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Mar 17

Inflação Cósmica: descoberta espetacular confirma Teoria do Big Bang

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Como pode um ponto inimaginavelmente pequeno transformar-se num volume dum berlinde de brincar, num tempo tão curto que mal o podemos medir?

Resposta: deixando uma marca indelével de ondas gravitacionais.

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São essas ondas gravitacionais que os cientistas do telescópio BICEP2 relatam terem detetado indiretamente, através da polarização da radiação cósmica de fundo, que chega à Terra num nível de energia muito ténue, já numa temperatura muito baixa, correspondente à radiação de microondas.

Crédito: Leah Tiscione, Sky & Telescope

Crédito: Leah Tiscione, Sky & Telescope

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As ondas gravitacionais torcem a radiação cósmica de fundo como um íman contorce um campo eletromagnético. A observação é muito sólida: Sigma 5.

Crédito: Markus Possel, via Nature.

Crédito: Markus Possel, via Nature.

Crédito: New Scientist

Crédito: New Scientist

A equipa de cientistas observou, a partir do Pólo Sul da Terra, uma secção do céu menos atreita a ruído de interferências de galáxias e doutros objetos de forma a tentar obter um sinal tão nítido quanto possível.

Não obstante, convocaram toda a comunidade científica a rever os dados, de forma a se poder validar esta incrível descoberta.

É que seria a primeira vez na História que se detetam ondas gravitacionais, uma das poucas previsões da Teoria Geral da Relatividade até hoje ainda não observadas.

Crédito: West Virginia University

Crédito: West Virginia University

Será também uma observação que trará consequências para a unificação teórica do Teoria dos Campos (mundo do muito pequeno) com a Teoria Geral da Relatividade (mundo do muito grande), algo que o Professor Stephen Hawking adjetivou como o “triunfo-mor da Ciência”, perdoe-se a tradução para “ultimate triumph of Science.”

Já se fala nos meios da Astronomia e da Cosmologia que esta descoberta “é material para um Prémio Nobel”. À parte este natural entusiasmo, segue-se, dentro de momentos, a inevitável revisão dos dados pela comunidade científica, um processo que pode ser longo e é decerto draconiano.

Ciência é isso mesmo, caso uma observação seja anunciada, para ser validada, esta tem que passar um crivo temível e que a inspeciona ao mais ínfimo detalhe.

Mãos à obra!

inflation

A inflação, essa malvada.

Não se trata da famigerada inflação económica, mas é natural que muitos se perguntem afinal o que vem a ser isto da Inflação Cosmológica?

Na teoria do Big Bang, um nome popular para o modelo de expansão do Universo (formalmente Lambda Cold Dark Matter Model), existe uma pequena parcela, logo no seguimento do Big Bang, que é ainda alvo de alguma polémica, e sobre a qual até hoje não havia comprovação observada.

Imagine o leitor que tem cerca de 0,001 grama de açúcar na sua mão. Um grão tão pequeno que nem o consegue ver.

Agora vai enfiar à força esse grão no espaço mais pequeno que conseguir (teoricamente, não se alarme), sem que esse grão tenha uma densidade tão grande que abre um buraco negro.

Esse grão pesa agora cerca de 100 milhões de toneladas de quilogramas, de tal forma o simpático (e muito forte) leitor o apertou.

Então e que comprimento terá esse cubo tão pequeno?

Chegue então a si uma simples folha de papel, por exemplo de A4.
Dobre a folha pelo meio, sucessivamente, 35 vezes.

Para ser mais preciso dobraria uma folha com cerca de 1,6 metros de comprimento, sobre si própria, sucessivamente, 35 vezes.

Essa é também a distância que a luz percorre no vácuo durante o tempo de Planck, e denomina-se comprimento de Planck.

O tempo de Planck são 0 vírgula 43 zeros seguidos de 1, segundos.
0,00000000000000000000000000000000000000000001 segundos.

