Descoberto o mais distante planeta-anão! E estima-se existir um planeta maior por perto.

Lembram-se do nosso post a dizer que iria existir outro grande anúncio hoje?

Pois, é este: o nosso sistema solar tem um novo membro, o membro mais distante do Sol!

Os 3 pontos coloridos mostram a posição deste objeto, em 3 imagens feitas com 2 horas de intervalo.

Os 3 pontos coloridos mostram a posição deste objeto, em 3 imagens feitas com 2 horas de intervalo.

Scott Sheppard (astrónomo da Instituição Carnegie) e Chadwick Trujillo (astrónomo do Observatório Gemini), utilizaram a nova Câmera de Energia Escura (DECam) que consta do telescópio NOAO no Chile, para descobrirem o mais distante planeta-anão até à data. Chama-se 2012 VP113, e provavelmente pertence à secção interior da Nuvem de Oort.
Deverá ter cerca de 450 km de diâmetro, e deverá ser um corpo gelado.
O planeta-anão deverá levar 4.000 anos (terrestres) a completar uma órbita ao redor do Sol (o seu ano). Os parâmetros orbitais foram determinados pelos telescópios Magellan, no Chile, que são coordenados pela Instituição Carnegie.
Este objeto deverá ter uma cor avermelhada.
A sua constituição será provavelmente gelo (de água), algum metano gelado e gelo seco (gelo de dióxido de carbono), e, claro, uma parte rochosa. Deverá ser tão gelado, que o seu gelo será tão duro como a rocha na Terra.
Este planeta-anão 2012 VP113 está a ser apelidado provisoriamente de Biden (o nome do vice-presidente dos EUA).

Ainda mais surpreendente, a análise orbital deste planeta-anão permite inferir a provável existência de um enorme planeta, talvez 10 vezes maior que a Terra, perto do 2012 VP113. E quiçá existirão outros planetas-anões ali perto, fazendo parte da secção mais próxima da Nuvem de Oort.

Kuiper_oort

O sistema solar conhecido pode ser dividido em 3 partes: planetas rochosos como a Terra que estão perto do Sol; planetas gigantes de gás que estão mais longe; e objetos gelados que fazem parte da Cintura de Kuiper, que se encontra para lá da órbita de Neptuno. Para lá desta Cintura, parece existir uma fronteira do sistema solar onde um só objeto, Sedna, era conhecido. No entanto, o novo planeta-anão 2012 VP113 descoberto agora tem uma órbita que vai para lá da órbita de Sedna, colocando-o como o objecto mais distante (até agora conhecido) do sistema solar.

Linda Elkins-Tanton diz: “Este é um resultado extraordinário, que nos permite compreender melhor o nosso sistema solar.”

Sedna foi descoberto em 2003 para lá da Cintura de Kuiper, e até agora não se sabia se Sedna era único. Tal como Plutão quando foi descoberto, pensava-se que era único e não se tinha ideia da Cintura de Kuiper. Com a descoberta do 2012 VP113, é agora óbvio que Sedna não é único. Agora são conhecidos dois membros da secção interior (mais próxima de nós) da teórica Nuvem de Oort, que será a origem dos cometas de longa duração.

A órbita do 2012 VP113 faz com que ele se aproxime do Sol até uma distância de 80 unidades astronómicas (U.A.) – uma unidade astronómica é a distância da Terra ao Sol. Para contextualizar, os planetas rochosos e os asteroides existem entre 0,39 e 4,2 U.A.; os planetas gigantes de gás existem entre 5 e 30 U.A.; e a Cintura de Kuiper existe entre 30 e 50 U.A.. No nosso sistema solar existe uma clara fronteira planetária a 50 U.A. já que depois disso, só existia Sedna (periélio a 76 U.A.).

Scott Sheppard refere: “A procura por estes objetos distantes, para lá de Sedna e 2012 VP113 deve continuar, porque eles dão-nos pistas sobre como o sistema solar se formou e evoluiu”.

A partir da sua análise, Sheppard e Trujillo estimam que existem 900 objetos com órbitas como as de Sedna e de 2012 VP113, e com tamanhos superiores a 1.000 km. Eles estimam que existam mais objetos na fronteira interna (mais próxima de nós) da Nuvem de Oort do que existem na Cintura de Kuiper e na Cintura de Asteroides.

