Lei vs. Teoria

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Quando estamos a explicar certos conceitos às pessoas por vezes dizemos certas palavras que as pessoas não entendem o que querem dizer, porque assumem que essas palavras têm outros significados.

Se eu, de forma informal, e como leigo num assunto tenho uma ideia qualquer para resolver um determinado assunto, isso é somente uma ideia. Por exemplo: para resolver a crise económica, devemos andar todos de branco.
Isto é somente uma ideia. Nada mais. Não é a minha “teoria”. Nem sequer é uma hipótese. É somente uma ideia no ar.

Uma hipótese é algo mais profundo. É uma opinião mais informada. Por exemplo: olho para a Lua e não entendo porque ela não cai. Então coloco como hipótese que ela realmente está a cair em direcção à Terra, mas a sua velocidade é tal que ela não consegue acertar na superfície.
Para esta hipótese já fiz, provavelmente, milhares de observações em diferentes sítios, provavelmente já testei as minhas observações com diferentes objectos a caírem para a Terra, e pretendo testar esta minha hipótese com vários experimentos e com muita matemática (tal como fez Newton).

A hipótese também tem imbuída uma previsão, que se se provar como correcta na experiência, então ficamos com mais conhecimento, e se se provar como incorrecta então além de um maior conhecimento, leva a uma nova hipótese com os novos dados.

Uma teoria científica não é uma ideia nem é uma hipótese.
Uma teoria científica nasce após as hipóteses serem testadas e provadas como correctas. A partir daí pode-se ter uma “big picture” daquilo que pode estar a acontecer, de modo a criarmos uma explicação informada e consistente.
Para existir uma teoria, é porque já se tem muito conhecimento comprovado do assunto e já se observou diferentes padrões na natureza.
Uma teoria científica nasce após milhentas observações e experiências. A teoria só aparece após se observar o fenómeno e se comprovar que ele existe com evidências. Essencialmente, a Teoria é um agrupar de diferentes factos numa única explicação consistente. Factos comprovados experimentalmente e matematicamente.
Exemplo: a maçã cai da árvore para a Terra. A Lua orbita a Terra. A Teoria da Gravidade pensada por Newton junta esses dois fenómenos, observações, factos, numa única explicação (com muita matemática), lógica, agrupante, e consistente.
A teoria é uma explicação abrangente e consistente de um grupo de fenómenos comprovados. As teorias são complexas (mais do que as leis) e interdisciplinares.

A lei científica descreve matematicamente um fenómeno específico.
Enquanto a teoria é abrangente a um conjunto de fenómenos semelhantes, a lei é directa e específica a um facto bem compreendido pela ciência.
Enquanto a teoria explica, a lei descreve.
É possível prever exactamente o resultado de uma lei, enquanto o resultado de uma teoria não é 100% previsível porque como é uma explicação consistente mas abrangente então pode ter diferentes probabilidades.
A lei é mais específica, é descrita matematicamente e as pessoas têm que a seguir mesmo que não a entendam (é ditada pela natureza).
Exemplo: Lei da Gravidade vs. Teoria da Gravidade; a Lei é algo directo e específico, enquanto a Teoria explica um enorme conjunto de situações onde se inclui por exemplo a Relatividade.

Pode-se pensar que a Lei é o corolário de uma Teoria. Pode-se também pensar que a Lei é uma Teoria aplicada a um caso particular.
Na verdade, a lei é uma generalização empírica (com uma aplicação prática) explicável pela teoria. A lei é sustentável na teoria. A teoria explica as razões para as leis funcionarem.
Aliás, apesar das teorias não se converterem em leis (ao contrário do que as pessoas pensam), as teorias também servem para se poder preverem leis.

Se lermos um pouco de Chalmers, Gardner, Trusted, Rhodes & Schaible, etc, percebemos que no nosso mundo multidisciplinar, a teoria tem um peso fortíssimo e nunca deveria ser “desprezada” como sendo “só uma teoria”.
São as teorias que nos permitem compreender o mundo nas suas diferentes vertentes, porque são as teorias que fazem as ligações entre aspectos que à primeira vista poderíamos pensar que seriam autónomos.

30 comentários

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  1. Olá , adorei o texto … Mas o que seria uma big picture ?

    1. A ideia geral.

  2. qual vem primeiro teoria ou lei?

    • Salatiel António on 01/08/2016 at 08:53
    • Responder

    eu penso que uma teoria passa a ser uma lei quando provada constantemente… quando além de provada é constante.

    1. Pensa errado…

      Essa é uma conceção errada comum nas pessoas.

  3. Finalmente encontrei uma explicação satisfatória…
    Muito grata.

    • Carlos Alberto on 04/12/2013 at 00:07
    • Responder

    A teoria científica é ou não um reflexo do real?

    1. “Uma teoria científica nasce após milhentas observações e experiências. A teoria só aparece após se observar o fenómeno e se comprovar que ele existe com evidências. Essencialmente, a Teoria é um agrupar de diferentes factos numa única explicação consistente. Factos comprovados experimentalmente e matematicamente.”

      A teoria científica é a explicação do real.

  4. Caro Carlos Lopes e Marinho

    Mais uma vez agradeço a vossa disponibilidade, e reforço que concordo plenamente com tudo o que disseram. Não coloquem isso em causa, por favor.

    Sempre disse que era leigo. Obviamente que as vossas informações cientificas são mais correctas do que as minhas noções empíricas, senão, não perguntava, nem expunha as minhas “divagações” se não fossem para ser desafiadas por quem percebe mais do que eu. Era exactamente esse o objectivo, confrontar o que verifiquei, e validar ou desvalidar os conceitos absorvidos.

    Sim, tenho algumas noções de energia e frequência! 😀
    A minha formação académica é na área de Automação e Robótica. Não sou físico nem astrónomo, é um facto.

    E como disse anteriormente, estou aqui para aprender.

    Verifiquei, assim, que o processo cientifico actual não consegue aproximar-se sequer da noção empírica que me foi dada a conhecer. Para muita pena minha…
    Também nenhum dos meus conceitos foi validado ou desvalidado. Simplesmente ainda não há resposta para as minhas questões, pois nem a pergunta é válida. Mea culpa. 😉

    Reforço que não está aqui em causa qualquer questão abstracta ou patranha. Sou um céptico até ao osso. Apenas não posso negar fenomenologia complexa que me acontece de forma recorrente, e que tive, por questões não ideológicas, mas verificáveis, de considerar como válidas.