Durante esse muito diminuto espaço de tempo o seu minúsculo grão de açúcar transformou-se num pequeno berlinde de jogar.

Para ser um pouco mais específico esse crescimento terá ocorrido entre 10^-36 segundos até 10^-33 segundos após o Big Bang.

Crédito: Larry Buchanan & Jonathan Corum, The New York Times.

Crédito: Larry Buchanan & Jonathan Corum, The New York Times.

Como pode verificar, de “big” nada tem; e quanto a “bang”, não haveria som, mas é um nome engraçado (inventado para menorizar os proponentes do modelo Lambda Cold Dark Matter), que pegou.

Mas, para isso, o grão teve que se expandir a velocidades cerca de 10 vezes a da velocidade da luz no vácuo, ou seja, a cerca de 3 milhões de km/s.

A esse momento pós-parto do nosso Universo, convencionou-se chamar Inflação.

E a esta descoberta, podemos convencionar chamar de sensacional. Caso seja validada.

Fontes relevantes:
Artigo científico.
Nature.
Nature.
CalTech.
West Virginia University.
New Scientist.
BBC.
Space.com
Sky & Telescope.
SpaceRef.
The New York Times.

Crédito: Karl Tate, Space.com

Crédito: Karl Tate, Space.com

Crédito: Karl Tate, space.com

Crédito: Karl Tate, space.com

Acerca do autor(a)

Manel Rosa Martins

54 comentários

3 pings

Passar directamente para o formulário dos comentários,

  1. Carlos Oliveira

    Tenho que ter uma “conversinha” com o Universo…

    Eu já não tinha dito que não gostava da ideia de um Big Bang e muito menos da Inflacção?

    Que mania do Universo não querer saber do que eu acho… 😛

    Evidence rules!!!! 😀

  2. marilia

    Tiro o chapéu ao Manel Rosa Martins pelo texto e selecção de materiais, bem como pela capacidade de tornar mais simples o que é complexo.

    1. Manel Rosa Martins

      Obrigado Marília.

      Se for o chapéu mexicano que representa o campo de Higgs geras uma quebra de simetria e os Bosões da Força Fraca (+W. -W e Z) adquirem massa. 🙂

      Já agora, para fazer sentido, Peter Higgs designa esse momento como o “second loop” (2º salto) e tudo ocorreu 10^-11 segundos após o Big Bang.

      0, 000 000 000 01 segundos.

      A história do Universo é muito bonita. 🙂

  3. felipe

    A teoria do big bang tem muitos pontos frágeis ainda… espero, no futuro ter mais evidências sobre ela… ou contra.

    1. Manel Rosa Martins

      Olá Filipe,muitos não, tem a Inflação. Não há evidências contra o LambdaCDM, mas há muitas mais a sustentar a Teoria. Daí ser o Modelo de consenso da cosmologia. O Modelo-padrão da física de partículas sustenta univocamente (do Muito pequeno para o Muito grande) o modelo Lambda.

      No caso, foi como se a Ciência passa-se de buscar uma agulha num palheiro para procurar uma agulha num balde cheio de areia, a serem confirmadas as observações. Se estas têm já um sigma 5, que é o de descoberta (desvio-padrão estatístico, pode dizer-se de erro estatístico), carecem de verificação para possíveis erros sistemáticos (de aparatos, montagem, calibragem e similares).

      O que está em causa não é a teoria do Big Bang, essa foi mais uma vez confirmada de forma independente das outras confirmações, o que está em causa é a parte relativa à Inflação no modelo Lambda.

  4. Graciete Virgínia Rietsch Monteiro Fernandes

    Não posso comentar esta descoberta pois o assunto é muito difícil para mim. Mas alegra-me imenso saber que a Ciência deu mais um passo importante para o conhecimento do Universo.
    Os meus cumprimentos para todos os colaboradores deste blog.

    1. Manel Rosa Martins

      Muito Obrigado pelo seu comentário, não se apoquente de não ter por enquanto entendido este tópico em particular, o Universo tem a sua maneira maravilhosa de se explicar às pessoas curiosas.

