Paradoxo explicado ?

A aniquilação de pares electrão-positrão produz raios gama com uma energia característica de 511 KeV, correspondente à massa em repouso de cada uma das partículas. Num Universo como o nosso, dominado pela matéria, a observação de uma quantidade anormal de fotões com energias de 511 KeV pode ser usada como um marcador para regiões do espaço onde algum mecanismo produz continuamente antimatéria.

Nos anos 70, os astrofísicos foram surpreendidos pela detecção de uma região com estas características no centro da Via Láctea. A origem da antimatéria foi (e ainda é) assunto de grande debate, sendo atribuída a supernovas ou mesmo ao decaimento de partículas exóticas que fariam parte da matéria negra que parece envolver a nossa galáxia. Ambas as ideias são difíceis de conciliar com as observações.

Agora, o observatório de raios gama da ESA, o Integral, parece ter descoberto as “máquinas de antimatéria”. As observações realizadas com o Integral demonstraram que a distribuição da antimatéria não é simétrica relativamente ao centro galáctico (veja-se a figura).

integral_antimatter_lmxb.jpg

O Integral descobriu também que uma população importante de estrelas binárias luminosas em raios-X, designadas por LMXB (Low Mass X-Ray Binary), apresenta uma distribuição espacial semelhante em torno do centro galáctico (veja-se a figura).

Uma LMXB consiste num sistema binário composto por uma estrela pouco maciça e uma estrela de neutrões ou um buraco negro. O gás da estrela normal é capturado no campo gravitacional do objecto compacto e circula em espiral num disco de acreção, atingindo velocidades relativisticas. A essa velocidade o gás é aquecido a temperaturas tão elevadas que a energia presente é suficiente para criar espontaneamente pares electrão-positrão. Os pares são prontamente aniquilados, dando origem a fotões de 511 KeV.

A emissão individual de cada LMXB na linha 511 KeV é muito débil para ser detectada pelo Integral, no entanto, o brilho integrado de todas as estas fontes nessa linha poderia explicar a “nuvem” difusa desta radiação no centro galático.

Será que temos a explicação definitiva para o fenómeno ? Podem ver a notícia original aqui.

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