    Perdoem qualquer “atabalhoar” de conceitos da minha parte. Obviamente, não tenho conhecimentos para desafiar qualquer lógica cientifica verificável como as descritas anteriormente, como bem sei.
    Admito com toda a certeza que adoro a veia poética, e adorava que vários campos intercedessem numa bonita descrição da nossa realidade. Sem duvida alguma, admito-o com todo o orgulho. Claro que pouco importa esta perspectiva romantizada tendo em conta que estamos num blog cientifico.

    E, na verdade, pouco importa se a ciência ainda não quantificou certos conceitos mais abrangentes. O único dado relevante será a experiência pessoal de cada um, e, especificamente para mim, a minha. Não peço para acreditarem numa única palavra dita por mim. Apenas quis observar possibilidades que poderia considerar válidas segundo a metodologia cientifica e conceitos teóricos actuais.

    Marinho Lopes, quanto às sua pesquisa e interesses, acredito plenamente que chegará ao ponto de intercepção entre a sua pesquisa e a fenomenologia de que falei. Nessa altura, peço que partilhe as suas experiências, se ainda se lembrar de mim. Não responda agora, mas depois, um dia, diga-me se ainda considera que (utilizando a perspectiva freudiana) a supressão do superego e o acesso consciente ao Id é impossível… Bem como a perspectiva que têm do inconsciente colectivo de Jung. E, já agora, do efeito e função da dimetiltriptamina sintetizada pelo corpo humano… A percepção é um conceito muito complexo, e até variável…. Pode ser que até coloque em perspectiva todos os pontos de que falou anteriormente…

    Carlos Oliveira,quanto à demonstração do fenómeno que falei, será apenas, por enquanto, uma experiência pessoal. Asseguro-lhe que não é uma questão de desinformação ou de acreditar no que quer que seja. Se transmiti que a minha experiência tinha essa vertente, peço desculpa. Mas espero, num futuro próximo, organizar uma serie de experiências para verificar a validade deste fenómeno, e, se me permitirem e considerarem pertinente, vou expo-la aos senhores, se considerarem interessante o estudo destes e outros fenómenos.
    Conheço razoavelmente o trabalho de Tesla, nunca disse que ele sabia mais do que nós, apenas que estava à frente do seu tempo! 😉

    Com todo o respeito, sendo apenas a minha perspectiva, não considero que as minhas perguntas tenham sido respondidas, apenas as tecnicalidades foram sujeitas a desafio e resposta. E não é essa a componente que procuro ver respondida…

    A conclusão a que chego é que a ciência está sempre limitada às condições de sua época. E sempre em constante evolução. Partindo dessa premissa, quem sabe se amanha esta concordância será possível.

    Concluindo, apenas sei que nada sei… 😀

    Um grande abraço aos dois, e o meu muito obrigado!

    1. abraços! 😉

    2. Ficamos à espera da descrição e resultados dessas experiências. 🙂

      Quanto ao que prevê para o meu futuro: é muitíssimo improvável. As neurociências são ainda um campo de estudo muito infantil, longe de abordar questões como a consciência. Actualmente gastam-se milhares de milhões de euros para tentar simular um cérebro humano (Blue Brain Project), mas já se prevê o fiasco que vai ser. Naturalmente vão-se descobrir muitas coisas novas, e isso irá ser certamente usado para justificar o investimento, mas a verdade é que o suposto objectivo central não vai ser alcançado. Porquê que sou tão pessimista? É simples: já se conhece a rede de neurónios de alguns animais bastante simples, sendo possível simular o cérebro deles, contudo ainda não se compreende como é que esses cérebros funcionam. Extrapolar para o nosso cérebro não irá trazer a solução. Infelizmente (ou felizmente, para quem estuda), falta ainda compreender aspectos essenciais no funcionamento do cérebro. Neste momento têm-se basicamente grandes bases de dados que caracterizam aspectos particulares das células que constituem o cérebro, sendo a nível microscópico já muita coisa compreendida. O problema é que para compreender o todo não basta juntar tudo num saco e esperar que tudo funcione. É necessário compreender efectivamente como é que a interacção se dá entre todas as células. Como diria o Prémio Nobel da Física Philip Anderson: “More is Different”.

      Abraço,
      Marinho

  5. Boa tarde, Carlos

    Antes do mais, tenho de lhe pedir desculpa. Quanto ao que o Carlos Oliveira diz “uma lei científica não é a fase final de teorias, hipóteses ou teoremas”, têm toda a razão, foi lapso meu pela forma como coloquei as frases. Apenas estava a enumerar, não a catalogar. Deveria ter-me explicado melhor, e foi uma má escolha de construção frásica da minha parte. As minhas sinceras desculpas. 🙂

    Concordo plenamente. A minha afirmação foi a titulo pessoal. Embora o ónus de prova, neste caso especifico, será moderadamente difícil de obter, fora da perspectiva individual e sem experimentação científica. Mesmo as experiências neste campo foram sistematicamente postas de parte pela comunidade cientifica por não serem plausíveis o suficiente. demasiado rebuscadas, dependentes, e intercedem com ideologias das tais pseudo-ciências.
    Neste campo, terei todo o prazer em expor os métodos que vim a estudar e desenvolver, bem como explicar a qualquer interessado a metodologia para, eles próprios, experimentarem e tirarem as suas próprias conclusões empíricas, isentos de qualquer convicção ou conceito anterior.

    Como descrevi anteriormente, tenho uma mente cientifica. não tenho de todo culpa de me ter sido possível experimentar uma miríade de fenomenologia que me leva a considerar que a ciência ainda não tem respostas porque não está a colocar as perguntas certas, e teima em olhar para o outro lado em vez de analisar este fenómeno de uma forma séria. Não conheço nenhum estudo cientifico sério neste campo desde os anos 60. é daí que vêm a minha “frustração”

    A única razão que me leva a insistir neste ponto é o acumular de dados pessoais. Mediante algumas experiências pessoais, verifiquei que, tanto quanto sei, este fenómeno é real, sendo um contrasenso à priori. Provas empíricas há, medições concretas e utilizáveis, ainda não…
    Tendo em conta que, penso eu, a minha sanidade mental não está em causa, é um fenómeno extraordinário que merecia atenção séria e metodologia cientifica para o seu estudo.