      Esta Teoria do Big Bang nasceu porque há muito espaço entre as estrelas, como decerto a leitora Graciete Virgínia já observou.

      Se não fosse por esta via, a noite estaria cheia de luz, os céus não teriam espaços vazios aos nossos olhos.

      🙂

  5. Manel Rosa Martins

    “Let’s instead think just a little bit about what it would mean. Both density perturbations and gravitational-wave perturbations arise from quantum fluctuations generated during inflation, and the amount of perturbation depends on the energy scale E at which inflation happens, defined as the energy density to the 1/4 power. (I’m presuming here that inflation is the right story, but of course we don’t know that for sure.)

    But there’s a difference: for density perturbations, what actually fluctuates is some hypothetical inflaton field ϕ. That’s related to the energy density, but it’s not exactly the same thing; the actual density comes from the potential energy, V(ϕ).
    So measuring the density fluctuations (which we’ve done) doesn’t tell us the energy scale of inflation directly; it’s modulated by the unknown function V(ϕ).

    The flatter the potential, the larger the density perturbations. We can make educated guesses, which tend to put the energy scale E at around 10^16 GeV (where a GeV is a billion electron volts, about the mass of the proton). That’s pretty darn close to the Planck scale of 10^18 GeV, and basically equal to the scale of hypothetical grand unification, so you see why any empirical information we can get about physics at those scales is extremely interesting indeed.”
    —-

    Este post do Sean Carrol está a reunir uma unanimidade: é o melhor post sobre a descoberta anunciada hoje.

    http://www.preposterousuniverse.com/blog/2014/03/16/gravitational-waves-in-the-cosmic-microwave-background/

  6. Gabriel Rosa

    Segundo o que li, já têm estes dados há pelo menos um ano. Mas como pareciam bons demais para serem verdade, estiveram o último ano a tentar despistar eventuais explicações alternativas. E como os dados de um outra experiência (não me recordo agora do nome) também apontavam para a inflação, decidiram publicar agora. Claro que isso não tira qualquer mérito aos envolvidos, antes pelo contrário.

    1. Carlos Oliveira

      “Claro que isso não tira nenhum mérito aos envolvidos, antes pelo contrário.”

      Excelente 🙂

      O “antes pelo contrário” é Muito Importante.
      Imagina o que é teres informações que mais ninguém no mundo tem, poderes ganhar o Prémio Nobel com essas informações, poderes ter o teu nome para sempre nos livros de história, saberes que em qualquer altura outras equipas poderão fazer a mesma descoberta e assim perderes todo o crédito… e resolveres: “Bem, realmente isto é fantástico, mas vamos esperar para ver se isto se confirma”

      Eles tiveram um enorme sangue frio… o que em termos de ciência quer dizer que foram incrivelmente dignos (em termos científicos).

      abraços!

      1. Marinho Lopes

        Gostaria de fazer a ressalva de que não se trata apenas de dignidade. Fazer grandes alegações tanto pode ser muito positivo, se se verificarem correctas, como muito negativo, se não o forem. Basta recordar a história dos neutrinos mais rápidos que a luz. Está em causa uma grande dignificação ou uma grande humilhação “pessoal”, que terá repercussões para o resto da vida dos cientistas envolvidos.

        Abraço.

    2. Manel Rosa Martins

      “BICEP2 operated from the Dark Sector Lab at Amundsen-Scott South Pole Station from January 2010 through December 2012.”

      http://www.cfa.harvard.edu/CMB/bicep2/

      O primeiro evento significativo do Bosão de Higgs ocorreu na experiência CMS (um telescópio do muito pequeno) com os seguintes dados:

      Data : 9 de Julho de 2010; Hora GMT 04.25.58)

      Run/Event: 139779/4994190.

      Seguem porventura o exemplo de Albert Eisntein, que publicou a TGR em 1916, a fim de corrigir as previsões que aprontara em 1913.