Scott Sheppard diz: “Alguns destes objetos poderão ter tamanhos similares a Marte ou quiçá até a Terra. Com a tecnologia atual não conseguimos detetar esses objetos, que estão tão longe e que são tão pouco “brilhantes”.”

Tanto Sedna como o 2012 VP113 foram descobertos aquando da sua maior aproximação ao Sol (periélio), mas ambos têm órbitas que os levam para centenas de unidades astronómicas distantes do Sol, o que os torna demasiado ténues.

A semelhança entre as órbitas de Sedna, de 2012 VP113 e de outros objetos na fronteira externa da Cintura de Kuiper sugere que existe um objeto grande e maciço ainda por descobrir, e que perturba as órbitas destes objetos colocando-os em configurações orbitais semelhantes.
Sheppard e Trujillo sugerem uma super-Terra ou um objeto ainda maior, que existe a centenas de unidades astronómicas de distância e que influencia a órbita destes objetos.

Este diagrama mostra: - o Sol e os planetas interiores não se veem. - as órbitas de Jupiter, Saturno, Urano e Neptuno estão a roxo. - a Cintura de Kuiper, incluindo a órbita de Plutão está a azul-claro. - a órbita de Sedna está a laranja.     - a órbita de 2012 VP113 está a vermelho.

Este diagrama mostra:
– o Sol e os planetas interiores não se veem.
– as órbitas de Jupiter, Saturno, Urano e Neptuno estão a roxo.
– a Cintura de Kuiper, incluindo a órbita de Plutão está a azul-claro.
– a órbita de Sedna está a laranja.
– a órbita de 2012 VP113 está a vermelho.

Existem 3 teorias que tentam explicar como a secção interna da Nuvem de Oort se formou. À medida que mais objetos são descobertos, será mais fácil perceber qual das teorias é a correta. Uma teoria diz que um planeta foi expulso da região dos planetas gigantes e terá perturbado vários objetos da Cintura de Kuiper, levando-os consigo e fazendo com que eles “viajassem” para o que é agora a secção interna da Nuvem de Oort. Este planeta poderá ter sido expulso do sistema solar ou então poderá ainda existir numa região bastante distante do sistema solar. Uma segunda teoria diz que um encontro gravitacional com uma estrela que passou relativamente próxima do sistema solar determinou que alguns objetos fossem colocados na secção interna da Nuvem de Oort. Uma terceira teoria sugere que os objetos da secção interna da Nuvem de Oort são planetas extrasolares capturados de outras estrelas quando essas estrelas e o nosso Sol estavam ainda a “nascer” no berçário conhecido como nuvem molecular.

A região exterior da Nuvem de Oort é diferente da região interior. Além de começar a cerca de 1.500 U.A., a gravidade de estrelas próximas perturba as órbitas dos objetos que lá existem, fazendo com que estes tenham órbitas que podem mudar drasticamente ao longo do tempo. Vários cometas que conhecemos foram objetos da região exterior da Nuvem de Oort que tiveram as suas órbitas perturbadas. Já os objetos da região interna da Nuvem de Oort não são afetados pela gravidade de estrelas próximas e por isso têm órbitas mais estáveis e mais originais (sem mudança).

Leiam mais sobre esta descoberta, na Astrobiology Magazine, na Nature, na BBC, e a página do autor do estudo Scott S. Sheppard.

Crédito: Karl Tate, space.com

Crédito: Karl Tate, space.com

Nota final: calma Nibirutas, não pirem de vez! Isto nada tem a ver com o suposto planeta Nibiru. O planeta Nibiru é uma fantasia pseudo-religiosa. Já estas descobertas são feitas pela ciência. Além disso, o planeta que se estima existir é maior que os planetas-anões já existentes, mas mesmo assim pequeno (do tamanho de Marte ou Terra ou até uma super-Terra, nunca um planeta gigante). Por fim, ele não vem para cá – a órbita dele está muito, muito longe de Plutão… e muito mais de nós!

28 comentários

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    • Renato Romão on 31/03/2014 at 16:48
    • Responder

    Boa tarde.

    Carlos, será o mesmo “planeta hipotético” que se dá o nome de “Tyche”, devido à sua localização?
    Estou-me a referir obviamente a “provável existência de um enorme planeta”, que refere o texto.

    Abraços.