    A minha noção natureza cíclica e vibracional do espaço-tempo não é passível ser observada de forma convencional, mas que, na minha perspectiva, não o poderá ser…

    Amplitude vibracional de que falo não será diferente da forma como a luz reflectida por um objecto nos dará uma determinada amplitude de onda que o nosso cérebro traduz na cor azul, por exemplo. Oscilações de campos electro-magnéticos. Não sei se estou a usar a terminologia correcta, mas, como leigo que sou nesta matéria, peço mais uma vez a vossa compreensão e paciência.

    Obviamente que não coloco em causa a casualidade e a causa-efeito, mas não encaro o tempo como uma linearidade. Claro que é inegável do ponto de vista humano, mas acredito que o tempo também pode ser observado por uma perspectiva não linear.

    De grosso modo, vou apresentar a minha perspectiva pessoal da teoria das supercordas de uma forma explicável a uma criança de 6 anos. Pergunto-me se estará de acordo com a vossa perspectiva.
    Vamos assumir que existe uma composição de 4 frequências fractais (ups!) composta por valores dados por 3 cordas. x, y,z, como num eixo cartesiano, intercedidas por uma quarta corda, com o vector T (tempo), obtemos um determinado valor de x, y e z numa intercepção do eixo a um dado valor de T, que nos dá o mundo tridimensional. Neste caso, o valor da velocidade da luz C não seria uma factor resultante de um acontecimento compassado, e, portanto, mais lento do que se pensava, dependente de um ciclo “superior”?
    Ou seja, a existência do nosso universo como um acontecimento esporádico, cuja repetição constante nos dá a noção de continuidade…
    Era uma criança de 6 anos precoce…

    Nesta linha de raciocínio, a localidade será apenas uma perspectiva temporal. Tentar quantificar o universo a partir de um ponto relativo do nosso espaço-tempo será bastante difícil.

    O factor da gravidade ser a mais fraca das forças primordiais poderá ser um ponto de partida para explicar o factor da natureza esporádica da matéria?

    Se assumirmos o tempo como uma não linearidade, não irá colocar em perspectiva a causa-efeito? é aqui que intercedo com a componente do observador. Para nós, esta é a realidade. Será apenas isto? Devaneio filosófico, mais uma vez…
    Se alguém sob uma perspectiva sobre-empírica afirmar ser possível ir ao sol e voltar em menos de 16 minutos, o que nos dirá isso acerca das leis fundamentais da física actual?

    Nikola Tesla afirmou que o universo pode ser compreendido por energia e frequência. Concordo plenamente com esta afirmação. Obviamente, a validade cientifica das suas experiências estará para alem de qualquer duvida. Vamos admitir que este senhor estava muito à frente do seu tempo, e vamos partir também do pressuposto que a fenomenologia de que falei anteriormente era bem conhecida e experimentada por este senhor…

    O trabalho de pessoas como Charler Tart e Robert Monroe, por exemplo, ou pesquisas no campo da noética são redireccionados para longe da ciência e colocado em recantos obscuros e desacreditados pela comunidade cientifica. Obviamente, concordo com a sua afirmação quanto à premissa da ciência se basear na procura do erro. E é assim que deve ser. Apenas gostava de ver uma análise concreta ao juntar dois campos que, na verdade, me parecem bastante concordantes, apesar de pouca gente concordar com esta afirmação…

    Os assuntos que aqui exponho são uma tentativa de conciliar as minhas noções cientificas com as minhas experiências empíricas. Estou apenas a tentar compreender aquilo que já sei. Partindo do total cepticismo, e demonstrando apenas o que me foi possível observar.

    Mais uma vez, agradeço a vossa disponibilidade e paciência.

    Um abraço

    1. Olá Carlos,

      Mais uma vez, tenho dificuldades em compreender o seu comentário.

      Fala da luz reflectida por objectos e pela forma como nós compreendemos as cores. Isso está explicado pela ciência. Não tem a ver com assuntos como “consciência” ou dilemas quanticos de que falou anteriormente.

      Fala de energia e frequência.
      Sabe que isso são conceitos físicos e matemáticos, certo?
      E que estão perfeitamente explicados.
      Aliás, tem até equações em que os inclui.
      http://www.chemguide.co.uk/atoms/properties/eequalshv1.gif
      Imaginar que se está a falar de termos “abstractos” e incompreendidos, é ignorar o conhecimento científico.

      Fala de Tesla, que é um “guru” das seitas New Age.
      Sim, Tesla testava com radiação que não conseguia ver. Para ele, era tudo um grande mistério que ele pretendia desvendar.
      Hoje, já conhecemos bem essa radiação. Sugiro que leia sobre o Espectro Electromagnético, e fica a saber 500% mais que alguma vez Tesla soube.
      A não ser que pense que Tesla sabia mais que nós sabemos agora, o que é um enorme disparate, bastando para isso ler o seu trabalho (note que digo que se deve ler o trabalho dele, e não o que certos websites ou livros vigaristas dizem que ele fazia).

      Quando ao fenómeno que experenciou e que pretende, penso eu, demonstrar para toda a gente de modo a mostrar que existe mais para além daquilo que compreendemos hoje, só posso sugerir o que sugeriria a qualquer pessoa (cientista, curioso, etc): faça as experiências direitinho, com o mínimo de contacto possível, do tipo double-blinded, e depois escreva e publique sobre isso num journal com peer-review de modo a que outros repliquem a sua experiência algumas centenas de vezes para tentar chegar aos mesmos resultados.
      Isso é ciência. É assim que o mundo evolui 😉

      abraços!

  6. Sem duvida! E também concordo consigo na parte dos teóricos da conspiração.
    Apenas considero que algumas teorias (lá está) defendidas por ele até tenham o seu quê de interessantes.