      Será uma situação excepcional em outras áreas, corrente e até histórica em Ciências.

      1. woellington

        De quais evidências plausíveis dispunha Einstein para conceber a TGR em 1916 e porque ela foi aceita na comunidade científica da época? Sei que a resposta pode ser complexa…
        Também não consigo entender a deformação do tecido espaço-tempo como é mostrada em várias ilustrações, parecendo que os corpos celestes “afundam” a malha. Pergunto: faz sentido uma massa afundar a malha numa dada direção? A gravidade, á semelhança de um corpo imerso num fluído, não estaria distribuída igualmente por todo o cosmos (recipiente)?
        Help me, please!

      2. Carlos Oliveira

        As ilustrações têm sempre enormes limitações porque não se consegue ilustrar as diversas dimensões existentes na realidade. É sempre uma perspetiva limitadora 😉

        A gravidade é o que chamamos à consequência da deformação do tecido do espaço-tempo.
        Mas realmente não é “para baixo”. É digamos, para “dentro”. É essa dimensão que não se consegue ilustrar convenientemente. Mas que tem esse efeito, tem, porque se pode comprovar experimentalmente, por exemplo com a curvatura da luz ao redor de objetos massivos… vemos isso até em efeitos fantásticos como o Anel de Einstein 😉

        abraços!

      3. Manel Rosa Martins

        Dispunha de toda a Teoria da Gravitação Universal de Newton. Tanto assim que incorporou o termo G (Constante da Gravitação Universal) nos termos da suas equações da Relatividade Geral.

        Foi aceite só mais tarde, paulatinamente, mas em 1919 a sua Teoria da Relatividade Restricta (Special em Inglês) de 1905 obteve confirmação pela observação durante um eclipse solar do aglomerado de estrelas aberto das Híades.

        1905 – Relatividade Restricta (Luz)
        1916- Relatividade Geral (Gravitação)
        1919 – Confirmação da RR.

        A relatividade Geral é o desenvolvimento da sua Teoria da Luz à Gravidade.

        Teoria da Relatividade na verdade são 2 Teorias.

  7. Marco Gobatto

    Acredito que a massa não seja real, mas sim a informação contida na energia é que provoca as ondas gravitacionais no espaço-tempo.(de médico e louco todo mundo tem um pouco),

    Abraços!

    1. Manel Rosa Martins

      Marco, a Ciência não se faz de acreditar, faz-se com observações e com experiências ( e todo um método bastante complexo).

      Pode o Marco fazer a seguinte experiência: bata com a mão devagar na mesa, depois anote se verificou se esta tem massa, ou não.

      Quanto ” a informação contida na Energia” isso quer dizer nada, Tem que especificar que informação e em que quadro de referência. Assim “energia” sem quadro de referência é o mesmo que dizer batatas e cebolas contribuintes para uma sopa de palavras: não tem significado físico.

      Mas enfim, presumo que esta descoberta lhe tenha levantado a imaginação, nisso faz muito bem.

      Até se pode aceitar todos os os seus argumentos se o Marco disser que está a fazer uma especulação desvairada dando total liberdade à sua imaginação.

      🙂

      1. Marco Gobatto

        Olá Manel Rosa Martins,
        Entendo plenamente seu exemplo da mesa, como poderei sentir se é massa ou se é a ação do eletro magnetismo, mas sou um especulador nato, certo também em não entender por que os físicos quando não encontram uma resposta para o experimento da posição do eletron dizem ser um evento não local.
        Obrigado por responder, mas na minha idade (74) e não conhecer matemática nem química nem física e muito menos física quântica, me contento em ler esse fantástico site que traz o esclarecimento para todos, de qualquer idade e formação.
        Só uma pergunta, como pode saber uma semente de uma laranja como sua massa em si só pode definir que ela deverá ser uma laranjeira, seria uma ação fantasmagórica da física quântica?
        Att.

