captar quatro instantâneos de grande qualidade que permitiram um estudo da forma e características do OVNI.”



O José Matos disse que este episódio (e toda a série!) ficou aquém das expectativas. De curta duração e baseada nos arquivos do CTEC, girou à volta dos próprios investigadores do CTEC, que pouco adiantaram à análise do fenómeno. Concluiu dizendo que falta investigação céptica e profunda a estes fenómenos.
O Paulo Heleno pautou-se pelo mesmo diapasão, dizendo mesmo que o programa é um perfeito “flop” – uma verdadeira desilusão.
O Luís Ribeiro disse que não gostou do programa. Considera que foi melhor do que qualquer outro que tenha passado na TV, inclusivé até programas estrangeiros. Mas podia ser muito melhor. Pensa que faltou no programa comentários independentes, de alguém não ligado ao CTEC – ficou tudo no seio da familia.
Eu achei que o programa poderia ter sido muito melhor! Em termos positivos, penso que foi um dos melhores episódios de toda a série e com um caso que é verdadeiramente não-identificável. Penso que ao menos se deu informação sobre o caso mais complexo que aconteceu em Portugal, e só por isso já é um episódio interessante. No entanto, realmente ficou aquém das expectativas. Em termos negativos, não se percebe o que dizem as cartas, a linguagem utilizada é demasiado elitista (certos investigadores são péssimos comunicadores), os investigadores falaram demais o que torna o programa borrecido, parece que o episódio é sobre membros do CTEC e não sobre o caso, parece que o programa foi feito de forma amadora, e o som da máquina de escrever é antiquado. Pareceu-me sobretudo um programa pouco “engaging”, em que os “pensadores” do programa estão parados no tempo – no mundo de há 30 anos atrás. Na prática fez-me recordar o programa TV Rural dos anos 70 – agora seria um programa antiquado e sem audiência. O que se quer de um programa é que esteja actual e olhe pró futuro – mesmo usando um exemplo do passado. Este programa parece ter sido feito no passado distante – não tem qualquer dinâmica, é aborrecido e antiquado.

2º Episódio – Évora
“Em Novembro de 1959, em Évora, foram observados dois objectos a sobrevoar a cidade. O avistamento foi seguido da queda de filamentos brancos, os chamados “cabelos de anjo”, durante perto de quatro horas. O professor Joaquim Guedes do Amaral foi testemunha deste caso e também um dos seus principais investigadores, constituindo um dos casos mais atípicos da fenomenologia OVNI nacional.”



O que me apraz dizer?
– tal como já tinha dito em relação ao 1º episódio, por mais que se critique, o facto é que pelo menos se faz alguma coisa em Portugal e se dá alguma informação precisa sobre os casos investigados.
– tal como também já tinha dito, só isto, e o facto da informação ter sido investigada por investigadores competentes que vêem assim o seu trabalho divulgado da maneira que eles esperam, já torna a série interessante, quanto mais não seja da perspectiva sociológica.
– fiquei mais contente com este 2º episódio do que com o 1º episódio.
– este episódio esteve muito melhor estruturado que o 1º, o que o tornou mais interessante.
– desta vez houve menos tempo com os investigadores a falarem, o que notoriamente subiu a qualidade e interesse do episódio.
– em termos de investigadores, penso que o Raul Berenguel esteve bem, o Joaquim Fernandes continua com uma comunicação, na minha opinião, elitista, e não percebo porque retiraram o Mário Neves (que no 1º episódio penso que foi o que se explicou melhor).
– houve entrevistas a pessoas exteriores à CTEC, que obviamente aumentam a dinâmica do programa (dinâmica essa que faltou no 1º episódio).
– a certa altura dizem que o CEAFI deu lugar ao CTEC. E a PUFOI? Foi esquecimento ou algo mais?
– não percebo porque continuam a mostrar cartas que não se conseguem ler…
– o objecto lenticular não era um dirigível – zeppelin?
– só há 1 testemunha do OVNI? Se é só o Professor Amaral, então não existe caso… ou então não se pode falar de processo científico.
– a certa altura fala-se do microorganismo do espaço, como vindo “do” disco voador; o que é um “non-sequitur”. Não tem nada a ver. Felizmente o Raul Berenguel pôs os “pontos nos iis” uns minutos mais tarde.
– este caso já tem 50 anos, o que lhe retira actualidade e importância temporal.
– fiquei surpreso quando a certo momento dizem que a investigação deste caso foi feita somente 20 anos após ter acontecido. E só com base em relatos… Como disse em cima, isto faz com que não se possa dizer que o caso foi analisado cientificamente.
– no geral, fico ainda com a percepção que é um programa dos anos 70.
– por fim, compreendo que a minha análise possa ser demasiado subjectiva, já que tenho um conhecimento razoável do caso de Alfena, e bastante limitado do caso de Évora, o que pode fazer com que tenha uma “bias” de mais interessante para o 2º episódio já que trata do que para mim é mais desconhecido.
Concluindo: o 2º episódio pareceu-me melhor que o 1º. Mas ainda há bastante espaço para melhorar muito mais.

3º Episódio – Ferreira do Alentejo
“Na madrugada de 14 de Agosto de 1995, Jorge Lota, um pastor de Ferreira do Alentejo, dormia junto ao seu rebanho. De súbito acordou com um som estranho e reparou que não se conseguia mover. Ao olhar para cima observou um bizarro objecto voador que projectava uma luz azul sobre ele. Entretanto duas luzes de cor laranja movimentavam-se junto ao solo, assustando as suas ovelhas.”



– parece-me que foi bem melhor que os dois anteriores. Foi excelente, por exemplo, terem ido de volta ao Alentejo encontrar o pastor novamente. Da mesma forma, tornou-se muito mais interessante, em termos sociais, ter as testemunhas a falar mais.
– continuo sem perceber qual a ideia de no início se ouvir o escrever do caso à máquina. Em 1995, ainda se escrevia à máquina? Eu lembro-me de já haver computadores…
– quanto à contribuição da Maria Helena Durão, sinceramente, estava a ouvir e a rir-me à gargalhada. Ela considera que é muito estranho um pastor imaginar que viu algo! Assim de repente lembro-me da história do Villas-Boas, do Travis Walton (lenhador), entre muitas do género. São coisas perfeitamente naturais, com montanhas de relatos similares. Ela acha que “não cabe na cabeça de ninguém”. Está visto que não fez o trabalho de casa, em termos de casos históricos. Aliás, ainda em 1998, a SIC fez uma experiência similar em Monsanto e teve resultados similares. Colocaram um foco de luz no topo duma montanha, e depois era só gente a dizer que aquilo eram OVNIs, outros a telefonarem a jurarem a pé juntos que os OVNIs tinham várias luzes de cores diferentes por baixo! E até já tinham passado a voar muito depressa sobre a sua casa! E até houve um bombeiro, que estava a tremer em pânico com aquilo que via, e até confirmou que o rádio da sua ambulância deixou de dar durante uns tempos!! (lembram-se dos Ficheiros Secretos, onde tudo isto acontecia?) Repito: tudo não passava de um foco estacionário no cimo duma montanha! Por isso, se há coisa que se devia assumir é que não se deve subestimar o poder de imaginação das pessoas, e o poder que os Media têm nessa mesma imaginação.
– neste caso, o pastor adormeceu porque estava cansado. Quando acordou, teve a chamada paralisia do sono e daí que começou a imaginar coisas estranhas à sua volta. Nada mais natural.
– o Cassiano Monteiro esteve muito bem quando afirmou que a explicação mais provável será o pastor ter confundido estrelas, planetas, ou aviões.
– como é óbvio, estas investigações – feitas de forma competente – são necessárias. No entanto, não façamos mais do que aquilo que é…

4º Episódio – Ferreira do Zêzere
“Numa noite em Abril de 2000, uma médica regressava do Algarve para a sua morada. Ao passar pela zona de Ferreira do Zêzere observou uma peculiar nuvem que parecia seguir o carro ao longo do seu percurso. Assustada, a testemunha decidiu passar a noite num hotel da região. Algum tempo depois deste incidente notou que tinha uma cicatriz de 14 centímetros no pescoço cuja origem não conseguiu identificar. Depois de uma terapia de hipnose regressiva, esta médica aparentemente relembrou uma história clássica de abdução por extraterrestres.”