    Abraço

  7. Já agora, acrescento algumas palavras dirigidas ao caríssimo Carlos Oliveira.

    Acabei de ler o artigo sobre o no diário de noticias, onde está bem patente o seu interesse por vida extraterrestre.

    Pergunto-me a perspectiva que tem sobre o CSETI e o trabalho do Dr Steven Greer.

    Abraço

    1. O Steven Greer não está interessado em astrobiologia…
      Na verdade, quem defende teorias de conspiração, pode pensar que ele faz de propósito para disseminar desinformação.

      abraços

  8. Muito obrigado aos dois pelas vossas palavras.
    Caro Carlos, obrigado pelas suas palavras e links.
    Caro Marinho Lopes, permita-me dizer-lhe que não foi nada mesquinho, e apreciei imenso as suas palavras e agradeço o tempo que dedicou ás minhas questões.
    Em jeito de brincadeira, admito que, sempre que concordam comigo, acho logo que estou errado. Estou aqui com o intuito de aprender.

    Peço desculpa desde já pela falta de organização das minhas respostas, mas vou tentar organiza-las de forma perceptível…

    Antes do mais, penso que será adequada uma explicação quanto á razão das minhas questões, e o que esperava obter ao coloca-las.
    a minha visão pessoal, bem como o meu percurso académico permitiu-me uma incontornável curiosidade quanto a factos científicos, e, consequentemente, desenvolver uma mente cientifica.
    Como está patente na referência à minha pessoa como “leigo”, torna-se importante referir que não estou à vontade nos temas aqui retratados, daí as minhas questões.

    Agora, neste contexto, peço paciência, compreensão e mente aberta da parte dos senhores…
    Penso que seja importante referir que não sou defensor, membro ou praticante de nenhuma religião, culto, seita, movimento, filosofia ou até de qualquer outro conceito equiparado.
    Mas, durante a minha existência, foi-me possível observar uma série de fenómenos, recorrentes ou isolados, que vieram a desafiar a minha percepção geral do universo e existência. Ao experimentar estes fenómenos, com recurso a métodos de verificação e validação concreta, foi-me possível verificar uma serie de situações que colocaram em perspectiva uma serie de teorias cientificas.
    Grande parte delas vieram a coincidir perfeitamente, outras, nem por isso.
    Não procuro aqui uma resposta ou explicação filosófica, mas sim uma forma de explicação teórica passível de ser concordante com a minha experiência pessoal. Como muito bem foi dito, o universo é independente da opinião… seja ela cientifica ou não.

    No meu texto anterior, entenda-se por observador como eu próprio, sob uma perspectiva não convencional. Não me parece o sitio ou altura indicada para explicar a natureza desta observação.

    Apenas me parece um tanto nada “fácil” descartar uma ideia, conceito ou teoria como absurda utilizando o principio da navalha de Ockham, portanto, neste contexto, apenas não concordo com os “não” terminantes, embora sejam, na verdade, “por enquanto, não parece possível de comprovar cientificamente”…

    O Carlos Oliveira referiu Schrödinger. Suponho que seja do conhecimento geral que Schrödinger defendia a existência de consciência, referindo até que o numero de consciências no universo totalizava um unidade. Acrescento que, pessoalmente, concordo plenamente com esta afirmação.

    Embora a minha mente cientifica procure conciliar o método cientifico e descarte pseudo-ciências, a minha própria experiência valida a existência de consciência.
    Obviamente, não é comprovada cientificamente, mas peço que compreendam que tenho de considerar essa hipotese como válida.
    Infelizmente, sempre sem verificação e medição, todos os assuntos sobre este tema terão de ter uma determinada componente filosófica, embora não seja minha intenção que assim seja.

    2/4)Quanto á validade da ideia de consciência quântica, apenas defendo a ideia/hipótese, e apenas isso, do colapso da função de onda ser causado por entrelaçamento quântico com o observador
    Caso esteja interessado no outro lado do desenvolvimento deste tema, faço referencia a Eugene Wigner, que assumiu que o colapso da função de onda é causado pela sua interacção com a consciência.
    A hipótese da consciência quântica: http://en.wikipedia.org/wiki/Quantum_mind

    Mas afirmo aqui que a consciência quântica existe. É uma afirmação tão válida quanto a negação.

    A sobreposição quântica é um princípio que afirma que um sistema físico existe parcialmente em todos os estados teoricamente possíveis simultaneamente antes de ser medido. Porém quando observado, o sistema mostra-se em um único estado… O que irá definir esse estado?…
    Concordo com o que disse, mas será sempre um paradoxo.

    Sim, estaremos a falar do mundo quântico, não do real.. Mas não será possível que a própria sobreposição quântica crie um paradoxo? Ou a entropia é um constante? E o caos será o caminho da nossa realidade? Mais uma vez, peço desculpa pelo devaneio filosófico…

    Quanto á expressão “jamais podemos vencer essa limitação”, permita-me discordar…

    Também não seria possível ultrapassar a velocidade da luz. No entanto, estamos a fazê-lo neste momento

    3)Quanto aos fractais, estava a referir-me à capacidade de um fragmento de um sistema complexo conter toda a informação desse mesmo sistema. Não um padrão visual.

    “Um fractal é um objecto geométrico que pode ser dividido em partes, cada uma das quais semelhante ao objeto original. Diz-se que os fractais têm infinitos detalhes, são geralmente autossimilares e independem de escala. Em muitos casos um fractal pode ser gerado por um padrão repetido, tipicamente um processo recorrente ou iterativo.” in “http://pt.wikipedia.org/wiki/Fractal”

    6) Quanto ao numero astronómico de que falei, não me estava a referir ao tamanho do universo, mas sim a sua organização potencial. Bastaria uma pequena alteração, por exemplo, da velocidade de expansão, para inviabilizar completamente a existência do universo “como o conhecemos”. Penso que seja compreensível a minha reticência em acreditar que fomos vencedores de uma “lotaria cósmica”, perdoem a minha expressão.

    A minha parca compreensão do multiverso, de uma forma muito sucinta, encaixa-os no campo local do nosso universo, desfasado apenas por amplitude vibracional. Não desenvolverei este tema devido a carência de fontes, é apenas um conceito pessoal.