    1. Tyche foi algo especulado a partir de interpretações erradas de evidências há 3 anos…
      Além disso, Tyche era supostamente “maior” (mais massivo) que Jupiter. Já este especula-se que é muito menos massivo que Jupiter.
      http://www.astropt.org/2011/02/20/tyche-planeta-gigante-nos-confins-do-sistema-solar/

      Mas se é possível? Sim.
      Porque, sublinho, está-se no campo das especulações… não se sabe praticamente nada desse planeta maior para lá deste Biden… por isso, não se pode colocar hipóteses de lado…

      abraço!

  1. Olá Carlos!

    Um dúvida, a sonda New Horizons poderá nos ajudar de alguma forma, tanto capturando imagens de Sedna e Biden como procurar essa susposta Super-Terra?

    Seria demasiado exagero achar que esse objeto poderia ser uma estrela anâ marrom que formaria um binário com nosso sol?

    Obrigado e parabéns pelo site!

    1. Oi Bruno,

      Sinceramente também tenho essa dúvida…

      No entanto, veja os tweets da equipa da New Horizons:
      http://www.astropt.org/2014/03/26/outro-grande-anuncio-de-uma-descoberta-para-amanha/

      Ou seja, estes novos corpos estão muito, mas muito longe de Plutão, demasiado longe para que a New Horizons os possa descortinar…

      Quanto a anã marrom, não pode ser, segundo as especulações atuais.
      Teria que ser centenas de vezes mais massiva que uma super-Terra.

      Uma super-Terra pode ter cerca de 10 vezes (em números “redondos”) mais massa que a Terra.
      Jupiter tem cerca de 300 vezes mais massa que a Terra.
      Para ser uma anã marrom, tem que ter cerca de 50 vezes mais massa que Jupiter…. ou seja, teria que ter 15.000 vezes mais massa que a Terra para poder se especular para uma anã marrom 😉

      abraços!

        • Bruno on 31/03/2014 at 18:25

        É Carlos…15.000 vezes a massa da Terra já é demais para as especulações! LOL

        Obrigado pela resposta!

  2. O artigo, está bom, mas faltam algumas referências.

    Quanto a planetas anões conhecidos temos ainda:

    Quaoar
    Orbita quase circular
    Medindo cerca de 1250 quilómetros de diâmetro
    Periélio 41,581 UA
    Afélio 44,857 UA

    Éris
    Orbita bastante excêntrica
    Diâmetro 2320 km
    periélio 37,77 ua
    afélio 97,56 ua

    Éris tem o afélio a 97,56 UA bem para lá da Cintura de Kuiper (que termina a 50 UA), e estando neste ponto mais distante que Sedna no periélio a 76 U.A., e o agora descoberto 2012 VP113 (Biden) 80 UA.

    Agora na minha opinião a novidade fica pela descoberta do tal planeta anão “Biden”.

    Pois a parte referente ao possível “Planeta X” não tem nada de novidade nem de surpreendente!

    “Ainda mais surpreendente, a análise orbital deste planeta-anão permite inferir a provável existência de um enorme planeta”

    Pois esse calculo/ previsão foi feita em 2012 pelo astrónomo Brasileiro Rodney Gomes em 2012,

    “Gomes mediu as órbitas de 92 objetos do cinturão de Kuiper – pequenos corpos e planetas anões – e afirmou que seis desses objetos pareciam ser arrastados para fora de curso em comparação com suas órbitas esperadas.”

    “A análise das órbitas dos objetos que ficam além de Netuno parece sugerir a existência de outro planeta, ainda desconhecido, no Sistema Solar.”

    Mas Gomes ainda não pode prever como seria esse planeta. Talvez ele seja tão grande quanto Netuno, numa órbita radicalmente distante (225 bilhões de km, quase 40 vezes mais longe que Plutão).

    “Posso apenas dizer que planetas com certas relações entre massa e distância do Sol causariam uma ‘superpopulação’ de corpos de alto semieixo maior [ou seja, com órbitas bem ovais]”,

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/44627-brasileiro-ve-indicios-de-um-novo-planeta-no-sistema-solar.shtml

    http://www.astropt.org/2012/05/29/astronomo-brasileiro-encontra-planeta-x/

    Afinal não era crença! 😉

    Abraço 🙂

    1. É sempre crença quando se acredita em algo para o qual não há evidências.

      Exemplo: “Talvez ele seja tão grande quanto Netuno” <--- é uma crença. abraços!