A série continua com problemas que já vêm de episódios anteriores.
No entanto, desta vez parece-me bastante pior, porque o caso é ridículo.
– o Joaquim Fernandes, que não é cientista, começa por dizer que isto anda em debate no meio científico; isto é falso. Poderia dizer que ele está a mentir publicamente, mas não é o caso. O que se passa é que ele além de não saber o que é ciência, não está dentro do que se passa no meio científico a este nível, e por isso imagina que no meio científico até se discute isto. Ele é historiador, e os seus ajudantes também são de áreas sociais; daí que ele confunde sociologia com ciências naturais, e imagina que no meio científico, casos destes sejam discutidos. Análises sociológicas são importantes, e é isso que ele faz. Mas confundir isso com ciência, é enganar-se a si próprio e mentir aos outros.
– a doutora vinha a conduzir e viu nuvens no céu. Não há nada de sobrenatural aqui.
– a doutora pensou que a nuvem tinha a primeira letra do seu nome. Há quem veja até o nome todo, e há quem veja coelhos e outros animais nas nuvens. Não há nada de estranho aqui.
– a doutora pensou que a nuvem a seguia. Quem já conduziu a olhar para a Lua também pensou isso. Até o Buzz Aldrin já foi perseguido pelo planeta Vénus!!! Nada de anormal aqui também.
– a doutora pensou que a nuvem mudava de côr. Bem, nada de anormal aqui também. E sobretudo se se pensar em auroras boreais…
– a doutora ia a conduzir e começou a falar ao telemóvel. Nada de anormal… apesar de ser ilegal.
– a doutora falou com a sua filha, que provavelmente na altura até via os Ficheiros Secretos, e por isso começou a imaginar coisas. Nada de anormal aqui também.
– ou seja, até aqui não há caso!
– começa a haver caso quando? Quando ela vê a cicatriz e depois faz a regressão hipnótica.
– quanto à cicatriz, que ela descreve como sendo enorme, não percebo como ela pode andar 3 a 4 semanas com uma cicatriz no pescoço sem a ver! E depois quando se está a pintar, naturalmente, repara nela. Não se pintou nem se olhou ao espelho durante quase 1 mês? É deveras estranho…
– e nem sequer vou entrar no facto dos supostos extraterrestres usarem instrumentos que ela nunca viu, mas seres tão avançados, mas tão avançados que conseguem viajar entre as estrelas, e ainda deixam cicatrizes naquilo que tocam! Por outro lado, os extraterrestres não querem ser vistos, e por isso “atacam pela calada” e de forma a não serem lembrados… mas qual é o resultado? Eles são tão estúpidos que não percebem que deixam uma cicatriz, nem percebem que uma simples regressão feita por uns descendentes de macaco consegue “reavivar as memórias escondidas”.
– este é o grande problema dos defensores das abduções e das regressões: é quererem tudo! Querem que os ETs sejam extraordinariamente superiores, e extraordinariamente estúpidos. Não faz qualquer sentido, para quem use a lógica, sentido crítico, e um mínimo de espírito científico; em vez de enveredar pelo caminho das crenças.
– quanto à Regressão Hipnótica, o que nos diz a ciência? Não pode fornecer provas, porque normalmente é feita por pessoas que influenciam os clientes. E é o caso da Gilda Moura. Quem conhece e leu livros da Gilda Moura, sabe que ela vê extraterrestres nas experiências de regressão. E tal como é dito no episódio, mesmo inconscientemente, ela guia, impondo memórias falsas nas pessoas. Aliás, como se pôde ver no programa, os brasileiros (o mesmo se pode dizer dos americanos) comandam nesta categoria. As ideias New Age, de Religião, Crenças, etc, pululam as mentes destes auto-proclamados investigadores que fazem Regressões Hipnóticas. Os “investigadores” que crêem em vidas passadas, levam os seus clientes a lembrarem-se de vidas passadas; os que crêem em extraterrestres, levam os clientes a lembrarem-se de abducções (como neste caso); os que crêem no diabo, levam os clientes a pensar que foram amaldiçoados; os que crêem que as experiências são fruto de traumas de infância, levam os clientes a pensar que os seus pais eram pedófilos (já há “investigadores” – ponho entre aspas, porque para mim são pseudos – que foram parar à prisão, aqui, por causa disso); etc. Há imensa literatura sobre isto. Uma coisa é certa: isto não é ciência.
– como uma das entrevistadas disse, isto tem a ver com religião, com simbologia, com a parte social e psicológica de uma pessoa.
– tudo isto não passa de crenças, neste caso em naves extraterrestres que supostamente estão muito interessadas em nós. Mas crenças não são ciência. Crenças são passíveis de e devem ser estudadas pela sociologia, psicologia, etc; mas confundir isto com Física, por exemplo, e afirmar que o meio científico anda a estudar isto, é pura ignorância ou pura mentira.
– e é pena. Porque o programa poderia ser muito melhor se tivesse uma base científica, se os casos fossem comunicados de forma mais eficiente, se não houvesse esta constante aura de mistério sobre casos que de misteriosos têm muito pouco, e se não houvesse este aproveitamento no uso verbal da palavra ciência para algo que notoriamente tem pouco de ciência (à boa maneira da pseudo-ciência, como a astrologia).
– ou seja, no meu entender, isto não ajuda a ovniologia; muito pelo contrário. Faz com que a ovniologia continue a ser vista como estando ao nível da astrologia. Faz com que os ovniologistas continuem a ser vistos como astrólogos, como pseudos. E isto porquê? Porque é assim que eles se “vendem” em programas como este. Usam a palavra ciência de forma muito pouco… científica.

5º Episódio – Lemos Ferreira
“Ao início da noite de 4 de Setembro de 1957, uma esquadrilha de quatro aviões a jacto F-84 liderada pelo Capitão Lemos Ferreira saiu da base da OTA para um voo de treino. A rota incluía passagens sobre as cidades de Córdoba e Cáceres, em Espanha. Durante a missão observaram um estranho objecto luminoso que sofreu várias alterações de tamanho, forma e côr. Mais tarde saíram quatro esferas do interior do objecto principal que se precipitaram contra os jactos, obrigando-os a uma manobra evasiva.”



– apesar de ser um caso que já tem 50 anos – ou seja, datado -, parece-me que é uma história bem interessante. Melhorou em relação ao anterior pelo facto do caso já não ser ridículo.
– continua a irritar-me a máquina de escrever no início do episódio e a música de fundo.
– o facto da série continuar a parecer ter sido realizada no final dos anos 70 é também muito mau.
– em termos positivos no episódio, existe algo que já existiu em episódios anteriores: o Joaquim Fernandes tem falado pouco – só no inicio e no fim do episódio. Tendo em conta as dificuldades de comunicação que detém, isto é um claro sinal de inteligência. Tendo em conta que ele é o mentor do projecto, e no entanto “deixa” que outros tenham mais minutos de antena que ele, então isto também denota generosidade da sua parte.
– por outro lado, reparei que a produção decidiu-se por repetir por duas vezes a mesma história (contada pelo narrador e pelo general Lemos Ferreira), em vez de aproveitar esse tempo quiçá para falar mais da ciência que poderia explicar o caso.
– os investigadores, produtores, escritores, ligados ao programa continuam sem perceber a mais elementar lógica, e entram por raciocínios que fazem inveja aos argumentos pseudo. É certo que o general e o resto dos pilotos tinham competência aeronáutica, que têm experiência de vôo. Mas não é isso que está em causa. Usar isso como argumento para o caso ser inexplicável é um perfeito disparate. Eles por acaso são especialistas em, por exemplo, óptica? Ou geomagnetismo? Não! Eles nem sequer devem ter background em astronomia, tal como o próprio Buzz Aldrin (2º homem na Lua!) afirmou na CNN quando descreveu uma experiência sua (afinal tinha sido Vénus!). O General ter muitas horas de vôo não faz dele um bom físico. Assim como o facto de eu ter um curso de astronomia não faz de mim um excelente trolha. Ou seja, a competência numa área não faz da pessoa especialista noutra. E o uso desse argumento pseudo, de apelo a uma falsa autoridade (porque a autoridade é sobre uma área que não é relevante), deturpa o caso.
– eu até sei que sao bons investigadores, com experiência, competentes, empenhados, e sérios, mas se só os conhecesse pelo programa, diria que são totalmente pseudo, que só estao dispostos a enganar as pessoas – porque é assim que eles se “vendem” no programa. Há uma presunção de que por assumirem que são bons investigadores, então também são cientistas e bons comunicadores (sabem fazer programas de TV). Mas isto é uma falácia, um non-sequitur, um disparate. Não tem nada a ver!
– bastante interessante também, e triste, é quando perto do fim do episódio um dos entrevistados resolve afirmar que aquilo que eles viram se tratava de uma nave. É pena que se continue a assumir coisas sem se saber (note-se que o caso é somente de avistamento de luzes), e se continue na crença que à viva-força elas tenham que ser naves. Novamente, pseudo-ciência, o engano, a mentira, a reinar.
– o que se deveria ter dado uma maior relevância é à explicação do cientista, especialista em geomagnetismo, que confirmou que nesse dia houve uma actividade anómala nessa área. Tendo em conta isto, e se o programa – e os seus autores – estivessem interessados em ciência, esta seria a hipótese seguida, estudada e relatada.
– mas está mais que visto que os autores do programa não estão interessados na ciência ou nas explicações científicas, mas preferem dar auras de mistério a casos que facilmente se percebe que nem as têm, e entrar por argumentos próprios das pseudo-ciências que deveriam ser arredados da OVNIlogia se o objectivo era elevá-la em termos de capacidades e competências.