    Citando Marinho Lopes “Do ponto de vista científico não significa absolutamente nada, porque essa “verdade” só poderia ser verificada fora da nossa percepção limitada do mundo, o que, dentro desta “filosofia” é impossível”

    Concordo plenamente… segundo percepção limitada
    Com uma percepção limitada, não há verdade que possa ser verificada, apenas descrita…

    1/5)Quanto à teoria do Big Bang, ou das supercordas, ou multiverso, ou consciência, apenas defendo que o desconhecido não é senão algo que ainda desconhecemos. Por enquanto.
    A teoria das supercordas parece-me válida devido ao factor que defende que o universo é constituído por de frequências ressonantes não locais.
    “Sendo eu um interessado no estudo da consciência, na minha experiência pessoal e subjectiva, acredito que a teoria das supercordas será, com relativa certeza, a representação mais próxima , quando complementada com a componente fractal.”

    Infelizmente, não posso desenvolver esta e outras afirmações sem cair no ridículo, devido a lacunas de informação e conhecimento geral. Mas asseguro que, na minha perspectiva, o fenómeno vibracional e fractal, bem como a compreensão da consciência, são factores chave para a compreensão do universo.

    Infelizmente, temos de admitir que a comunidade cientifica tende a preocupar-se mais com a negação à priori do que com a pesquisa válida de conceitos inovadores e métodos não convencionais.

    Mas qualquer conceito será sempre uma ideia, teoria, teorema, hipótese, até ser uma lei cientifica.
    Por muito disparatada que uma ideia possa parecer ser, apenas defendo que não seja logo posta de parte. Claro que estou a brincar ao dizer o que se segue, mas recordemos que a Terra já foi quadrada…

    Mais uma vez, o meu muito obrigado pelo vosso tempo e paciência
    Um abraço

    1. Algumas notas de resposta 😉

      A afirmação não é tão válida como a negação, porque existe um “princípio” chamado ónus da prova: quem afirma é que tem que provar.
      Se eu afirmar que o meu cão consegue voar, não é da responsabilidade do Carlos provar ou negar a minha afirmação, mas quem afirma algo extraordinário – neste caso, eu – é que tem que provar o que afirma 😉

      A sobreposição não é um paradoxo porque é um assumir teórico dos humanos, um “truque”, uma forma de se compreender o fenómeno.
      Deixe-me dar-lhe um exemplo: uma árvore cai na floresta, mas ninguém a vê caída. Será que caiu?
      A árvore caiu. A realidade é que ela já caiu. Mas como não temos essa informação, para nós ainda não sabemos se já caiu ou não. Para nós, ainda está de pé e caída simultaneamente. Mas isso é para nós. A realidade, independente de nós, é que ela já caiu. Claro que em termos macro, ninguém pensa assim.

      O caos é uma teoria científica. É cheia de normas, princípios, e compreensão dos humanos 😉
      Não é um caos… como se define popularmente 😉

      Onde estamos a ultrapassar a velocidade da luz?

      Quanto ao multiverso… o que é a amplitude vibracional? E o que entende por frequencia?
      Estamos a falar de física e de matemática?
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Frequ%C3%AAncia

      Não sei porque é infelizmente que a comunidade científica se preocupa com a negação. Há quem diga que o pensamento científico baseia-se na procura do erro. Só assim se consegue ter mais evidencias que certa ideia vai passando as diferentes fases de avaliação.
      E ao contrário do que diz, a ciência é extremamente inovadora e utiliza muitas vezes métodos não convencionais… que quando dão certo, passam a ser mais ortodoxos, evidentemente. Afinal, o que funciona, deve-se usar.

      Não, uma lei científica não é a fase final de teorias, hipóteses ou teoremas. Pelo contrário. A explicação está neste post.
      Leu este post? É que já é a 2ª vez que fala de leis científicas de forma completamente oposta ao que está explicado no post…

      Nenhuma ideia é imediatamente posta de parte. Mas é posta de parte após ser avaliada como bastante improvável 😉

      A Terra nunca foi pensada como quadrada…
      Aliás, já se sabe que a Terra é redonda desde Aristóteles. Bastou 3 observações simples com os olhos, para ele provar esse facto há quase 2500 anos atrás. Isto é algo que já expliquei em posts antigos 😉

      abraços!

    2. Sem querer repetir o que o Carlos Oliveira disse, volto a comentar algumas coisas que afirma:

      1) “O Carlos Oliveira referiu Schrödinger. Suponho que seja do conhecimento geral que Schrödinger defendia a existência de consciência, referindo até que o numero de consciências no universo totalizava um unidade. Acrescento que, pessoalmente, concordo plenamente com esta afirmação. (…) faço referencia a Eugene Wigner, que assumiu que o colapso da função de onda é causado pela sua interacção com a consciência”

      Até mesmo os cientistas têm direito a ter opiniões pessoais não científicas. É o caso. Usando o artigo que refere da wikipedia: “However, modern physicists and philosophers consider the arguments for an important role of quantum phenomena to be unconvincing.”

      2) “Mas afirmo aqui que a consciência quântica existe. É uma afirmação tão válida quanto a negação”

      Suponho que afirme isto pensando que não é possível na prática demonstrar que a consciência não resulta de processos quânticos. Por um lado, como disse o Carlos Oliveira, quem afirma que o Pai Natal existe é que tem que demonstrar que ele efectivamente existe; por outro, o funcionamento do cérebro resulta da interacção entre neurónios, os quais são objectos clássicos, cujo funcionamento não necessita de qualquer Mecânica Quântica para ser entendido. O melhor modelo matemático que se tem do funcionamento de neurónios é o de Hodgkin-Huxley, o qual parte de uma descrição completamente clássica. Não é certamente por acaso que todos aqueles que defendem a consciência quântica parecem ter um conhecimento muito reduzido sobre o que efectivamente se sabe em neurociências.

      3) Mas não será possível que a própria sobreposição quântica crie um paradoxo?