  3. Carlos,não deveria editar o comentário,para que outras pessoas lessem,para tirarem suas conclusões,enfim o blog é seu(por sinal muito bom);parabéns.Tenho 62 anos,não me deixo enganar por fantasias,detesto religião,Espírita cientifico,ser humano que erra e acerta como você.Um abraço.

    1. Aurélio, eu editei o seu comentário porque postou um artigo que já se sabe que contém informações enganosas há 30 anos.
      Se fosse a dizer que o artigo estava errado e a explicar porque estava errado, aí tudo bem.
      Agora postar um artigo que já há 30 anos que se sabe que foi totalmente errado, e postá-lo como se fosse verdade, isso aqui não 😉 . Este local não faz isso 😉

      Sim, tem toda a razão. Eu também erro e acerto.

      grande abraço! 😉

      P.S.: sabe que fantasias, não são só religiosas. Imaginar que o IRAS viu um planeta X, quando ele viu nebulosas e galáxias distantes, também é uma fantasia. Ainda hoje postamos um artigo com mais algumas fantasias em que as pessoas acreditam porque preferem acreditar nas tretas que lêem em websites mentirosos do que procurar saber a verdade 😉
      http://www.astropt.org/2014/03/27/disparates-virais-ciclo-de-823-anos-da-dinheiro/

    2. Aurélio,

      Veja bem… imagine que entra num museu de história natural e estão lá alguns cientistas. E o Aurélio entra lá e diz: “Vocês estão errados. Estes papeis (criacionistas) que tenho na mão é que estão certos. A Terra só tem 6.000 anos.”
      Obviamente ninguém o leva a sério. O Aurélio está a afirmar coisas que são totalmente mentira para qualquer pessoa que tenha conhecimentos do assunto.

      Agora imagine que entra no mesmo local e chega lá e pergunta: “Eu não estou certo de como vocês acham que a Terra têm 4,6 bilhões (brasileiros) de anos. Como vocês sabem isso?”
      É uma forma completamente diferente de se “apresentar”. Neste caso, o Aurélio quer realmente saber como se sabe algo, e quer, com isso, saber onde está a mentira.

      O Aurélio entrou aqui a afirmar que o IRAS estava certo. O que é algo que já se sabe que é mentira há 30 anos 😉

      ——————————————————————————————–

      Agora veja ainda outra coisa:

      Eu nunca neguei a existência de um suposto planeta X. Nenhum astrónomo alguma vez o fez.

      Veja bem as minhas palavras em 2011 sobre esse suposto planeta X que recebeu o nome de Tyche:
      http://www.astropt.org/2011/02/20/tyche-planeta-gigante-nos-confins-do-sistema-solar/

      “Se pode existir um planeta gigante nos confins do Sistema Solar? Pode!
      Se podem existir 50 planetas como a Terra nos confins do Sistema Solar? Podem!
      Se podem existir cavalos no planeta XPTO ao redor da estrela YZ? Podem!
      É uma questão de crenças, e não de evidências científicas.
      As evidências científicas, nestes casos, não existem!

      Por último, se realmente fôr descoberto um planeta gigante nos confins do sistema solar (e as evidências actuais apontam para ele não existir!), então não seria uma descoberta radical. Era mais uma rocha gelada a orbitar o Sol. Nada de anormal.
      E certamente que a sua órbita está muito longe da Terra! (não virá para cá!)”

      Ninguém pode dizer que existe ou que não existe. Quem disser que existe, está a mentir.
      O que se sabe atualmente é que não existem evidências para a sua existência.

      E o que se sabe também é que esse artigo desse jornalista há 30 anos estava cheio de erros. O IRAS descobriu nebulosas e galáxias distantes. Nada disso tinha a ver com Planeta X. O jornalista errou.
      Assim como se sabe que as tretas que se disseram nos jornais em 2011 sobre o Tyche foram erradas.

      Isto não invalida que possa existir um planeta lá longe.

      Só quer dizer que esses artigos jornalísticos estavam errados, porque as evidências da altura não diziam nada disso.

      abraços!

  4. Não é possível,tu não pesquisa?!,traduzi para tu.( Por Thomas O’Toole, publicada no jornal Washington Post, da equipe de redação – sexta-feira dia 30 dezembro, 1983; Página A1

    (…comentário editado…)

    1. Aurélio, eu não vou discutir consigo.
      Já lhe disse atrás que isso foi um erro de um jornalista na altura, que sem sequer ler os artigos científicos, lembrou-se de imaginar coisas que não existiam. Os próprios astrónomos, autores da investigação, vieram desmentir o que esse jornalista disse.