– ainda sobre o facto de preferirem a aura de mistério, note-se que isso não é dar relevância à ciência como o apresentador disse no episódio anterior. Pelo contrário!
– a ciencia tem e dá respostas! Daí que andamos de carro, temos computadores, e até enviamos sondas pelo universo – mesmo sem sabermos tudo sobre o universo!
– há um verdadeiro abuso da palavra ciência! Sobretudo no episódio anterior.
– mas mesmo aqui, quando se infere que uma pessoa por ter um determinado background, já tem que ser especialista noutra área diferente! E mesmo quando os próprios autores do programa – não cientistas – acham que podem falar e abusar de falar de ciência que desconhecem. Os cientistas são os que devem falar da ciência e não toda a gente achar que o pode fazer. Era tipo informáticos, canalizadores, advogados, economistas, etc, decidirem fazer um programa sobre a vida das pulgas no deserto do Sahara. E afirmassem no programa que estavam a defender a biologia! Não estão! Porque não fazem a mínima ideia do que falam. Não se podem considerar cientistas ou biólogos. Nem que estão a fazer uma expedição científica. São falsas autoridades! Como o Daniken que vendeu muitos livros, como se fosse um especialista em arte antiga – não passava de um pseudo!
– logo, os autores não estão a defender a ciência neste programa! Nem sequer a OVNIlogia! Estariam, se tentassem resolver o mistério, dando relevância àquilo que a ciência nos diz, concentrando-se por exemplo no efeito geomagnético e no especialista nessa área.
– concluindo, pode-se até dizer que, baseados no seu background, os seus inquéritos e estudos têm uma base sociológica. Mas análise científica é que não!

– os autores do programa “vendem” o programa como visando casos sem explicação científica.
– é um facto que é isso que o programa quer dar entender. Mas isto é somente porque o programa prefere não se concentrar nas explicações científicas. Eu posso continuar a achar que a trovoada é magia, feita pelo deus Thor, ou até fazer um programa em que foco a parte mística e inexplicável de quem vê a trovoada (as testemunhas!). Ou então posso optar por entrevistar especialistas em meteorologia, por exemplo. O facto do programa querer levar o leitor – em erro – para o mistério, não faz do caso um verdadeiro mistério. O facto do programa não querer saber de ciência, lógica, ou argumentos minimamente racionais, não quer dizer que eles não existam.
– é errado eles dizerem que andam à procura de explicações científicas. Não andam. O próprio mentor do programa o confirmou em privado. Logo, na TV, é errado e enganador dizerem que o andam a fazer.
– quem vir o programa até pode pensar que são “génios” que vivem na fronteira da ciência a tentar revolucioná-la, como um Einstein, por exemplo. Mas esta é uma ideia completamente falsa, porque não se tratam de génios nem sequer querem saber da ciência para nada. No caso de Einstein e outros, as suas teorias foram confirmadas pelo método científico. Se conseguimos curar doenças, se sabemos que a Terra orbita o Sol, se temos computadores, se enviamos sondas para outros planetas, etc, tudo isto se deve à ciência! Galileu é quem é devido às experiências científica que fez. Newton até teve que inventar o Cálculo! E Einstein seguiu totalmente o raciocínio científico. Quem não ficou na história foram todos aqueles que afirmavam fazer ciência mas isso era só fogo de vista. Quem não ficou na história foram todos os pseudo (ex: astrólogos) que afirmam que fazem ciência mas que nunca provam nada, e continuam a rodear os resultados numa aura de mistério, como se fosse difícil perceber que o que dizem não faz sentido (tal e qual como acontece neste programa!).
– nesta onda pseudo enquadra-se também este programa, e a forma como estes investigadores estão a “vender a ovnilogia” – como algo que deve ser arrastado pela lama da pseudo-ciência.
– no programa existem pessoas que não percebem o que é a ciência. E existem episódios, como foi o caso anterior (4º), que não contém um filtro que lhes permitam ver que casos são ridículos em termos lógicos e científicos; mas que podem na mesma serem estudados numa vertente sociológica e psicológica.
– a ciência é falsificável. A OVNIlogia não é falsificável, é demasiado flexível, e tem um poder explicativo enome. Ou seja, é religião. Não estou contra a religião. Mas confundir ciência com religião é prestar um péssimo trabalho à ciência, à religião, e à OVNIlogia. Levar a OVNIlogia pelo caminho das crenças, não é prestar um contributo científico à OVNIlogia. Por outro lado, confundir métodos sociais com métodos científicos, é entrar pelo mesmo caminho da pseudo-ciência.
– os autores do programa preferem o mistério, em vez de o resolverem.

6º Episódio – Serra da Gardunha
“A Serra da Gardunha tem sido palco, ao longo das últimas décadas, de alguns avistamentos de objectos voadores estranhos. De entre as várias testemunhas destaca-se o Sr. Américo Duarte, um homem que dedicou parte da sua vida ao estudo minucioso daquela zona e dos seus mistérios, alegando ter visto centenas de OVNI e, inclusivé, ter sido contactado pelos seres extraterrestres que ali escondiam as suas naves.”



– começa-se novamente por colocar o ênfase em fenómenos misteriosos e inexplicáveis. Porquê? Não é melhor compreender a beleza de como os relâmpagos se processam, do que andar constantemente a afirmar que foi “Deus”, que foi “magia”, ou que foi uma “força misteriosa”?
– a ciência é feita do ke se sabe. Para quê dar uma constante aura de mistério ao que não tem?
– eu falei com duas pessoas que estiverem lá na Serra da Gardunha durante vários dias a estudar o fenómeno. O Luis Ribeiro – que pertence à nossa comunidade – até tem algumas histórias engraçadas. Mas onde está ele no episódio? Pois… é melhor pôr testemunhas sem credibilidade do que quem investigou no local o que (não) se passava. Quanto ao José Sottomayor, disse-me textualmente que o que a testemunha/observador disse que via não tinha nada a ver; a testemunha principal não tinha quaisquer conhecimentos do céu, não sabendo quando passavam satélites, o que eram iridium flares, etc e tal, por isso, para a testemunha, tudo isso eram OVNIs – novamente, o ser boa pessoa, o não estar a mentir, e acreditar que existiam naves espaciais não faz com que perceba de satélites! O argumento de ser boa pessoa não dá qualquer evidência para o fenómeno! Usar esse argumento como se fosse evidência de que aconteceu algo, é enganar o espectador!
– mas comparem esta conclusão e resolução de mais um “não-caso” com o que é dito no episódio por todos, incluindo pelo mesmo José Sottomayor. Fala-se tanto em conspirações governamentais, mas pelos vistos as únicas conspirações existentes são feitas por quem quer conservar uma aura de mistério onde ela não existe e, sendo assim, quer enganar as pessoas!
– a Gardunha já foi dissecada ao pormenor por investigadores do CEAFI com idas ao terreno e com entrevistas exclusivas ao fomentador deste mito. A conclusão foi óbvia, como deveria ser óbvia para quem sabe o que são satélites, “iridium flares”, meteoros, entre outras coisas. Existem entrevistas e estudos pormenorizados que retiram toda e qualquer espécie de dúvida.
– mas é mais fácil dissiminar mitos… que é o objectivo deste programa!
– o registo histórico até pode ser bom, a análise psicológica também, mas enganar as pessoas nunca foi, é ou será ciência! Falta ao programa uma análise científica e uma divulgação honesta destes não-casos!
– notem também que só entra a parte de “abduzido”, após estudar o fenómeno e imaginar que são extraterrestres!! Ou seja, repetiu o que leu em livros, após ser influenciado por eles.
– a parte dos santuários também é importante. Como se vê, isto é religião. Confundir religião com ciência é de uma extrema pobreza intelectual.
– neste episódio, não entra o Luis Ribeiro que até passou uns dias e noites na Serra da Gardunha a investigar o potencial fenómeno… mas entra o Fernando Ribeiro que não só já ficou publicamente conhecido pela sua falta de educação, mas sobretudo porque não passa de um simples trabalhador da Portugal Telecom (PT) na secção de “qualidade e serviço ao cliente”. Não tenho nada contra os trabalhadores da PT, mas certamente que se quero saber de magnetismo, geologia, astrofísica, fenómenos atmosféricos, etc, não é a eles que me devo dirigir! Como é óbvio! Excepto para os mentores do programa!
– para os mentores do programa, se se quer saber de Biologia, pergunta-se a um trolha, se se quer saber de astrofísica, pergunta-se a um sociólogo, se se quer saber de geologia, pergunta-se a um psicólogo, se se quer saber de astronomia, pergunta-se a um trabalhador da PT.
– não existe ciência! Faz-se o programa para se vender pseudo-ciência!
– a falta de cientistas, especialistas em áreas científicas, educadores científicos, etc, estende-se por toda a série. Os “investigadores” são todos não-cientistas. O próprio mentor do programa é Historiador.
– se se queria dar um mínimo de qualidade ao programa, convidava-se cientistas, e dava-se grande relevo às suas explicações, e não dar relevo a quem não sabe o que diz. Novamente, o que se pretende é enganar as pessoas!
– dizer que um simples trabalhador da PT com graves falhas em termos de educação é investigador, e depois presumir que sabe de ciência, é a mesma coisa que uma pessoa dizer que é engenheiro informático e investigador na área das engenharias só porque uma pessoa faz inserção de dados numa folha de EXCEL.
– alias, percebe-se pelo tipo de e-mails enviados por esse trabalhador da PT que de ciencia não sabe nada: alem de e-mails malcriados, envia e-mails a fomentar o medo sobre isto e aquilo, que sao e-mails utilizados pelas empresas de SPAM para “apanhar” endereços de e-mail, e utilizados por hackers para disseminar virus. Mas este é o tipo de “especialista” em investigacao que o programa promove – uma pessoa que se deixa levar por mentiras facilmente detectaveis, uma pessoa que se aproveita do medo e ignorancia das pessoas para disseminar mentiras por e-mail.

