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Jul 04

A.I. – Inteligência Artificial

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A.I. – Inteligência Artificial é um bom filme de 2001.
Não está ao nível da excelência de um filme como Blade Runner, mas é muito bom.

O filme lida, como o próprio título indica, com a problemática da inteligência artificial.

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O filme baseia-se na história de poucas páginas chamada Supertoys Last All Summer Long, que é brilhante.
Aliás, a short-story que levou ao filme, tem um final fabuloso e surpreendente, e é sem dúvida uma das melhores short-stories que já li (e já li muitas…).

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No final do século XXI, grande parte do planeta está inundado. O planeta aqueceu, as calotes polares derreteram, e isso levou à subida do nível dos mares.
Neste mundo, existem robots para praticamente todas as funções. Os androides são humanoides, aparentemente são conscientes, e convivem naturalmente com os Humanos (levando alguns humanos ao especismo contra os androides).
Os androides são iguais aos humanos em tudo (incluindo aparência), exceto que realizam melhor as funções para as quais estão destinados, e aparentemente não têm sentimentos (como a capacidade de amar).

Entretanto, uma equipa de cientistas que trabalha para a empresa Cybertronics constrói um robot em forma de criança com capacidade para amar incondicionalmente e eternamente os seus pais. O androide em forma de criança tem o nome de David.

Harry e Monica Swinton são um casal que têm um filho, Martin. Infelizmente, ele está às portas da morte e em estado vegetativo com poucas ou nenhumas hipóteses de recuperar.
Apesar de reticente, Monica decide adotar David, ativando os comandos que fazem com que David veja Monica como sua mãe e que a ame para todo o sempre.
O filme é basicamente sobre isto: do sentido de “lealdade” (amor) do androide com emoções para com a sua família humana.

Entretanto, o filho verdadeiro do casal, Martin, recupera.
Martin começa a manipular David. David é acusado de acidentes dos quais não tem culpa. Eventualmente, David é caracterizado como uma ameaça e é abandonado numa floresta por Monica.

David é apanhado e levado para um ferro-velho, onde se desenrola um “circo romano” em que os humanos destroem os androides, para alegria das massas.
Os humanos fazem isto porque têm medo que as máquinas ultrapassem a inteligência humana e dominem o planeta. E claro, pelo entretenimento.

David é salvo, porque as pessoas não acreditam que ele, uma criança, não seja humano. As pessoas são contra a morte de uma criança, mesmo que seja androide.

David encontra Joe, um androide prostituto, e fogem juntos.

David quer se tornar uma criança humana. Esse é o sonho dele.
Porquê? Porque na ideia dele, se fosse humano, a sua mãe, Monica, iria gostar dele e ficar com ele.

David e Joe vão para a Cidade Vermelha (dominada pela alta tecnologia) para falar com o Dr. Saber (um supercomputador que sabe tudo), de modo a que David possa saber como se tornar humano. O Dr. Saber diz-lhe que David tem que encontrar a Fada Azul, que é quem torna Pinóquio num menino real, no Fim do Mundo, que é onde nascem os sonhos.

Eles saem da Cidade Vermelha e vão até ao Fim do Mundo (que é a Manhattan no futuro).
David entra no laboratório da Cybertronics e repara que existem muitas cópias como ele. Ele percebe que não é único nem especial. O Professor Hobby explica-lhe que o que existe é uma fábrica, em que muitos David são fabricados em série. Também lhe diz que é impossível que ele se torne num menino de verdade.

Percebendo que nunca será uma criança humana e por isso nunca será amado pela sua mãe, David tenta o suicídio. Enquanto David está a afundar no oceano, ele vê a Fada Azul ao longe: uma estátua num parque de diversões, agora submerso.
Joe salva David com um helicóptero submergível.

Quando voltam à superfície, Joe é preso.
David volta ao fundo do oceano para procurar a Fada Azul. E encontra a estátua.
A roda gigante do parque de diversões parte-se e faz com que o helicóptero onde David está, fique preso no fundo do mar, de frente para a estátua da Fada Azul.
David pede à Fada Azul que o transforme num menino de verdade.

2.000 anos depois, o mundo já é muito diferente: os humanos deixaram de existir e agora só existem os androides inteligentes.
David continua lá, de frente para a Fada Azul, para que esta lhe conceda o desejo.

Os androides inteligentes criam máquinas super-inteligentes (parecidas com extraterrestres).
Esses seres super-inteligentes iniciam grandes escavações arqueológicas em busca de seres humanos que ficaram presos debaixo do gelo nos oceanos. Encontram David. Leem-lhe a mente e reconstroem holograficamente a casa tal como David se lembra. Mas dizem-lhe que não é possível torná-lo humano.
David é colocado na sua casa. Devido a ter guardado uma madeixa de cabelo de Monica, as máquinas super-inteligentes conseguem recriar Monica. No entanto, esta recriação de Monica só poderá existir por 1 dia… morrendo assim que adormecer.