      A interpretação da Mecânica Quântica parece de certo modo paradoxal, uma vez que desafia a nossa lógica mais elementar. É porém importante ter em conta que essa mesma lógica foi fundada com base na observação do mundo clássico, o qual é governado por leis diferentes. Assim, não se pode aplicar a “nossa lógica” ao mundo quântico. Por outro lado, e pelo que entendi da sua resposta, provavelmente não estará a par: é possível chegar a uma descrição clássica de um fenómeno partindo da sua descrição quântica. Imagine o movimento de uma bola de futebol. A bola é constituída por partículas que são governadas pela Mecânica Quântica, sendo assim, é possível caracterizar o movimento da bola através de uma formulação clássica considerando a bola um objecto rígido, ou caracterizando o movimento conjunto de todas as partículas que constituem a bola (e que estão sujeitas aos “paradoxos”). Ambas as formulações do problema dão evidentemente o mesmo resultado (clássico), o que significa que em problemas clássicos dá-se simplesmente o caso de os “paradoxos quânticos” se “cancelarem mutuamente”…

      4) “Quanto á expressão “jamais podemos vencer essa limitação”, permita-me discordar…
      Também não seria possível ultrapassar a velocidade da luz. No entanto, estamos a fazê-lo neste momento”

      Eu permito, desde que se justifique. 😛 Eu disse que o Homem só pode estudar o mundo que percepciona. Como se pode ultrapassar esta limitação? Não é uma limitação teórica, é uma limitação lógica. (No ponto 6) que a seguir cito, já concorda comigo.)

      Quanto à velocidade da luz, não o estamos a fazer. Houve uma experiência que parecia apontar nesse sentido, mas verificou-se que o resultado estava incorrecto devido a uma falha técnica na montagem experimental.

      5) “Quanto aos fractais, estava a referir-me à capacidade de um fragmento de um sistema complexo conter toda a informação desse mesmo sistema.”

      A auto-similaridade não implica isso.

      6) “Citando Marinho Lopes “Do ponto de vista científico não significa absolutamente nada, porque essa “verdade” só poderia ser verificada fora da nossa percepção limitada do mundo, o que, dentro desta “filosofia” é impossível”

      Concordo plenamente… segundo percepção limitada
      Com uma percepção limitada, não há verdade que possa ser verificada, apenas descrita”

      Pode ser verificada e descrita, simplesmente trata-se de uma verdade aplicável ao nosso mundo perceptível, que é de resto o único que conhecemos, o único que realmente existe para nós, daí que seja erróneo distingui-lo de qualquer outro mundo que imaginemos existir.

      7) “Infelizmente, não posso desenvolver esta e outras afirmações sem cair no ridículo, devido a lacunas de informação e conhecimento geral. Mas asseguro que, na minha perspectiva, o fenómeno vibracional e fractal, bem como a compreensão da consciência, são factores chave para a compreensão do universo.”

      Infelizmente, e sem querer ser indelicado, não consegue evitar esse ridículo. Dá a ideia que o Carlos Sousa leu sobre vários assuntos diferentes, obteve um conhecimento parcial sobre alguns conceitos interessantes e usando esse conhecimento incompleto tentou juntar tudo num todo harmonioso, onde certas palavras complexas parecem dar uma explicação àquilo que a humanidade ainda desconhece. É como que uma poesia com palavras científicas… Porém, em Ciência, ao contrário da Poesia, os conceitos têm significados bem específicos, sem espaço para ambiguidades ou interpretações múltiplas.

      8) “Infelizmente, temos de admitir que a comunidade cientifica tende a preocupar-se mais com a negação à priori do que com a pesquisa válida de conceitos inovadores e métodos não convencionais.”

      Mesmo que isso fosse verdade: tem a Ciência tido uma má experiência com o seu método? Os resultados estão à vista. Por outro lado, o método actual é aquele que evoluiu ao longo dos séculos, vencedor da “luta darwnista”… Mas não, não é isso que se passa em Ciência, muito pelo contrário. É no entanto compreensível que seja essa a ideia que passe “cá para fora”, pois na interacção dos cientistas com os leigos é comum que estes últimos proponham os seus devaneios, os quais são por norma imediatamente refutados, o que pode dar a ideia errada que ao leigo que os cientistas são muito fechados a novas ideias. De facto, as ideias dos leigos não são por norma novas – obviamente que no meio científico os cientistas também pensam muito e também têm essas e outras ideias, pelo que o caso geral é que a ideia proposta seja simplesmente algo que já foi descartado pela teoria aceite. O cientista não precisa de fazer nenhuma experiência para verificar que o leigo está errado: essas experiências já foram feitas no passado.

      Cumprimentos,
      Marinho

  9. Antes do mais, os meus sinceros parabéns ao senhor Carlos Oliveira por este e outros artigos. É sempre um prazer aceder a informação interessante e bem estruturada, além de muito agradável de ler.

    Aproveito assim para colocar algumas observações pessoais, perguntas, e, porque não, espero também suscitar alguma curiosidade quanto ao assunto que se segue.
    Como leigo que sou, parece-me que a “hipótese” das supercordas, infelizmente, não será passível de ser comprovada pelo método cientifico, pelo menos por enquanto. Mas, a meu ver, estará bem próxima de uma hipótese válida.

    Pela parca noção e interesse que tenho de física quântica, tudo o que foi passível de ser contemplado recorrendo ao LHC, aquando da pesquisa da hipotética existência do Bosão de Higgins, foi a observação de uma infinidade de partículas, partículas essas que apenas “existem” em relação a outras, e tudo o que lhes confere diferenciação é o seu estado vibracional.

    Ora, a hipótese/teoria das supercordas defende, a grosso modo, que o Universo/ Multiverso é regido por uma espécie de “orquestra” de filamentos ressonantes não locais.

    Sendo uma teoria que facilmente se converte utilizando um eixo de coordenadas espaço-temporais, é sem duvida uma bonita e simples representação teórica do nosso Universo.

    No campo da física quântica está também patente a particularidade do dilema do observador. Um fenómeno extremamente interessante. Deixo ao vosso critério aprofundar ou não este tema.
    Mas a ideia que surgiu desta teoria, ou seja, que o Universo vêm a existir por intermédio da observação da consciência é, por si só , algo fascinante.