7º Episódio – Praia de Salgueiros
“Numa noite de Setembro de 1983 Aníbal e Filomena Matinhas acampavam num pinhal perto da praia de Salgueiros, em Vila Nova de Gaia. Durante a madrugada são acordados por uma luz forte e intermitente. Ao abrirem a tenda onde dormiam observam, junto ao mar, um estranho objecto discóide de onde provinha a luz. À sua esquerda, quatro seres humanóides de cor branca e grande estatura movimentavam-se de forma atípica.”



– começou com uma piada! Então o Joaquim Fernandes diz que este caso é parecido com o desembarque na Normandia?? Mas por acaso os ETs vieram do mar?? Enfim…
– novamente, só há 2 testemunhas. Estes casos com poucas testemunhas não fazem qualquer sentido de um ponto de vista científico. Se só o Einstein viesse prá TV dizer que a luz curva ao passar perto de centros de massa, não estaria certamente nos livros de ciência. Uma das caracteristicas da ciência é poder ser provada por toda a gente que o queira fazer, em qualquer parte do mundo. Daí que ter só 1 ou 2 testemunhas é tudo menos ciência.
– quanto à testemunha masculina… este não é o mesmo que apareceu no programa Gregos e Troianos aqui há uns anos (em que o nosso colaborador Zé Matos também apareceu), que se afirmou biólogo, mas que conseguia discernir o sexo feminino de uma ET a cerca de 1 km de distância?? Na altura, e já foi há vários anos, parti-me a rir, em forma de gozo, de como um Biólogo poderia dizer uma barbaridade daquelas! Se mesmo na Terra, existem animais que é dificil discernir qual é o macho e qual é a fêmea, e este iluminado não só acha que os ETs são como nós (basicamente eram iguais aos ETs dos filmes), mas até sabe distinguir o sexo dos extraterrestres!! e a 1 km de distância!!! Ridículo…
– se não me engano, no Gregos e Troianos, a Júlia Pinheiro perguntou-lhe se eles tinham fumado alguma coisa… e ele não negou!
– seja ou não a mesma personagem, o certo é que no programa, a testemunha masculina também afirma que um dos ETs tinha uma morfologia mais feminina!!!! Enfim…
– claro que os mentores do programa poderiam aproveitar isto para educar a audiência em termos de astrobiologia, e no que se poderá encontrar lá por fora. Mas na senda do resto da série: educar as pessoas?? Isso é que não! Ciência?? Não queremos saber dela!
– por outro lado, o que as pessoas dizem que vêem não adianta! Até podem estar a dizer a verdade, mas isso não quer dizer que o que viram existiu mesmo! Ciência é o que realmente existe. Já este programa é baseado em histórias, no “diz que disse”…
– novamente neste episódio repetem a história 2 vezes (pelo narrador e pela testemunha). Não seria melhor aproveitar esse tempo para falar sobre ciencia? Noutro local o mentores do programas queixaram-se que o programa é curto, que têm pouco tempo, e por isso não podem dar o devido relevo àquilo que gostariam… mas afinal o que se passa é que desperdiçam o tempo a repetirem as mesmas coisas várias vezes!
– também me parece que qualquer pessoa que diga que viu umas luzes no céu já tem direito a aparecer neste programa. Sinceramente não percebo os critérios.
– note-se que eles próprios dizem “creio que aconteceu”. Ou seja, não passa de uma crença – religião!
– curioso também vir o Manuel Corado dizer que se fosse só 1 testemunha não tinha validade! Porque é que ele não disse isto em episódios anteriores? Há vários com uma só testemunha!! Pois é, lá está a falta de honestidade científica, educadora, divulgadora, dos mentores do programa.
– por outro lado, o que o Manuel Corado diz sobre o facto de serem duas testemunhas não faz qualquer sentido. A não ser que ele não saiba as diferenças para testemunhos independentes…
– também me deu vontade de rir afirmarem que não há vantagens em inventarem estas coisas. Será que isto é falta de inteligência, vontade de não pensar, andar arredado do mundo há várias décadas, ou pura e simplesmente é uma campanha para enganar os espectadores? Qual a vantagem das pessoas irem ao Fear Factor comerem gafanhotos, ratos, e pénis de cavalo para depois irem para casa de mãos a abanar? Qual a vantagem das pessoas irem humilhar-se ao “The Moment of Truth” ou demonstrarem a sua falta de inteligência no “Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?” para depois irem para casa sem nada? 5 minutos de fama! 5 minutos na TV! E não pensar nas consequências! Não é difícil perceber isso!
– neste programa gostei de ouvir o Paulo Lima Santos. Apesar de alguns problemas em expressar-se de forma motivante, o conteúdo do que disse pareceu-me importante.
– quanto ao que o Francisco Carrapiço disse, estou totalmente de acordo: é claro que haverá vida extraterrestre. O grande problema foi os mentores do programa, na senda da pseudo-ciência e na senda dos pseudo-investigadores, misturarem esse facto (provável existência de ETs) com os OVNIs que não têm nada a ver! Uma coisa é existirem. Outra coisa é serem como nós, terem tecnologia como a nossa, e aparecerem por cá num infindável Universo.
– ou seja, não se limitando a enganar os espectadores, agora o programa até utiliza frases de cientistas, distorcendo-as, para formar ligações ridículas.
– faz-me lembrar os astrólogos, o Daniken, os maluquinhos que dizem que existem bases extraterrestres na Lua, etc e tal. Ou seja, os mentores do programa basicamente estão a fazer um excelente trabalho de arrastar a ovniologia pela lama da pseudo-ciência.
– por outro lado, note-se o espaço temporal. A história é contada 25 anos depois. Pensem onde estavam há 25 anos atrás (!) ou até há 10 anos atrás (!) ou mesmo no ano passado (!); lembram-se das coisas com uma clarividência ao segundo sobre o que se passou durante várias horas? Tipo, pensem na vossa última viagem ao estrangeiro, que até vos marcou bastante e por isso até se lembram bastante bem dela. Mas lembram-se das situações segundo a segundo? NÃO! Claro que Não! Lembramo-nos de algumas situações e o resto é interpretado pela mente… até podemos criar uma história sobre o que se passou durante várias horas, mas não é segundo a segundo, e algumas das coisas não passam de interpretações porque não nos lembramos de tudo… simplesmente passamos a assumir que foi o que se passou. A nossa mente é fantástica! Tão fantástica que até vemos filmes normalmente – sem interrupções de telas pretas! Ora, comparem isso com o que dizem as testemunhas, neste episódio e noutros anteriores, as memórias parecem verdadeiras? Pois….
– outro dos entrevistados, supostamente como especialista, foi o Augusto Castro, que aparece como sendo… filósofo! Para não variar, mais um não-cientista. E o que diz ele? Que está convencido que as testemunhas viram algo. Conseguem ver onde está o erro de pensamento, de lógica? O objectivo devia ser saber se alguma coisa existiu ou não! E não ser, acreditar ou não nas testemunhas! Mas estes “especialistas” parecem não conseguir perceber a diferença entre as duas situações, precisamente porque não são cientistas. Todas estes supostos “especialistas” são somente crentes.
– até podem dizer que estão a falar de ciência (como fazem os astrólogos), ou de vida extraterrestre, mas não estão. Estão a fazer pseudo-ciência, estão a enveredar por caminhos religiosos, estão a praticar “ciência-vodu”, estão a enganar as pessoas, estão basicamente a continuar a arrastar a ovnilogia pela lama com programas destes.