      Se quiser, leia os artigos científicos.
      http://adsabs.harvard.edu/cgi-bin/nph-bib_query?bibcode=1985ApJ…290L…5H&db_key=AST&high=3ccf23290006822

      Se não quer aprender… tem certamente outros sites que vão alimentar essa sua fantasia.

    • Ricardo Correia on 28/03/2014 at 23:55
    • Responder

    Boa noite, Carlos

    Desculpe a minha iliteracia astronómica, mas fiquei com algumas dúvidas.
    Se a própria existência do planeta é hipotética, como sabem que se trata de uma Terra gelada ou super-Terra (como têm noção da massa)?

    Qual é a “espessura” da nuvem de Oort? começa a 1500 UA…….

    Já se conhece o afélio de Sedna? É possível ultrapassar a nuvem de Oort?

    Abraço
    PS: Adorei a nota final 😉

    1. Olá Ricardo,

      O que é hipotético é a existência do planeta que será uma super-Terra. Esse sim, não se detetou 😉

      Como se pode inferir a sua massa? Da mesma forma que se sabe a massa de exoplanetas sem os ver 🙂
      No caso de exoplanetas, um dos métodos é olhar para o “puxão” que as estrelas sofrem, certo? Esse “puxão” gravitacional diz-nos a “força” que esse planeta terá. A “força gravitacional” é criada pela massa do objeto. Assim, através desse “puxão” consegue-se perceber que massa o objeto terá.
      Por outro lado, pensemos em cometas. Quando eles passam perto do Sol, sofrem um desvio na sua órbita. São “puxados” pelo Sol e a sua órbita torna-se diferente após passarem. Se a estrela tiver maior massa, a influencia será maior. (existe um jogo com berlindes em centros de ciência, em que atiramos as pequenas bolas ao redor de um buraco e vemos isso… mas agora não consigo encontrar na web essa imagem)
      A mesma coisa neste caso. As órbitas de Sedna, 2012 VP113 e de outros objetos na fronteira externa da Cintura de Kuiper sugerem que deverá existir um objeto com uma determinada massa perto daquela zona de vez em quando que levou a que essas órbitas fossem moldadas dessa forma. O tipo de órbitas, em conjunto, sugerem um determinado valor para a massa que o objeto deverá ter.

      A Nuvem de Oort, a resposta correta é: não se sabe. Especula-se que será 50.000 U.A.. Mas é tudo demasiada especulação.

      O afélio de Sedna deverá ser cerca de 960 U.A. Talvez…
      Sedna tem um período orbital de cerca 11.400 anos e só é conhecido há 11 anos. Ou seja, não se pode ter muita precisão nos dados, para já 😉

      abraço! 🙂

        • Ricardo Correia on 30/03/2014 at 00:55

        Obrigado.

        Abraço.

  5. TU estas já começando a entregar o ouro,Carlos.O telescópio IRAS de 1983 estava certo.Estas a vacilar……………….?!!!

    1. Não entendi. O IRAS em 1983 não detetou quaisquer planetas. Detetou sim nebulosas e galáxias… fora da nossa galáxia, obviamente. Muito mais longe que os limites do sistema solar.

      Talvez devesse ler os artigos científicos, em vez de acreditar em coisas que lê na internet.

      Talvez fosse melhor perguntar a astrónomos, em vez de afirmar a mesma coisa que dizem os enganadores 😉

      http://www.badastronomy.com/bad/misc/planetx/science.html

      abraços!

  6. Esse suposto grande planeta não poderá ter uma órbita que permita, ciclicamente, perturbar cometas e asteróides de forma a que eles sejam desviados para a Terra?

    1. Nesse caso, sim. Talvez afete os objetos da região interior da Nuvem de Oort. Ou até pode ter uma órbita enorme, tão grande que possa afetar os objetos da zona externa da Cintura de Kuiper, aquando do seu periélio.

      Mas deixe-me realçar que isto são tudo especulações… e que esse grande planeta (no máximo, super-Terra) é para já, hipotético.

      abraços!