David aproveita da melhor maneira esse dia com a sua mãe, Monica. David é feliz.
Antes de adormecer, Monica diz a David que o ama. David tem a sua vida realizada: o momento por que tanto esperou, finalmente aconteceu. Assim, David decide que pode adormecer/morrer também.

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O filme, na sua generalidade, é fascinante. Ou, pelo menos, lida com várias questões fascinantes, quer tecnológicas quer filosóficas.
No fundo, tudo se resume à pergunta: o que define um ser humano?

O filme é comparável à história de Pinóquio, e a sua busca incansável para se tornar um menino de verdade.

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Não entendo:
– porque David quer ser humano se em vários aspetos é superior aos humanos? Por exemplo, no tempo de vida. É o recorrente egocentrismo humano de pensarem que ser Humano é o topo da evolução, e por isso, todos (incluindo extraterrestres e máquinas) querem ser humanos. É o ego a falar; nada mais.
– porque a madeixa de cabelo é conservada milhares de anos? Isso foi ignorado todo o filme, mas no final, surpreendentemente, esse facto “cai de paraquedas”. Não faz sentido.
– é dito que os androides não têm sentimentos antes de existir David. Mas no ferro velho vemos androides com sentimentos (por exemplo, a nanny), o urso de peluche pelo David, e até o Joe pelo David. Eles nutrem sentimentos de lealdade e de amizade.
– David tem várias expressões em que se percebe que ele não sabe o que fazer em determinadas situações. Nota-se que é creepy por vezes. Ou seja, faltam-lhe emoções. Mas tem outras emoções (exemplo: medo) e não só a função de amar.

Não gostei:
– do final. Detestei o final. Aliás, nem sabia que eram máquinas do futuro, pensei que fossem extraterrestres. E o final é demasiado positivo. Não tem qualquer credibilidade. Foi uma total desilusão.
Estou totalmente de acordo com Salman Rushdie quando ele diz que o filme deveria ter acabado quando David tenta suicidar-se.

Adorei:
– o urso de peluche. Teddy é um super-toy, com um bom raciocínio lógico, um excelente avaliador de carácter, é bastante leal, e é superior a David em algumas coisas (por exemplo, na forma mais saudável de lidar com o mundo).
– o Dr. Saber. Ter um ser holográfico que nos pode dar resposta a todas a perguntas, é fantástico. É o próximo passo da Google…
– noutros contos, quando falam de androides para a função de sexo, normalmente são femininas. Neste filme, foi dado grande relevância a um androide desse género, mas masculino. Pareceu-me original.
– gostei bastante de alguns efeitos especiais… sobretudo na feira de ferro-velho.
– o ator principal, que faz de David, tem novamente (Sexto Sentido) uma performance brilhante.

Por fim, só tenho a dizer mais isto: no meu futuro, dispenso os androides avançados, Mecha. Mas quero absolutamente e sem reservas, super-toys como o Teddy. 😀

Acerca do autor(a)

Carlos Oliveira

Carlos F. Oliveira é astrónomo e educador científico.
Licenciatura em Gestão de Empresas.
Licenciatura em Astronomia, Ficção Científica e Comunicação Científica.
Doutoramento em Educação Científica com especialização em Astrobiologia, na Universidade do Texas.
Criou e leccionou durante vários anos um inovador curso de Astrobiologia na Universidade do Texas.
É actualmente Research Affiliate-Fellow em Astrobiology Education na Universidade do Texas em Austin, EUA.
Trabalhou no Maryland Science Center, EUA, e no Astronomy Outreach Project, UK, recebeu dois prémios da ESA, e realizou várias palestras e entrevistas nos media.

1 comentário

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  1. Nuno José Almeida

    Também não gostei do fim apesar de acho que se entende bem que são androids e não extraterrestres mas a verdade é que toda a gente pensa que são mesmo ETs!!! Acho que se entende bem porque era única situação lógica que era plausível mas isto sou eu e a minha mania de pensar o que vem a seguir. O que mais detestei foi qual é a lógica de a mãe só durar um dia?!!

    Sobre os sentimentos, como definimos o que é um sentimento? O que me lembro do filme David é o primeiro a ter amor os outros andorids que vemos têm é sentido de auto-conservação. Mas o conhecimento actual explica que os sentimentos são processo biológicos bastante mais simples do que se pensava e de nada exclusivos ao ser humano, nem mesmo os “mais complexos”.

  1. Extant

    […] são positivos ou negativos. O filho Ethan continua adorável, mas creepy… tal como em A.I.. Pelo “andar da carruagem”, prevejo que Ethan “vai-se passar” durante esta […]

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