      2. Carlos Oliveira

        Isso não tem a ver com Física Quântica 🙂
        Uma semente é um objeto macro 😉

        Biologicamente a semente está programada para isso.
        Tal como o Marco tem a sua programação no seu ADN 🙂

        abraços! 😉

      3. Manel Rosa Martins

        Marco, a massa mede-se em electrões-volts, e o mecanismo da massa interage com a força electrofraca.

        A Energia é IGUAL à massa (Frase).

        E=mc^2

        Atribua o valor de c=1 e satisfaz a Frase.

        Energia sob a forma de massa e energia sob a forma de radiação são 2 facetas da mesma entidade.

        O electromagnetismo de que fala está dentro desta equação, e é o que de facto sente nos dedos. Isso acontece porque é a força mais exterior ao núcleos dos átomos, está a bater na zona externa destes.

      4. Marco Gobatto

        Manel Rosa Martins, tenho que entender que energia e massa são facetas da mesma entidade!
        Porem como entender que uma molécula de fulereno pode passar por duas fendas como onda e por uma como partícula, Ah! Louis de Broglie, Tudo então é uma onda? encerra questão.

      5. Marco Gobatto

        Carlos Oliveira, como assim não tem a ver com a física quântica? O macro não é constituído puramente do micro?
        Massa energia e radiação não são a mesma entidade?

      6. Carlos Oliveira

        As coisas funcionam de forma diferente no Micro e no Macro.
        Claramente o Marco não consegue atravessar uma parece de cimento (macro). Mas pela quantica, pode.

        abraços

  8. Nuno

    Bom dia

    Como é possível durante o fenómeno da inflação, a velocidade da luz ter sido ultrapassada? Sempre tive a ideia que esta velocidade nunca pode ser ultrapassada……

    Uma vez descobertas as ondas gravitacionais, não será possível descobrir o “epicentro” do big-bang?

    Cumprimentos

    1. Carlos Oliveira

      Nuno,

      A C não pode ser ultrapassada dentro do Universo.
      Neste caso, não estamos a falar dentro do Universo, mas sim do próprio tecido do Universo…. e sobre esse tecido não existem essas limitações 😉

      abraços!

      1. Nuno

        Boa noite Carlos

        A ver se entendo…Digamos então que a inflação é um fenómeno que ocorre dentro da própria singularidade? Ou seja é como encher um balão até ao momento em que ele arrebenta (singularidade/inflação), a partir do momento em que ele arrebenta dá-se a expansão do Universo?

        Desculpem a fraca analogia, mas os meus conhecimentos nestes “ares” são fraquinhos……

        Cumprimentos

      2. Carlos Oliveira

        Não 🙂

        Mas deixe-me usar esse exemplo do balão, que é muito usado popularmente 🙂

        Imagine um balão com as galáxias na superfície do balão. A superfície do balão é o nosso espaço-tempo.
        O balão pode passar “de repente”, de 1 cm para 1 metro de diâmetro. O balão aumenta de tamanho rapidamente.
        A luz, na superfície do balão, continua com o mesmo tipo de velocidade. Tudo o resto anda a velocidades inferiores na superfície do balão. Mas o balão em si pode aumentar de tamanho porque não está limitado às mesmas restrições de quem “anda na superfície do balão”.

        Conseguiu perceber? 😉

        Nota: esta minha analogia tem também imensos problemas, claro… 😉 por exemplo, quem raio anda a meter ar para dentro do balão? ehehehehe 😛 E esse ar dentro do balão, que faz a superfície expandir, será uma outra dimensão? 😉
        Ou seja, isto também levanta muitas perguntas… sem respostas para já.

        abraços!

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  9. Manel Rosa Martins

    Uma consequência desta observação indirecta dos efeitos das ondas gravitacionais na radiação cósmica de fundo é que os dados refutam a chamada “Teoria” das cordas.

    A ser confirmada esta observação essa hypothesis (que se resume na M-theory) fica fatalmente fragilizada,até porque não é a única observação que a refuta.