8º Episódio – De Norte a Sul
“Durante a noite de 1 de Junho de 2004, várias testemunhas espalhadas de norte a sul do país avistaram um objecto luminoso de grande dimensão que percorreu o céu envolto numa estranha camada de fumo. O mesmo fenómeno aéreo foi captado através dos radares da Força Aérea Portuguesa e observado por várias pessoas em Espanha, com especial incidência na região da Galiza.”



– este não é o caso do míssil secreto?
– no episódio afirmam que foi uma experiência única, grandiosa, um dos maiores avistamentos em simultâneo de que há memória, e blablabla. Claro que se começassem por dizer que era um míssil, já não podiam pôr toda esta aura de mistério – como se o facto de ter sido visto por muitas pessoas faça com que o objecto tenha que ser estranho ou extraterrestre!!
– as pessoas não sabem o que vêem, não sabem o que são meteoros, não identificam satélites, etc. Nem sabem o que vêem, nem sequer sabem descrever o que vêem, daí até se dizer no episódio que as descrições das testemunhas são muitíssimo diferentes. Ou seja, em termos cientificos, estas descrições não valem nada. É o mesmo que dizerem que viram Deus ou o Monstro de Esparguete Voador. Provavelmente até viram algo, mas não quer dizer que seja extraterrestre ou endeusado.
– não percebo quando se diz que a ser um missil francês, então terá que cair em África!? Então um missil secreto vindo de França, não atravessará a Península Ibérica (como o objecto fez!) e irá cair no oceano? Eu quando vou de avião em linha recta para Portugal, não vou ter a África! Enfim…
– também não percebo o ênfase que é dado aos radares da Força Aérea. Se era missíl, é claro que seria detectado.
– que situaçoes é que o missil não explica? No episódio diz-se que existem, mas decidem não explicar.
– também é referido o facto de poder ser um objecto experimental militar! Como é óbvio! Foi assim com os OVNIs triangulares da Bélgica! E no entanto estas mesmas pessoas andavam na altura a fazer conferências a explicarem que não se sabia o que era… mas afinal era algo bem terrestre.
– e o Paulo Macedo até diz isto, e bem, no final. O mal é passarem 18 minutos a fomentar crenças pseudo-religiosas, deixando somente 1 minuto para explicações racionais e lógicas.
– quanto à influência do investigador espanhol, só se “esqueceram” de dizer que me contactaram e eu contactei a pessoa que nos EUA tem uma lista desses lançamentos secretos. Essa pessoa confirmou o lançamento do míssil Francês. Se é certo que o investigador Espanhol mentiu nos dados que transmitiu, também é certo que estes “investigadores” portugueses decidiram omitir informações que me parecem importantes de um astrofísico de Harvard. E se omitiram estas informações, imagina-se que outras informações omitem só para conservarem a aura de mistério em situações que se fossem científicas perderiam esse “mistério”. Mas pronto… seria como começar um programa perguntando: sabe-se como a TV funciona? Programas como este preferem dizer que não, e deixar no ar a aura de mistério… Talvez a TV funcione por magia! Ou talvez sejam os ETs que fazem a TV funcionar!! Enfim…
– a Ciência baseia-se em dados científicos; a pseudo-ciência é o diz que disse com imaginação a rodos, sem quererem saber da verdade.
– lendo alguns dos testemunhos apresentados e vendo as notícias televisivas, e dividindo-os em 2 categorias, parece-me que houve dois fenómenos não simultâneos mas pouco espaçados do tempo, e que foi isso que as pessoas viram. No entanto, a “investigação” quer ver só um objecto…
– além do missil, o outro OVNI reportado não era mais que um meteoro. Mesmo o facto de ele parecer subir em determinados momentos é facilmente explicado por quem está dentro do assunto.
– claro que é mais fácil e mais conveniente dizer que se tem dúvidas mas até deixar a ideia que se investigou o caso. Se o Newton tivesse feito o mesmo, nesta altura ainda não tinhamos ido à Lua!
– mas como as pessoas não são cientistas – são historiadores, trabalhadores da PT, etc – compreende-se que não tenham pensamento científico.

– para quê haver físicos? Para quê haver geólogos? Para quê haver astrónomos? Afinal, segundo esta série, o que advogados, filósofos, historiadores, trabalhadores da PT, etc, dizem é que tem valor!
– da próxima vez que estiverem doentes, vão a um advogado, a um historiador ou a um trabalhador da PT, porque parece que estes sabem de todas as matérias e mais algumas! Médicos? Para quê? Um filósofo é que vos cura!
– não estou a brincar, nem sequer estou a tentar ofender alguém! Simplesmente entristece-me e revolta-me o facto de não terem feito um programa com muito mais qualidade e com contributos muito mais cientificos. Revolta-me o facto de utilizarem falsas autoridades (não-científicas) como se fossem especialistas em ciências.
– em vez de fazerem um programa sobre ciência e com pessoas que sejam de ciência, fazem um programa que só fortalece crenças pseudo, crenças anti-ciência.
parece-me claro que o objectivo do programa não é ilucidar as pessoas, mas sim confundi-las, e levá-las por crenças pseudo-religiosas.

9º Episódio – Açores
“Ao final da noite de 31 de Janeiro de 1968, Serafim Sebastião, guarda nocturno em Cinco Picos, na base das Lajes, ouvia um relato de futebol na rádio. De súbito a emissão deixou de se ouvir e todo o local foi inundado por uma forte luz. No exterior, a testemunha observou um objecto que pairava sobre o paiol da base, emitindo a luz, e transportando quatro seres, dois no interior e dois no topo exterior.”



