4 grandes descobertas da Missão Kepler

Através do Manel Rosa Martins, conheci um vídeo – este aqui em cima – que compila clips referentes aos quatro sucessos mais relevantes da missão Kepler registados desde o ano passado: a descoberta dos planetas Kepler 10-b, 16-b, 20-e e 20-f, e 22-b.


Os planetas do vídeo

O Kepler 10-b – cuja existência foi anunciada ao mundo a 10 de Janeiro de 2011 – foi o primeiro planeta rochoso a ser descoberto. Encontra-se a cerca de 560 anos-luz. Tem 1,4 vezes o tamanho da Terra, mas está 20 vezes mais perto da sua estrela (Kepler-10, semelhante à nossa), do que Mercúrio do Sol. É um corpo muito quente: mais de 1300 graus Celsius à superfície.

Elementos da missão Kepler batizaram-no de «Vulcano», o nome do planeta-natal de Spock, da série de FC Star Trek. Nem Spock sobreviveria naquele forno…

A descoberta de Kepler 16-b, a 15 de Setembro do ano passado, foi uma das mais faladas na imprensa por ter sido a primeira vez que a missão Kepler identificou um planeta orbitando um sistema solar de dois sóis, como Tatoine, planeta-natal de Anakin Skywalker, o futuro Darth Vader de Star Wars.

Kepler 16b está a 200 anos-luz de distância. Ao contrário do planeta fictício Tatooine, não é um mundo deserto mas um gigante gasoso com o mesmo tamanho de Saturno.

Os astrónomos consideram como muito provável a existência de planetas rochosos naquele sistema e mesmo luas do tipo Europa ou Titã deslizando à volta deste Tatooine gasoso, mas ainda não foi possível detectá-las ali.

O Kepler 20e ganhou fama porque, até então, nunca havia sido descoberto um planeta rochoso menor do que a Terra orbitando uma estrela semelhante ao Sol. Este é demasiado quente para sustentar água em estado líquido, condição que consideramos essencial para a existência de vida.

O planeta Kepler 20f é outra descoberta extraordinária: um planeta também muito quente – mais de 400 graus Celsius à superfície – mas pouco maior do que a Terra.

O Kepler 22-b, a 600 anos-luz, é a cereja no topo deste bolo: pela primeira vez na história da Humanidade, descobrimos um exoplaneta orbitando uma estrela na chamada «zona habitável».

Julgou-se que o planeta – 2,4 vezes maior do que o nosso – pudesse conter um oceano e, nesse oceano, a «vida extraterrestre» que tanto desejamos descobrir.

Tudo o que se possa afirmar é especulativo: ainda não fomos capazes de determinar a sua massa; não sabemos ainda se é planeta rochoso, líquido ou gasoso; tanto pode existir nele o tal oceano como vir a ser um super-Vénus, tão infernal como o original.


À beira-mar

Eu acredito na existência de vida extraterrestre – claro que o Universo poderá um dia desmentir a minha crença, mas até lá escolho acreditar.

O grande Carl Sagan iniciou a sua mítica série «Cosmos» com uma analogia entre o oceano e o Universo – mar tão imenso, misterioso e inexplorado para os primeiros navegadores como o é este «oceano cósmico» para os seus equivalentes da era moderna, os astrónomos.

Lembro-me sempre dessa analogia quando vejo os miúdos na praia, à beira-mar, explorando o mar e enchendo os seus baldes de água salgada.

É isso que somos, ainda: putos a encher baldes de «água salgada» à beira do «oceano cósmico» de que falou Sagan. Dificilmente encontraremos «peixes» nesses baldes tão pequenos e de curto alcance, mas é muito possível que eles possam existir, lá longe, para além da linha do horizonte ou até no próprio balde, para além das nossas capacidades de observação.

6 comentários

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  1. Nem o ‘Universo” poderá contrariar a hipótese da existência de alguma forma de vida extraterrestre.
    Afinal, se não encontramos no nosso sistema solar, poderemos encontra-las nos exoplanetas visinhos.
    Se não encontrarmos na nossa vizinhança, poderemos então procurar em outros bilhões de planetas na nossa galáxia.
    Se não encontrarmos nenhum na nossa galáxia, podemos procurar nas outras bilhões de galáxias.
    .
    Emfim, pra acreditar que não exista vida fora da Terra, só se Deus, baixar aqui “em pessoa” e afirmar isso.
    .
    Eu já acredito que possa existir vida em muitos lugares, até na Lua.
    Hoje sabemos que existem geleiras em crateras na Lua.
    Algumas recebem luz Solar em algumas horas.
    Isto cria um derretimento e posterior congelamento.
    Portanto existência de agua-liquida, pelo menos temporáriamente.
    Se a teoria da Panspermia estiver certa, “sementes” da vida poderiam chegar lá.
    E existiria formas de vida rudimentares anaeróbicas, por lá…

  2. “Eu acredito na existência de vida extraterrestre – claro que o Universo poderá um dia desmentir a minha crença, mas até lá escolho acreditar”
    Tal como o Marco, também eu acredito na existência de vida fora da Terra.
    A grande questão que se coloca é a simultaneidade da sua existência e eventual interacção!
    Reparem que a Terra existe há cerca de 4,5 mil milhões de anos, enquanto que o género Homo iniciou a sua “separação” dos Australopitecos à cerca de 2,3 milhões de anos.
    O Homo Sapiens terá saído de África há cerca de 50 000 a 100 000 anos.
    Todo o conhecimento científico que permitiu ao homem sair da Terra e começar a captar eventuais sinais do exterior data do século passado!
    Se pensarmos que a vizinha galáxia de Andrómeda está a cerca de 2,5 milhões de anos-luz de nós e, que algures por lá, também a vida inteligente se desenvolveu/está a desenvolver-se/já desapareceu, é fácil perceber como é difícil duas civilizações encontrarem-se…
    Uma civilização pode desenvolver-se e desaparecer sem nunca se aperceber que não está só no Universo, tudo por uma questão de simultaneidade.
    Paulo Coimbra
    http://enifpegasus.blogspot.pt/

  3. Oops. Gralha! Carlos, por favor, corrige-me o erro.

    Obrigado por teres o detector de disparates a funcionar bem, Luís 🙂

    @Cavalcanti, um abraço.

    1. Corrigido 😉

  4. Olá Marco,

    Excelente vídeo e resumo !

    Abraço

    P.S. – tens um “Celcius” no texto do Kepler-10b 😉

  5. Como sempre, ótimo post, Marco. 😉

    Excelente compilação de imagens.

    Abraços.

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