    Mas aguardemos a confirmação, está instaurada já uma polémica quanto ao Sigma desta descoberta.

  10. João Costa

    Concordo e subcrevo na totalidade que a confirmaram-se a validade dos dados, e não existem muitas duvidas com um escrutinio já de 3 anos, temos Premio Nobel para 2014 ou 2015.

    Não sei para quem será, a equipa é vasta, mas Alan Guth vai estar entre os laureados de certeza e quiça o Stephen Hawking tambem.

    João Costa

    1. Carlos Oliveira

      😀

      Guth será mais um Higgs? 😉
      Décadas à espera… e finalmente tem o Nobel… 🙂

  11. João Costa

    “Uma consequência desta observação indirecta dos efeitos das ondas gravitacionais na radiação cósmica de fundo é que os dados refutam a chamada “Teoria” das cordas.”

    A teoria-M sempre foi tida como altamente questionavel e dificilmente de ser comprovada observacionavelmente Acho-a “elegante” de mais para ser verdadeira, mas que é bonita, lá isso é. .

  12. Jonatas Almeida da Silva

    Que impressionante isso, ver a Relatividade confirmada mais uma vez na história, junto com a teoria do Big-Bang. Ótima matéria, parabéns.

  13. Rafael Ligeiro

    Uma descoberta fenomenal. E um texto à altura da descoberta. Parabéns, amigo Manel!

  14. PAULO

    Muito interessante.
    Apenas especulando:
    Serão as ondas gravíticas, manifestações de energia cinética com características capazes de alterar a a topologia do espaço-tempo?
    Serão as ondas eletromagnéticas, manifestações de energia cinética com características de variação de campo elétrico e de campo magnético durante a sua propagação?
    Ambos os tipos propagam-se no espaço-tempo.
    Há relação entre os dois tipos de manifestação de energia; quero dizer, as ondas gravíticas implicam a existência de alguma radiação eletromagnética, ou simplesmente provém duma época em que não existia condições para a radiação eletromagnética formar-se no espaço-tempo?
    Se ambas existem nas condições atuais, a radiação eletromagnética será apenas de efeito superficial no tecido do espaço-tempo e as ondas gravíticas tem um impacto mais profundo, como a massa de uma estrela ou outro corpo mais denso.
    Existe alguma ideia sobre a velocidade de propagação das ondas gravíticas? E sobre a composição do espaço-tempo?
    Considero este tema fascinante…

    1. Manel Rosa Martins

      Olá Paulo,

      A energia gravitacional manifesta-se por exemplo nos quasars, e é denotada com sinal negativo, o que significa que é vectorial para dentro dos corpos com massa. A luz é positiva porque vai no sentido oposto.

      Há uma energia potencial gravítica que se exprime por um tensor e que se acopla a um tensor de massa (tensor de energia-momento) e se propaga num tensor misto, agora cinético, que respeita o principio da conservação divergindo em 4 topologias de gradientes, chamados quadri-vectores. Chamam-se a estes tensores pseudo-tensores.

      A TGR de Einstein já previa que a força gravítica se propaga à velocidade da luz.

      A energia electromagnética pode ser potencial (pilhas, baterias) ou cinética (lanterna acesa, ignição do motor). A propagação é dual, em ondas e partículas. Ondas e partículas aqui são uma entidade, a “ondícula.”

      Existe a ideia errada de que a Gravitação tem mais intensidade do que o Electromagnetismo, mas é o contrário, a Gravitação é muito mais débil (1/137 é a constante de acoplamento) , ambas têm é um alcance idêntico, que é infinito, por se propagarem através de partículas com massa-restiva zero.

      Com mais simplicidade, a massa esculpe as montanhas e as veredas do espaço-tempo, e a luz percorre essas montanhas e essas veredas como se de um caminhante se tratasse, seguindo literalmente esses contornos.