– este episódio é sobre um caso nos Açores em 1968! Há 40 anos atrás!
– além dos problemas referidos anteriormente com a memória das testemunhas, que relevância poderá ter um caso de há 40 anos atrás?
– basta alguém dizer que viu luzes para aparecer a história na TV?
– ri-me quando vi o disco voador!! Oh Senhores! Leiam a história dos discos voadores para perceberem a fantochada desta forma de nave. Quanto a histórias de luzes e não sei mais o quê, elas existem aos milhares…
– não percebi isto: então há uma luz fortissima a vir da nave, e no entanto a luz duma pequena lanterna sobrepõe-se a essa luz fortissima de modo a se ver seres lá dentro?! Não há uma análise crítica dos relatos?
– neste caso, só existe uma única testemunha!! Porque não incluíram aqui o depoimento do Manuel Corado a dizer que assim isto não tem validade?
– como disse o Fernando Fernandes, e com o qual estou totalmente de acordo: evidências? Nenhumas!
– a testemunha diz que não era avião, nem helicóptero, nem balão. Isto vale 0! Existem milhares de experiências e relatos do género, que vai-se a ver e eram realmente aviões ou balões. Aliás, há casos de pessoas ao lado de aeroportos a afirmarem que viram algo que não era avião, porque segundo elas “eu sei o que são aviões”. Isto já para não falar novamente da experiência da SIC em Monsanto, em que as pessoas (muitas!) confundiram simples focos estacionários de luz com naves extraterrestres a passarem por cima de casa delas!! A testemunha não está a mentir; simplesmente não tem noção daquilo que vê. A nossa mente é uma coisa fantástica!
– logo, afirmarem que a testemunha disse isto, deixando no ar a ideia que isso prova que não era avião ou balão, é mais uma vez enganar a audiência.
– já o Nelson Lima Santos diz que não se deve duvidar da testemunha! Por defeito, à partida, deve-se acreditar piamente nos testemunhos!? Se ainda dúvidas havia que o que se quer divulgar é uma simples crença religiosa, em vez de se enveredar por caminhos científicos (de cepticismo!), esta frase deitou por terra quaisquer dúvidas.
– já o outro “especialista” (de comunicação… não de ciência! para não variar…) diz que uma das evidências para se acreditar na testemunha é ela ser consistente no que diz ao longo do tempo. Certamente que não leu os capítulos de psicologia relativos à pessoa assumir algo como verdade após contar várias vezes a mesma coisa… Já agora, o testemunho mantém-se porque não há ninguém a pô-lo em causa. Tal como disse o Nelson Lima Santos, à partida acredita-se na testemunha! Não há ninguém a pôr-lhe perguntas do género de como é que ele pode ver 4 seres apontando uma pequena lanterna contra um enorme foco de luz… Análise crítica? Para quê! A religião, a crença, não deve ser posta em causa!
– o Neurologista Manuel Domingos também não interviu de forma eficiente. Como ele deveria saber, e eu disse atrás, o facto das pessoas dizerem que viram algo estranho, muitas vezes é porque realmente pensam que viram algo estranho; não são maluquinhas nem estão a mentir! Mas cientificamente, o que conta é se realmente essa coisa existiu ou não, e como já disse atrás, essas coisas estranhas afinal só são estranhas para quem não quer deslindar os fenómenos.
– como disse o biólogo Francisco Carrapiço, nada mais natural do que ser algo terreno, desconhecido. E daí que deve haver cuidado na análise. Cuidado esse que não existe neste programa. Pelo que conheço dos membros do CTEC até acho que eles analisaram convenientemente o caso. O problema é que esse trabalho é vendido no programa como sendo um trabalho de chacha, mal feito, e pseudo. O problema está realmente no programa; na divulgação pseudo destes casos.
– notem o que disseram as últimas 3 pessoas, antes do Joaquim Fernandes: afirmaram que é uma coisa desconhecida, que devemos nos congratular por ser desconhecido, porque o desconhecido é muito mais do que se conhece, etc. Este é o tipo de filosofia dos astrólogos: a ciência desconhece; a ciência não explica, mas amanhã vai encontrar. Se os Irmãos Wright, o Newton, o Galileu, etc, pensassem assim, hoje viviamos todos ainda em tendas e a ser caçados por tigres. A ciência busca respostas. E, mais cedo ou mais tarde, encontra-as. Sejam elas positivas ou negativas. Os pseudo é que decidem não dar relevância às evidências negativas, para infinitamente dizerem que é um caso inexplicável.
– o Joaquim Fernandes acabou o episódio dizendo que o caso está no Livro Azul sobre casos não-identificados. Decidiu foi OMITIR as conclusões do Livro Azul (e de vários outros estudos!) sobre esses casos supostamente não-identificados. É que quando devidamente analisados, eles passam a ser identificados. Aliás, os relatórios estão abertos ao público. Mas, claro, num programa onde se quer iludir o público, é normal que essas informações sejam omitidas, deixando no ar a aura de mistério.

10º Episódio – OTA
“Na manhã de 2 de Novembro de 1982 Júlio Guerra, piloto da Força Aérea Portuguesa, voava na zona da serra de Montejunto num voo de treino. Foi aí que observou um objecto que lhe despertou a curiosidade. Ao tentar aproximar-se, o objecto subiu rapidamente até à sua altitude, percebendo aí que se tratava de um objecto discóide, com dois hemisférios, de cor metálica e tom avermelhado na parte inferior. Depois de um contacto via rádio, um outro avião aproximou-se. Dois outros pilotos, Carlos Garcês e António Gomes, testemunharam também aquele estranho evento.”



– neste episódio, o Joaquim Fernandes começa por dizer que é uma das “melhores e mais qualificadas descrições” e enaltece a “qualidade da observação”. Mas os tenentes em Portugal não conhecem projectos secretos internacionais. Da mesma forma que não conheciam os OVNIs triangulares da Bélgica (eram os B-2). Este caso é um OVNI porque a testemunha (seja ela quem fôr) não foi qualificado o suficiente para o identificar! Esta é a definição de não-identificado! Esta devia ser a suposição inicial da investigação, e não o contrário.
– ele diz também que a observação nocturna não é de confiança – porque não disse isso em episódios anteriores em que houve observações nocturnas?
– diz que se trata de um “experiente piloto” – mas será que não percebem que até o Buzz Aldrin já foi perseguido por Vénus? Ou seja, mesmo pilotos experientes erram.
– onde na observação há a noção que o objecto é algo pilotável? Parecem-me movimentações normais, sem necessidade de uma inteligência por trás. Até papagaios de papel sobem, e fazem movimentos circulares (sobretudo quando há redemoinhos de vento!). Ao passar perto de um objecto, as forças de vento levam o papagaio a fazer “manobras bruscas estranhas” (tipo quando o Tenente foi de encontro a ele); mesmo que o Tenente tenha uma diferente percepção. Mas percepções são interessantes. Já alguma vez estiveram parados num comboio e olhando pela janela tiveram a percepção que o vosso comboio já estava a partir, quando na realidade era o outro que se tinha começado a movimentar? Percepções! Entretanto, novamente com a força do vento pela passagem do avião tão perto… o objecto foi-se. O mesmo aconteceria com o meu avião de papel…
– claro que é mais excitante ser algo extraterrestre, porque as pessoas não querem acreditar (sublinho a crença) em algo mundano – o próprio Sagan fez uma experiência desse género.
– Quantos às dimensões do objecto… só 1 testemunha diz isso? Porquê?
– por outro lado, faz-me lembrar novamente o caso de Monsanto, em que as pessoas viam OVNIs enormes e de diferentes cores a passar por cima de casa delas, e no entanto era só um foco de luz estacionário na montanha. As testemunhas não estavam a mentir; a mente é que é algo fantástico.
– não cheguei a perceber quais são as características do fenómeno que não cabem nos parâmetros actuais da Física… Como é que aquilo não pode voar?
– se assumem que aquilo era pilotado, sem o saber, então não estão a fazer ciência – como eu tenho dito desde o 1º episódio.
– finalmente, novamente, num minuto diz-se que podem ser aeronaves secretas americanas!
– logo a seguir, o Sotttomayor pôs o pé na argola dizendo que aquilo mostrou inteligência. Enfim…
– depois o Tenente entra no “choradinho dos crentes”, dizendo que não era um fenómeno terrestre, porque senão estavam identificados. B-2, durante os anos 90, não estavam identificados! Ninguém aprende com os erros da história? Enfim…
– dizem que o objecto não está identificado. Mas o Tenente e o Sottomayor, pelo que dizem, assumem que tinha uma inteligência e até poderia ser extraterrestre por trás. Essas suposições não fazem sentido tendo em conta o relato. Isto não é uma investigação racional.
– não ponho em causa o tenente. Mas os investigadores deviam ter mais espirito critico, e utilizar mais a racionalidade. Em vez de fomentarem crenças.
– ou seja, este episódio sofre dos mesmos problemas dos anteriores episódios.

11º Episódio – Alfeizerão
“Perto da uma hora da manhã, João Belo viajava para a sua morada em Alcobaça. Ao passar na zona de Alfeizerão notou que duas fortes luzes incidiam sobre a estrada à sua frente, como que seguindo a sua rota. Curioso, decidiu olhar para cima reparando que as luzes eram emitidas por uma estrutura que o sobrevoava. Assustado, decidiu acelerar até que, mais adiante, notou que dois motociclistas estavam parados à beira da estrada a olhar para o céu. Parou o automóvel juntando-se a eles para observar um gigantesco objecto voador que pairava acima deles, emitindo dois poderosos focos luminosos. Quando as luzes se apagaram, puderam verificar com mais detalhe as suas características: era uma estrutura elíptica de tonalidade cinza metálica e possuia uma faixa de luzes coloridas em redor da zona central.”