    2. Isto é algo que só se pode ter certezas dentro de vários anos… provavelmente dezenas de anos…

      Tem que se provar que ele existe, tem que se determinar a sua massa, tem que se determinar a sua órbita, tem que se perceber bem o seu periélio e o seu afélio, tem que se perceber quais objetos existem (onde exatamente se encontram) na Cintura de Kuiper e na Nuvem de Oort… depois disso, tem que se perceber a correlação entre extinções em massa na Terra e a órbita desse objeto, tem que se perceber se existe causalidade entre determinada extinção e a sua causa ser um objeto vindo desses locais, tem que se determinar se ele saiu da órbita devido à influencia do periélio ou afélio desse objeto….. enfim… uma tarefa para várias gerações…

      Muito interessante, claro, tanto a pergunta como a tarefa… mas muito dificil de concretizar, sobretudo provar as causas em série…

        • Jaculina on 28/03/2014 at 09:19

        Obrigada.

        E com a tecnologia actual é quase impossível de detectar um minúsculo ponto escuro contra um fundo quase negro, não é?

        E a atracção do Sol não se faria sentir se a órbita fosse tão larga que durasse milhões de anos.

      1. Pois, daí vários asteroides passarem por aqui e só os detetarmos após eles já estarem mais perto do Sol… 🙁

        Apesar de ser a mais fraca, a gravidade faz-se sentir a enormes distâncias. Mas não seria forte o suficiente para isso, realmente. No entanto, se existirem outros objetos perto, como se pensa, eles também deverão influenciar a órbita desse corpo.

        abraços

    • Mateus Castro on 27/03/2014 at 06:05
    • Responder

    “Ainda mais surpreendente, a análise orbital deste planeta-anão permite inferir a provável existência de um enorme planeta, talvez 10 vezes maior que a Terra, perto do 2012 VP113.”

    Depois de falar que pode ser 10 vezes maior que a terra você adverte os nibirutas…. Agora não tem mais jeito 🙂

    Brincadeiras a parte, noticias fantásticas as duas de hoje. Viva a ciência!

    1. Poder ser uma super-Terra ou poder ser um planeta gigante, são coisas totalmente diferentes 😉
      Um é um planeta pequenino, como a Terra, outro é um planeta enorme como Júpiter. Totalmente diferentes 😉

      abraços

  7. Pois pra mim devem ser sempre “Astros” e não planetas ou outros corpos celestes.
    Astros e suas propriedades.

    É sempre interessante saber deste nosso novo vizinho..

    Mas da pra ver pelo próprio infográfico que nos próximos anúncios como este não deverão ser mais reportagem, porque estamos em vias de descobrir milhares de outros astros “vizinhos”..

  8. Houve a Migração de Netuno causada pela ressonância dos super-gigantes Júpiter e Saturno – seu empurrão foi tão forte que ele ultrapassou Urano (que também migrava), da pra especular que esse evento terá arremessado mais do que os dois gigantes de gelo.
    *Fantástica Descoberta – outros sítios até publicaram a mesma matéria antes, mas não com essa qualidade de conteúdo. Aliás, cometem o mesmo erro de sempre: títulos sensacionalistas do tipo: “descoberto novo planeta no sistema solar”.

  9. Descoberta fantástica! Acho que ainda tem muito mais por vir. É possível utilizar este (http://www.astropt.org/2014/03/13/nasa-descobre-milhares-de-estrelas-mas-nao-encontra-planeta-x-tyche-nibiru-ou-nemesis/) método/equipamento pra auxiliar nestas buscas?

  10. Isto é algo fantástico, artigos e descobertas como essas atiçam minha curiosidade e o meu desejo de saber mais! =] Parabéns pelo artigo e a explicação.

  1. […] de um enorme planeta, talvez 10 vezes maior que a Terra, perto do 2012 VP113. Podem ler, aqui. Há 2 meses, em 2015, observações do ALMA apontavam para um novo objecto Trans-Neptuniano, […]

  2. […] – Trans-Neptunianos: Eris. Haumea. Makemake. Orcus. 2007 OR10. 2012 VP113. 3 novos planetas-anões. Tique, Tyche, Planeta X. Plutão: características, não-planeta, […]

  3. […] – Trans-Neptunianos: Eris. Haumea. Makemake. Orcus. 2007 OR10. 2012 VP113. 3 novos planetas-anões. Tique, Tyche, Planeta X. Plutão: características, não-planeta, […]

  4. […] semana passada, os astrónomos Scott Sheppard e Chadwick Trujillo anunciaram a descoberta de 2012 VP113, um potencial planeta anão numa órbita longínqua situada no limite interior da nuvem de Oort. […]

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