      A luz do aglomerado de estrelas aberto Híades é desviada pela depressão (montanha ao contrário) causada pela massa do nosso sol, e chega até nós, se esse aglomerado estiver por detrás do sol em relação a nós (ao observador) descrevendo uma curva que respeita esse desvio.

      O espaço-tempo é uma dimensão abstracta, mas mede-se o espaço em medidas de comprimento (ex: km) e o tempo em medidas de tempo (segundos) e a luz propaga-se nessa dimensão a 300 mil km/s.

      Einstein propôs um quadro de referência geométrico em 4 dimensões, abstracto, sem pensar em objectos reais como estrelas ou aparelhos de GPS.

      Só que fez uma teoria tão magnífica que esta explica, pelo seu modelo, quase todos os fenómenos do Universo.

      Incluindo, a Inflação Cosmológica, pelo seu efeito de gerar ondas gravitacionais.

      1. PAULO

        Agradeço a atenção.

        Cumprimentos

        Paulo

  15. Manel Rosa Martins

    Marco,

    Porque justamente Louis de Broglie adoptou a dualidade onda-partícula às partículas da matéria.

  16. Carlos Oliveira

    Apesar de ser uma descoberta sensacional, é necessário salientar estes dois pontos mencionados no artigo:
    – é uma deteção indirecta.
    – carece para já de confirmação por equipas independentes de cientistas.

    🙂

  17. Kelvin Paul

    “Momento sou fã de Star Trek e acredito que um dia inventarão motores de dobra”

    Estava aqui pensando: o fato de na inflação cósmica o espaço ter expandido mais rápido que a própria luz, já que era o Universo em si, e não matéria, seria algum indicativo de que a dobra espacial, em toda sua natureza ficcional da série e em nível mais técnico(?) com o motor de Alcubierre, seria possível?

    Quero dizer, até que ponto “dobrar” o espaço em si mesmo e fazê-lo viajar “mais rápido” que a luz é uma hipótese, ou talvez teoria, factível?

    A relação é possível? Seria uma evidência direta ou indireta de dobra espacial?

    1. PAULO

      Eu fico apreensivo quando se avalia o espaço-tempo como um plano, ou um segmento de papel higiénico que se pode dobrar.
      Se universo em que existimos for um “esferoide” e inevitavelmente a 3D, isto é com volume, como é que dobramos o que quer que seja?
      Para saltarmos em 3D, só passando para 4D ou acima e com condições existenciais para que a nave e a tripulação não se desfaça em partículas e voltem a re-entrar no “nosso” universo.
      Será que a matéria como a conhecemos é sustentável num ambiente diferente ao “nosso” espaço-tempo, ou seja, ao nosso universo? Especialmente se for em níveis “dimensionais” mais elevados?
      Ao que parece a ideia do campo Warp é como uma broca no espaço-tempo que permite a existência física de uma nave sem estar sujeita à troca de energia com o meio ambiente e permitir uma corrida com a Luz. Mas e o resto da tralha que anda por ai fora à deriva? mesmo com um GPS Galáctico ninguém garante que a nave não se “esbardalhe” num corpo celeste pelo caminho, mesmo com o campo Warp a deflectir micro meteoritos, radiação e partículas aceleradas.
      Dá que pensar…

      1. Carlos Oliveira

        Paulo,

        A Enterprise andava pelo espaço… estando parada 😉
        Ou seja, era o resto do Universo que passava por ela, enquanto ela continuava a “bolha” estacionária.

        Se pensarmos no chamado efeito Anel de Einstein, é perfeitamente possível estar um objeto, esferoide, parado no espaço (com enorme massa) e o resto (luz) passar à sua volta…

        Nota: lembrei-me deste exemplo agora, neste momento… por isso, acredito que pode ter inúmeros problemas 😛

        abraços!

      2. PAULO

        Sim Carlos, a luz não para para tomar um café e de facto era o cenário que se movia e não o modelo da nave.

  18. Manel Rosa Martins

    É uma probabilidade digna dum contemporâneo do futuro, caro Kelvin Paul.