– tendo em conta o que foi dito no último episódio, noto que aqui não se começa por dizer que é uma observação nocturna e daí não tão credível! Será falha dos comunicadores ou dos investigadores?
– um homem vai na estrada e vê luzes no céu que parecem persegui-lo. Nada de anormal nisto – acontece frequentemente, até com a Lua! Parece que as luzes vêm de objectos metálicos que fica mesmo por cima deles! Nada de anormal nisto. Vou ter que falar novamente na experiência da SIC em Monsanto? O Joaquim Fernandes esteve lá, mas parece que não retirou ensinamentos.
– quanto a ser um Disco Voador, pronto… está explicado o “encontro”, como podem ler aqui. Parece-me que o Spielberg estava a pilotá-lo.
– é interessante o OVNI ter luzes! fico sempre surpreso com supostas civilizações muito mais avançadas que nós, terem luzes como nós temos nos nossos aviões. Não faz qualquer sentido ter faróis (no comprimento de onda do visível) em naves que viajam entre estrelas!!
– quanto aos fisicos falarem de aerodinâmica, penso que tem o mesmo interesse que falarem da aerodinâmica do trenó do Pai Natal. O CTEC antes de assumir que existiu um objecto físico daquela forma, deveria tentar saber se o objecto é verdadeiro ou se foi algo produzido pela mente.
– o suposto investigador brasileiro diz que não acredita (sublinho a crença!) em projectos secretos!
– para ele, tudo o que existe em projectos militares é identificável! Será preciso falar de novo nos B-2 e dos OVNIs triangulares da Bélgica nos anos 90?
– vá lá que o psicosociólogo explica o que aconteceu. É pena os auto-proclamados “investigadores” não se debruçarem mais sobre as explicações que realmente podem explicar o fenómeno, preferindo passar a maior parte do programa em pseudo-tretas.
– como é que há uma pressão social forte para estas histórias não serem relatadas publicamente? Há sempre esta desculpa, este choradinho, quando em face das evidências, isto é mentira! É um mito!
Então esta testemunha conta a um sem-número de pessoas (como ele próprio afirma) e até conta às pessoas do CTEC para eles investigarem… e isso é não querer contar? Há dezenas de testemunhas de avistamentos diários que não se coibem de irem para blogs, TVs, rádios, etc, dizerem que viram OVNIs, e isso é terem vergonha de contarem? Enfim…
– o Físico Teórico brasileiro meteu novamente os pés pelas mãos. OVNI não é igual a NE (nave extraterrestre). Até são siglas diferentes! O ele dizer que acredita em vida extraterrestre vale 0! Mais, isso não passa de uma crença! Mas mais uma vez se prova que em termos de investigação crítica, o programa mostra 0.
– novamente afirmo, o problema não é da testemunha. É de quem deveria mostrar espírito crítico…
– as últimas palavras do Joaquim Fernandes, no final do episódio, são esclarecedoras. Este foi um episódio que se explica pela sociologia e psicologia.
– o que é pena e enganador é passarem 90% do episódio a levarem o espectador para outros sítios, supostamente mais misteriosos.

12º Episódio – Montargil
“Na noite de 2 Janeiro de 1978, perto da meia-noite e meia, Manuel Prates regressava a casa depois de ter ido ao cinema. A determinado momento sente-se como que compelido a olhar para o céu, onde observou uma estranha “nuvem” que se movia de forma diferente das restantes. Com o luar, conseguiu verificar que se tratava mais de uma massa gelatinosa sem forma definida. Começou então a sentir-se sonolento acabando por adormecer. Quando acordou, alguns metros mais adiante, reparou que tinha passado quase uma hora da qual não se recordava.”



– um rapaz vai a andar por um caminho de terra, olha para o céu e vê uma nuvem com uma forma estranha (quem nunca viu?). Era meia-noite (segundo um episódio anterior, é uma forma de retirar credibilidade ao testemunho… “esqueceram-se” foi de referir isto neste episódio), e daí que se sentiu sonolento e adormeceu. Isto também me aconteceu a mim… e até em Lisboa! Será que também me querem levar ao programa para dizer que vi um OVNI? Enfim…
– curioso também é sugerirem a “perda de tempo”. Já ouviram falar em “dormir”? Quando se acorda, olha-se para as horas e percebe-se que se “perdeu” algumas horas… a dormir!!! Enfim…
– já agora, pela simulação percebe-se que no Alentejo, em Janeiro, num céu com nuvens!, a meia-noite é muito clara. Será assim? Ou será que é uma simulação enganosa?
– a testemunha diz que ficou na colectividade até começar o filme. Na minha rua também existe uma colectividade. Joga-se cartas, vê-se TV, conversa-se com os amigos, e bebe-se cerveja. Por vezes, quando se sai, algumas nuvens, carros, e até pessoas, parecem estranhas… São coisas normais. Mas são coisas que os investigadores deviam ter estado atentos. Porventura, não frequentam colectividades…
– depois a testemunha leu livros… influenciando as suas memórias. Isto é Introdução à Psicologia. Só depois contactou o CTEC, já depois de influenciado pelos livros.
– gostei de ouvir, novamente, o psicosociólogo. Algumas das frases que disse: “aconteceu com ele, não fora dele”, “é uma construção pessoal”.
– só não percebo é como este caso aparece na TV como sendo um OVNI. Novamente a mania dos mentores do programa de “venderem mistério” onde ele não existe. Enfim…

13º Episódio – Castelo de Bode
“Perto do meio-dia de 17 de Junho de 1977, o furriel da Força Aérea Portuguesa José Francisco Rodrigues participava num voo de treino na zona da barragem de Castelo de Bode. A certa altura avista à sua esquerda um objecto estranho que o leva a contactar a torre de controlo de Tancos para confirmar a presença de tal objecto no radar. O piloto decide fazer uma manobra de aproximação que lhe permite, durante breves segundos, observar melhor aquele estranho objecto: tratava-se de uma semi-esfera negra, com 13 a 15 metros de diâmetro, com uma faixa de “janelas” com iluminação amarelada. De súbito o objecto afastou-se, provocando uma grande instabilidade no avião, levando José Rodrigues a uma difícil manobra para recuperar o controlo. Mais ainda, a instrumentação de voo da aeronave ficou afectada após aquele bizarro avistamento.”



– mais um caso, tal como anteriores, com mais de 30 anos…
– mais um avistamento que demorou 4 ou 5 segundos…
– em 5 segundos há muita coisa ke eu não consigo perceber o que é! Até em casa à noite parece que se vê coisas a passar que não existem!
– como se pode fazer uma relação causa-efeito se não está provado ter havido uma causa externa?? Enfim…
– parti-me a rir com o neurologista. “Os nossos pilotos são os melhores do mundo”. Sobre informações objectivas, estamos esclarecidos. Quando diz que eles não andam a inventar discos voadores, prova que não percebe o fenómeno. Alguém falou de invenções? Enfim… Mais uma análise sem sentido!

Conclusões:
– o facto da série continuar a parecer ter sido realizada no final dos anos 70 é ém muito mau. Convinha que os autores percebessem que já estamos no século XXI, que o mundo mudou, que a TV mudou, e que a exigência da audiência mudou.
– infelizmente parece que os autores do programa não mudaram e continuam presos a formatos de programas de há 30 anos atrás.
Parece-me, como já tinha dito, um TV Rural dos anos 70… mas atrasado 30 anos! Não faz sentido.
– a estrutura do programa é deveras desmotivadora… não tem qualquer chama!
– além disso, revela um amadorismo confrangedor, sobretudo tendo em conta séries científicas de grande qualidade.
– faz falta no seio dos autores do programa uma avaliação objectiva. Pensam que o programa está perfeito e por isso não aceitam as críticas. Não querem que o programa melhore. As pessoas são surdas às críticas que levariam o programa para outros patamares. É sinal de pouca inteligência. É pena.
– em sentido contrário, há que perceber que apesar de todas as críticas, o programa até tem algum valor, na medida em que mostra todo um trabalho destas pessoas, durante anos. É uma forma destes investigadores mostrarem o seu trabalho, de darem uma noção histórica dos casos em Portugal, e de se perceber a investigação social que é feita.
– o objectivo do programa é uma descrição sócio-histórica. Não é sobre o que verdadeiramente aconteceu, mas sim sobre o que as pessoas pensam que viram ou pensam que aconteceu. É uma análise sociológica! Importante, sim senhor! Mas não científica!
– o estarem-se a borrifar totalmente para a ciência faz com que o programa fique a anos-luz do que poderia ser. Eu que até gosto do tema da série, noto que nesse sentido o programa tem uma qualidade muito fraca. Não tem qualidade, é uma desilusão para quem gosta destes assuntos e gosta de tentar chegar ao que realmente aconteceu. É um péssimo trabalho de divulgação!
– para quem gosta destas matérias, a visualização de cada episódio é uma experiência bastante penosa… e é pena! Já que poderiam ter feito um programa realmente de qualidade.
a ideia era boa; a sua execução é um perfeito disparate!
– cientificamente, e mesmo em termos de entertenimento, o programa precisava de ser fortemente melhorado. É pena que os autores do programa não façam uma auto-crítica objectiva e percebam isso.
– não é uma série para esquecer, mas sim para ficar como exemplo sobre o que não se deve fazer.
– é uma divulgação de pseudo-tretas onde se fomentam crenças e auras de mistério onde elas não existem.
– a série tem uma perspectiva histórica, mas falta-lhe a parte de ciência. Em vez de se concentrarem em explicações lógicas e científicas, o ênfase é dado ao mistério (quando muitas vezes ele nem existe), à pseudo-ciência, e à simples crença religiosa. Como fonte histórica, e como apresentação de um trabalho feito por investigadores competentes ao longo de décadas, a série é boa; mas perde incrivelmente em termos de honestidade científica na forma como os argumentos e os resultados são apresentados. Pessoalmente, parece-me que, tal como os astrólogos na TV, estes também andam a enganar a audiência que têm.

