Eurico da Fonseca

No seguimento da conversa sobre comentadores lembrei-me do Eurico da Fonseca, uma presença regular na RTP de outros tempos comentando assuntos de astronomia e exploração espacial. Eurico da Fonseca tinha o antigo Curso Industrial de Mecânica de Automóveis, mas desde cedo que começou a interessar-se pelo espaço e a comentar o tema em jornais e rádio. Em 1958 teve um convite para o Centro de Estudos Astronáuticos da Mocidade Portuguesa, depois, mais tarde, entrou para o Centro de Estudos Especiais da Armada, onde esteve envolvido no desenvolvimento de foguetes.

Manteve sempre a sua actividade de divulgador e foi nessa função que o conheci pessoalmente, em 1990, num encontro de astronomia em Coimbra. Era uma pessoa simples, cheia de histórias e com uma grande bagagem na área espacial. Afinal viveu o tempo em que tudo começou. Acompanhou tudo na época e até ao final da vida.

Mas a maior memória que guardo dele é obviamente da RTP. Num tempo em que mais ninguém falava do assunto a presença dele era frequente e fixava os espectadores. Tinha, no entanto, um discurso monocórdico pouco adequado para uma presença televisiva, mas, apesar disso, as pessoas gostavam de o ouvir. Como eu era um miúdo, não faço ideia se cometia erros ou não no que dizia, mas nos livros dele vejo que tinha cuidado com o que escrevia. As revisões que fez de livros eram rigorosas e tenho aí algumas. Obviamente que se deve ter enganado várias vezes levando em conta que a exploração espacial é um tema muito vasto, difícil de abarcar em todas as suas vertentes. Mas foi um homem que marcou o comentário televisivo durante muito tempo.

Ando há muito tempo para visitar uma sala que existe em sua memória na Escola Marquês de Pombal, em Lisboa, mas ainda não calhou.

7 comentários

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    • Nuno Fragoso Gomes on 02/07/2013 at 16:03
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    É estranho (ou pelo menos inglório para com o Eurico da Fonseca) que eu precise deste texto para me lembrar o quanto ele foi importante para mim e, quero acreditar, para outros da minha geração. Recordo-me sempre do Arthur C. clarke ou do Sagan a preencherem as melhores tardes que passei em frente à televisão mas a verdade é que, à sua maneira, o Eurico foi muito mais determinante na minha formação: ia de propósito todas as semanas a casa dos meus avós que me guardavam sempre as coisas que ele publicava e, quase por acaso, não fui o astrónomo que sonhava quando tinha dez anos, mas fui jornalista de tecnologias durante quase 20 anos, chegando a trabalhar com os seus ex-colegas mas cruzando-me com ele apenas um par de vezes.

    Obrigado José Matos por este “abrir de olhos” 😉

  1. Um grande divulgador destes temas de ciência, merece ser lembrado (pena que a foto apresentada não corresponda á pessoa mencionada o que fará com que muitas pessoas não se recordem).

    1. Fernando,

      Obrigado pelo feedback.

      A imagem vem do vídeo que estava no post, do Expresso, mas não estava a dar o vídeo. Já coloquei o vídeo a dar 😉

      abraços

  2. Eurico da Fonseca também traduziu bastantes obras de FC (Argonautas)? Ou estou confundida?

      • Manuel Cordeiro on 11/11/2013 at 15:34
      • Responder

      O Eurico da Fonseca, que conheci pessoalmente no jornal “O Século”, era uma pessoa como todos nós: também tinha defeitos. As traduções (muitas!) eram feitas por outras pessoas e assinadas por ele. Se se der ao trabalho de ler algumas, irá verificar que os estilos variavam muito de livro e que algumas traduções eram muito más.

      M. Cordeiro
      (ex-tradutor, já reformado e fora de prazo)

        • RH on 21/02/2015 at 06:09

        É falso que Eurico da Fonseca assinasse traduções de outras pessoas. Ele próprio as fazia. Quando eram outros, e foram muitos, assinavam eles próprios.

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