    Este o estado de coisas quanto ao Warp Drive Engine:

    http://www.nasa.gov/centers/glenn/technology/warp/warpstat_prt.htm

    E esta é uma música inspiradora que nos leva a viajar pela imaginação mais rápidos do que a luz:

    https://www.youtube.com/watch?v=67K_FFl3hDM

    🙂

  19. Gabriel

    Muito legal o assunto.
    Só não entendo como no inicio do Big Bang , tantas particulas( fótons,elétrons,protons,neutros..) juntas em um espaço menor que um átomo!Pra juntas dois prótons já precisa de uma energia imensa…imagine todas as particulas do Universo.
    Será que ocorreu isso porque estão no estado do Plasma?Mas mesmo assim…dificil imaginar..alguemn pode explicar?

    1. Carlos Oliveira

      Se está a perguntar como era o Universo antes do Tempo de Planck, não sabemos, mas não era nada do que se compara agora 😉

      abraços

  20. Leonardo Collins

    Gostaria que, se possível, alguém se tiver paciência para isso me pudesse explicar o seguinte:
    – Se nada do que é material se pode deslocar a velocidades superiores à da luz, como é que é possível o próprio universo expandir-se à velocidade de 3×10^6 Km/s?

    Citação:
    – A luz, na superfície do balão, continua com o mesmo tipo de velocidade. Tudo o resto anda a velocidades inferiores na superfície do balão. Mas o balão em si pode aumentar de tamanho porque não está limitado às mesmas restrições de quem “anda na superfície do balão”.

    Esta afirmação é uma pura hipótese, ou é já conhecimento cientificamente verificado e adquirido?

    Desde já, o meu muito obrigado.

    1. Carlos Oliveira

      Da mesma forma que uma caixa de papelão pode ter um interior de areia… dentro da caixa/universo a constituição pode ser diferente do próprio universo (invólucro). 😉

      Não é uma hipótese nem conhecimento adquirido 😉
      Digamos que é um modelo baseado nas observações que vemos 😉
      Nós vemos as galáxias a afastarem-se umas das outras, lá longe, a velocidades superiores à da luz. Conseguimos calcular a constante de Hubble, e inferimos que o “invólucro” tem propriedades diferentes daquilo que se encontra dentro dele 😉

      abraços

  21. Carlos Oliveira

    http://www.nature.com/news/full-galaxy-dust-map-muddles-search-for-gravitational-waves-1.15975

    Um novo mapa da poeira interestelar reduziu muito a probabilidade de que o BICEP2 tenha detectado ondas gravitacionais.

  22. Leonardo Collins

    Já desde Junho que se sabe que a tal descoberta sensacional pode ser apenas e só poeira espacial.
    http://www.bbc.com/news/science-environment-27935479
    Isto quer dizer que ainda não existe nenhuma evidência directa para a hipótese da inflação cósmica de Alan Guth que data de 1981, a qual poderia resolver os três problemas fundamentais do modelo do Big Bang ou, como eu lhe gosto de chamar em Português, o modelo do Grande e Divino Pum e que são os seguintes:
    1 – O problema do horizonte
    2 – O problema da planaridade
    3 – O problema da inexistência dos monopolos magnéticos

  1. Big Bang: Primeira evidência direta da Inflação Cósmica finalmente detectada « O Universo – Eternos Aprendizes

    […] Leia mais no AstroPT: Inflação Cósmica: descoberta espetacular confirma Teoria do Big Bang […]

  2. TOP 100

    […] – Cosmologia: início. Universo Cíclico com círculos. Donut e Möbius. Inflação Cósmica confirmada. Imagem Profunda. Prémio Nobel da Física pela Expansão do Universo. Vazio Cósmico. Tempo. […]

  3. Ondas Gravitacionais – Cientistas do BICEP-2 reconhecem que são precisas mais observações

    […] Ora é essa marca, essa pegada (portanto é uma observação indireta) que os cientistas do telescópio BICEP-2 revelaram ter detetado. […]

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