    Ora, aqui, intervenho com a minha ideia. A hipótese é totalmente verificável, embora apenas de forma pseudo-cientifica, e pessoal.
    Sendo eu um interessado no estudo da consciência, na minha experiência pessoal e subjectiva, acredito que a teoria das supercordas será, com relativa certeza, a representação mais próxima , quando complementada com a componente fractal. Não vou prolongar este assunto devido ao carácter subjectivo do observador.

    Dito isto, gostaria de colocar algumas questões.
    E, obviamente, a vossa opinião sobre assuntos relacionados.

    Sendo a existência da consciência quântica um fenómeno extremamente difícil de comprovar, embora impossível de negar, pois ter consciência que se tem consciência um fenómeno verificável apenas pelo observador, será alguma vez passível de ser tido como uma teoria ou lei científica?

    Neste campo, a teoria do Big Bang, embora ainda uma teoria, contabiliza a probabilidade da existência de matéria física como a conhecemos no universo como um numero elevado a 500. Poder-se-á utilizar este numero astronómico como ponto de partida para justificar uma teoria de multiverso, ou, como dificilmente será verificável com a tecnologia actual, será tratada apenas como uma ideia?
    Este fenómeno, também ele, embora de forma muito rebuscada, é uma situação verificável apenas pelo observador consciente.

    De uma forma mais pessoal, agradava-me imenso ver um artigo sobre energia escura, se fizer parte dos vossos planos. Sei que é ainda é um tema altamente teórico, mas gostava de ver o assunto aprofundado.

    Muito obrigado 😉

    1. Caro Carlos Sousa,

      Vou sobretudo indicar-lhe links para onde poderá ler mais sobre esses assuntos que referiu.

      Cordas:
      http://www.astropt.org/2013/09/25/teoria-das-cordas/

      Multiverso:
      http://www.astropt.org/category/cosmologia/multiverso/
      http://www.bitaites.org/ciencias/astronomia/carlos-oliveira-o-emigrante-cosmico
      Não me parece algo passível de ser verificado.

      Energia Escura:
      http://www.astropt.org/category/cosmologia/energia-negra/

      Sobre o que é uma teoria:
      http://www.astropt.org/2012/09/15/teoria/
      http://www.astropt.org/2013/07/14/lei-vs-teoria/

      Quanto à sua pergunta em concreto, tenho dificuldades em entender qual é a sua definição de “consciência quântica”. Eu não sei o que isso seja.

      Quanto ao “dilema do observador”, é algo estudado pela ciência.

      Não me parece que qualquer limitação baseada numa característica humana (ex: limitação de medição) possa ser convertida em lei do Universo. Temos realmente o Princípio da Incerteza que nos foi transmitido por Heisenberg, e que é real, mas é um Princípio (não uma lei ou teoria) e não diz respeito a observadores humanos e muito menos a se existe consciência ou não. Coloque como observador uma máquina sem qualquer consciência que transmita radiação de modo a determinar o momentum e posição de um electrão, e o resultado é o mesmo (o mesmo se passa na famosa experiência mental do Gato de Schrödinger, em que, se nem o gato estiver a observar – porque consideramos um observador externo a esse sistema -, existe uma superposição de estados quânticos).

      É verdade que há seitas religiosas New Age que juntam todos estes assuntos, numa ânsia de voltarmos aos tempos em que o Homem era o centro do Universo, mas isso é puro geocentrismo psicológico de quem quer continuar a ser especial num Universo gigantesco.

      abraços

    2. Caro Carlos Sousa,

      Vou ser talvez um pouco mesquinho, mas permita-me que comente vários aspectos no seu comentário:


      1) “Como leigo que sou, parece-me que a “hipótese” das supercordas, infelizmente, não será passível de ser comprovada pelo método cientifico, pelo menos por enquanto. Mas, a meu ver, estará bem próxima de uma hipótese válida.”

      O “por enquanto” é certamente verdadeiro. Para que o seja num futuro próximo, ter-se-á que descobrir algum tipo de consequência prática da “hipótese” que seja passível de ser verificado (e que seja apenas explicável no contexto das supercordas).


      2) “Mas a ideia que surgiu desta teoria, ou seja, que o Universo vêm a existir por intermédio da observação da consciência é, por si só , algo fascinante.”

      Como referiu o Carlos Oliveira, observação não implica consciência. Para existir observação basta que haja luz a incidir sobre o fenómeno, por exemplo. O chamado “colapso da função de onda” não implica que essa luz tenha que ser captada por uma câmera, e que subsequentemente o vídeo seja visualizado por uma pessoa. O vídeo é um “objecto clássico”, não tem lá dois filmes quânticos “sobrepostos”.

      É ainda importante frisar que não se trata de uma simples “ideia” (usando a conceptualização do artigo acima), é um facto experimental! Por outro lado, é uma característica única do mundo quântico (genericamente, do muito pequeno) e não do mundo clássico (aquele que presenciamos todos os dias).

      Infelizmente, a teoria quântica parece de certo modo ir de encontro à filosofia, o que leva as pessoas a pensar que podem misturar ambas, ou que uma dá resposta às questões da outra. Para concretizar, vou “filosofar” um pouco: tudo aquilo que conhecemos do mundo é percepcionado pelos nossos sentidos. Basta recordar o filme Matrix, e pensar o que estavam os cientistas dentro do Matrix a fazer: simplesmente a estudar as leis daquele mundo “ilusório” – do mundo que percepcionavam. De modo semelhante, os físicos no nosso mundo estudam apenas aquilo que os sentidos lhes permitem reconhecer. Estaremos a ser enganados? Sabemos, por exemplo, que o espectro da luz tem muito mais que o visível, mas, em última instância, quando queremos analisar um raio-X, usamos um aparelho que traduz a informação “invisível” em informação “perceptível”. Em momento algum podemos vencer esta limitação. Assim, o “filósofo” poderá pensar que enquanto algo não for observado por nós é como se não existisse, é como se estivesse num estado quântico de sobreposição (de todos as hipóteses possíveis). O problema está evidentemente nesta última parte: NÃO, não tem nada a ver quântica isto! Se isso fosse verdade, tal seria válido quer no “mundo quântico”, quer no mundo “não-quântico”! Mais: o que significa “verdade” nesta frase? Do ponto de vista científico não significa absolutamente nada, porque essa “verdade” só poderia ser verificada fora da nossa percepção limitada do mundo, o que, dentro desta “filosofia” é impossível! É portanto um argumento circular não científico, porque é na sua génese uma contradição.