Para o bem objectivo da OVNIologia, ainda bem que este programa acabou.
Foi uma série fraca sobre os casos mais importantes de OVNIs em Portugal.
Pensem é em fazer um programa em condições, com uma análise crítica, lógica e eficiente.

Como admirador de tudo o que é OVNI, e como conhecedor de algumas pessoas competentes ligadas ao meio ovniológico nacional, fico triste por se fazer um programa que deixa bastante a desejar. Fico triste por se estar a continuar a arrastar a OVNIlogia pela lama da pseudo-ciência.

Pela ciência, contra o obscurantismo da pseudo-ciencia, e contra uma má divulgação da OVNIlogia,

8 comentários

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    • Jaime Carrageta on 11/12/2014 at 20:00
    • Responder

    É melhor programas assim que te parecem dos anos 70 do que um bem moderno e idiota como há aí tantos. Querias se calhar um como os americanos fazem em que estão constantemente a repetir-se e que são sempre no geral de muito mao gosto para não estar aqui a dizer uma asneira.

    1. Se ler o artigo, percebe que não foram feitas comparações entre este programa e outros:
      http://www.astropt.org/2011/12/13/extraterrestres-antigos/

      Até porque a existência de programas pseudo, não invalida que se tivesse mais cuidado na análise crítica dos fenómenos neste programa.

  1. Parece-me que o problema da sua interpretação é que queria ver ciência onde ela não se mete…a não ser num tal projeto SETI…que até hoje não encontrou indício algum sobre a possibilidade de não estarmos sós no Cosmos. Se encontrou, não foi divulgada, que eu saiba.
    Eu conheço outros casos ou relatos que, nestes programas não foram divulgados. Em Portugal, existem muitos mais. Não podemos dizer que todos os relatos não passam de folclore. Não podemos julgar alguns casos pelo todo. Lá porque em Monsanto, colocaram umas luzes…e as pessoas afirmaram que viram coisas diferentes, não significa que os relatos deste programa, tenham que ser descartados…nem sejam fruto de crendices populares.
    Não preciso de intitular-me licenciado em coisa alguma, nem que sou investigador. Paralisia do sono pode ser uma explicação, pode não ser o caso do pastor de Ferreira do Alentejo. Também me lembrei disso, mas não posso afirmar, categoricamente que o homem sofreu disso. Além do mais…não explica a razão pela qual…mesmo já em pé…correu para longe, continuando a avistar o mesmo objeto e as mesmas luzes. Depois, temos vários casos de pilotos da Força Aérea Portuguesa. Devemos saber que por esse mundo fora, o que não faltam são relatos de pilotos. Até hoje nada se sabe sobre que viram eles…e explicação científica para o que relataram. Como digo, ciência não se mete nisto, a não ser para apontar antenas para o espaço. Acha que a ciência tem contribuido para a explicação séria do fenómeno? Eu acho que não, talvez porque não tenha homens capazes de lidar com uma realidade para a qual, não estão preparados. A sua afirmação sobre a sua lógica de os Et serem super inteligentes e depois deixarem cicatrizes numa possível mulher abduzida, como forma de descredibilizar…qual lógica?? Você sabe se existem ET? E será que são assim tão cuidadosos ou inteligentes? Tem provas disso? Tem provas de que de facto, viajam milhões de quilómetros pelo espaço? O que é que o facto de serem super inteligentes, tem que ver com deixarem marcas físicas…quer nas pessoas…no terreno? Já perguntou a algum deles , se de facto viajam pelo espaço? Afinal de contas…você também argumentou com base em nada. A não ser que já tenha tido algum encontro imediato e o prove cientificamente
    Os ficheiros da MUFON estão cheios de relatos semelhantes aos do CTEC. Muito curioso, no mínimo…aquilo que lá podemos encontrar. Arrisco-me a dizer, que mesmo que um dia, venhamos a ser cumprimentados em carne e osso, por alguma civilização ET, a maioria dos homens e mulheres deste mundo se esconda na sua ignorância e soberba…e diga que foi tudo uma alucinação coletiva.

    1. Caro Fernando,

      Por todo o seu comentário mostrou que não sabe quem detém o ónus da prova. A sua forma de argumentar falaciosa é comum nos pseudos e nos religiosos, mas este é um local de ciência. Respeite os sítios onde entra.

      No final do seu comentário mostrou claramente como vocês, religiosos crentes em parvoíces sem quaisquer evidências, pensam: você acha que os ETs vêm nos cumprimentar. Esse é um antropocentrismo extremo próprio de mentes da Idade Média… ou até mais antigas.

      De resto, leia os nossos artigos da categoria OVNIs. São mais de 300. Pode ser que aprenda alguma coisa de modo a sair do seu fundamentalismo religioso.
      http://www.astropt.org/category/ovnis/
      http://www.astropt.org/2014/03/16/como-distinguir-ovnis-de-naves-extraterrestres/

      E, por fim, sim, a ciência está em todo o lado, não só no SETI.
      Você está neste momento na internet, que lhe é dada através de várias leis e teorias científicas, todas elas pensadas por humanos. Não precisa imaginar mistérios onde eles não existem. Não precisa inventar que foram os ETs que entraram na mente das pessoas. Não precisa se mostrar como hipócrita e cuspir no conhecimento que está a utilizar.
      O próprio Fernando pensa de forma científica milhões de vezes ao dia e sempre com 100% de sucesso. Mas talvez seja sucesso científico a mais para si, por isso é que no assunto da ovniologia prefere pôr o cérebro racional de lado.
      http://www.astropt.org/2011/05/21/profecias-da-ciencia/

      Passe bem.

  2. Muito obrigado pelo esclarecimento, nem calcula a dúvida que me tirou depois de anos e anos a matutar sobre esse assunto.

    Mais uma vez desejos de um enorme sucesso, nos próximos dias espero fazer mais um donativo para a vossa causa.

    Um grande abraço!

    1. Obrigado!

      abraços

  3. Carlos,
    Em primeiro lugar, quero dar-lhe os parabéns pela excelente iniciativa da criação deste blog, bem como dos excelentes artigos criados.
    Queria colocar-lhe uma questão relativa ao episódio do fenómeno que percorreu o país de norte a sul, esse foi um caso que apesar de não o ter visto “ao vivo”, me intrigou (e intriga) bastante, recordo-me que no telejornal da RTP 1 da altura, chegaram ao ponto de dizer que o estranho fenómeno foi um reflexo de um satélite Iridium e que até o confirmaram recorrendo ao site “Heavens-Above”, o que não me convenceu, pois esses reflexos nada têm a ver, no meu entender, com o suposto objeto que sobrevoou o país, nomeadamente devido à forte luz que este imitia.
    No entanto, a explicação que aparesenta acerca do alegado teste de um missil francês é bastante coerente com o que se explicou, estranho apenas não ter sido mais divulgada pela comunicação social.
    A questão que lhe queria colocar, era se esse caso foi mesmo confirmado, pois caso a resposta seja positiva, será, para mim, a resolução de um mistério que já vem desde 2004.

    Desejo-lhe uma excelente continuação do blog, pois é de iniciativas como esta que o país precisa.

    1. Sim, confirma-se. Na altura, o lançamento era secreto. Agora, a informação já está disponível 😉
      http://www.astronautix.com/lvs/msbsm45.htm

      abraços!

  1. […] Os casos são os já por demais conhecidos, e que qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento consegue desmontar. Ou seja, não há nada de […]

  2. […] propósito). Detectar. Crítica. Sagan. Tyson. Feynman. Mori. Bill Clinton. Associações. TV com programa. Arquivos. Verdadeiros. Secretos. Satélites Espiões. Humor. […]

  3. […] Por vezes, os jornalistas são responsáveis por isto. Na sua ânsia de competirem com os novos meios de comunicação, em que qualquer pessoa pode transmitir notícias, preferem a rapidez à análise cuidadosa das informações. Em vez de pesquisarem convenientemente as notícias, e contactarem os especialistas, preferem “vender o mistério” – dando informações falsas, que são facilmente desmentidas. Este “vender o mistério” é cada vez mais usado, como forma de “vender” a notícia ou o programa, mesmo sendo totalmente falso que o assunto seja misterioso (dei o exemplo dos OVNIs, neste post). […]

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