      Isto tudo para dizer que esse tipo de filosofia não tem nada a ver com física quântica. Em física não se distingue “mundo perceptível” de “mundo real”, porque só existe um que pode ser testado pela experiência. Se ainda assim quiserem continuar com o sofismo, então que se deixe bem claro: no mundo perceptível, o “colapso da função de onda” só acontece no “mundo do muito pequeno”, e não no “mundo do nosso dia-a-dia”, o que implica que não tem nada a ver com a dualidade perceptível-real.

      Assim, o Carlos Sousa terá que voltar a rever a sua “ideia”, visto que parte de uma assumpção errada.

      Se viu algum documentário, ou leu algo onde se falava de “consciência quântica”, cuidado, porque provavelmente estava a ler pseudo-ciência. Sobre isto, poderá ler o seguinte artigo que escrevi:
      http://sophiaofnature.wordpress.com/2011/06/01/the-new-secret/


      3) “Sendo eu um interessado no estudo da consciência, na minha experiência pessoal e subjectiva, acredito que a teoria das supercordas será, com relativa certeza, a representação mais próxima , quando complementada com a componente fractal.”

      Achei curiosa a referência ao “fractal” neste contexto, o que me leva a questionar se saberá exactamente o que significa esse conceito (pois a frase não faz sentido).
      Falei um pouco sobre o que são “fractais” no seguinte artigo:
      http://www.astropt.org/2013/10/02/teoria-do-caos-2/


      4) “Sendo a existência da consciência quântica um fenómeno extremamente difícil de comprovar, embora impossível de negar, pois ter consciência que se tem consciência um fenómeno verificável apenas pelo observador, será alguma vez passível de ser tido como uma teoria ou lei científica?”

      A consciência quântica é impossível de “comprovar”, porque não existe. Já a questão do colapso da função de onda devido à observação é possível de verificar experimentalmente e já o foi inúmeras vezes, sendo por isso aceite como sendo um facto. Quanto ao resto, remeto-o para a discussão do ponto 2).


      5) “Neste campo, a teoria do Big Bang, embora ainda uma teoria”

      O que quer dizer com “ainda uma teoria”? A teoria do Big Bang é efectivamente uma “teoria” segundo a definição que o Carlos Oliveira dá no artigo acima. Não existe “mas”, nem “ainda”, porque não pode “evoluir” para outra coisa.


      6) “Poder-se-á utilizar este numero astronómico como ponto de partida para justificar uma teoria de multiverso, ou, como dificilmente será verificável com a tecnologia actual, será tratada apenas como uma ideia?”

      A noção de “multiverso” não tem nada a ver com o “tamanho” de um universo. Não se trata de estipular um limite máximo para um universo, e a partir daí temos um “segundo universo”. Por definição, universo é tudo, pelo que parece contra-intuitivo falar-se de multiverso, contudo, ao analisarem-se conceptualizações matemáticas que tentam explicar a origem do nosso universo, compreende-se que é possível existirem mais universos (semelhantes, ou não, ao nosso). Cada universo possui o seu espaço-tempo e a sua energia-matéria, não fazendo sentido “dividir” um universo em dois para se ter um “multiverso”… As teorias de multiverso não podem ser provadas experimentalmente pelo menos para já, sendo simplesmente uma hipótese matemática (tal como os buracos brancos, por exemplo).


      Cumprimentos,
      Marinho

  10. E o teorema? Onde ele se encaixa?

    1. Teoremas são proposições, afirmações, que são demonstráveis através de outras proposições e de axiomas (algo que se assume como verdade).

      abraços

  11. Olá! E o caso da Teoria de Cordas, que a princípio não tem nenhuma comprovação científica ainda? Não seria mais correto “Hipótese de Cordas” ?

    1. Sim, totalmente de acordo 😉
      É uma hipótese, não uma teoria 😉

  12. Mas enfim, a gravidade é uma teoria ou uma lei? Não ficou claro para mim… =/

    1. Existe a Lei da Gravidade e existe a Teoria da Gravidade.
      São coisas diferentes 😉

      abraços!

  13. Carlos, milhões de pessoas precisam ler urgentemente este texto!!!
    Parabéns

    1. Obrigado 🙂

  1. […] que raio são “teóricos bíblicos”? Uma “teoria” é um agrupar de diferentes factos numa única explicação consistente, factos esses que […]

  2. […] Enquanto analisávamos mais algumas imagens fabulosas do HST, também estabelecemos muito bem a diferença entre uma Teoria (um corpo de conhecimento confirmado por milhares de observações independentes entre si, e revistas por outros cientistas) e uma Hypothesis. […]

  3. […] enorme, ponto positivo é que o Papa não nega a realidade e aceita as teorias científicas que, por definição, se baseiam em factos comprovados. Isto é muito importante como sabemos, porque existem crenças […]

  4. […] outra Teoria Científica, incluindo a Teoria da Gravidade. Qualquer Teoria Científica é um agrupar de diferentes factos – comprovados experimentalmente e matematicamente – numa única explicação […]

  5. […] muitas“: sim, novamente, estes “jornalistas” não sabem a definição de “teorias“. “a verdade é que muitos acreditam ser mais uma prova da existência de vida […]

  6. […] de Ockham. Falácias com Dragões. 24 Falácias Lógicas. Teoria. Só teoria. Somente teoria. Lei vs. Teoria. Energias Desconhecidas. Química venenosa. Leitura a Frio. Quero Saber. Possível vs. Provável. […]

  7. […] questionando diversas metodologias bem estabelecidas, partindo do princípio que elas são apenas suposições. O argumento final é: não importa a metodologia que se use para falar sobre o passado remoto, […]

  8. […] as tais “teorias” e “leis” da ciência, e vale um esclarecimento aqui do AstroPt (que é apenas um de vários que divulgam conhecimento mais […]

  9. […] explicamos o que é uma teoria (aqui), a diferença entre teoria, lei e hipótese (aqui), e a estupidez que é dizer que algo é “somente uma teoria” […]

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